sábado, 6 de junho de 2009
Guerreiros Sem Armas parte I
O Instituto Elos reuni 54 jovens de 17 países para arregaçar as mangas e promover transformação humana e urbana nos cortiços no centro de Santos. Veja como foi.
” No caminho do guerreiro, cabe a você discernir o que foi tecido pelos fios divinos e o que foi tecido pelos fios humanos. Quando você principia a discernir, você se torna um Txucarramãe – um guerreiro sem armas. Porque os fios tecidos pela mão do humano formam pedaços vivificados pelo seu espírito. Essa mão gera todos os tipos de criação. Muitas coisas fazem parte de você para se defender do mundo externo, geradas pela sua própria mão e pelo seu pensamento. Quando você descobre o que tem feito da sua vida e como é sua dança no mundo, desapega-se aos poucos das armas, que são criações feitas para matar criações. De repente, descobre-se que, quando paramos de criar o inimigo, extingue-se a necessidade das armas.”
(Kaká Werá Jecupé)
LEIA MAIS EM :
FONTE : http://guerreirossemarmas.wordpress.com/guerreiros-sem-armas-jovens-empreendedores-sociais/
sexta-feira, 5 de junho de 2009
O povo Xukurú do Ororubá e a criminalização do movimento indígena no Nordeste
Por Cassio Brancaleone e Eliana Barros 05/06/2009 às 16:03
Durante os dias 17, 18 e 19 de maio foi realizada em território indígena Xukurú, situado na área rural do município pernambucano de Pesqueira, a IX Assembléia do Povo Xukurú do Ororubá, sob o tema central de ?Fortalecer a organização para enfrentar a criminalização?.
A Assembléia do povo Xukurú configura-se como uma reunião de magnitude política e acontece desde o ano de 2001. Além de contar com a participação de representantes das 23 comunidades, cumprindo importante função social, cultural e política e fortalecendo o processo organizativo do grupo, recebe lideranças e representantes de outros povos indígenas do Nordeste, bem como a assessoria e participação de organizações indigenistas e de outros simpatizantes. A Assembléia Xukurú nasceu da necessidade de manter uma articulação gestada pelo Cacique Xicão, assassinado no ano de 1998 a mando de latifundiários e políticos da região agreste pernambucana. Xicão foi um dos grandes contribuintes da difusão da política de ?retomada? do território tradicional, alavancada pelos grupos indígenas no Nordeste, principalmente em fins dos anos 1980, junto à luta pelas mudanças constitucionais de 1988 e sendo seguida pelos anos 1990 até os recentes dias.
Os Xukurú, a partir da força de articulação política do cacique Xicão, da ativação da religiosidade indígena dada por guias religiosos da comunidade e também através de outros personagens Xukurú e do apoio da rede indigenista de apoio, iniciaram no início dos anos 1990 um processo de retomada de terras que levou a cabo uma guerra contra o latifúndio e a indústria do turismo regional. Foram quase 28 mil hectares reconquistados para um território onde vivem mais de dez mil indígenas e que só foi homologado há pouco mais de quatro anos. Este foi e se trata de um árduo caminho para várias lideranças e pessoas parceiras à luta do povo Xukurú. Seis pessoas foram assassinadas nos últimos anos, um dado que reflete o descaso do Estado com relação à questão indígena em nosso país.
Mesmo vivenciando um absurdo histórico de violência contra interlocutores do movimento, a tenacidade e a capacidade de resistência dos Xukurú pode ser observada no olhar de cada indígena, em sua expressão de auto-reconhecimento como povo e coletividade que compartilha um passado comum de exploração e que é comungado na expressão do toré, símbolo dessa resistência, ritual indígena de atividade secular entre as populações indígenas no Nordeste e que hoje se ressignifica enquanto ponte de ativação de força e de legitimação da identidade.
Atualmente, com mais de 90% de seu território original demarcado e buscando levar uma existência com dignidade, produzindo nos moldes da agricultura familiar e preservando suas matas e bosques, os Xukurú sofrem intenso acosso por parte da ressentida elite econômica e política local que teve sua terra desapropriada e que se vê ameaçada pelo vigoroso processo de organização e politização que alcança o movimento indígena no estado. Para conter esse processo a oligarquia local, assessorada e amparada por um significativo corpo de operadores do direito, atuando dentro e fora das agências do estado, acionam mecanismos e instrumentos jurídicos para a produção de acusações e penas sem fundamentos reais. Se tomamos em número, essa recente estratégia política da grande estrutura do poder vem sufocando as comunidades indígenas em suas bases organizativas, impedindo-as de manter seu cotidiano e o mais importante, seu acionamento político de articulação por demandas concretas de sobrevivência e autonomia. Hoje no Brasil, mais de 700 lideranças indígenas vivem sob processo da justiça penal. Podemos destacar o caso dos Cinta-Larga, de Rondônia, onde mais da metade da população de aproximadamente 1.400 pessoas, estão sob os olhos da justiça e respondendo a processo (Brasil de Fato, 06/05/2009). No Nordeste, destacamos os Xukurú e os Truká em Pernambuco e os Tupinambá, na Bahia, como povos que vêm enfrentando essa mesma guerra; guerra promovida pelo aparato da burocratização latifundiária e amparada pelo Estado de Direito.
Nos Xukurú, 26 lideranças estão sob processo na justiça e dentre os quais duas já estão presas há um ano e meio. No dia 21 de maio saiu a sentença de prisão preventiva ao Cacique Marcos Luídson, filho de Xicão, que é uma das lideranças que sofrem perseguição política. Todo esse mosaico de conflitos é reflexo do processo de retomada de terras e as acusações são as mais diversas possíveis: crimes que vão desde roubos, depredação de patrimônio privado, incitação à desordem até homicídio. O que vale ressaltar, porém, é que as sentenças públicas recentemente postas pela Justiça de Pernambuco seguem uma corrente de arbitrariedades, já que nenhum dos casos até hoje foram esclarecidos em júri. O cacique Marcos, por exemplo, foi sentenciado à pena de 10 anos e 4 meses antes mesmo de serem ouvidas suas testemunhas de defesa (CIMI, 28/05/2009).
A chamada ?criminalização? da luta indígena passa assim pela manipulação de fatos e fabricação de denúncias veiculadas pela grande mídia corporativa, e articuladas com ações legais como processos e ordens de apreensão. A estratégia da oligarquia local implica em produzir e difundir uma imagem do ?índio bandido? e neutralizar a capacidade organizativa dos Xukurú mediante o aprisionamento dos seus mais ativos quadros e lideranças.
A partir de uma rede de alianças firmada na IX Assembléia e continuada por antigos parceiros do movimento indígena no Nordeste, estão sendo planejadas ações que levem para o centro da sociedade envolvente o debate sobre a criminalização e a perseguição política por quais passam líderes de comunidades indígenas e para que também se multipliquem parcerias e coletivos de apoio. Na próxima sexta-feira, dia 05 de junho, às 14 horas, haverá em Recife, uma caminhada de protesto pela sentença dada ao cacique Marcos Xukurú e pela extensão das penas às outras duas lideranças já presas. A caminhada sairá do Parque 13 de Maio, no centro da cidade e se estenderá até o Palácio da Justiça. Esta é a primeira de uma série de atividades que estão sendo pensadas pela rede de ativistas que trabalham em parceria com o movimento indígena no Nordeste. A idéia é difundir a problemática e denunciar as estratégias do Estado na sua brutal e vergonhosa tentativa de desarticular os povos indígenas em seu processo de luta pela autonomia de fato.
Mas a 9ª Assembléia, mesmo orbitando em torno da problemática da criminalização, debateu outros temas de igual importância para o atual estágio da luta indígena Xukurú, como as questões de saúde e educação indígena, a produção e a formação de lideranças. Nesse sentido foi interessante acompanhar o processo de reflexão levado a cabo pelos próprios indígenas acerca dos avanços e obstáculos de seus programas e projetos, a avaliação das atividades existentes e o levantamento de novas demandas para futuros projetos.
É uma exigência do nosso tempo, portanto, reconhecer que a cidadania indígena é um fator extra e emergente no corrente processo de complexificação da sociedade brasileira, e se garantida pelo reconhecimento legal, ainda que realizada pelas ?vias de fato?, os processos de autonomia e autogoverno em gérmen podem se desenvolver em território indígena e assim oxigenar todo um profundo debate público sobre a necessidade de um projeto radical de democratização da terra, que passa necessariamente pela democratização da economia e da própria política.
FONTE : http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2009/06/448365.shtml
CARTA DA IX ASSEMBLÉIA DO POVO XUKURU (AMIGO CASSIO BRANCALEONE ENVIA)
Apesar de grande parte do nosso território tradicional já se encontrar em nossas mãos e da nossa vontade e disposição para garantir a qualidade de vida das famílias Xukuru, a perseguição ao nosso povo continua.
Como se não bastassem os diversos assassinatos de nossas lideranças, agora sofremos com a ofensiva da criminalização. Atualmente, há 43 pessoas sendo processadas. Desse total, 26 já foram condenadas, duas cumprem prisão preventiva e outras aguardam julgamento. São homens honestos, pais de famílias e filhos que junto às suas comunidades tem dado exemplos de vida digna. Esta honestidade é testemunhada tanto pelos membros das comunidades Xukuru, como por pessoas e autoridades respeitadas da sociedade regional, a exemplo do nosso pastor, D. Francisco Biasin, bispo da Diocese de Pesqueira. Esses homens cometeram um único crime: o de lutar para garantir os nossos direitos, especialmente o direito à terra e à sobrevivência física e cultural do nosso povo.
Sabemos que essa situação é vivenciada também por outros povos indígenas no Brasil, e que faz parte de uma estratégia das elites brasileiras que querem continuar a exploração de nossa gente, não aceitando que os explorados se organizem e garantam os direitos fundamentais para uma vida digna.
Estamos indignados e queremos dar um basta a essa situação! Exigimos que deixem nosso povo em paz! Queremos que todos saibam que não ficaremos calados. Estamos denunciando essa trama cruel e absurda contra nosso povo em Pernambuco, no Brasil e em âmbito internacional.
Mesmo sabendo que aqueles que estão contra nosso povo detem o poder político e econômico no nosso país, nós não temos medo e não estamos sós. Contamos com a força de Tamain e Tupã, os encantos e a natureza sagrada, temos também o apoio de aliados, que conhecem profundamente essa trama diabólica e cruel arquitetada contra o povo Xukuru.
Assumimos como nossa, a fala de Zenilda, nossa conselheira espiritual e mãe do povo Xukuru: Vamos continuar lutando, “porque a maioria daqueles que não abraçam a causa dos pobres acham que somos marginais, mas nós somos cidadãos. Nós discutimos nossas lutas com alegria, porque as forças encantadas nos ajudam. Nós somos persistentes. Não é uma minoria que vai nos fazer desistir. Nós não vamos desistir de dar continuidade porque nossas crianças e jovens precisam viver nessa terra, com seus usos e costumes, pois quem nasceu para viver lutando não vai morrer de braços cruzados.” Na certeza da vitória, seguiremos sempre adiante, pois nossa luta é constante.
Aldeia Capim de Planta, 19 de maio de 2009.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
PUC - SP - Convite para Formatura dos Indigenas do Programa Pindorama(CLIQUE NA IMAGEM PARA VÊ-LA AMPLIADA)
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
A NUDEZ PARA AS ETNIAS INDÍGENAS -BRASIL
O corpo é um dos meios que definem a nossa individualidade social e étnica. Por isso, o corpo através de vestimentas, adornos, tatuagens, comunicam mensagens, falam.
Os índios encontrados pelos portugueses à luz do descobrimento estavam nus. Este nativo brasileiro, no seu estado de pureza, desconhecia o pudor, tomada esta palavra na pura acepção adotada pelo homem branco.
Precisando viver identificado com a selva, sente que o estado de nudez o tornava mais saudável, evidentemente mais forte, apto para subsistir e vencer os obstáculos naturais. A ausência de vestes, emprestava ao indígena a grande fortaleza física que o acompanhava sempre. O corpo nu, recebe melhor a ação dos raios solares e deles absorvem elementos que se considera essenciais a vida.
Vivendo sempre nus, os índios brasileiros, quando acontecia de usarem tangas, coberturas, seja entre a região do peito ou do joelhos, seja da cintura as coxas ou ainda, no espaço pubiano, o que se verificava, particularmente, entre as mulheres, o faziam por imitação direta ou das tribos que já se vestiam por terem convivido com o branco. Mas, não era o pudor instintivo que os obrigava e vestirem-se.
Algumas tribos cujas mulheres adquiriram o hábito de vestir-se, parcialmente ou por inteiro, o faziam por pura vaidade, como as índias "caudieu", da tribo "guaicurú-caudieu", que se habituaram a enrolar parte do corpo com faixas de algodão, comprimindo os seios como se vestissem uma túnica.
Dos tupiniquins, os primeiros índios avistados pelas naus de Cabral, ficou a descrição de Caminha:" A feição deles é serem pardos, um tanto avermelhados, de bom rosto e bons narizes, bem feitos. Andavam nus, sem cobertura alguma. Nem faziam caso de encobrir suas vergonhas do que mostrar a cara". Jean de Lery, pouco depois, escreveria sobre os tupinambás e goitacás:"Tanto os homens como as mulheres se apresentavam nus como quando saíram do ventre materno".
O homem e a mulher indígena, viviam nus na sã exibição da forma em que foram moldados, sem que o estado de nudez provocassem neles sentimentos impuros. A força de atração que a índia exercia sobre o índio, naquela época, não dependia da quantidade de panos que lhe podiam ocultar o corpo.
Embora andassem nus, os índios pintavam seus corpos, que funcionavam como um verdadeiro código social, pois cada uma delas indicava uma situação ou estado de espírito: guerra, nascimento de filhos, luto, ritos etc. Para todo aquele que conhecia tais códigos, eles diziam mais do que qualquer outra vestimenta. Igualmente, facilitava a comunicação entre tribos que não falavam a mesma língua.
Em alguns costumes indígenas, os cintos, colares, penas, tangas e outros acessórios que o índio usava, agiam como elemento de sedução, de atração, nada a ver com pudor, propriamente dito, qualquer que seja a região anatômica sobre que esses enfeites repousem. Quando o índio encobria a glande ou todo o órgão de reprodução, ele estava se enfeitando para melhor despertar o curiosidade, o desejo da companheira. A mulher, igualmente, desde que não obedeça a imposições rituais, cobre-se para se fazer desejada. No âmbito da sedução e do domínio do corpo, este nexo social também era evidente nas pinturas usadas pelos jovens indígenas em seus bailes noturnos de caráter orgiástico e lúdico.
Em relação as práticas bélicas o corpo apontava diversos objetivos. Assim, os guerreiros escarificavam o peito, os braços e as pernas para transmitir atributos de animais cujos os ossos eram usados como escarificadores. Entre estes se preferia a de avestruz, por sua força e velocidade. A escarificação, portanto, implicava na apropriação das características dos animais, potencializando a capacidade bélica. O corpo se constitui deste modo, um veículo de transformação de poderes e for'ças naturais em humanas.
A guerra envolvia também a prática do "scalp" (corte do couro cabeludo) e a apropriação de crânios. Os couros cabeludos eram guardados como troféus pelo guerreiro, que demonstravam seu valor e habilidade. Da cabeça só se conservava a calota, que era usada para beber em cerimônias religiosos. Estas ações permitiam que o guerreiro incorporasse o poder do oponente, neutralizando a possibilidade de vingança do morto.
Do exposto se deduz, que o corpo pode ser, mesmo nu, radicalmente transformado e conecta o indivíduo não só com outros humanos, mas também com seres míticos, convertendo-se em receptáculo de poder.
Na nudez o índio exprimia a castidade sem malícia, da qual se afastaria, gradualmente, na convivência com o homem branco. Pois, sabe-se que o pudor não é instinto, vem de fora para dentro e, é coisa adquirida, ensinada, aprendida. Já dizia um velho sábio, que nascemos puros e originais, mas morremos cópias do meio-ambiente e de nosso aprendizado. O nu será sempre moral e nós é o que desvirtuamos emprestando sentimentos impuros à obra da natureza. Em nossa civilização seria um absurdo combater o uso de roupas, até porque seria um atentado ao pudor, punido criminalmente, mas para os índios daquela época era um erro forçá-los a adotá-la. A crônica e relato de etnólogos contam episódios de índios e índias que, afastados da aldeia e seduzidos pela vida da cidade, nela cresceram e educaram-se, adotando o uso de vestes, até que a saudade ou o destino os devolvia novamente, no limiar da selva. Neste dia, em que a sedução e a voz da Grande Mãe Terra se fazia ouvir mais forte, abandonavam os atrativos da civilização. Então, arrancavam toda a indumentária representativa do pudor, dela se despedindo sem saudades, pois para retornar ao seio da natureza, o índio deveria se apresentar no esplendor da nudez que nela viveu. Antes de possuí-la novamente, o índio faz o ato de renúncia e regressa à amplidão da selva nu como dela partiu.
Hoje os índios usam roupas, possuem carros, portam celulares e falam fluentemente português. Perfeitamente adaptados a vida urbana são universitários, professores, jogadores de futebol entre tantas outras profissões. Mas o que é mais importante: continuam sendo índios, não perderam sua individualidade. Mesmo utilizando toda a tecnologia moderna e não vivendo mais em selvas, não deixaram de ser o que verdadeiramente são: bravos guerreiros índios, que buscam o resgate de sua própria identidade. Ao restante da sociedade, cabe o discernimento de reconhecer nos povos indígenas atuais, não como remanescentes de um valoroso passado, mas sim como um povo merecedor de nossa admiração e respeito.
A sua luta, é nossa luta, somos todos filhos da mesma terra, portanto, empunhamos a mesma bandeira, assim como nossos corações-irmãos pulsam uníssonos.
Texto pesquisado e desenvolvido por
Rosane Volpatto
FONTE : http://www.rosanevolpatto.trd.br/lendalinguagemdocorpo.html
sábado, 10 de janeiro de 2009
domingo, 30 de novembro de 2008
POLITEIA NO ALTO RIO NEGRO - MARCELO GOMES JUSTO REPRESENTOU A ASSOCIAÇÃO POLITEIA!!
POLITEIA NO ALTO RIO NEGRO
Em outubro, a convite da Secretaria Municipal de Educação de São Gabriel da Cachoeira, Marcelo Gomes Justo representou a Associação Politeia em curso orientado pelo Instituto Socioambiental (ISA) para a formação dos Assessores Pedagógicos Indígenas e em encontro entre a SME e representantes da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN). Depois, ao lado do professor Elie Ghanem, da Faculdade de Educação da USP, participou de encontro com o vice-prefeito e o presidente da FOIRN. Conheça mais sobre o projeto de educação indígena do Alto Rio Negro no site www.politeia.org.br, na área de Incubadora de Escolas Democráticas.
sábado, 20 de setembro de 2008
EXPOSIÇÃO DE PEÇAS E ARTEFATOS ÉTNICOS NO IEB - USP
Estão expostas no IEB-USP peças e artefatos étnicos, colhidos durante as pesquisas de Mário de Andrade pelo Brasil (incluindo as Licocós do Mário, famosas bonecas de cerâmica Karajá presenteadas de avó para neta conforme a tradição)
E mais: Portinari, Brecheret, Zina Aita, peças marajoara, aventais de Liber, estudos sobre a forma e o traço...
De segunda à sexta, das 9h às 18h
também aos sábados, das 10h às 16h
Entrada Franca
Instituto de
Estudos Brasileiros
av. Prof. Mello Morais
travessa 8 nº 140
Cidade Universitária
São Paulo SP
(11) 3091-2399
www.ieb.usp.br
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
RAPOSA SERRA DO SOL - "BRASIL DE FATO" (clique aqui)

“Se o Supremo aplicar o que exige, estaremos tranqüilos”, afirma a advogada indígena
Depois de mais de 30 anos de resistência dos cinco povos que vivem na reserva, a decisão poderá reafirmar o que está previsto na Constituição de 1988, ou abrir precedentes para que não apenas os povos da TIRSS percam o direito da demarcação contínua, como também servirá de precedente para o questionamento de outras áreas indígenas
Eduardo Sales de Lima,
Da Redação
Leia mais:
Carta aos ministros do STF sobre Raposa Serra do Sol
O Supremo Tribunal Federal (STF) julgará nessa quarta-feira (27), a ação que pede a anulação da portaria do Ministério da Justiça que determina os limites da Terra Indígena Raposa Serra do Sol (TIRSS). Depois de mais de 30 anos de resistência dos cinco povos que vivem na reserva (Macuxi, Wapixana, Ingaricó, Patamona e Taurepang), a decisão poderá reafirmar o que está previsto na Constituição de 1988 ou abrir precedentes para que não apenas os povos da TIRSS percam o direito da demarcação contínua, como também servirá de precedente para o questionamento da demarcação de outras áreas indígenas.
O ministro Marco Aurélio Mello afirmou que se o STF fixar que a demarcação será setorizada por ilhas, tal política se estenderá a todo o território brasileiro. Além do caso da Raposa Serra Serra do Sol, existem mais 144 ações na corte envolvendo terras indígenas na Bahia, Pará, Paraíba, Distrito Federal e Rio Grande do Sul.
No entanto, a defesa dos povos indígenas será baseada na própria Constituição Federal. “Se o Supremo aplicar o que já exige, estaremos tranqüilos”. É o que diz, em entrevista ao Brasil de Fato, a primeira índia a se formar em direito no País, a wapixana Joênia Batista de Carvalho, que protocolou o pedido para ser a primeira advogada índia a defender oralmente uma causa no Supremo Tribunal Federal.
Apesar do otimismo, Joênia acredita que uma decisão desfavorável aos indígenas poderia colocar em risco a vida de seres humanos “que esperam por trinta anos a resolução dessa situação”, além de colocar em risco, também, a conquista de outras terras indígenas.
Brasil de Fato - Como é ser a primeira indígena advogada que vai defender o seu próprio povo?
Joênia Batista de Carvalho- Ainda estamos aguardando a decisão do ministro relator sobre a admissibilidade. Se ocorrer, realmente vai ser um fato histórico. Nunca houve no Supremo um caso tão emblemático para os povos indígenas como a Raposa Serra do Sol. Eu sou wapixana (um dos povos indígenas que vivem na reserva Raposa) e nunca houve um caso de um advogado ou advogada indígena defender o seu povo dentro de uma ação no Supremo. A gente sempre tem visto a União, a Funai fazerem essas defesas, mas realmente é um marco em termos de atuação dos próprios povos indígenas, do protagonismo de defender seus direitos, seus interesses. E eu acho que isso cala a boca de muita gente que fala que os povos indígenas reproduzem discursos de organizações não governamentais estrangeiras. Quando os povos indígenas confiaram em um de seus membros, que no caso sou eu, isso já um avanço e a aplicação, na prática, da lei que permite que os povos indígenas possam ter legitimidade em ações em outras instâncias que tratam dos seus direitos.
Um dos argumentos utilizados dos arrozeiros é que não existe união entre as tribos e que as ongs estrangeiras exercem grande influência sobre essa questão e em relação a vários outros temas. O que ocorre, de fato, na terra indígena Raposa Serra do Sol?
Na minha atuação como advogada, como wapixana, não represento um pensamento único na luta pelas terras. Também estou representando as comunidades Macuxi, wapixana e até mesmo Ingaricó. Só com essa posição formal, a atuação já contra-argumenta e prova que não existe essa fragmentação entre os povos. A|pesar de termos culturas e línguas diferentes, estamos unidos nessa situação porque nos interessa manter a terra da forma como ela foi demarcada. E a gente tem visto que esses são discursos que tentam implantar na mídia, que tentam fazer uma distorção para aparentar para fora de Roraima e para a opinião pública, que existe uma demarcação em área contínua que estaria prejudicando diversos povos. Mas é o contrário. Hoje, os povos indígenas já estão num grau de inter-relação, que se os separarmos, iremos contra os interesses deles. A gente mantém uma economia própria na terra indígena, os laços de família, os casamentos; têm muito macuxi casado com wapixana, e isso não interfere em nada na cultura. Alguns anos atrás, quando se iniciou a exploração das terras indígenas, estes foram muitos massacrados. A solução que encontramos foi reunir os povos justamente para defender a terra. Então, esse argumento de que esses povos diferentes estariam interferindo na fronteira futura e na própria divisão, é mentira.
A pressão política do governo de Roraima e de outros setores faz com que esse julgamento do dia 27 deixe de ser do mérito da questão, e se transforme mais em um julgamento político?
O Supremo é político, né? Mas esse é um caso que tem bastante repercussão nacional e internacional, e onde todo o mundo quer saber qual será o resultado no Supremo, se vai afetar os direitos constitucionais de outros povos indígenas e até mesmo as garantias que nossa Constituição estabeleceu no Artigo 5 em termos de diferença étnica. Para nós, preocupa, sim, que o que esteja em risco sejam essas garantias e que hoje são bastantes claras. Se o papel do Supremo é fiscalizar essas normas, o que esperamos é que ele atue nessa linha, que ele verifique se esses princípios todos presentes na lei maior do país foram aplicadas na demarcação do Terra Indígena Raposa Serra do Sol
Quais são suas expectativas em relação à decisão do Supremo?
É isso que a gente espera, que ele se pronuncie e que resolva definitivamente essa situação. Justamente para não dar margem para que qualquer interessado queira explorar a terra indígena, e que há muitos anos vem tentando negar os direitos indígenas. Se o Supremo for aplicar o que já exige, nós estamos tranqüilos. Mas, se existir uma nova redação para os artigos da Constituição, com artigos que não existem hoje, que é equiparar toneladas de arroz com terras indígenas,ou discutir a possibilidade de mudanças, em termos do Estado de Roraima, aí estaremos perdendo. Esses discursos não são o que estabelecem a Constituição, são discursos puramente políticos, que não tem base legal.
O ministro da Justiça, Tarso Genro, afirma que que a decisão pode abrir um precedentes para que se questione outras demarcações. Você concorda com isso?
Eu acho que sim. A demarcação dos povos indígenas tem que ser feita de acordo com as necessidades dos povos indígenas. E isso já está feito no caso da Raposa Serra do Sol. A gente entende a demarcação como um ato consolidado, mas qualquer outra demarcação que vier pela frente, depois dessa decisão, pode se justamente usar essa decisão como base. É realmente preocupante. Mas as terras indígenas são demarcadas conforme os estudo antropológico, e não podemos retaliar terras indígenas por interesses particulares.
Qual será a reação dos indígenas da Raposa caso a decisão do STF seja uma derrota?
Seria uma decisão histórica, porque na história do reconhecimento formal dos povos indígenas, a gente nunca viu uma decisão de última instância da Justiça que coloque em risco a vida de seres humanos que estão ali esperando já por trinta anos. Também colocaria em risco toda a conquista de outras terras indígenas, por exemplo, a dos Yanomami, Terra Indígena São Marcos.
Mas eu prefiro acreditar que a decisão será positiva. Prefiro acreditar que a decisão não irá afetar esses 30 anos de espera por uma conclusão dos povos q ue vivem na Raposa. A gente ouve dos nossos povos indígenas, que eles tem um lema, que é resistir até o último índio. Eles já esperaram 30 anos, e não vão desistir. Se eles estão vivos até hoje, é por insistência. Se a terra representa a sobrevivência, eles irão lutar para continuar sobrevivendo, mesmo que demore mais 30 anos.http://www3.brasildefato.com.br/v01/agencia/entrevistas/em-jogo-o-futuro-das-terras-indigena
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
EXPO NO IBIRAPUERA : "As Amazônias: Verdades, Mitos e Lendas"
Ecos do Planeta lança sua terceira exposição, com foco no maior Bioma do mundo
Com o objetivo de levar ao público conhecimento e informações sobre as diversas questões socioambientais, Ecos do Planeta promove a abertura da exposição As Amazônias: verdades, mitos e lendas. A mostra apresenta um amplo panorama das riquezas da Floresta Amazônica e propõe ao visitante uma experiência lúdica, interativa e sensorial, por meio de atividades que produzem aromas, sons e a atmosfera úmida da floresta.A exposição está dividida em sete módulos. Cada um deles possui tema, atividade cultural e oficinas interativas. São eles: Floresta, Água, Astronomia, Arqueologia, Aldeia, Diversidade Cultural e Terra do Amanhã. Além disso, serão instalados espaços para oficinas e atividades programadas de cinema, teatro e dança.
Com atividades artísticas, educacionais e culturais, a exposição foi montada para ambientar ao máximo o visitante para dentro da floresta. Iluminação, sons e imagens criam a atmosfera. O cenógrafo responsável pela mostra é o J. C. Serroni.
| Local: | Bienal do Ibirapuera |
| Preço(s): | Grátis. |
| Data(s): | De 21 a 31 de agosto. |
| Horário(s): | Diariamente, das 9h às 22h. |
domingo, 17 de agosto de 2008
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
ANARQUISMO E ANTIGLOBALIZAÇÃO (clique aqui para ler na íntegra)
por Pablo Ortellado
(...)Por último gostaria de mencionar os movimentos, sobretudo os movimentos indígenas e camponeses. Eu os deixei por último, deliberadamente, porque a história que eles vão contar é a única que quase todos os diferentes atores desse movimento plural não hesitarão em partilhar. Como todos sabem, em 1994, no dia em que o NAFTA, o Tratado de Livre-Comércio da América do Norte entrou em vigor, aconteceu um inesperado levante de indígenas na região de Chiapas, no México. Tudo o que se passava e daí em diante se passou em Chiapas foi de tamanha inspiração para o mundo que embora infinitamente inferiores militarmente ao exército nacional, o governo mexicano nunca teve coragem de comprar as conseqüências de um ataque militar massivo na região. Esse levante dos mais oprimidos e necessitados, com práticas exemplares de democracia direta, igualdade entre os gêneros e autonomia, inspiraram a esquerda em todo o mundo. Quase que imediatamente e espontaneamente, comitês de solidariedade aos zapatistas se espalharam pelos quatro cantos. Se um evento realmente merece aparecer como pioneiro do “movimento anti-globalização” esse evento foi o levante zapatista.
Num artigo de grande repercussão publicado na Monthly Review, a historiadora Barbara Epstein fala da forte influência das idéias anarquistas no movimento anti-globalização. Claro, ela está se referindo especificamente aos Estados Unidos e ao movimento de ação direta e o que estou chamando de “ativismo de campanha”. Hoje, nos Estados Unidos, a “comunidade” de ativistas radicais é formada por pessoas que normalmente se definem como anarquistas. Claro, não se trata de um anarquismo clássico, mas de um anarquismo difuso, baseado em idéias gerais de descentralização, democracia direta e decisão por consenso e uma desconfiança generalizada na autoridade. Há, é verdade, no seio dessa comunidade, um núcleo duro de anarquistas revolucionários, mas eles são apenas uma parcela dos ativistas “anarquistas” (assim, com aspas). Na maior parte do mundo, é o anarquismo, enquanto filosofia geral, que inspira essas práticas de organização de base e ação direta e oferece identidade política para os grupos. No entanto, há lugares em que uma parte considerável do movimento é de origem marxista (caso da Itália) ou se define especificamente como autonomista (Itália, Alemanha, Holanda) em oposição aberta às formas clássicas do marxismo e do anarquismo revolucionários.
Saindo da esfera dos ativistas jovens, temos um universo ideológico igualmente frágil. Na verdade, o fim dos regimes ditos “socialistas” deixou muita gente sem rumo e há uma enorme dispersão e inconsistência ideológica na esquerda. Com a exceção dos grupos trotskistas e anarquistas revolucionários, a maior parte da “esquerda” que participa do movimento não tem uma ideologia clara definida. Em geral, tanto os sindicatos quanto as ONGs mais militantes têm referências teóricas marxistas vagas e dificilmente se encontra uma organização com ideologia marxista ortodoxa em qualquer das variantes do marxismo. Alguma ortodoxia ou coerência doutrinária só pode ser encontrada nos poucos grupos trotskistas que tem se envolvido no movimento e nos grupos anarquistas sindicais e revolucionários.(...)
Artigo Publicado originalmente no site do CMI - Centro de Mídia Independente: http://www.midiaindependente.com.br e reproduzido com autorização do autor.
*Pablo Ortellado é Ativista do Centro de Mídia Independente e Doutor em Filosofia/USP.
http://www.arteeanarquia.xpg.com.br/aproximacoes_ao_movimento_antiglobalizacao_pablo_ortellado.htm
quarta-feira, 30 de julho de 2008

"Raposa Serra do Sol"
Moisés Diniz
15-Mai-2008
A gritaria conservadora contra a demarcação contínua de Raposa Serra do Sol ganhou tons envergonhados de uma nação que ainda não conseguiu sequer garantir saúde aos seus povos originais. Intelectuais, políticos e militares, todos se perfilam ao lado do Brasil e posicionam os povos indígenas e seus defensores do outro lado da fronteira.
Aqueles que defendem a demarcação em ilhas de Raposa Serra do Sol são patriotas e estão defendendo a soberania nacional. Aqueles que defendem a demarcação contínua são apátridas e estão a serviço de alguma potência estrangeira. Nunca ouvi tanta bobagem ao mesmo tempo! Todos sabem que há outras reservas indígenas em terras contínuas, em fronteiras, como é o caso da Cabeça de Cachorro, no Amazonas. E isso não impede a presença do exército, do Estado e de todas as suas instituições.
Dizer que os militares não podem fiscalizar as fronteiras, por causa das terras indígenas, é atentar contra o raciocínio do povo brasileiro. Um sofisma criminoso de políticos e empresários que vêem as reservas indígenas como barreiras poderosas de contenção do avanço do agro-negócio. Eles só não têm coragem de dizer isso ao povo.
Por isso inventam essa estória estereotipada de ameaça à soberania nacional e utilização dos índios como massa de manobra de interesses estrangeiros. Chegam ao ridículo de comparar Raposa Serra do Sol a Kosovo ou a Santa Cruz na Bolívia.
Aqui a elite brasileira e seus 'soberanos' auxiliares se enrolam nos conteúdos de cada caso. Kosovo, ao se desgarrar da Sérvia que era Iugoslávia, cumpre um papel de 'entreposto' para a Otan. Já Santa Cruz usa a bandeira da autonomia para golpear os avanços da revolução ecológica e indígena de Evo Morales.
Dizem ainda que queremos transformar o Brasil numa Bolívia, onde os povos indígenas comandam atualmente a política e dão fortes dores de cabeça aos velhos senhores de terra, de escravos índios e de toda má sorte que assolou aquela brava nação.
Aqui não passamos de avos em termos indígenas. Os números inteiros são brancos. Minoria das minorias, a população indígena brasileira amarga a ausência do Estado, da saúde, da educação, da proteção contra os madeireiros, os traficantes de drogas, os búfalos do agro-negócio, os garimpeiros.
Falam que os índios têm muita terra e não se envergonham de defender meia dúzia de arrozeiros. Dizem que raposa Serra do Sol é gigantesca e não informam que ela representa apenas 7% do território de Roraima. Quando criticam que os povos indígenas de Roraima ocupam 43% do território, não têm a honestidade de lembrar que, há cem anos atrás, eles eram donos de 100% de toda a terra de lá.
Falam bobagens acerca da internacionalização da Amazônia, mas não ousam assumir que a Amazônia já está nas mãos do capital estrangeiro, nas mineradoras, nas grandes empresas multinacionais do agro-negócio, nas incontáveis e gigantescas propriedades de estrangeiros e no total descontrole de nossas fronteiras, de nossa flora e de nossa fauna.
Sabem que a verdadeira internacionalização da Amazônia é executada todos os dias pelo agro-negócio. Quem ofende nossos brios amazônicos e nossa soberania são devastadores como Blairo Maggi, Ivo Cassol et caterva, que esfolam, estupram, matam e não deixam nada debaixo de seus tratores.
Expulsam da terra o homem nativo, sufocam os rios, derrubam todas as árvores, concentram a riqueza e fazem o ar ficar podre, espantam os pássaros, amedrontam os índios. Cada árvore que cai é um miserável a mais nas favelas, nos presídios.
Tudo em nome do grande negócio, da riqueza, para que filho de governador possa vender carro contrabandeado e presidente de tribunal de justiça, aqui falo de Rondônia, possa enriquecer, fazendo negócio sujo com as suas sentenças.
Amazônia internacionalizada é Amazônia devastada, sem rios, 'sojada', 'encanada', 'boiada', 'eucaliptada', sem reservas indígenas, extrativistas, sem recursos naturais em abundância. Amazônia internacionalizada é essa brutal e avassaladora biopirataria, biocanalhice de culpar os inocentes e dar sol aos culpados.
O que muita gente procura esconder é o verdadeiro conteúdo da existência de reservas indígenas. O que elas escondem dos olhos obscenos do homem branco. Os povos indígenas vivem em comunidade e a sua terra é coletiva, de propriedade do Estado. Isso dá arrepios aos donos do capital e da vida.
É que um modelo adverso, construído na ancestralidade, na resistência contra a morte e no verso, está sendo erguido sob o nariz fidalgo de uma elite que não suporta conviver com povos indígenas, quilombolas, extrativistas, favelados.
O que eles não dizem é que as terras indígenas são as únicas propriedades territoriais do Brasil que não estão sob o controle do mercado fundiário. O deus mercado não conseguiu erguer nenhum templo nas aldeias indígenas.
Assim, a opinião de um membro do STF, ao defender a demarcação em ilhas, fica com jeito de parecer jurídico de auditor agrário, como se fosse um demarcador de terras e não ministro do Supremo Tribunal Federal.
* O deputado Moisés Diniz (PCdoB) é líder do governo na Assembléia Legislativa do Acre.
www.jornalorebate.com.br
quarta-feira, 23 de julho de 2008

Incêndio Criminoso
destrói aldeia
indígena Guarani
na Praia de
Camboinhas
em Niterói
Por MOVIMENTO INDÍGENA
22/07/2008 às 07:46
Numa atitude covarde, criminosos destruíram, no último dia 18, a aldeia Guarani instalada desde abril na praia de Camboinhas, endereço nobre na região oceânica de Niterói, na Grande Rio de Janeiro. O incêndio ocorreu no momento em que os homens do grupo participavam de uma reunião em outro ponto do bairro. Somente mulheres, crianças e um índio estavam na aldeia. O fogo deixou ferido o indígena Joaquim Karaí Benite, de 43 anos, que teve queimaduras de segundo grau nas costas e no braço esquerdo. De acordo com a Polícia Civil, o incêndio foi criminoso. Lídia Nunes, de 67 anos, espécie de líder do grupo, ouviu quando um homem gritou: "Olha os índios pegando fogo!". Segundo Lídia, ele correu em direção ao canal que divide as praias de Camboinhas e Itaipu. Quando o fogo começou, havia muitas crianças no local. As índias correram para tirar três bebês, um de 11 meses, um de 1 ano e outro de 1 ano e 3 meses de uma das ocas.
Em todo o Brasil, os indígenas se organizam para retomada de seus territórios tradicinais com base em seus direitos originários, no artigo 231 da constituição federal e na declaração dos diretos dos povos indígenas assinada pelas Nações Unidas em 2007. Segundo declaração de Márcio Meira, presidente da FUNAI, a população indígena tem crescido nos últimos anos, isso demonstra que as pessoas estão perdendo o medo de se declararem como indígenas e assumindo a sua origem ancestral. As elites brasileiras temem que o povo assuma sua origem indígena, e busquem conhecer mais sobre a espiritualidade e sobre as categorias da cosmovisão dos povos nativos, já que tais modos de ver e lidar com a realidade colocam a civilização do consumo e descarte em xeque.
Por isso, segue a guerra simbólica nos meios de comunicação de massa e demais aparelhos ideológicos do estado no intuito de conservar a visão romântica do "índio" no ideário da sociedade, reforçando estereótipos preconceituosos. A homogenização da identidade nacional é um recurso de dominação cultural usado pelas elites desde o tempo da Colônia e do Império, vide a menção aos indígenas na lei das Sesmarias e lei das terras de 1850. O incêndio da aldeia Guarani em Camobinhas, as declarações absurdas do Governador José Roberto Arruda em relação ao Santuário dos Pajes, o caso da demarcação da Raposa Serra do Sol, o caso da expulsão da Comunidade Guarani de Eldorado-RS da porta da FEPAGRO, e muitos outros casos recentes são exemplos de intolerância dos poderes institucionais e da elite brasileira. A restência que já completa mais de 500 anos segue!
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2008/07/424928.shtml
domingo, 29 de junho de 2008
TERRA DOS ÍNDIOS
Por Ricardo Soares - 28/04/08http://todoprosa.blogspot.com/2008/04/terra-dos-ndios.html
Sem muito alarde a Tv Brasil exibiu na madrugada passada o documentário "Terra dos Índios". Realizado em 1978 e com a direção de Zelito Viana não entrarei nos méritos estéticos do documentário ( que tem um tom geral monocórdico e tedioso) mas quero me ater ao fato de que 30 anos após ser realizado a triste realidade ali denunciada continua inalterada e está muito, muito pior. Zelito mostra inúmeras comunidades indígenas Brasil afora que tiveram suas terras roubadas com os indios tendo seus direitos vilependiados. A barbárie de sempre. Ontem ,por coincidência, o jornal "O Globo" teve como manchete " Governo terceiriza a Ongs política indigenista do país" o que , em tese, dá razão ao que diz o general Augusto Heleno, comandante militar da Amazônia, que diz ser caótica a nossa política indigenista. O ex-presidente da Funai , Marcos Pereira Gomes, dá razão ao general . Pelas estatísticas oficiais hoje teríamos 740 mil índios no Brasil distribuidos em reservas que ocupam 12% do território nacional como a polêmica reserva Raposa Serra do Sol em Roraima cujos limites não são respeitados por belicosos plantadores de arroz que vieram do sul do Brasil. No imbroglio os militares argumentam que a reserva fica em estratégica área de fronteira . O governo diz que há uma faixa que é reserva policiada pelo exército que não teria o que temer em relação aos limites das fronteiras indígenas. Enfim, passaram-se cinco séculos, os índios são nossos elementos fundadores e até hoje os direitos deles não são minimamente respeitados embora muitos digam o contrário e protestem com veemência em relação à demarcação das fronteiras indígenas. Simplório ou não eu mesmo não estaria digitando essas mal traçadas linhas não fosse em passado remoto meu bisavô tropeiro ter roubado de uma tribo a bisavó Lúcia , formosa e brejeira flor nativa, que ficava no caminho dele entre o Mato Grosso e o extremo oeste do estado de São Paulo.
Índios brasileiros
pedem ajuda para
salvar Amazônia
Londres, 26/06 - Índios brasileiros pediram ajuda esta semana aos políticos de Londres contra os ataques a suas terras na Amazónia, durante uma viagem pela Europa para lançar um apelo para salvar o território, que segundo disseram, é cobiçado por "poderosos latifundiários".
Dois representantes dos povos indígenas macuxi e uapixana da reserva Raposa Serra do Sol, no norte do Brasil, reuniram-se com parlamentares britânicos e com funcionários do consulado para pedir apoio para enfrentar as invasões realizadas por "grupos de produtores de arroz poderosos".
Nas reuniões de quarta-feira com os líderes britânicos, Jacir José de Souza, de 61 anos, e Pierlangela Nascimento da Cunha, de 32, nomeados pelo Conselho Indígena de Roraima como representantes dos seus povos, denunciaram a agressão e pediram apoio para combater a violência.
"É nosso lugar, o de nossos antepassados e nossos filhos, que agora está ameaçado pelos fazendeiros", denunciaram.
Os índios explicaram que a Raposa Serra do Sol - fronteira com a Guiana e a Venezuela - "tem sido submetida há anos a invasões de fazendeiros do sul do Brasil, que ocupam grandes extensões de terra para plantar arroz" e que saqueiam e até mesmo matam membros das suas tribos.
A viagem pela Europa, que já os levou a Madrid, e que ainda tem na agenda as cidades de Bruxelas hoje e, depois, Paris, Roma e Lisboa, coincide com o lançamento da campanha internacional denominada "Nossa Terra, Nossa Mãe", que busca o apoio de governos, ONGs e da sociedade civil para as suas exigências.
A reserva Raposa Terra do Sol, de 1,6 milhão de hectares, foi legalizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2005, após 30 anos de reivindicações dos quase 19.000 indígenas macuxi, uapixana, ingaricó, taurepangue e patamona, mas vários produtores de arroz continuam a ocupar grandes áreas do local.
A campanha também busca apoio às vésperas de uma decisão do Supremo Tribunal Federal do Brasil, que deve se pronunciar em Agosto sobre um recurso contra o "decreto de Homologação" assinado por Lula.
As autoridades de Roraima consideram que as comunidades indígenas são muito pequenas para ocupar tanto terreno - 7 porcento do Estado e apresentaram um recurso judicial para recuperar parte das terras.
A criação da reserva também é alvo de críticas por parte dos sectores nacionalistas e militares, por se tratar de uma área de fronteiriça.
http://www.angolapress-angop.ao/noticia.asp?ID=629287
sábado, 28 de junho de 2008

"Etnia Xukuru possui
festa junina
diferenciada"
Adriana Leal-Pesqueira-PE
28/6/2008
A festa começa muito cedo. Os índios dançam o toré o dia inteiro, prática que faz parte do ritual político e religioso da etnia. Por volta das 14h os índios vão, em comitiva, buscar lenha na mata. O Cacique Marcos Xukuru, lideranças indígenas presentes e os puxadores do toré vão na frente levando a bandeira de São João. Na volta, cada pessoa traz um pedaço de lenha. Caso alguém da família não possa ir, outro familiar traz a lenha que este deveria carregar. Os que já possuem familiares falecidos também lembram de levar a lenha para eles, de forma significativa.
De volta da mata, os Xukuru dão uma volta em torno da Paróquia Nossa Senhora das Montanhas, estabelecida em 1692, um berço da cidade de Pesqueira. A lenha é organizada em frente à igreja e chega o tocador do memby, flauta dos Xukuru, que inicia mais um ritual. Posteriormente, a fogueira é queimada em homenagem à Mãe Tamain, padroeira dos Xukuru, São João e São Pedro. Para os Xukuru, a Mãe Tamain é a Nossa Senhora das Montanhas. “Desde que eu nasci eu conheço essa cultura, cada ano que passa ela atrai mais gente. É um momento muito importante pra nós”, informou Wilma Bezerra Xukuru, Líder da Pastoral da Criança na Vila de Cimbres, se referindo ao ritual da busca da lenha. Alguns índios comentam que há pessoas que caminham sobre as brasas da fogueira sem se ferir. Atribuem este fato a fé deles. E o motivo que os leva a isso, é para alcançar uma graça, isto é, uma penitência. “Só quem passa mesmo na fogueira é o pessoal mais velho, os novatos não tem a coragem de fazer o que os antigos fazem”, disse Rita Spinola Xukuru, moradora da Vila de Cimbres.
Os mais velhos são muito reverenciados na cultura Xukuru, onde são chamados toiopes. Eles são os que repassam os conhecimentos para os mais novos.
Durante a comemoração os índios usam uma roupa chamada tacó, que constitui saia, pelerine e barretina feitos de palha, sendo o último um tipo de chapéu. Usam também colares, brincos, pulseira e cocar.
Dentro da busca da lenha, ainda existe o ritual da Pedra do Conselho, local sagrado na aldeia Vila de Cimbres, onde os índios recebem os encantados, que são as entidades Xukuru. Dizem alguns índios, que quem cai na Pedra do Conselho, durante o ritual, morre no mesmo ano. O evento acontece por volta da meia noite. “É um fortalecimento espiritual e da nossa tradição, se a gente perder o que os nossos antepassados deixaram, a gente não fortalece”, disse Luana Rodrigues Xukuru, formanda do curso de Pedagogia do Instituto Superior de Educação de Pesqueira - Isep e integrante do Conselho de Professores Indígenas Xukuru – Copixo.
Índios e não-índios simpatizantes da causa indígena participam da busca da lenha.
Há uma clara diferença entre as festas juninas populares no nordeste e a comemoração dos Xukuru, embora muitas pessoas da cidade de Pesqueira não os considere como índios porque se vestem, no cotidiano, como não-índios, usam tecnologias e muitos já possuem graduação em universidades. “Hoje aqui a gente não dança forró, não tem quadrilha, hoje é especialmente para busca da lenha e dançarmos o ritual”, informou Luana Xukuru. O povo brasileiro ainda não conhece a própria cultura de onde tiveram suas raízes. Muitos acham que o índio deve viver isolado na mata, sem os recursos tecnológicos que tanto facilitam a nossa vida, sem direito a educação e saúde de qualidade porque são índios e já conhecem tudo o que precisam para viver dentro da sua própria realidade. Caso contrário, podem perder a sua cultura.
Os Xukuru são um exemplo de como os indígenas podem interagir na sociedade recebendo todos os benefícios oferecidos a um cidadão brasileiro sem, no entanto, deixar de lado os aspectos da sua própria cultura, que é viva, inegável e constante. A organização da etnia é exemplo de cidadania, cooperação mútua e luta incansável pelos seus direitos.
http://www.overmundo.com.br/overblog/etnia-xukuru-possui-festa-junina-diferenciada











