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quarta-feira, 20 de agosto de 2008

"FUTUROEDUCAÇÃO" - BIBLIOTECA E CANAL DE VÍDEOS (clique aqui)


Prezados(as)

Um trailer (9"59") do documentário As vozes da Nova Escola Domiciliar Americana foi traduzido e legendado por nossa equipe e já está disponível na nossa página de vídeos:
http://www.futuroeducacao.org.br/videos.htm

Após atualização, nossa biblioteca digital online passou a contar com 150 publicações eletrônicas para download.

Destacamos a seguir algumas das novas inclusões:

- Educação Democrática - experiências, desafios e perspectivas - Politéia, 129 p.
- Família, escola e comunidade: tripé básico para a inclusão da pessoa... - Guga Dorea, 9 p.
- Hablando sobre Summerhill - A. S. Neill, 73 p.
- La sociedad desescolarizada - Ivan Illich, 64 p.
- Lumiar: uma escola inovadora - Eduardo O. C. Chaves, 42 p.
- O que é educação democrática? - Maurício Mogilka, 85 p.
- Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa - Paulo Freire, 54 p.
- Tecnologias do conhecimento: os desafios da educação - Ladislau Dowbor, 20 p.

O acesso à biblioteca é feito pelo endereço:
http://www.futuroeducacao.org.br/biblioteca.htm

Saudações.
Luiz de Campos Jr.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

"MOVA E ECONOMIA

SOLIDÁRIA"


Mario Sergio Cortella


A solidariedade em imensas lições! É exatamente essa a sensação
que se tem ao percorrer o conteúdo vivo, presente nesta obra. Ela aponta,
de forma vigorosa, para a partilha das esperanças e convicções, a indicação
de práticas e concretudes, a expressão de recusas e indignações.
Tudo isso lembra algo que, sem dúvida, moveu autoras e autores e
foi dito por Paulo Freire no seu discurso de despedida do cargo de secretário
municipal de Educação de São Paulo (1991):
Meu gosto de ler e escrever se dirige a uma certa utopia que envolve uma
certa causa, um certo tipo de gente nossa. É um gosto que tem que ver
com a criação de uma sociedade menos perversa, menos discriminatória,
menos racista, menos machista que esta. Uma sociedade mais aberta, que
sirva aos interesses das sempre desprotegidas e minimizadas classes populares
e não apenas aos interesses dos ricos, dos afortunados, dos chamados
"bem-nascidos".
Insisto: são imensas lições de solidariedade e, como é preciso repetir
sempre, a palavra "solidariedade", ao contrário do que muitos pensam,
não vem de "solidão", mas, isso sim, de "solidez", ou seja, daquilo que nos
deixa íntegros, que impede o estilhaçamento da nossa humanidade
compartilhante.
Por isso, a intenção da utopia solidária irmanada com a educação é prioritariamente afastar
a solidão, isto é, o estado de abandono ou a vida isolada sem proteção. Ou, como talvez dissesse
Guimarães Rosa, impedir que exista grande sertão sem veredas, já que, lá quase pela metade da
narrativa, registrou: "Digo ao senhor: tudo é pacto. Todo caminho da gente é resvaloso. Mas, também,
cair não prejudica demais – a gente levanta, a gente sobe, a gente volta!"
A gente levanta, a gente sobe, a gente volta! Essas certezas nos vão sendo ensinadas por
também grandes mestres. Dois deles, ambos chamados Paulo (o Freire e o Singer), negavam ética e
politicamente a origem latina de seus nomes (pois paulu significa "pequeno") e ocupavam juntos,
em 1989, parte de um prédio na Avenida Paulista, em meio às imensas catedrais financeiras ali
imponentes. Um, Secretário Municipal de Educação, outro, Secretário Municipal de Planejamento;
ambos dedicavam-se à transformação de sonhos em realidades, de desejos em ações, de projetos
ideológicos em cidadania encarnada.
Naquele ano, os dois e suas equipes tiveram várias reuniões para verificar a legalidade, viabilidade
financeira e sustentabilidade orçamentária para a implantação de uma nova proposta para
a educação de jovens e adultos na cidade de São Paulo; deveria ser uma parceria efetiva entre os
movimentos sociais organizados e as instâncias do governo municipal, de modo a ser criada uma
dinâmica que ultrapassasse a idéia de campanha e se configurasse como um movimento, processo
vivo e participante. Desse esforço, somado ao de outras áreas de governo, surgiu, no final do
mesmo ano, o Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos (Mova) que, na conclusão do
mandato, em 1992, estava com mais de mil núcleos pelo município e, ainda, disseminou-se como
inspiração para o restante do País.
O mais interessante é que Paulo Freire decidira, desde o princípio, ser necessário fazermos
um congresso que tratasse do tema alfabetização logo no primeiro ano da sua gestão; chegara,
inclusive, a propor que acontecesse no início de dezembro, permitindo muitos meses de preparação.
Havia um porém, que não nos houvéramos dado conta desde que ele iniciara as reflexões
preparatórias conosco: sempre falava em Congresso de Alfabetizandos, quebrando o velho hábito
de tratar do tema sem levar presencialmente em conta o sujeito ou, no caso concreto do analfabetismo,
a vítima.
Teria de ser, bradava nosso mestre Freire, um Congresso de Alfabetizandos! Em vez de reunirmos
apenas especialistas em Educação para falarem para outros iguais, a tarefa era organizar o
encontro de cidadãos e cidadãs ainda não-alfabetizados para poderem falar "de" analfabetismo. Há
uma brutal diferença entre falar "de" e falar "sobre". Quem fala "de", fala de dentro de si para fora,
tendo-se como sujeito da experiência; quem fala "sobre", fala externamente, tomando a experiência
alheia como objeto. Alguns de nós, por falta de vivência real, ficamos impedidos de falar "da"
fome, ou "do" analfabetismo, ou "do" desemprego; A fala daqueles ou daquelas que podemos
somente falar "sobre" não deve, claro, ser desprezada; no entanto, não é a fala de um "especialista"
e, como tal, precisa ser relativizada quando as pessoas vitimadas não se pronunciaram a contento.
Em meados de 1989, era preciso elaborar um cartaz que divulgasse a futura realização do
Congresso de Alfabetizandos (que, quando aconteceu, reuniu mais de 1.500 pessoas de toda a
cidade para debaterem os seus problemas e para que nós, convidados como agentes do poder
público, entendêssemos o que era urgente fazer). Certa noite, visitando um incipiente núcleo de
alfabetização na periferia da Zona Leste paulistana, Paulo Freire entrou em uma sala na qual, aos
45 anos de idade, um alfabetizando escrevia na lousa a primeira sentença completa de sua vida e,
dessa frase, surgiu o cartaz.
A frase, de conteúdo inclemente e veracidade inquietante, ainda com deslizes de gramática
e sintaxe (releváveis no indivíduo escrevente e inaceitáveis na sociedade que o excluiu), gritava:
"Nós construímos esta cidade, e nela somos envergonhados!".
Vergonha, humilhação, desvalia, constrangimento. Afronta à dignidade. Expulsão de infindos
obreiros mesmo enquanto a obra coletiva vai sendo construída.
Dificuldade para manter a coluna ereta e a cabeça erguida! Aí está a chave ética que exige a
edificação do "desenvolvimento sustentável"; tem de ser uma economia que sustente as colunas
eretas e as cabeças erguidas, negando assim uma cidadania encabulada, desonrosa, indecorosa e
que, no limite, afronta com violência o horizonte da fraternidade.
Temos de, com humildade, aprender a erigir a cidade que não envergonha, a partir de uma
pedagogia emancipatória e libertadora. Por isso, como veio central de todos os capítulos deste
livro, urge revigorar o que escreveu Paul Singer nas conclusões do primeiro deles:
A Economia Solidária é um ato pedagógico em si mesmo, na medida em que propõe nova prática social e um entendimento novo desta prática. A única maneira de aprender a construir a Economia Solidária é praticando-a. Mas, seus valores fundamentais precedem sua prática.
No mais, voltando aos começos do Grande Sertão: Veredas: "passarinho que se debruça –
o vôo já está pronto"... (...)

PREFÁCIO DO LIVRO : "ECONOMIA SOLIDÁRIA E EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS"

http://www.publicacoes.inep.gov.br/arquivos/%7BD85647A6-2A37-4FD2-A4F6-20DD186E0A71%7D_econ_solidaria_educacao_JA.p
df

quarta-feira, 16 de julho de 2008

"WIKI E EDUCAÇÃO"

Por Luís Henrique Fagundes -
segundo semestre de 2005

(...)A solidariedade, princípio que guia wikipedistas, é estudada por Gallo, que desenvolve a pedagogia do risco com base em experiências anarquistas em educação, e afirma que
"Por defender a solidariedade, essa educação deve ter por base a liberdade, pois esta é a condição necessária para a cooperação autônoma. A solidariedade nunca poderia ser construída através do autoritarismo, pois a cooperação realizada sob o impacto das ordens e da coerção não seria mais do que um trabalho forçado. Assim, a construção de uma sociedade solidária passa também pela construção social da liberdade. Essa construção aparece, pois como a tarefa primeira da educação libertária, e as relações entre os membros da comunidade escolar, principalmente a relação professor-aluno, são o seu principal caminho; ao instaurar a liberdade nas relações de ensino, a pedagogia libertária opõe-se frontalmente ao ensino tradicional, autoritário por excelência" (Gallo 1995, p. 164-165).

Gallo refere-se à liberdade sob a perspectiva anarquista, em que tem um significado diferente daquele fixado em nossa moral pelas revoluções burguesas do século XVII-XVIII. Para pensadores iluministas como Locke e Rousseau o ser humano é naturalmente livre, e abdica de parte dessa liberdade para viver em sociedade. Para anarquistas como Proudhon e Bakunin apenas em sociedade o indivíduo encontra sua liberdade, que só se constrói na relação com o outro. A liberdade de uma pessoa não termina onde começa a de outra, mas as duas nascem juntas.

A relação educador-educando, que para Gallo deve ser a base para a construção da liberdade, também é trabalhada por Freire, que explica a "educação bancária", presente na grande maioria das instituições escolares, em que o educador possui o conhecimento e deve transferí-lo ao aluno. Tal concepção está implícita em uma enciclopédia tradicional. Freire propõe a educação libertadora, problematizadora, que

"não pode ser o ato de depositar, ou de narrar, ou de transferir, ou de transmitir 'conhecimentos' ou valores aos educandos, meros pacientes, à maneira da educação 'bancária', mas um ato cognoscente. Como situação gnosiológica, em que o objeto cognoscível, em lugar de ser o término do ato cognoscente de um sujeito, é o mediatizador de sujeitos cognoscentes, educador, de um lado, educandos, de outro, a educação problematizadora coloca, desde logo, a exigência da superação da contradição educador-educandos. Sem esta, não é possível a relação dialógica, indispensável à cognoscibilidade dos sujeitos cognoscentes, em torno do mesmo objeto cognoscível." (Freire 1987, p. 68)

Assim, podemos perceber como a Wikipédia coloca em prática a teoria de Freire, em que o objeto cognoscível (um artigo wiki) é o mediatizador de sujeitos cognoscentes (wikipedistas) e não o término do ato cognoscente (como na enciclopédia).

Outro fator interessante de análise é a afirmação de Lawler sobre o medo de estragar um artigo. Para Neill, psicólogo fundador da escola Summerhill e um dos inspiradores da Lumiar, a autoridade gera fobia, e apenas em um ambiente sem autoridade a criança pode desenvolver sua liberdade e autonomia.

6 Conclusões

Pelo estudo dos autores que embasam a teoria pedagógica da Lumiar e observação do cotidiano da escola, pode-se perceber uma relação entre os princípios da educação democrática e a Wikipédia. A partir disso, uma boa hipótese é de que a introdução do wiki em sala de aula causa um paradoxo, um conflito entre dois paradigmas diferentes. Participar da construção coletiva de conhecimento em um wiki é uma tarefa que exige liberdade e autonomia, e num ambiente como a escola tradicional, que nega tais valores desde a infância, conseguir tal participação seria uma proeza.

Outra fator que deve ser relevado é que a construção dessa autonomia e liberdade não é um processo rápido, como podemos observar na Lumiar: crianças provenientes de escolas tradicionais ficam meses apenas brincando até desenvolver interesse por uma aprendizagem autônoma. Conseguir isso em um curso de graduação seria uma tarefa ambiciosa, senão impossível. O sucesso do wiki no curso da Lumiar não foi obtido no primeiro semestre, mas é resultado do amadurecimento de um ano e meio de uso da ferramenta.

Seria demasiado ambicioso e determinista tentar responder com este estudo superficial a causa da baixa participação dos educandos no wiki, porém este estudo levanta hipóteses interessantes que necessitam um aprofundamento experimental e teórico para entendermos o papel da colaboração online na educação.

7 Bibliografia

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987

GALLO, Sílvio. Pedagogia do risco: experiências anarquistas em educação. Campinas: Papirus, 1995

NEILL, A. S. Liberdade sem medo - Summerhill. São Paulo: Ibrasa, 1980

LAWLER, Cormac. Wikipedia as a learning community. [online]?; Disponível em <>http://en.wikibooks.org/w/index.php?title=Wikimania05/CL1 > [2005 nov 29]?

http://conhecimento.incubadora.fapesp.br/portal/trabalhos/2005/WikiEEduca_c3_a7_c3_a3oSegundaEtapa#a-gest-o-democr-tica-do-conhecimento

sexta-feira, 11 de julho de 2008

PAULO FREIRE...

ANARQUISMO...


(...) No Brasil o anarquismo foi, no início do século, o mais importante movimento de ação e contestação em torno da desigualdade. Os anarquistas, italianos principalmente, chegaram a São Paulo onde uma incipiente indústria buscava se firmar a partir de uma economia agrario-exportadora de herança oligárquica e escravagista. Foram eles que trouxeram uma novidade histórica para o país em que a emergência jurídica do trabalhador Iivre ocorrera somente no final do século XIX. Mostraram que o possível depende das pessoas audazes e não de negociações políticas. O efeito da novidade anarquista foi a conquista de direitos elementares pelos trabalhadores, cujo preço foi a repressão com exílios e deportações, simultaneamente a uma estratégia de controle estatizante de inspiração fascista, levada a cabo pela ditadura de Getulio Vargas nos anos 30 e 40.(...)
(...) A educação libertaria é, e sempre foi, a afirmação de princípios de sociabilidades negadoras de elites e vanguardas, princípio filosófico de dissolução do individualismo, da massa e da propriedade privada dos meios de produção. Mesmo querendo encontrar no Estado uma possibilidade como meio para afirmar uma nova sociabilidade, Paulo Freire nos leva a ultrapassar esse limite chamando-nos para o dia-a-dia frente às emotividades infantis e a vida na escola. Lembra, a seu modo, que o anarquismo não é uma proposta alternativa conivente com a estrutura centralizadora de poder, mas como dizia o compositor à sua irmã e a todos nós através do poema-carta, já sabemos que devemos aprender falar inglês, decodificar o que se quer de nós e que o muito que queremos é muito pouco. A democracia, para Paulo Freire, não é apenas uma cristalização da representação sob a forma de terapias sociais, o outro lado do fracasso intervencionista na economia proposto pelos social-democratas. Sua visão e prática educativas democráticas supõem o exercício da democracia direta mais detalhada na estrutura escolar do ensino formal, antes de tudo como meio obstruidor do autoritarismo do que defensor de cristalizações democrático-representativas: ele desejava relações horizontais a partir da organização sob a forma de conselhos.
Mesmo não tendo sido adepto do fim da escola, como Ivan Illich, a quem respeitava pela radicalidade, o pedagogo Paulo Freire não se escusou em aceitar escolas autogestionárias com programas totalmente contrários aos preconizados pelo monopólio da educação estatal que ele ainda considerava necessária em países miseráveis, quando sob a direção pluralista de trabalhadores. Freire não se posicionou como um afirmador inconteste de sua pedagogia, mas a viu como um meio possível, convivendo e dialogando com outras pedagogias entendidas por ele como democráticas, um sinônimo muitas vezes de prática libertária.(...)continue a ler em:

POR EDSON PASSETTI ,em "PAULO FREIRE,O ANDARILHO DO ÓBVIO"

http://www.cedap.assis.unesp.br/cantolibertario/textos/0134.html

terça-feira, 24 de junho de 2008

SOBRE PRODUTORES
DE CONTEÚDO
E SOBRE ESTUDAR


Com a Internet,além de possíveis cidadãos e possíveis consumidores,( muitos nunca chegam a ser consumidores ,ou cidadãos!),hoje podemos ser produtores de conteúdo para a web! Digo web,porque a web é diferente da Internet! a web é o varejão! e a primeira o atacadão! Ser produtor de conteúdo tem muito a ver com ser um "fazedor cultural" ,expressão criada por Paulo Freire! e fazer cultura é produzir conhecimento!


E sobre estudar:"...estudar é algo curioso!! estudamos coisas que outros estudaram,mas se não nos percebemos como produtores de conhecimento,dificilmente aprenderemos estudar de verdade!!"


Nadia Stabile - 24 de junho de 2008

terça-feira, 18 de março de 2008

VI SEMINÁRIO PAULO FREIRE - UNICAMP















6º Seminário

Paulo Freire

18/03/2008 Agência FAPESP – O 6º Seminário Paulo Freire homenageará o pedagogo pernambucano no dia 26 de março, no Centro de Convenções da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior paulista.
Com o tema central “Paulo Freire: uma história de vida”, o evento terá apresentações culturais, mesas-redondas, lançamento de livros e exposição de trabalhos.
“Teoria e prática em Paulo Freire” e “Vidas e histórias: Entrelaçamentos” serão os assuntos discutidos nas duas mesas-redondas. As inscrições são gratuitas.
Mais informações:
www.overmundo.com.br/agenda/vi-seminario-paulo-freire-na-unicamp ou (19) 3289-4242



http://www.agencia.fapesp.br/boletim_dentro.php?id=8578

quarta-feira, 12 de março de 2008

O "INÉDITO VIÁVEL",

expressão cunhada

por PAULO FREIRE,

e outras "palavras" de FREIRE

(...)Existem aqueles imbuídos do desejo de mudança: o oprimido e todos os que
acreditam e percebem a utopia não como algo irrealizável, mas como o que Paulo Freire
(1998) denomina de “inédito viável”, algo que o sonho utópico sabe que existe, mas que
só será conseguido pela práxis libertadora.
Ao visualizar o inédito viável como um sonho, uma utopia, como algo que se
concretiza no cotidiano, o homem e a mulher começam a desvelar a sua libertação como
realidade possível de ser alcançada. O estar no mundo significa empenhar-se em ações,
reflexões e lutas. O homem e a mulher oprimidos, abstratos, a-históricos, passam a fazer
parte do mundo, com uma percepção consciente, crítica e participativa, o que representa
sua vocação ontológica. Diz Freire (2001, p. 85):

"Nunca falo da utopia como uma impossibilidade que, às vezes, pode dar
certo. Menos ainda, jamais falo da utopia como refúgio dos que não atuam ou
[como] inalcançável pronúncia de quem apenas devaneia. Falo da utopia, pelo
contrário, como necessidade fundamental do ser humano. Faz parte de sua
natureza, histórica e socialmente constituindo-se, que homens e mulheres não
prescindam, em condições normais, do sonho e da utopia."PAULO FREIRE (...)

http://www.anped.org.br/reunioes/29ra/trabalhos/trabalho/GT13-1661--Int.pdf

Inédito viável-
O inédito viável é a nova possibilidade de solução para certos problemas que se revelam para além das "situações-limite", quando o máximo de "conciência possível" do homem consegue observar além do visual da "consciência efetiva". É o devir, o futuro a se construir, a futuridade a ser criado, o projeto a realizar. Em outras palavras: inédito viável é a possibilidade ainda inédita de ação, "é a futuridade histórica, que não pode ocorrer se nós não superamos a situação-limite, transformando a realidade na qual ela está com a nossa práxis" (ACAA, 4).

Utopia -é a "dialética entre o ato de denúncia do mundo que se desumaniza e o anúncio do mundo que se humaniza" (DESM, 43).

Vocação ontológica
do homem- O chamado que sentem os homens e as mulheres desde dentro de si mesmos para que se convertam em pessoas capazes de pensar e transformar sua sociedade e de transformar-se em seres para si mesmos. A vocação histórica do homem é "ser sujeito" (CTPL, 37).

Revolução cultural-"é a continuação necessária da ação cultural dialógica a ser realizada no processo anterior à tomada do poder" (ACL, 193).

Revolução- Derrubada violenta do poder para efetuar mudanças profundas nas extruturas sócioeconômicas e políticas. Uma revolução depende de condições objetivas (crise política, estado caótico da economia) e condições subjetivas (uma classe revolucionária, um partido). Fala-se igualmente em revolução técnico-científica, e revolução industrial e em revolução cultural, entendendo-se com isso um avanço importante ocorrido nessas esferas num determinado momento histórico. Revolução democrática é revolução exercida pela força de organização e luta dos trabalhadores, sem o uso de métodos violentos. Para Paulo Freire revolução é o "processo crítico que se leva a cabo com a ciência e a reflexão" (ACL, 87).

Revolução amorosa- Freire usa o adjetivo "amoroso" com uma nova acepção onde mais do que o afeto é o amor que se constitui, no caso, no princípio da revolução.

Dialética-Concepção filosófica segundo a qual o mundo se encontra em constante mudança. As leis fundamentais da dialética são: tudo se relaciona (princípio da totalidade); tudo se transforma (princípio do movimento); mudanças quantitativas geram mudanças qualitativas; existe o princípio da contradição, que significa a unidade e a luta dos contrários. A contradição é a base da dialética (Ver “Método dialético” e "Relações dialéticas").

Diálogo-antidiálogo- Os homens e as mulheres ao refletir sobre sua prática (sobre seu trabalho cotidiano) e ao atuar sobre ela, para transformá-la, necessitam comunicar-se, porem-se de acordo entre si, estar dispostos a escutar outras opiniões, a constatar se o que se está fazendo é realmente positivo, tratar de aceitar que ninguém tem a verdade absoluta inclusive aceitar que talvez estejamos equivocados. É atuar e pensar como sujeitos e permitir que as outras pessoas que nos rodeiam também sejam sujeitos críticos. Esta ação é chamada por Freire de diálogo, o qual só é possível na educação libertadora (problematizadora). A posição contrária é o antidiálogo (a educação bancária).

Práxis- É a união que se deve estabelecer entre o que se faz e o que se pensa acerca do que se faz. A reflexão sobre o que fazemos em nosso trabalho diário, com o fim de melhorar tal trabalho, pode-se denominar com o nome de práxis. É a união entre a teoria e a prática. Conceito comum no marxismo, que é também chamado filosofia da práxis, designa a reação do homem às suas condições reais de existência, sua capacidade de inserir-se na produção (práxis produtiva) e na transformação da sociedade (práxis revolucionária). Para Paulo Freire, práxis é "a ação e reflexão dos homens sobre o mundo para transformá-lo" (PO, 58).


*retirado do glossário sobre a obra de Paulo Freire
http://www.paulofreire.org/Paulo_Freire/glossario_pf.htm

domingo, 2 de março de 2008

a amorosidade

para Paulo Freire

(...)a “educação é um ato de amor”, sentimento em que homens e mulheres vêem-se como seres inacabados e, portanto, receptivos para aprender.(...) http://www.projetomemoria.art.br/PauloFreire/biografia/03_biografia_o_criador_de_ideias.html

(...) Sua pedagogia da amorosidade nos convida a
ouvir, ouvir, ouvir e a pronunciarmos nossa palavra com a transparência e a humildade
peculiar dos que buscam a sabedoria e se propõem a se construírem como verdadeiros
seres em processo de libertação. (...)


V Colóquio Internacional Paulo Freire –
Recife, 19 a 22-setembro 2005
Maria Nayde dos Santos Lima
http://www.paulofreire.org.br/Textos/DISCURSO%20DE%20ABERTURA.pdf.

domingo, 20 de janeiro de 2008


...flutuei com o pássaro azul e com todos

os outros coloridíssimos!! pousei nas idéias

de meu pai e de Paulo Freire, fui até Orion

com a mãozinha de um amigo daqui!!

e consegui ver o olho de Deus

lá no centro de tudo!!minha alma!!


nadia stabile - 20/01/08


*para meus amigos (as)

sábado, 19 de janeiro de 2008



ritmar,rimar,unir,


interligar,pontos culturais,

orquestrar,urdir,tramar,tecer,

cerzir,armar teia, coser,

pegar o trem andando e entrar no ritmo

da rede cultural que tem assim como a rede mundial,

a Internet,interstícios,as teias,a web,

a teia da produção cultural dos cidadãos!

os fazedores culturais! os produtores culturais!

ritmo é tempo,é vida,o tecer precisa do tempo,

o tecelão e a aranha,também!a poesia tem ritmo,

assim como a música,assim como a união de

várias pessoas,ritmar a cultura de vários pontos!

ritmar,entrar no trem...andando ou parado,

o ritmo do trem é para todos!


nadia stabile - 07/01/2008
http://ritmar.blogspot.com/

RITMAR - links culturais
linkando contextos através de projetos culturais,

linkando culturas através de contextos,

linkando pessoas e contextos através da cultura e da arte...


*a imagem aí de cima é do "Grupo Casa Aberta",formado por moradores da região leste da capital Paulista.Música,teatro,
poesia,artes plásticas eram as atividades do grupo que eu também participava! Era início da década de 80,reuníamos no bairro da Mooca,onde nasci! Esta foi uma experiência inestimável em minha vida!A cultura que ali produzíamos em conjunto era genuína...era nossa! expressávamos o que queríamos!nos apresentávamos,também onde queríamos!
e o mais importante de tudo,foi ter a chance de nos descobrirmos como "fazedores" culturais e com isso
poder nos descobrirmos! geralmente as pessoas descobrem suas identidades através da cultura! (leia mais no link acima)
nadia stabile - 19/01/08
*"fazedores culturais" expressão cunhada por PAULO FREIRE!!!

sábado, 8 de dezembro de 2007

MENTALIDADE!!!

(...)A mentalidade das classes dominantes foi forjada justamente por esse tipo de perspectiva estratégica caolha - algo que ainda a faz suspirar.
E quando as classes dominantes se comportam de forma violenta com relação às subalternas surge aquele mecanismo perverso de imitação do opressor pelo oprimido, tão bem descrito por Paulo Freire. (...) "Paulo Costa Lima"

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI2091978-EI8214,00.html

(...)Na visão bancária da educação o saber
é uma doação fundamentada na absolu-
tização da ignorância, manifestação ins-
trumental da ideologia da opressão, que
visa transformar a mentalidade do opri-
mido e não a situação que o oprime.(...)

"Pedagogia do Oprimido"-Paulo Freire
http://rleducacao.ulusofona.pt/arquivo_revistas/Educacao05/pdf05/recensao_critica_paulofreire.pdf.

.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

O QUE É PESQUISA?

Uma pesquisa é um processo de construção do conhecimento que tem como metas principais gerar novos conhecimentos e/ou corroborar ou refutar algum conhecimento pré-existente. É basicamente um processo de aprendizagem tanto do indivíduo que a realiza quanto da sociedade na qual esta se desenvolve. A pesquisa como atividade regular também pode ser definida como o conjunto de atividades orientadas e planejados pela busca de um conhecimento.
Atualmente, também se entende
pesquisa como qualquer busca realizada por meio da
internet.
Ao profissional da pesquisa (especialmente no campo acadêmico), dá-se o nome de pesquisador.


http://pt.wikipedia.org/wiki/Pesquisa

PAULO FREIRE E O

PROFESSOR -PESQUISADOR


"A curiosidade ingênua, de que resulta indiscutivelmente certo saber, não importa que metodicamente desrigoroso, é a que caracteriza o senso comum. O saber de pura experiência feito. Pensar certo, do ponto de vista do professor [pesquisador], tanto implica o respeito ao senso comum no processo de sua necessária superação quanto o estímulo à capacidade criadora do educando [pesquisado]. Implica o compromisso da educadora com a consciência crítica do educando cuja "promoção" da ingenuidade não se faz automaticamente. O de que se precisa é que, em sua formação permanente, o professor se perceba e se assuma, porque professor, como pesquisador". PAULO FREIRE, 2004:29
http://www.espacoacademico.com.br/078/78meksenas.htm

domingo, 4 de novembro de 2007

PROCURA E

DESCOBERTA,

FORMA E FUNÇÃO

Fernando Pessoa(heterônimo Álvaro de Campos), na sua
"Saudação a Walt Whitman", fala sobre "uma ereção
abstrata e indireta no fundo da minha alma...”

Rubem Alves,nosso grande educador,escritor,filósofo,
escreveu um livro ótimo de onde retirei esta frase´.
O livro é "Ao professor com meu carinho",e há um capítulo ótimo:
"Sobre Transar e Ensinar",um excelente recado aos professores que causam
aquelas brochadas intelectuais,sem saída, em seus alunos!
Resumindo,ele compara a ereção sexual à ereção intelectual! muito interessante!
Segundo C.G.Jung,nossa libido é o cerne de nossa energia vital,ou é a própria energia vital!
A repressão sexual , intelectual, emocional...pelo qual passamos desde que nascemos é absurda!!
só não morremos mesmo...(antes da hora),bem,não sei por que? E nosso cérebro!! com tantas capacidades ainda
desconhecidas pela maioria das pessoas!! como dizia Raul Seixas : "...usamos 10% de nossa cabeça animal", nossas capacidades cerebrais não possuem nada de esotérico ou metafísico,
pelo contrário,é algo morfológico,a forma de nossas células cerebrais, são piramidais!!
é ... assim como as pirâmides do Egito!! há toda uma ciência sobre isso!...
Mas pensando na forma dos seres, tive muita vontade de compartilhar algo sobre minhas reflexões sobre os gêneros humanos,homem,mulher,macho,fêmea! estas últimas palavras
muito mais relacionadas à nosso lado animal e à função da forma de nossos corpos,distintas
e o porquê destas essenciais diferenças! Isto que digo tem muito a ver com pontos de vista que adquiri estudando um pouco de design(desenho industrial) e também porque estudei prótese dentária e pude constatar que para cada forma dental corresponde uma função particular.
E quanto ao bom design,aprendi que é uma consequência da função,dos elementos internos!
na modernidade as decorações ,os tais enfeites,caíram por terra,por isso nossa arquitetura é muito mais limpa(clean). Este conceito fundamental do design e da moderna arquitetura,
tem como exemplo a natureza,e até os dentes!rsrsrsrs,nada na natureza possui detalhes sem função,tudo existe para cumprir uma função,nada é por "acaso".
Levando isso em conta tive alguns insights em relação às mulheres e homens! e digo,motivada por um grande homem! e sempre compartilhando idéias,reflexões! isso é viver!
As funções da forma do corpo da mulher,são muitas! abrigar o sêmen,gestar o filho,parí-lo,amamentá-lo, aconchegá-lo,enfim,além destas funções que já conhecemos há muito tempo,
pensei na forma,na posição em que a genitália feminina encontra-se,e vi que talvez por esta forma,distinta dos homens,é que nos faz diferentes até em nossa alma! e fiquei muito feliz de descobrir isso! deu-me uma certa paz intelectual,por descobrir a razão de tamanha diferença!
meu lado intelectual deu-me paz na alma! assim como Rubem Alves e até Paulo Freire dizem!
que a procura intelectual é dura,é difícil,e necessita da vontade,da paixão pelo conhecimento,
e muitas vezes,muitas respostas estão dentro da gente mesmo! só é preciso a vontade e a tal da ereção intelectual serem motivadas!
Qualquer dia farei um texto meio poético sobre esta descoberta! Boas procuras e descobertas
para todos!

Nadia Stabile - 04/11/2007

domingo, 28 de outubro de 2007

"ASSEMBLÉIAS,

PONTO CRUCIAL

NA EDUCAÇÃO DEMOCRÁTICA"

Paulo Freire escreveu "Pedagogia da Autonomia",seu último livro,antes de falecer.
A autonomia em todos os âmbitos da vida é algo crucial,assim como as assembléias
nas "escolas democráticas".
Nada mais humano do que a reunião de um grupo,para decidir os próximos passos a serem dados em relação à disciplina,andamento do trabalho do grupo,enfim,todos juntos,olhando-se nos olhos,optando por coisas que balizarão a própria atuação e a de todos,assumindo suas escolhas e a de todos! se a maioria decide,e se você decide junto,isto é,não se aliena de pensar junto com os outros, será bom para todos. Todos sentem-se coo criadores de tudo que é feito.
A autonomia é também,e inclusive,aprendida,e exercitada, nesses momentos de assembleias,
porque a criança,o educador,o funcionário da escola,todos juntos decidem tudo junto,
e a criança ou qualquer adulto que nunca tenha aprendido que é possível ser autônomo,
que é possível escolher algo relevante que atingirá a escola toda,começa a sentir-se gente pensante,gente fazedora,gente incluída,gente que se auto governa e que pode interferir
no funcionamento do grupo,e aí é que começa a desopressão das pessoas.
Nós pensamos que crianças não podem optar por nada importante!
mas com quatro anos de idade a criança pode e deve iniciar sua caminhada em direção à autonomia, muitos equívocos existem em relação à este assunto,deixamos as crianças
optarem em assuntos fúteis,mas naqueles que seriam os mais importantes,nós as detemos.
Recomendo os livros : "REPÚBLICA DE CRIANÇAS" de HELENA SINGER,
"PEDAGOGIA DA AUTONOMIA" de PAULO FREIRE, "COMO AMAR UMA CRIANÇA"
de JANUSZ KORCZAK,este último é fundamental para começarmos a entender como são as crianças e como fazer assembléias de verdade!

Nadia Stabile - 28/10/07

sábado, 27 de outubro de 2007


FRASES DE

PAULO FREIRE


"Eu sou um intelectual que não tem medo de ser amoroso, eu amo as gentes e amo o mundo. E é porque amo as pessoas e amo o mundo,que eu brigo para que a justiça social se implante antes da caridade."
"O ser alienado não procura um mundo autêntico. Isto provoca uma nostalgia: deseja outro país e lamenta ter nascido no seu. Tem vergonha da sua realidade."
"O homem, como um ser histórico, inserido num permanente movimento de procura, faz e refaz constantemente o seu saber."
"Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Por isso aprendemos sempre."
"A tarefa mais importante de uma pessoa que vem ao mundo é criar algo."
"Não há saber mais ou saber menos. Há saberes diferentes."
"Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão." [1987]
"O mundo não é, o mundo está sendo."
"O que me surpreende na aplicação de uma educação realmente libertadora é o medo da liberdade."


**Paulo Freire (19 de Setembro de 1921 -

2 de Maio de 1997).

Educador brasileiro.

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