sexta-feira, 9 de maio de 2008

O “DIA DA$ MÃE$”

E A FAMÍLIA EM CACOS

Celso Lungaretti (*)

07/05/08

Por mais que as feministas esperneiem, a função primordial da mulher é a maternidade. Pelo óbvio motivo de que, caso ela deixe de exercê-la, a espécie humana se extinguirá.Os gregos antigos, que sabiam das coisas, dedicavam a Rhea, mãe dos deuses, uma de suas mais belas comemorações: a da chegada da primavera.Os cristãos também destacam sobremaneira o papel de Maria, mãe de Jesus Cristo, a quem endereçam uma de suas principais orações. Isto fez com que ela se colocasse, na imaginação dos devotos, quase no mesmo plano do Pai Nosso.Sua deferência para com as mães e as mulheres, no entanto, só subsistiu até o feudalismo. Por que? Uma explicação na linha do marxismo é a de que, sendo os homens mais aptos para o árduo trabalho braçal nos campos e para a guerra, a divisão de trabalho estabeleceu-se naturalmente, ficando as mulheres com a responsabilidade de gerar novos trabalhadores e combatentes, além de cuidarem do lar em que eles recompunham suas forças. A ideologia – a atitude cavalheiresca e protetora em relação ao sexo frágil – teria se erigido sobre essa realidade material.O capitalismo, no entanto, dessacralizou a família, submetendo mulheres e crianças à mesma exploração que impôs aos homens. “A burguesia rasgou o véu do sentimentalismo que envolvia as relações de família e reduziu-as a simples relações monetárias”, constatou Marx, qual um profeta irado diante do quadro dantesco de seu tempo: “a grande indústria destrói todos os laços familiares do proletário e transforma as crianças em simples objetos de comércio, em simples instrumentos de trabalho” (“Manifesto do Partido Comunista”, 1848). Emblematicamente, o primeiro registro de celebração do Dia das Mães no milênio passado se dá na Inglaterra do século XVII, quando o quarto domingo da Quaresma começou a ser dedicado às mães das operárias inglesas. Nesse dia as trabalhadoras ganhavam folga para ficar em casa com as mães, depreendendo-se, portanto, que trabalhassem nos demais domingos. Os industriais, apesar de se dizerem tementes a Deus, não lhes permitiam que seguissem o exemplo do Criador, descansando no sétimo dia...Do capitalismo selvagem à fase pós-industrial – O Brasil, com sua industrialização tardia, foi poupado do pesadelo em que se constituiu a criação da infra-estrutura básica do capitalismo na Europa, com destaque para o trabalho massacrante nas minas de carvão inglesas, em que mulheres e crianças cumpriam jornadas às vezes superiores a 14 horas diárias! Em nosso país, até a década de 1960 os homens da casa (o pai e os filhos, estes pegando no batente tão-logo atingissem a idade de 14 anos) geralmente obtinham remuneração suficiente para o sustento, mesmo que precário, da família. Foi quando os avanços no processo produtivo, tornando cada vez mais desnecessária a força física para a maioria dos desempenhos, possibilitaram o ingresso em massa das mulheres no mercado de trabalho.O chamariz do consumo e a perspectiva de serem donas dos próprios narizes (sem se darem conta de que estavam apenas trocando o mandonismo do marido pela tirania impessoal do sistema) levaram as mulheres a disputarem entusiasticamente posições com suas iguais e com os próprios homens, mesmo recebendo paga inferior à deles pelas mesmas funções. Como conseqüência desse aumento exagerado da oferta da mão-de-obra, as remunerações de todos foram aviltadas. As famílias de classe média, principalmente, passaram a depender do trabalho dos dois cônjuges para manterem seu padrão de vida. Ficaram em cacos, com pais fatigados demais para cumprirem realmente seu papel e crianças crescendo aos cuidados de terceiros. O resultado são esses jovens problemáticos, egoístas e imaturos que todos conhecemos. Nestes tempos em que as mulheres vêem a si próprias mais como profissionais do que como mães, paradoxalmente, o Dia das Mães é festejado como nunca. Mas, também aí prevalecem os malfadados interesses monetários, a necessidade que o sistema tem de datas festivas que alavanquem as vendas.Então, o grande exemplo a ser lembrado nesta data é o de Anna Jarvis, estadunidense que batalhou incessantemente para que fosse instituído um dia de homenagem a todas as mães, vivas ou mortas, visando fortalecer os laços familiares e o respeito pelos pais. O governador do seu estado, a Virgínia Ocidental, acabou oficializando essa celebração em 1910, no que foi logo imitado por congêneres, até que o presidente Woodrow Wilson unificou em 1914 as várias datas estipuladas, fixando o Dia Nacional das Mães no segundo domingo de maio.Os comerciantes se atiraram sofregamente à exploração do lucrativo filão, horrorizando Ana Jarvis, que desabafou em 1923 para um repórter: “Não criei o Dia das Mães para ter lucro”. No mesmo ano ela tentou cancelar a celebração por meio de uma ação judicial, inutilmente. E teve sorte de morrer antes que o desvirtuamento do Dia das Mães se tornasse avassalador, na sociedade de consumo.

Celso Lungaretti, 57 anos, é jornalista e escritor.

Mais artigos em http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/

quarta-feira, 7 de maio de 2008

O NOSSO CÉREBRO - Pinky e o Cérebro












Livro:

"A IDEOLOGIA ALEMÃ"

KARL MARX E

FRIEDRICH ENGELS

Título Original: Die Deutsche Ideologie
Prefácio: Emir Sader

Chega às livrarias a aguardada edição integral de A ideologia alemã, de Karl Marx e Friedrich Engels. Traduzida diretamente do alemão para o português por Rubens Enderle, Nélio Schneider e Luciano Martorano, com texto final de Rubens Enderle, a edição da Boitempo tem introdução escrita por Emir Sader e supervisão editorial de Leandro Konder, um dos maiores estudiosos do marxismo no Brasil. Além disso, será a versão mais fiel aos originais deixados pelos autores, pois a primeira no mundo traduzida a partir da inovadora Mega-2. Essa nova edição cuidadosa, que se tornará referência para todos os interessados nos escritos de Marx e Engels, foi feita dentro da tradição de rigor com os livros desses autores estabelecida pela Boitempo. A editora já lançou cinco das obras dos dois filósofos, todas traduzidas do original e sob a supervisão de reconhecidos especialistas. A ideologia alemã é considerada por muitos estudiosos a obra de filosofia mais importante de Marx e Engels. Escrita entre os anos 1845-1846, representa a primeira exposição estruturada da concepção materialista da história e é o texto central dos autores acerca da religião. Nela eles concluem um acerto de contas com a filosofia de seu tempo – tanto com a obra de Hegel como com os chamados “hegelianos de esquerda”, entre os quais Ludwig Feuerbach. Esse ajuste passou antes pelos Manuscritos econômico-filosóficos, por A sagrada família, por A situação da classe trabalhadora na Inglaterra, para alcançar em A Ideologia alemã sua primeira formulação articulada como método próprio de análise. (...) continue a leitura em:

http://www.boitempo.com/livro_completo.php?isbn=978-85-7559-073-7

Livro:"Venezuela Povo

e Forças Armadas"

de Izaías Almada

Entrevista concedida a Brunna Rosa

Fórum – O senhor está lançando o livro Venezuela Povo e Forças Armadas, qual foi o processo que originou o livro?

Izaías Almada – Em 2005, participei de um encontro de solidariedade a Cuba, em São Paulo. No encontro, conheci alguns venezuelanos e fiquei sabendo mais sobre o processo que estava acontecendo por lá. Resolvi então viajar à Venezuela e conhecer de perto os acontecimentos. No final daquele ano, fiquei cinco semanas na Venezuela e percorri o país fazendo entrevistas e leituras sobre o processo de transformação social, a revolução boliviariana e o chavismo. Quando retornei ao Brasil, comecei a preparar o livro, que só ficou pronto no começo do segundo semestre de 2006, no entanto a editora que iria publicar desistiu. Houve posteriores 12 outras respostas negativas. Neste ano, a editora da Caros Amigos aceitou publicar o livro. Venezuela Povo e Forças Armadas é um livro reportagem, onde inúmeras entrevistas com militares, políticos e outros agentes do processo representam o microcosmo do que se passa atualmente na Venezuela. Entre as entrevistas, há reflexões sobre a experiência de integração cívico-millitar venezuelana e se é uma experiência solitária ou um exemplo para outros países da América Latina.

Fórum – O senhor acredita que a chamada revolução boliviariana influenciará outros países?

Almada – Sim, mas jamais seria um processo de transferência de um país para outro. Existem conceitos e idéias bolivarianas que podem se interiorizar em outro país. Como exemplo há a integração cívico-militar, que acontece na Venezuela e diz respeito ao uso das forças armadas do país em favor da população, como atendimento médico, construção de escolas, entre outros. Hoje, as forças armadas daquele país consideram como uma missão esse tipo de ação. Acredito que os países da América Latina deveriam apostar neste tipo de integração. No epílogo do livro, um capitão reformado das forças armadas brasileiras, Sergio Ferola, cita uma série de exemplo de trabalhos feitos pelo exercito e marinha e não divulgados pela mídia, pois não interessa.

Fórum – Qual sua opinião sobre o socialismo do século XXI ?

Almada – O termo socialismo é usado em várias circunstâncias, mas socialismo é basicamente quando socializamos os meios de produção em prol da população e quando determinados fatores essenciais para a soberania do povo são controlados pelos mesmos. No caso da Venezuela o socialismo do século XXI é uma alternativa ao neoliberalismo econômico, a este sistema que está se esgotando. Não é uma proposta para a destruição do capitalismo, até porque isso é utópico, mas uma alternativa a este capitalismo calcado no individualismo e no lucro desenfreado. Em substituição a isso haveria o desenvolvimento com solidariedade, calcado na troca igualitária e na prioridade a educação.(...)

continue a ler em:
http://titaferreira.multiply.com/market/item/690
O Tibete

não é tudo isso

E se aqueles que se preocupam com a falta de democracia na China estiverem na realidade preocupados com o desenvolvimento acelerado do país?


PROTESTOS ANTI-CHINA POR COMETER ATOS DE VIOLÊNCIA CONTRA MONGES NÃO LEVAM EM CONTA QUE PEQUIM AJUDOU A TIRAR TERRITÓRIO DA MISÉRIA E DA CORRUPÇÃO APÓS A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

SLAVOJ ZIZEK COLUNISTA DA FOLHA


As notícias publicadas em toda a mídia nos impõem uma imagem determinada que é mais ou menos como segue. A República Popular da China, que, nos idos de 1949, ocupou ilegalmente o Tibete, durante décadas promoveu a destruição brutal e sistemática não apenas da religião tibetana, mas também da própria identidade dos tibetanos como povo livre. Os protestos recentes do povo tibetano contra a ocupação chinesa foram novamente sufocados com força policial e militar bruta. Como a China está organizando os Jogos Olímpicos de 2008, é dever de todos nós que amamos a democracia e a liberdade pressionarmos a China para devolver aos tibetanos aquilo que ela lhes roubou; não se pode permitir que um país que possui um histórico tão deficiente em matéria de direitos humanos passe uma mão de cal sobre sua imagem com a ajuda do nobre espetáculo olímpico. O que farão nossos governos? Vão ceder ao pragmatismo econômico, como de costume, ou encontrarão a força necessária para colocar nossos mais elevados valores éticos e políticos acima dos interesses econômicos de curto prazo? Embora a atividade chinesa no Tibete sem dúvida tenha incluído muitos atos de destruição e terror assassino, existem muitos aspectos dela que destoam dessa imagem simplista de "mocinhos versus vilões". Enumero, a seguir, nove pontos a serem mantidos em mente por qualquer pessoa que faça um julgamento sobre os fatos recentes no Tibete. Poder protetor1) Não é fato que até 1949 o Tibete era um país independente, que então foi repentinamente ocupado pela China. A história das relações entre eles é longa e complexa, e em muitos momentos a China exerceu o papel de poder protetor. O próprio termo "dalai-lama" é testemunho dessa interação: reúne o "dalai" (oceano) mongol e o "bla-ma" tibetano. 2) Antes de 1949, o Tibete não era nenhum Xangri-Lá, mas um país dotado de feudalismo extremamente rígido, miséria (a expectativa média de vida pouco passava dos 30 anos), corrupção endêmica e guerras civis (sendo que a última, entre duas facções monásticas, ocorreu em 1948, quando o Exército Vermelho já batia às portas do país). Por temer a insatisfação social e a desintegração, a elite governante proibia o desenvolvimento de qualquer tipo de indústria, de modo que cada pedaço de metal usado tinha que ser importado da Índia. Mas isso não impedia a elite de enviar seus filhos para estudar em escolas britânicas na Índia e transferir seus ativos financeiros a bancos britânicos, também na Índia. 3) A Revolução Cultural que devastou os mosteiros tibetanos na década de 1960 não foi simplesmente "importada" dos chineses: na época da Revolução Cultural, menos de cem guardas vermelhos foram ao Tibete, de modo que as turbas de jovens que queimaram mosteiros foram compostas quase exclusivamente de tibetanos. 4) No início dos anos 1950, começou um longo, sistemático e substancial envolvimento da CIA na incitação de distúrbios anti-China no Tibete, de modo que o receio chinês de tentativas externas de desestabilizar o Tibete não era, de modo algum, "irracional". 5) Como demonstram as imagens veiculadas pela TV, o que está acontecendo agora nas regiões tibetanas já não é mais um protesto "espiritual" pacífico de monges (como o que aconteceu em Mianmar um ano atrás), mas (também) bandos de pessoas matando imigrantes chineses comuns e incendiando suas lojas. Logo, devemos avaliar os protestos tibetanos segundo os mesmos critérios com os quais julgamos outras manifestações violentas: se tibetanos podem atacar imigrantes chineses em seu próprio país, por que os palestinos não podem fazer o mesmo com colonos israelenses na Cisjordânia? 6) É fato que a China fez grandes investimentos no desenvolvimento econômico do Tibete e em sua infra-estrutura, educação, saúde etc. Para explicar em termos simples: apesar de toda a opressão inegável, nunca, em toda sua história, os tibetanos medianos desfrutaram de um padrão de vida comparável ao que têm hoje. 7) Nos últimos anos, a China vem mudando sua estratégia no Tibete: a religião despida de política hoje é tolerada e mesmo apoiada. Mais do que na pura e simples coação militar. Em suma, o que escondem as imagens veiculadas pela mídia de soldados e policiais chineses brutais espalhando o terror entre monges budistas é a muito mais eficaz transformação socioeconômica em estilo americano: dentro de uma ou duas décadas, os tibetanos estarão reduzidos à situação dos indígenas americanos nos EUA. Parece que os comunistas chineses finalmente entenderam a lição: de que vale o poder opressor de polícias secretas, campos e guardas vermelhos destruindo monumentos antigos, comparado ao poder do capitalismo sem freios, quando se trata de enfraquecer todas as relações sociais tradicionais? Ideologia "new age"8) Uma das principais razões por que tantas pessoas no Ocidente tomam parte nos protestos contra a China é de natureza ideológica: o budismo tibetano, habilmente propagado pelo dalai-lama, é um dos pontos de referência da espiritualidade hedonista "new age", que está rapidamente se convertendo na forma predominante de ideologia nos dias atuais. Nosso fascínio pelo Tibete o converte numa entidade mítica sobre a qual projetamos nossos sonhos. Assim, quando as pessoas lamentam a perda do autêntico modo de vida tibetano, não estão, na verdade, preocupadas com os tibetanos reais. O que querem dos tibetanos é que sejam autenticamente espirituais por nós, em lugar de nós mesmos o sermos, para continuarmos a jogar nosso desvairado jogo consumista. O filósofo francês Gilles Deleuze [1925-75] escreveu: "Se você está preso no sonho de outro, está perdido". Os manifestantes que protestam contra a China estão certos quando contestam o lema olímpico de Pequim, "Um mundo, um sonho", propondo em lugar disso "um mundo, muitos sonhos". Mas eles devem tomar consciência de que estão prendendo os tibetanos em seu próprio sonho, que é apenas um entre muitos outros. 9) Para concluir, a dimensão realmente nefasta do que vem acontecendo hoje na China está em outra parte. Diante da atual explosão do capitalismo na China, os analistas freqüentemente indagam quando vai se impor a democracia política, o acompanhamento político "natural" do capitalismo. Essa questão com freqüência assume a forma de outra pergunta: até que ponto o desenvolvimento chinês teria sido mais rápido se fosse acompanhado de democracia política? Mas será que isso é verdade? Numa entrevista há cerca de dois anos, [o sociólogo] Ralf Dahrendorf vinculou a crescente desconfiança com que a democracia vem sendo vista nos países pós-comunistas do Leste Europeu ao fato de que, após cada mudança revolucionária, a estrada que conduz à nova prosperidade passa por um "vale de lágrimas". Ou seja, após o colapso do socialismo não se pode passar diretamente para a abundância de uma economia de mercado bem-sucedida: o sistema socialista limitado, porém real, de bem-estar e segurança precisou ser desmontado, e esses primeiros passos são necessariamente dolorosos. Vale de lágrimasO mesmo se aplica à Europa Ocidental, onde a passagem do Estado de Bem-Estar Social para a nova economia global envolve renúncias dolorosas, menos segurança e menos atendimento social garantido. Para Dahrendorf, o problema é resumido pelo fato de que essa dolorosa passagem pelo "vale de lágrimas" dura mais tempo que o período médio entre eleições (democráticas), de modo que é grande a tentação de adiar as transformações difíceis, optando por ganhos eleitorais de curto prazo. Não surpreende que os países mais bem-sucedidos do Terceiro Mundo, em termos econômicos (Taiwan, Coréia do Sul, Chile), tenham adotado a democracia plena só após um período de governo autoritário. Esse raciocínio não seria o melhor argumento em defesa do caminho chinês em direção ao capitalismo, em oposição à via seguida pela Rússia? Seguindo o caminho percorrido pelo Chile e a Coréia do Sul, os chineses usaram o poder irrestrito do Estado autoritário para controlar os custos sociais da passagem para o capitalismo, desse modo evitando o caos. Em suma, uma combinação esdrúxula de capitalismo e governo comunista, longe de ser uma anomalia ridícula, mostrou ser uma bênção (nem sequer) disfarçada: a China se desenvolveu na velocidade em que o fez não apesar do governo comunista autoritário, mas devido a ele. E se aqueles que se preocupam com a falta de democracia na China estiverem na realidade preocupados com o desenvolvimento acelerado da China, que faz dela a próxima superpotência global, ameaçando a primazia do Ocidente? Há mesmo um outro paradoxo em ação aqui: e se a prometida segunda etapa democrática que vem após o vale de lágrimas autoritário nunca chegar? É isso, possivelmente, que é tão perturbador na China de hoje: a idéia de que seu capitalismo autoritário talvez não seja apenas um resquício de nosso passado, a repetição do processo de acúmulo capitalista que se desenrolou na Europa entre os séculos 16 e 18, mas sim um sinal do futuro. E se "a combinação agressiva entre o chicote asiático e o mercado acionário europeu" se mostrar economicamente mais eficiente que nosso capitalismo liberal? E se ela assinalar que a democracia, tal como a conhecemos, não é mais condição e motor do desenvolvimento econômico, e sim um obstáculo a ele?
SLAVOJ ZIZEK é filósofo esloveno e autor de "Um Mapa da Ideologia" (Contraponto). Ele escreve na seção "Autores", do Mais! . Tradução de Clara Allain .

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs1304200807.htm






















Livro:"Noções de coisas"


de Darcy Ribeiro


Você sabe o que é eletricidade? Já se questionou sobre o motivo pelo qual o planeta Terra gira? Sabe a real importância da Matemática na história da humanidade?
Brasileiro dos mais inquietos que já houve, Darcy Ribeiro expõe neste livro a sua face de sábio. E o faz não porque exiba os conhecimentos de uma vida dedicada ao estudo e à observação, mas exatamente porque se põe, irreverente e prático, questionando os saberes estratificados. Parte de um livro que teria sido escrito por Rui Barbosa, um grosso tratado intitulado Lições de Coisas, para desconstruir os saberes acabados, fechados em si mesmos, que alguns poucos indivíduos crêem poder ensinar aos incautos.
Dialogando com um livro imaginário, Darcy coloca em xeque a própria produção do pensamento, criticando a arrogância dos que se autodenominam sábios, ou das ciências que estudam a si mesmas, como a matemática, que é, para ele, uma cobra comendo o próprio rabo. Está em ação o afiado gume de Darcy que tem na ironia um percuciente instrumento de análise do mundo. Insistindo em dizer que sabe quase nada, e que esse quase nada aprendeu observando, e fazendo, o autor confidencia:
Sempre vivi de olho aceso, assuntando, querendo entender. Assim é que aprendi: observando. Mais, ainda, aprendi de oitiva, escutando sabedorias alheias e conferindo. Li, também, muito almanaque e revista e fui guardando na cabeça o que prestava. Estudo mesmo, estudei muito demais, mas aprendi pouco. ("Sabedoria". p.9) (...)
http://www.fnlij.org.br/livros2/nocoes_de_coisas.htm

*Este livro recebeu o Prêmio Malba Tahan -

"O Melhor Livro Informativo - FNLIJ - 1995

"40 Anos de Maio de 68"

Entre os dias 12 e 15 de maio haverá um seminário no Rio de Janeiro para relembrar e discutir a efervecência política e cultural de maio de 1968 em todo o mundo. "Nós que amamos tanto a revolução", a série de debates, tem início no Palácio Gustavo Capanema, a partir das 10h - RIO DE JANEIRO

VEJA A PROGRAMAÇÃO AQUI:
http://ousarlutar.blogspot.com/2008/05/40-anos-de-maio-de-68.html
"CONDOR" Documentário

de Roberto Mader

Estreou no dia 1º de maio, “Condor” , documentário de Roberto Mader que procura revelar a história da operação de mesmo nome que uniu as ditaduras de nosso Cone Sul para reprimir qualquer oposição ao regime.Roberto Mader percorreu diversos países latino-americanos, principalmente o Chile, Argentina e Uruguai, além dos EUA, para investigar como funcionou a operação e narra suas diferentes versões através de depoimentos emocionantes de algumas vítimas e personagens desse período marcante da história da América Latina.Entre os entrevistados estão o general Manoel Contreras (braço direito de Pinochet), Pinochet Jr., Jarbas Passarinho e Hebe Bonafini, do grupo das Mães de Maio. O longametragem foi o vencedor dos prêmios de Melhor Documentário no Festival do Rio e Prêmio Especial do Júri em Gramado em 2007.


Evento:"4º FORUM -

"EDUCAÇÃO: O PAPEL

DA COMUNIDADE"

REDE SOCIAL BELA VISTA
Data: 09/05/2008
Dias: Sexta-Feira das 08:30:00 às 12:00:00
Vagas: 100
Carga Horária: 4 hora(s)
Local: EIS BELA VISTA - RUA 13 DE MAIO, 361. BELA VISTA - São Paulo - SP
Endereço: Bela Vista
IV FORUM REDE SOCIAL BELA VISTA discute o papel da comunidade na educação. Palestrantes convidados: Fernando Leal da Oscip Todos Pela Educação; Jurandir Roque de Assis - E.E. Dra. Ma. Augusta Saraiva; Ariane Leal - Projeto Aprendiz Trilhas Urbanas.

http://www.redesocialbelavista.com.br/pages/redesocial/frmRedeSocial.htm

















"ESTAÇÃO CIÊNCIA"

http://www.eciencia.usp.br/

Localizada em antigos galpões da Lapa, a Estação Ciência mantém uma exposição educativa que aborda temas como Astronomia, Geologia/Geografia, Biologia, História, Tecnologia e Humanidades. Bastante interativa, a exposição permanente atrai as crianças e os marmanjos que adoram colocar as mãos no Gerador de Van de Graaff, esfera que, quando tocada na sua superfície, faz com que os cabelos do visitante arrepiem (é claro que existe uma explicação científica para isso - e esta é fornecida aos visistantes do local). Com o Simulador de Terremotos, as pessoas têm a sensação de estar em uma sala que sofre com o fenômeno natural. Além de poder ver através dos vídeos as imagens de terremotos verdadeiros.O estabelecimento possui uma mini-estação metereológica, que fornece informações sobre o clima, através de equipamentos instalados no telhado da casa. Já na área de Ciências da Terra, uma maquete mostra como acontece os Tsumamis e, de uma maneira interativa, o visitante conhece melhor os materiais de geologia, como a água, rochas e petróleo. As exposições são divididas por áreas específicas, como por exemplo, a de biologia marinha que exibe aquários marítimos e de água doce.

http://www.guiadasemana.com.br/detail.asp?/CRIANCAS/SAO_PAULO/&a=1&ID=12&cd_place=873&cd_city=1























Livro:"BREVE HISTÓRIA

DE QUASE TUDO "

Bill Bryson

Você já se perguntou como se formou esta bola gigante de rocha e magma sobre a qual você vive? Sim, estou falando da Terra. Dela e de todo este imenso espaço que a cerca. Já se perguntou como começou tudo? Como o nada virou algo? Bill Bryson já se perguntou. Depois de andar pela trilha dos Apalaches, e registrar suas andanças no livro Uma Caminhada na Floresta, ele resolveu parar de cogitar e se mexer para responder a estas intrigantes questões. Catou informações, pesquisou e conversou com quem entendia do assunto, e finalmente labutou para resumir tudo o que tinha descoberto num livro. Breve História de Quase Tudo nos conta, numa linguagem bem acessível e facilzinha, como nasceu nosso caro e imenso universo, com seus grandes aglomerados de estrelas e galáxias, e como um caco de material fundido veio parar aqui onde está nosso lindo planeta e muito, muito tempo depois, nós viemos parar em cima de sua superfície. Pode-se acompanhar ainda a história de parte da ciência, com seus seguidores e pioneiros ecxêntricos, suas desaventuranças e indiadas até descobrirem o que hoje pode ser óbvio ou tremendamente obscuro e incerto.(...)http://www.netsaber.com.br/resumos/ver_resumo_c_3720.html














Quantas vezes


você já usou


um teodolito?


Por Helena Singer

06/05/08

A boa notícia é que agora todos estão falando sobre qualidade na educação. Superamos a fase do “lugar de criança é na escola”, com a universalização das vagas praticamente conquistada. Agora, trata-se de debater a qualidade do que acontece dentro das escolas, do ensino oferecido.
É neste contexto que se intensificou por aqui, a exemplo do que há tempos ocorre nos Estados Unidos, uma política de realização de exames nacionais e estaduais para avaliar a qualidade do ensino em todos os níveis, da Educação Infantil ao Ensino Superior. A perspectiva é simples (simplista?): as escolas e universidades existem para ensinar, logo devemos avaliar seu desempenho testando o nível do aprendizado dos estudantes a partir de provas objetivas. Com resultados claros em mãos, os governos são capazes de rankiar as instituições, determinando as melhores e piores. Estes rankings produzem manchetes na mídia que todos entendem e políticas específicas podem ser adotadas em direção às “piores”. Mas, a questão do aprendizado não é tão simples assim.
Há muito tempo, mais de um século, as teorias em educação tratam dos limites do ensino chamado conteúdista, que prioriza o processo de memorização, que é justamente a habilidade mais avaliada em uma prova, sobretudo a prova-teste. Mais recentemente, os avanços das ciências da cognição têm confirmado que o aprendizado só ocorre quando o corpo se mobiliza, a pessoa se envolve emocionalmente com a informação e a experimenta ou pratica. Estas idéias já estão consolidadas nas ciências da educação e foram, inclusive, incorporadas à Lei de Diretrizes e Bases de 1996 e, poucos anos depois, aos Parâmetros Curriculares Nacionais.
Se observarmos com atenção algumas destas provas elaboradas pelas equipes técnicas dos governos, veremos claramente o caráter desconexo do tipo de conhecimento que está sendo avaliado. Por exemplo, em 2007 um exame do governo de São Paulo teve como resultado uma situação que foi classificada pelos jornais como “trágica”: mais de 80% dos estudantes não atingiram os conhecimentos esperados pela Secretaria de Educação. A situação trágica foi diagnosticada com testes que pediam para estudantes de 12 anos calcularem o número de blocos necessários para a construção de uma mureta, considerando dimensões específicas dos blocos e da mureta desejada. Estudantes de 14 anos tinham que calcular a distância entre uma pessoa e um objeto a partir da localização deste objeto em relação a um morro, considerando a altura do morro e o raio de visão de quem está em seu topo. Estudantes de 17 anos deveriam calcular a altura de um edifício, considerando o ângulo obtido por um engenheiro localizado a uma distância específica do edifício com o uso de um teodolito. Pergunto ao leitor: você sabe responder a estas perguntas? Já teve necessidade de construir uma mureta calculando a dimensão dos tijolos? Já precisou calcular a distância em relação a um morro? E a altura de um edifício? Se você não é um engenheiro, provavelmente nunca precisou fazer nada disso, mesmo que seja um profissional bem sucedido e cidadão pleno de direitos. A Folha de S.Paulo, por exemplo, errou ao publicar os enunciados de duas destas questões, como bem foi apontado pelo ombudsman na semana seguinte. O erro passou por jornalistas, revisores, editores e milhares de leitores que nem se deram conta. Então, por que esperar que os jovens o façam? Por que medir a qualidade de uma escola com base na sua capacidade de treinar os estudantes a responderem este tipo de pergunta, mesmo sabendo que poucos anos (ou meses) depois das provas, eles já terão esquecido a resposta dada?
Em oposição a uma prova que mede o “rendimento escolar” - algo mais propício ao que Paulo Freire chamou de “educação bancária” – a avaliação pode ser um instrumento de pesquisa em favor da emancipação. Para isso, ela precisa reconhecer e valorizar os saberes que as pessoas têm e que normalmente são negados pela escola e pela visão “trágica”. Por exemplo, em uma aula de matemática da educação de jovens e adultos, um pedreiro mostrou ser capaz de calcular a área de uma janela apenas olhando para ela. Quando a professora usou os instrumentos da matemática para fazer a medição, concluiu que ele havia acertado com precisão. Outro estudante, um marceneiro, auxiliava os colegas com os cálculos algébricos, para os quais tinha grande facilidade. Quando o projeto era a realização de uma horta comunitária, as habilidades dos estudantes que eram sitiantes para estimar a área a ser plantada foram valorizadas. E a avaliação dava-se continuamente, com os registros diários das descobertas, dos cálculos realizados e das dificuldades encontradas. Era uma avaliação-pesquisa, voltada para a auto-reflexão permanente de estudantes e educadores.
O problema é que as avaliações tipo teste competem com a avaliação-pesquisa. Trata-se de visões opostas com implicações contrárias na forma como se organiza o espaço e o tempo escolares, como se orientam as aulas, como se comportam estudantes e educadores. Ou bem a escola prepara os estudantes para responder perguntas sem significado ou orienta-se pela LDB e pelos PCN e se dedica de fato aos processos de aprendizagem, transformando-se em uma comunidade de produção de conhecimento.
Mas, muitos argumentarão que não é possível fazer avaliações do tipo pesquisa em larga escala, para o país todo. Sim, é verdade que as escolas e universidades do país deveriam ser avaliadas com base em questionários com perguntas bem simples. Estudantes, professores, funcionários, gestores e pais deveriam responder de forma direta e objetiva sobre o seu grau de satisfação em relação ao desempenho dos professores, funcionários e gestores, ao aprendizado dos estudantes, à participação da comunidade na instituição. Esta sim seria uma verdadeira avaliação que justificaria manchetes que determinam “as melhores” e “as piores” instituições de ensino do país e políticas direcionadas para as últimas.




1968,O RENASCER DAS

CINZAS E O HOMEM NOVO

Por Celso Lungaretti



“O anseio meu nunca mais vai ser só
Procura ser da forma mais precisa
O que preciso for
Pra convencer a toda gente
Que no amor e só no amor
Há de nascer o homem de amanhã”
(Geraldo Vandré, "Bonita")


O ideário político dos contestadores de 1968 é pouco lembrado e menos ainda reverenciado, já que não convém aos que hoje confrontam o capitalismo e suas inúmeras mazelas (desigualdade social, ganância e competição exacerbadas, parasitismo, mau aproveitamento do potencial produtivo que hoje seria suficiente para proporcionar-se uma existência digna a cada habitante do planeta, danos ecológicos, etc.) a partir de posições mais ortodoxas.

Nas barricadas parisienses, gritando slogans como “a imaginação no poder” e “é proibido proibir”, muitos estudantes erguiam as bandeiras negras do anarquismo, que marcara forte presença nos movimentos revolucionários do século 19, mas havia perdido terreno desde a vitória do bolchevismo em 1917.

A tentativa de construção do socialismo em países isolados e economicamente atrasados já se evidenciava desastrosa, por degenerar em totalitarismo. A URSS e seus satélites, bem como a China e Cuba, sacrificavam uma das principais bandeiras históricas das esquerdas, a liberdade, para priorizarem a outra, a igualdade.

E nem a esta última conseguiam ser totalmente fiéis. Propiciavam, sim, melhoras materiais significativas para os trabalhadores, mas nem de longe extinguiram os privilégios, tornando-os até mais afrontosos ao substituírem as antigas classes dominantes por odiosas nomenklaturas (as camadas dirigentes do partido único e as burocracias governamentais, que se interpenetravam e coincidiam na justificativa/imposição de seu status de mais iguais).

O desencanto dos jovens europeus com o socialismo real se somou à constatação de que o proletariado industrial das nações prósperas se tornara baluarte, e não inimigo, do capitalismo. Seduzido pelos avanços econômicos que vinha obtendo, preferia tentar ampliá-los do que apostar suas fichas numa transformação radical da sociedade. Ou seja, face à célebre alternativa de Rosa Luxemburgo – reforma ou revolução? – os aristocratizados operários do 1º mundo optaram pela primeira, como Edouard Bernstein previra.

Em termos teóricos, o filósofo Herbert Marcuse já dissecara tanto o desvirtuamento do marxismo soviético quanto a transformação do capitalismo avançado num sistema impermeável à mudança, a partir da sedução do consumo, da eficiência tecnológica e da influência atordoante da indústria cultural, que estava engendrando um homem unidimensional (incapaz de exercer o pensamento crítico).

Foi ele a grande inspiração dos jovens contestadores de 1968, mesmo porque praticamente augurara sua entrada em cena, assumindo o papel de vanguarda que o proletariado deixara vago.

Para Marcuse, somente os descontentes com a sociedade (pós) industrial – intelectuais, estudantes, boêmios, poetas, beatniks e demais outsiders – perceberiam seu totalitarismo intrínseco e seriam capazes de revoltar-se contra ela. Os demais, partícipes do sistema como produtores e consumidores, seguiriam mesmerizados por sua racionalidade perversa.

O diagnóstico de Marcuse acabaria sendo melancolicamente confirmado quando esses descontentes colocaram a revolução nas ruas de Paris e o proletariado lhes voltou as costas, preferindo arrancar pequenas concessões de De Gaulle do que apeá-lo do poder. O Partido Comunista Francês, quem diria, desempenhou papel decisivo na manutenção do status quo, ajudando a salvar o capitalismo na França.

Mas, o esmagamento das primaveras de Paris e de Praga não conteve o impulso dessa nova maré revolucionária, que continuou pipocando nos vários continentes, com especial destaque para a contracultura e o repúdio à Guerra do Vietnã por parte da juventude estadunidense.

Foi, principalmente, nos EUA que os novos anarquistas se lançaram à criação de comunidades urbanas e rurais para praticarem um novo estilo de vida, solidário e livre. Substituíam os antigos laços familiares pela comunhão grupal – ou, como diziam, tribal – e dividiam fraternalmente as tarefas relativas à sua sobrevivência, tal como sucedia nas colônias cecílias de outrora.

A idéia era a de irem expandindo a rede de territórios livres até que engolfassem toda a sociedade. Então, em vez de colocarem a tomada do poder como ponto-de-partida para as transformações sociais, deflagradas de cima para baixo, eles pretendiam expandir horizontalmente seu modelo, pelo exemplo e adesão voluntária (nunca pela coerção!), até que se tornasse dominante.

Acreditavam que, descaracterizando seus ideais para conquistarem os podres poderes, os revolucionários acabavam sendo mudados pelo mundo antes de conseguirem mudar o mundo. Então, era preciso que ambos os processos ocorressem simultaneamente: deveriam construir-se como homens novos à medida que fossem construindo a sociedade nova.

Esse anarquismo renascido das cinzas e atualizado foi o último grande referencial revolucionário do nosso tempo, daí despertar até hoje a simpatia dos jovens que buscam a saída do inferno pamonha do capitalismo (uma definição antológica do Paulo Francis!) e a ojeriza daquela esquerda que ainda se restringe aos projetos de conquista do poder político.

A questão é se, como em outras circunstâncias históricas, a maré revolucionária será novamente retomada a partir do último ápice atingido (mesmo que com intervalo de décadas entre os dois ascensos).

Os artistas, antenas da raça, crêem que sim. Desde o genial cineasta suíço Alain Tanner (Jonas, Que Terá 25 Anos no Ano 2000), para quem as vertentes e tendências de 1968 voltarão a confluir, reatando-se os fios da História, até nosso saudoso Raul Seuxas, que nos aconselhava a tentarmos outra vez e tantas vezes quantas fossem necessárias, não dando ouvidos às pregações tendenciosas da mídia contra a geração das flores e das barricadas.

Esta digressão, que começou citando uma pungente canção de Vandré, merece ser encerrada com um desabafo, que talvez venha a se revelar profético, do bravo guerreiro Raulzito (em “Cachorro Urubu”): “Todo jornal que eu leio/ Me diz que a gente já era/ Que já não é mais primavera/ Oh baby, oh baby,/ A gente ainda nem começou”.
Celso Lungaretti, 57 anos, é jornalista e escritor.

Mais artigos em http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/

MPB - DEBATE - CENTRO MARIA ANTONIA - USP



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sábado, 3 de maio de 2008

EXPO COLETIVA NA "CASA DA XICLET"























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TOLSTÓI,GANDHI,SILO - A História da Não Violência - Parte 5/5

TOLSTÓI ,GANDHI -A História da Não Violência - Parte 4/5

TOLSTÓI,GANDHI,MARTIN LUTHER KING - A História da Não Violência - Parte 3/5

TOLSTÓI ,GANDHI -A História da Não Violência - Parte 2/5

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