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sábado, 6 de junho de 2009

José Pacheco - Palestra (ESCOLA DA PONTE)ALFABETIZAÇÃO E ETC



Palestra do Prof. José Pacheco na APEOESP, apresentada pelo programa Educação na TV. O professor Pacheco é ex-diretor da conhecida Escola da Ponte de Portugal.
O educador participou, desde o início, do processo que culminou na transformação daquela unidade educacional em uma instituição única.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

HISTÓRIA - ESCOLINHA DE ARTE DO BRASIL - A LIBERDADE DA CRIANÇA NA CRIAÇÃO ARTÍSTICA - RECONHECE-SE QUE A CRIANÇA POSSUI GRANDE CAPACIDADE ARTÍSTICA

Histórico

A Escolinha de Arte do Brasil é criada em 1948, no Rio de Janeiro, por iniciativa do artista pernambucano Augusto Rodrigues (1913 - 1993), da artista gaúcha Lúcia Alencastro Valentim (1921) e da escultora norte-americana Margareth Spencer (1914). A Escolinha, que coloca o foco nas distintas expressões artísticas (dança, pintura, teatro, desenho, poesia etc.), funciona nas dependências da Biblioteca Castro Alves, do Instituto de Previdência e Assistência Social dos Servidores de Estado - Ipase, voltada fundamentalmente para o público infantil. O filósofo e teórico da arte Herbert Read (1893 - 1968) fornece as principais inspirações para a experiência, sistematizadas em sua obra Education through Art (1943). As idéias de Read - ancoradas no princípio de que a educação é o fundamento da arte - são também conhecidas do público brasileiro da época em função da exposição de arte infantil por ele organizada no Museu Nacional de Belas Artes - MNBA, Rio de Janeiro, em 1941. O espírito não diretivo e aberto da Escolinha de Arte do Brasil pode ser aferido na tentativa de ampliação do repertório artístico pela inclusão de elementos da arte popular e do folclore (por exemplo, teatro de fantoches e bonecos), na intensificação do diálogo entre as diferentes modalidades artísticas, ou na adoção de um método pouco convencional de ensino. Diz Lúcia Valentim: "Nossa grande mestra foi sem dúvida a criança. Havíamos decidido nos guiar por ela: observar o que ela fazia; oferecer situações novas e verificar como reagia; analisar o que recusava; documentar como progredia".

A Escolinha recebe forte apoio de educadores atuantes, como Anísio Teixeira (1900 - 1971) e Helena Antipoff (1892 - 1974). Esta é especialmente ligada a Augusto Rodrigues, em função do trabalho conjunto na Sociedade Pestalozzi, por ela criada em 1948, e na qual Augusto é professor. Vale lembrar que as relações entre arte e educação especial mobilizam a Escolinha de Arte do Brasil desde o início, favorecidas por convênios com a Pestalozzi e com a Apae, por intermédio de Antipoff e de Nise da Silveira (1905 - 1999). Experiências educacionais como essas ainda hoje enfrentam forte resistência por parte de muitos profissionais, apesar dos insubstituíveis serviços prestados às famílias de crianças deficientes. Outro traço importante do perfil e da atuação da Escolinha diz respeito às tentativas que empreende para difundir concepções mais modernas na área da educação artística com criação de veículos próprios como o jornal Arte & Educação, editado a partir de 1970. A produção de materiais específicos para o ensino de arte é outra inovação da Escolinha de Arte do Brasil, que sistematiza, pela primeira vez, técnicas pouco conhecidas e, até hoje, utilizadas pelas escolas: lápis de cera e anilina; lápis de cera e varsol; desenho de olhos fechados; impressão e pintura de dedo, mosaico de papel; recorte e colagem coletiva sobre papel preto; carimbo de batata; bordado criador, desenho raspado e de giz molhado, entre outras.

As primeiras escolas especializadas em arte para crianças e adolescentes remontam à década de 1930, às experiências como as da Escola Brasileira de Arte, de São Paulo, dirigida por Theodoro Braga (1872 - 1953), e aos cursos de Anita Malfatti (1889 - 1964), oferecidos em seu ateliê e na Biblioteca Infantil Municipal do Departamento de Cultura de São Paulo, dirigido por Mário de Andrade (1893 - 1945) entre 1935 e 1938. Essas experiências se caracterizam pela idéia da aprendizagem livre e do incentivo à expressão criativa, na contramão do ensino oficial de artes tal como instituído em seguida no período do Estado Novo, quando as aulas de desenho geométrico e cópia de estampas são introduzidas na escola primária e secundária com a finalidade de orientar ao máximo a formação artística, adequando-a aos modelos e padrões vigentes. Na década de 1940, novas experiências na área da educação artística têm lugar no país, com o intuito de formar artistas e educar o gosto em função da liberdade expressiva. A Escola Guignard, criada em 1943, na cidade de Belo Horizonte, é ótimo exemplo de um modelo não convencional de educação artística. Em relação às crianças, especialmente, amplo trabalho é feito pelos artistas que abrem os seus ateliês para a experimentação livre. No Recife, por exemplo, Lula Cardoso Ayres (1910 - 1987) fornece lápis, papel e tinta para as crianças, deixando que elas se expressem de modo não dirigido. Também as escolas Waldorf incentivam a integração entre arte e educação, no Brasil, desde a década de 1950.

A despeito de importantes iniciativas individuais, a Escolinha de Arte do Brasil altera o panorama do ensino artístico, multiplicando as experiências na área de arte e educação em diversas regiões do país. Sua criação está na base do Movimento Escolinhas de Arte - MEA, que congrega diversas escolinhas de arte, nos anos 1950, 1960 e 1970: a do Rio de Janeiro, da Bahia e do Recife, por exemplo. Podem ser considerados desdobramentos importantes da Escolinha de Arte do Brasil o Ateliê Infantil do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ, criado por Ivan Serpa (1923 - 1973), em 1972, e os cursos de licenciatura em educação artística, instituídos em 1973. Não se deve esquecer que a despeito da ênfase na liberdade de criação, o MEA procura interferir no ensino regular de arte nas escolas públicas. Algumas iniciativas são tomadas nessa direção, por exemplo, a organização de um curso promovido pelo Ministério da Educação e Cultura - MEC e pela Escolinha de Arte do Brasil, em 1971, para preparar as equipes das Secretarias de Educação para de orientar a implantação da disciplina de educação artística, obrigatória a partir da década de 1970. Com o tempo, portanto, a Escolinha de Arte do Brasil volta-se também para o público adulto, tornando-se um importante centro de formação de profissionais que vão supervisionar experiências no Brasil e América Latina.


Atualizado em 21/11/2005

FONTE: http://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_IC/index.cfm?fuseaction=marcos_texto&cd_verbete=3757

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

CARTA DE PROTESTO - DISCRIMINAÇÃO DENTRO DE ESCOLA EM ALTAMIRA - PA



ALTAMIRA 26 DE FEVEREIRO DE 2009

Em Altamira – Pa, uma garota teve que abandonar o colégio por que a direção cismou sua amizade com outra garota. A diretora juntamente com a psicóloga da escola (CEGD) sugeriram à mãe da adolescente (R.B,
17anos) que a levassem a um psicólogo para fazer tratamento, pois a menina mantinha comportamento estranho ao se relacionar com outras.
Alegaram que a aluna era doente e precisava de tratamento psicológico, e como se não bastasse teve rematrícula negada.

Podemos afirmar que um indivíduo – salvo aqueles que não foram inseridos no sistema educacional por falta de oportunidade e/ou por impossibilidade – passa cerca de 10 anos no ambiente escolar na tentativa de adquirir graus de escolaridade e talvez um pouco de cidadania. Mais ou menos entre 07 e 17 é o período de várias transformações corporais e mentais. Portanto, não é leviano assumir que boa parcela da personalidade do garoto ou garota vem desse ambiente. É na escola que eles desenvolvem suas habilidades sociais e começam a compreender o conceito de sociedade.

A escola não é um sistema fechado, pelo contrário, traz para si uma importante carga de experiências do mundo externo. Entenda-se que desse mundo, como não isento disso, cargas negativas também virão como os vícios do mundo lá fora.

Esse ambiente ao qual nos referimos muitas vezes oprime a juventude mesmo não intencionalmente. O jovem historicamente é visto como símbolo de transgressão e rebeldia (justificadas ou não), assim, historicamente também é penalizado por isso. Nesse contexto, uso de drogas e sexualidade são os temas mais preocupantes entre professores e diretores. Por mais preocupados e empenhados que sejam/estejam, nenhum professor ou diretor em sã consciência admitiria o preconceito se o caso fosse, por exemplo, de homossexualidade, assim como a maioria da população diz não ser racista, mas seus atos mostram o contrário.
A homossexualidade não é novidade nem nunca foi moda, ao contrário do que muitos conservadores pensam e ainda repugnam. É fato! No ambiente escolar não seria diferente. O que se percebe em muitas escolas, local onde deveria haver proteção e amparo – e uma maior compreensão já que se discute cidadania, direitos e igualdade –, garotos e/ou garotas homossexuais sofrem diariamente discriminação. Não raro, garotos são expulsos por trocar carícias no corredor (um caso detectado em Manaus). Em Altamira – Pa, uma garota teve que abandonar o colégio por que a direção cismou sua amizade com outra garota. A diretora juntamente com a psicóloga da escola (CEGD) sugeriram à mãe da adolescente (R.B, 17anos) que a levassem a um psicólogo para fazer tratamento, pois a menina mantinha comportamento estranho ao se relacionar com outras. Alegaram que a aluna era doente e precisava de tratamento psicológico, e como se não bastasse teve rematrícula negada. Procuramos a direção da escola e os mesmos se recusaram a dar maiores informações sobre o assunto. "Mais importante que considerar a homossexualidade um problema psicológico, passível de ser tratado, é educar a população para respeitar as individualidades. Diferenças não são escolhas, e sim tendências que fazem parte da natureza das pessoas", por isso o aluno e os pais podem (e devem!) procurar uma assessoria jurídica, de preferência grupos que respondam pela categoria como grupos gays da sua cidade e partir pra cima!

Discriminação, mesmo dentro da escola, já é crime no Brasil. O Artigo
232 do Estatuto da Criança e do Adolescente diz: “Submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a vexame ou a
constrangimento: Pena – detenção de seis meses a dois anos”. Esse artigo é muito sério. Bem administrado, ele praticamente criminaliza a homofobia quando praticada por um pai ou um professor contra um adolescente. Alguns professores mal (in)formados são incapazes de discutir o assunto, mas devemos mudar essa realidade curricular e a atuação profissional em sala de aula. Podemos denunciar atitudes antiéticas desses profissionais no Ministério da Educação, nos órgãos representativos de classe, no Ministério Público Federal ou Estadual, ou seja, rompa esse silêncio. A escola pode ensinar teorias, mas não como você vai expressar a sua sexualidade.

Não podemos deixar IMPUNE a atitude preconceituosa e discriminatória dessa instituição de Ensino.

QUEREMOS JUSTIÇA DAS AUTORIDADES

Seus Direitos, Nossos Direitos, Direitos Humanos - Direitos Iguais!
Nem Mais, Nem Menos.

Grupo Homossexual da Transamazônica e Xingu

Publicação: Revista G Magazine, Folha de São Paulo, Diário do Pará, Folha do Tocantins, Jornal Estado do Carajás.

Informaçõe s adicionais humbertofesta@hotmail.com

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

"MULTIMANIFESTO: ANTES QUE O MUNDO ACABE!"

ANTES QUE O MUNDO ACABE!!!
SAIA DA FRENTE DA TELA DE TV!
VÁ ATÉ A ESQUINA E VEJA!!!
VEJA QUE HOJE FAVELADOS DA ZONA LESTE
DE SÃO PAULO PERDERAM SEUS TETOS NUM INCÊNDIO!
VEJA QUE CRIANÇAS ESTÃO MORRENDO EM GAZA!!
PARE DE ASSISTIR NOVELAS DA REDE GLOBO OU DE OUTRA REDE!
TELESPECTADORES ESTÃO ENREDADOS NAS FALSAS TEIAS DAS REDES TELEVISIVAS!
QUE FALSEIAM TUDO, OMITEM FATOS VITAIS!!

PARE DE DESPERDIÇAR ÁGUA!
PARE DE ENGANAR-SE!
PARE DE IMITAR OS ABUTRES!
PARE DE CONSUMIR TANTO!
O CONSUMISMO ESTÁ CONSUMINDO O PLANETA!
PARE DE DAR OUVIDOS A MEXERICOS SOBRE ARTISTAS!
TENTE COMPREENDER SUA CIDADE!!
TENTE AMAR TODAS AS CRIANÇAS COMO SE FOSSEM SEUS FILHOS!
E VEJA!! CRIANÇAS ESTÃO MORRENDO NESTA GUERRA INÚTIL!
ANTES QUE O MUNDO ACABE EXPERIMENTE SER SER HUMANO!!

NADIA STABILE - 12/01/09

"E SE..." - DE RICARDO SANT'ANNA REIS - POESIA SOBRE A GUERRA NO ORIENTE MÉDIO - EDIÇÃO DO VÍDEO DE NADIA STABILE - MÚSICA DE BUDDHA BAR

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Vozes Razoáveis (505): Ivan Illich 2 - MODOLINKAR COM O BLOG FRENESI (clique aqui)



por PCD

«[…] Em que ambiente nasce a criança das cidades? Num complexo conjunto de sistemas que significam uma coisa para quantos os concebem e outra coisa para quem os utiliza. Posto em contacto com milhares de sistemas, colocado nos seus terminais, o homem das cidades sabe servir-se do telefone e do televisor, mas ignora como funcionam. A aquisição espontânea do saber está confinada aos mecanismos de ajustamento a um conforto massificado. O homem das cidades tem cada vez menos possibilidade de fazer as suas coisas como lhe der na gana. Fazer a corte, a comida e o amor transformaram-se em matéria docente. Desviado por e para a educação, o equilíbrio do saber degrada-se. As pessoas sabem o que lhes ensinaram, mas já não aprendem por si próprias. Sentem a necessidade de ser educadas. O saber é, portanto, um bem e, como qualquer bem posto no mercado, está sujeito à escassez. Ocultar a natureza desta escassez é a função, deveras custosa, de uma educação multiforme. A educação é a preparação programada para a "vida activa", através do ingurgitamento de instruções maciças e standardizadas fornecidas pela escola. Mas a educação é também a ramificação contínua no fluxo das informações mediatizadas sobre o que se passa: é a "mensagem" de cada bem manufacturado. Por vezes, a mensagem vem escrita na da própria embalagem, é inevitável lê-la. Se o produto é mais elaborado, a sua forma, a sua cor, as associações suscitadas, ditam ao usuário o modo de utilização. Em particular, a educação é permanente, como medicina de temporada, para o administrador, o polícia e o operário qualificado, paradoxalmente ultrapassados pelas inovações no seu ramo. Quando as pessoas se esgotam, tendo que voltar repetidamente aos bancos da escola para receber um banho de saber e segurança, quando o analista tem que ser programado para cada nova geração de computadores, isso acontece porque a educação, realmente, é um bem sujeito à carência. É então que a educação se transforma na questão mais candente para a sociedade e, ao mesmo tempo, na mais mistificante.
[…] Substiruir o despertar do saber pela educação é sufocar o poeta no homem, é congelar neste o poder de dar sentido ao mundo. Por pouco que seja arrancado da Natureza, que seja privado do trabalho criador, que seja mutilado na sua curiosidade, o homem fica desenraizado, manietado, seco. Sobredeterminar o meio físico é torná-lo fisiologicamente hostil. Afogar o homem em bem-estar é agrilhoá-lo ao monopólio radical. Desbaratar o equilíbrio do saber é tornar o homem uma marioneta das suas ferramentas. Empanturrado na sua felicidade climatizada, o homem é um gato castrado: não lhe resta senão a raiva que o leva a matar ou a matar-se.
Sempre houve poetas e bobos capazes de se erguerem contra o esmagamento do pensamento criador por parte do dogma. Metaforizando, denunciam literalmente o vazio cerebral. O humor apoia-lhes a demonstração: o sério é insensato. Eles abrem os olhos para o maravilhoso, dissolvem o certo, desterram o medo e desatam os corpos. O poeta denuncia as crenças, desnuda as superstições, desperta as pessoas, atira cá para fora a força e a chama. As intimidações lançadas pela poesia, pela intuição e pela teoria ao avanço do dogma sobre o espírito serão capazes de conseguir uma revolução do despertar? Não é impossível. Mas, para que o equilíbrio do saber possa ser restabelecido é preciso que o Estado e a Igreja se separem, que a burocracia do bem-estar e a burocracia da verdade se dividam, que a acção política e o saber obrigatório fiquem diferenciados. As palavras poéticas não farão rebentar a sociedade senão metidas no molde do processo político.
[…] Após a Segunda Guerra Mundial a racionalização da produção penetrou nas regiões ditas atrasadas e as metástases industriais exerceram sobre a escola uma intensa procura de pessoal programado. A proliferação do bem-estar exige o condicionamento apropriado para viver nele. O que as pessoas aprendem nas escolas que se multiplicam na Malásia ou no Brasil é, sobretudo, a medir o tempo com o relógio do programador, a avaliar o progresso com os óculos do burocrata, a apreciar o consumo crescente com coração de comerciante e a considerar a razão do trabalho com os olhos do responsável sindical. Isto não é o professor quem o ensina, mas sim o percurso programado, produzido e, ao mesmo tempo, obliterado pela estrutura escolar. O que o professor ensina não tem nenhuma importância desde que as crianças tenham que passar centenas de horas reunidas por escalões etários, entrando na rotina do programa (ou currículo) para receber um diploma em função da respectiva capacidade de se submeterem a ele. O que aprendem eles na escola? Aprendem que quanto mais horas lá passem, mais valem no mercado. Aprendem que tudo quanto uma instituição dominante produz tem um valor e custa caro, mesmo o que não se vê, tal como a educação e a saúde. Aprendem a valorizar a promoção hierárquica, a sujeição e a passividade e até o desvio-tipo, que o professor interpretará como sintoma de criatividade. Aprendem a solicitar disciplinadamente os favores do burocrata que preside às sessões quotidianas: na escola, o professor; na fábrica, o patrão. Aprendem a definir-se como detentores de um lote de conhecimentos na especialização em que investiram o tempo. Aprendem, por fim, a aceitar sem revolta o seu lugar dentro da sociedade, ou seja, a classe e a carreira exactas que correspondem respectivamente ao nível e ao campo de cada especialização escolar.
[…] À medida que a escola alarga o campo das suas especializações, outros serviços nela descobrem a missão educadora. A imprensa, a rádio e a televisão já não surgem unicamente como meios de comunicação, desde que foram deliberadamente postas ao serviço da integração social. Os semanários que desfrutam de expansão, ao encherem-se de informações esteriotipadas, convertem-se em produtos acabados, fornecendo completamente embalada uma informação já filtrada, asséptica, pré-digerida. Esta "melhor" informação suplanta a antiga discussão no forum; a pretexto de informar, suscita um apetite dócil por alimentos já preparados e mata a capacidade natural de seleccionar, dominar e organizar a informação. Oferecem-se ao público algumas vedetas ou alguns especialistas vulgarizados pelo embalador do saber e reduz-se a voz dos leitores à correspondência ou às respostas aos inquéritos, por eles enviadas docilmente.
[…] Quanto às oposições que pretendam alcançar o controlo das instituições existentes, isso confere a estas uma legitimidade de um novo género, exacerbando-se ao mesmo tempo as contradições. Mudar a equipa dirigente não é uma revolução. Que significa o poder dos trabalhadores, o poder negro, o poder das mulheres ou o dos jovens senão o poder de tomar o poder estabelecido? Um tal poder é, no máximo, o de dirigir melhor o crescimento, assim posto em condições de prosseguir o seu curso glorioso, com tão providenciais tomadas de poder. A escola, quer nela se ensine marxismo, quer fascismo, reproduz uma pirâmide de classes de falhados. O avião, ainda que possa ser acessível a um trabalhador por ocasião das férias, reproduz a hierarquia social com uma primeira classe para gente que juga o seu tempo mais precioso do que o dos outros. […]»

[in A Convivencialidade: Lisboa, trad. Arsénio Mota, Publicações Europa-América, 1976]

http://frenesi-livros.blogspot.com/2008_04_20_archive.html

CONHEÇA!!! - "ANTES QUE O MUNDO ACABE" OU "ANTES QUE A HUMANIDADE SE AUTO DESTRUA" (MULTIMANIFESTO)

conheça seu corpo,
reconheça a necessidade de
aprender a lidar com as frustrações,
frustre seus filhos,
não exagere satisfazendo os desejos de seus filhos!
eles precisam aprender com as frustrações!
o excesso de brinquedos, e celulares...
atrapalha tudo!
atrapalha a educação de seu filho,em primeiro lugar!
em segundo atrapalha a economia de sua casa,
muitas famílias colocam em segundo plano a alimentação equilibrada,
em prol do consumo de bugigangas tecnológicas!
as duas coisas desequilibram o meio ambiente!
lembre mo-nos do caso do Japão,
as montanhas de lixo tecnológico neste país são assustadoras!
Se as famílias deixam de se alimentar de forma mais natural,
contribuem para o aquecimento global!
a futilidade, o jovem volúvel que entra nesta doença consumista,
torna-se um ser humano que passa a sentir que vale pelo que possui,
e não por aquilo que é!!
o ser e o ter,entram em conflito graças ao capitalismo selvagem!
em nosso país o provincianismo é alimentado por este tipo
de consumo exagerado e sem sentido!
os pais precisam reconhecer urgentemente que as crianças
precisam mesmo desenvolver sua criatividade, sua
capacidade de resolver problemas que
aparentemente possuem saídas impossíveis!
a publicidade contribui em muito para esta mentalidade totalmente equivocada!
há uma verdadeira inversão de valores neste caso!
os pais é que passam a obedecer seus filhos!
e o pior, os filhos que estão atordoados pela comunicação de massa,
sentem-se abandonados por seus pais, que agem com total alienação e idiotice!
o nosso cerne provinciano precisa urgentemente ser reconhecido por nós!
precisamos perceber que por causa dele estamos virando o povo mais
idiota do mundo!
quando entenderemos que um povo de verdade conhece sua identidade,
e reconhece que sem verdadeira cidadania, nunca deixaremos de ser
um povinho de ultima categoria! e leia-se povinho, um aglomerado de pessoas
sem nenhuma determinação humana! simplesmente um aglomerado de idiotas!
ANTES QUE O MUNDO ACABE !!! RECONHEÇA SUAS PRÓPRIAS IDIOTICES!
RECONHEÇA QUE SÓ ENXERGAR EFEITOS E NEM QUERER CONHECER AS CAUSAS,
É SER MESMO UM POVO INVOLUÍDO!! NEM SUBDESENVOLVIDO!! MAS INVOLUIDO MESMO!!

NADIA STABILE - 17/12/08

*este texto foi motivado por um vídeo no blog de Luiz de Campos
http://decostasparaalousa.blogspot.com/2008/11/criana-alma-do-negcio.html
e por outro amigo que luta pela causa da ecologia , o Beto.
Agradeço aos dois! Afinal, aprender a ser cidadã, depende da cooperação de todos!
sem isto , não chegaremos a lugar algum!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Congresso propõe erradicar exploração sexual infantil até 2013 - NOS 60 ANOS DA DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS ,A EXISTÊNCIA DE ....


Congresso propõe erradicar exploração sexual infantil até 2013

**(NOS 60 ANOS DA DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS ,A EXISTÊNCIA DE QUESTÕES COMO ESTA NOS CHOCAM!!!) Nadia Stabile

Da EFE


Rio de Janeiro, 28 nov (EFE).- O 3º Congresso Mundial de Enfrentamento da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes estabeleceu hoje um prazo de cinco anos para que os Governos de todo o mundo coloquem fim a este tipo de violência contra crianças e adolescentes.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que convocou o evento, considerou esta exploração a pior que existe.

O documento final deste encontro fez uma chamada mundial para que todos os países assinem, até o final de 2013, a Convenção das Nações Unidas dos Direitos da Criança e seu protocolo opcional sobre o tráfico e prostituição infantil.

O congresso também pediu para ratificar "sem atrasos", até a mesma data, as convenções regionais mais importantes sobre este assunto, como a Carta Africana sobre Direitos e Bem-estar das Crianças.

O diretor do Unicef para a América Latina e o Caribe, Nils Kastberg, disse que a margem de cinco anos é um "prazo realista" para que a sociedade civil pressione os Governos a tomar medidas, e pediu que comecem o mais rápido possível, porque "é preciso muito tempo" para capacitar policiais e juízes na área.

"Temos muitas esperanças devido à grande participação que os adolescentes tiveram neste Congresso, que agora poderão contribuir para reforçar os movimentos sociais em seus países", afirmou Kastberg à Agência Efe.

O representante do Unicef afirmou que autoridades de várias nações da região mostraram "vontade" em avançar na luta contra os abusos sexuais, como é o caso da Costa Rica, que quer acelerar a luta contra a pornografia, ou o do Brasil, que quer articular políticas até o nível municipal.

Kastberg também ressaltou a conscientização de líderes religiosos e de empresários do setor turístico, comprometidos em acabar com a prostituição infantil em seus locais e que "partem com uma bagagem de práticas muito boa" para colocar em funcionamento após o congresso.

Entre as medidas propostas, destaca-se a proibição de todo tipo de violência sexual contra menores, incluindo práticas como o casamento de crianças.

Pede-se abolir o requisito de dupla criminalidade, para facilitar as extradições dos autores dos abusos sexuais e poder julgá-los, mesmo que tenham cometido os crimes em jurisdição de outro país que não tenha leis para persegui-los.

O documento pede tratar as crianças como vítimas, e nunca como responsáveis dos crimes, com respeito, sigilo de sua identidade durante os processos judiciais e cuidados específicos para evitar novos traumas.

Também pede-se a melhoria dos mecanismos de cooperação internacional em nível administrativo, governamental e policial.

Especialmente, há a solicitação de colaborar com a Interpol em casos como o do turismo sexual.

Para isso, propõe-se utilizar um sistema de notificação internacional desta Polícia, para que os Governos avisem quando e para onde viajam pessoas com histórico de exploração sexual infantil.

No campo da internet, há a proposta para que se defina o crime de pornografia infantil com base em parâmetros internacionais, assim como sejam criminalizadas a produção, distribuição, recepção e posse de imagens sexuais com menores.

O congresso, convocado pelo Unicef e dezenas de ONGs, aconteceu no Rio de Janeiro desde terça-feira para dar continuidade aos dois primeiros encontros, realizados em Estocolmo (em 1996) e na cidade japonesa de Yokohama (em 2001). EFE


FONTE :http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL883039-5602,00-CONGRESSO+PROPOE+ERRADICAR+EXPLORACAO+SEXUAL+INFANTIL+ATE.html

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

O filme “Escritores da Liberdade” e a função do pensamento em Hannah Arendt


por Raymundo de Lima

... Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!... Martin Luther King – fragmento do memorável discurso "I Have a Dream", de 28/08/1963.



Todos somos atores de nossa vida, mas nem sempre podemos ter sua autoria. O pensar [e o escrever] favorece a autoria da existência. Dulce Critelli, 2006.



Há muitos filmes americanos sobre escola, mas não como "Escritores da Liberdade". (Freedom Writers, EUA, 2007). Porque é o único filme dessa categoria que incentiva os alunos a lerem literatura, ponto de partida para testar a vocação de cada um para escrever dede um diário sobre o cotidiano trágico de suas vidas até uma poesia hip hop ou um livro de ficção. O valor desse filme também está na ousadia da linguagem cinematográfica mostrando os problemas psico-sócio-culturais que atingem a escola contemporânea; também porque ele dá visibilidade à diversidade dos grupos, com seu rígido código de honra, cada um no seu território, o narcisismo da recusa e da intolerância para com “os outros”, o boicote às aulas, a prontidão para aumentar os índices de violência entre os jovens e transformar a escola no seu avesso, isto é, uma comunidade bem próxima da barbárie, o que de fato vai acontecer em 1992, em Los Angeles, EUA.

O filme é baseado na história real de Erin (interpretada por Hilary Swank[1]), uma professora novata interessada em lecionar Língua Inglesa e Literatura para uma turma de adolescentes resistentes ao ensino convencional; alguns estão ali cumprindo pena judicial, e todos são reféns das gangues avessas ao convívio pacífico com os diferentes.

Como em outros filmes sobre turmas problemáticas, a professora Erin toma sua tarefa como um grande desafio: educar e civilizar aquela turma esquizofrênizada e estigmatizada como “os sem-futuro” pelos demais professores. Percebe que seu trabalho deve ir para além da sala de aula, por exemplo, visitando o museu do holocausto, possibilitando aos jovens saber os efeitos traumáticos da ideologia da “grande gangue” nazista, que provocou a 2ª. Guerra Mundial e o holocausto, e também reconhecer as semelhanças com suas “pequenas gangues” da escola. Nota: a palavra “holocausto”[2], referida no filme, é usada mais pelos judeus. E, “genocídio”[3] é o termo cunhado pelo Direito Internacional do pós Guerra. Ambas significam o ato racional de eliminação de seres humanos em escala inimaginável (conferir nota de rodapé).

O método da jovem professora consistiu em entregar para cada aluno um caderno para que escrevessem, diariamente, sobre aspectos de suas próprias vidas, desde conflitos internos até problemas familiares e sociais. Também, instigou-os a ler livros como "O Diário de Anne Frank" com o propósito de despertar alguma identificação e empatia, ainda que os personagens vivam em épocas diferentes; a partir de eventuais encontros imaginários cada aluno poderia desenvolver uma atitude especial de tolerância para com o “outro”. Na vida real, os diários foram reunidos em um livro publicado nos Estados Unidos, em 1999, e terminaram inspirando o diretor Richard LaGravenese para fazer esse filme.

Formada em Direito, Erin se torna professora, desagradando seu pai e marido. No início, ela demonstra ingenuidade, timidez, curiosidade e determinação; sua vocação para o magistério vai se construindo conforme os desafios que ela encontra entre os alunos e ao lidar com a burocracia e o conservadorismo dos funcionários do sistema pedagógico da escola. Os judeus nova-iorquinos diriam que o diferencial de Erin é ela ter “chutzpah”: ousadia, garra, determinação, toma iniciativa, ir-à-luta. Os diversos obstáculos próprios de qualquer sistema escolar faz com que ela se sinta desafiada a fazer algo-mais.

Seu estilo não é teatral, tal como os professores protagonistas dos filmes “O triunfo”, “Sociedade dos poetas mortos”, “Escola da vida”. Também não é autoritária como “Meu mestre, minha vida”, e nem experimentalista como é o professor Ross, do filme “A onda”. Seu estilo pedagógico está para o ensaísmo apaixonado, romântico, humanista, mas sem perder de vista a racionalidade do propósito educativo. Primeiro, ela tenta “dar aula” segundo manda o modelo tradicional, que não funciona com alunos indiferentes ao propósito da escola eminentemente ensinante. Uma aluna questiona pra que serve aprender tal conteúdo abstrato considerado inútil para melhorar sua vida real; outro dirá que o fato de ela ser professora “branca” não é suficiente para ele respeitá-la. Cabe à professora ter argumentos consistentes que respondam essas questões imprescindíveis na escola contemporânea. No segundo momento, Erin faz o reconhecimento dos grupos de iguais (narcísicos), e, obviamente sente empatia com os excluídos. Terceiro, devolve aos alunos esse reconhecimento com um pensamento crítico, fazendo-os reconhecer, sentir e pensar sobre a realidade criada por eles próprios. Quarto, não os aceita na condição de vítimas reativas, e cobra-lhes responsabilidade por suas escolhas e seus atos de exclusão para com os diferentes. Ou seja, sua ação pedagógica é inovadora porque desperta a motivação dos alunos para expressar seus sentimentos, ler, pensar, escrever, e mudar a partir do reconhecimento como sujeito-de-sua-história.

Na concepção de Hannah Arendt, duas causas podem ter relação profunda com a crise da educação em nossa época: a incapacidade de a escola levar os alunos para pensar e a perda da autoridade dos pais e professores. Ambas fazem com que as crianças e adolescentes fiquem sujeitos à tirania de uma maioria qualquer (grupo social, tribos, gangs) e de um líder carismático ou populista. Portanto, o ato educativo de Erin é ao mesmo tempo político e ético, porque visa transformar alunos “não-pensantes”, “incivilizados”, “não-humanizados”, em seres humanos que podem exercitar o pensamento crítico sobre a realidade e seus atos; suas propostas de dinâmicas com os grupos leva-os a rememorar situações e rever suas posições na história de cada um, podendo até criar em cada aluno uma nova ética que melhor orienta seus gestos e palavras para evitar magoar o seu próximo. As dinâmicas e debates em sala de aula desmarcaram o recorrente discurso vitimista desses grupos, que tendem ao comodismo da sua desgraça, e ao mesmo tempo projeta no outro a responsabilidade pela sua própria irresponsabilidade ou fracasso como sujeito-cidadão no meio social. É preciso que cada qual se responsabilize e se comprometa “fazer sua parte”, ou como diz a velhinha que abrigou Anne Frank: “fazer a coisa certa” ou ética, como uma pessoa comum, anônima, e representante do que é ser civilizado.

Uma educação que não exercita o ato de pensar, com todos os seus riscos, além da própria ausência de pensamento, tem como efeito o não comprometimento, o não tomar decisões, ou não se responsabilizar por elas. “A tarefa fundamental do pensar é descongelar as definições que vão sendo produzidas, inclusive pelo conhecimento e pela compreensão e que vão sendo cristalizados na história. A tarefa do pensar é abrir o que os conceitos sintetizam, é permitir que aquilo que ficou preso nos limites da sua própria definição seja liberado. É livrar o sentido e o significado dos acontecimentos e das coisas da camisa-de-força dos conceitos” (CRITELLI, 2006, p. 80). (...) LEIA NA ÍNTEGRA EM :
http://www.espacoacademico.com.br/082/82lima.htm

Filme: Escritores da liberdade (Original: Freedom Writers) País: EUA/Alemanha - Gênero: drama. Classificação: 14 anos. Duração: 123 min. Ano: 2007. Direção: Richard LaGravenese . Produção: Danny DeVito, Michael Shamberg, Stacey Sher. Elenco: Hilary Swank, Patrick Dempsey, Scott Glenn, Imelda Staunton, April Lee Hernandez, Mario, Kristin Herrera, Jacklyn Ngan, Sergio Montalvo, Jason Finn, Deance Wyatt, Vanetta Smith, Gabriel Chavarria, Hunter Parrish, Antonio Garcia.

Sinopse: Hilary Swank é uma professora novata que tenta inspirar seus alunos problemáticos a aprender algo mais sobre tolerância, valorizar a si mesmos, investir em seus sonhos e dar continuidade a seus estudos além da escola básica. Também ela é ousada ao enfrentar os grupos formadores de gangs em sala de aula, levando-os a pensar sobre a formação e ideologia dos próprios.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Por que a economia colonial e imperial baseou-se no trabalho escravo? E A HISTÓRIA E A CULTURA AFRO-BRASILEIRA NA ESCOLA

O latifúndio monocultor no brasil exigia uma mão-de-obra permanente.
era inviável a utilização de portugueses assalariados, já que a intenção não era vir para trabalhar, e sim para se enriquecer no brasil.

o sistema capitalista nascente não tinha como pagar salários para milhares de trabalhadores, além do que, a população portuguesa que não chegava aos 3 milhões, era considerada reduzida para oferecer assalariados em grande quantidade.

quem foi utilizado como escravo nos períodos colonial e imperial?

embora o índio tenha sido um elemento importante para formação da colônia, o negro logo o suplantou, sendo sua mão-de-obra considerada a principal base, sobre a qual se desenvolveu a sociedade colonial brasileira.

na fase inicial da lavoura canavieira ainda predominava o trabalho escravo indígena. parece-nos então que argumentos tão amplamente utilizados, como inaptidão do índio brasileiro ao trabalho agrícola e sua indolência caem por terra.

a história verdadeira mostra que a reação do nativo foi tão marcante, que tornou-se uma ameaça perigosa para certas capitanias como espírito santo e maranhão. além da luta armada, os indígenas reagiram de outras maneiras, ocorrendo fugas, alcoolismo e homicídios como forma de reação à violência estabelecida pelo escravismo colonial. todas essas formas de reação dificultavam a organização da economia colonial, podendo assim, comprometer os interesses mercantilistas da metrópole, voltados para acumulação de capital. destaca-se também, a posição dos jesuítas, que voltados para catequese do índio, opunham-se à sua escravidão.

apesar de todos esses obstáculos, o indígena é amplamente escravizado, permanecendo como mão-de-obra básica na economia extrativista do norte do brasil, mesmo após o término do período colonial.

por que então que o índio cede lugar para o negro como escravo no brasil?

a maior utilização do negro como mão-de-obra escrava básica na economia colonial, deve-se principalmente ao tráfico negreiro, atividade altamente rentável, tornando-se uma das principais fontes de acumulação de capitais para metrópole.

exatamente o contrário ocorria com a escravidão indígena, já que os lucros com o comércio dos nativos não chegava até a metrópole.

torna-se claro assim, o ponto de vista defendido pelo historiador fernando novais, de que "o tráfico explica a escravidão", e não o contrário.

para os portugueses, o tráfico negreiro não era novidade, pois desde meados do século xv , o comércio de escravos era regular em portugal, sendo que durante o reinado de d. joão ii o tráfico negreiro foi institucionalizado com a ação direta do estado português, que cobrava taxas e limitava a participação de particulares.

quanto à procedência étnica do negro, destacaram-se dois grupos importantes: os bantos, capturados na África equatorial e tropical provenientes do congo, guiné e angola, e os sudaneses, vindos da África ocidental, sudão e norte da guiné.

interessante observarmos que entre os elementos deste segundo grupo, destacavam-se muitos negros islamizados, responsáveis posteriormente por uma rebelião de escravos ocorrida na bahia em 1835, conhecida como a revolta dos malês.

a resistência

do negro: os quilombos.


desde fugas isoladas, passando pelo suicídio, pelo banzo (nostalgia que fazia o negro cair em profunda depressão o levando à morte) e pelos quilombos, várias foram as formas de resistência do negro à escravidão, sendo a formação dos quilombos a mais conseqüente.

os quilombos eram aldeamentos de negros que fugiam dos latifúndios, passando a viver comunitariamente. o maior e mais duradouro foi o quilombo dos palmares, surgido em 1630 em alagoas, estendendo-se numa área de 27 mil quilômetros quadrados até pernambuco. desenvolveu-se através do artesanato e do cultivo do milho, feijão, mandioca, banana e cana-de-açúcar, além do comércio com aldeias vizinhas.

seu primeiro líder foi ganga zumba, substituído depois de morto por seu sobrinho zumbi, que tornou-se a principal liderança da história de palmares. zumbi foi covardemente assassinado em 1695 pelo bandeirante domingos jorge velho, contratado por latifundiários da região.

apesar dos muitos negros mortos em palmaras, a quantidade de escravos crescia muito e em 1681 atingia a cifra de 1 milhão de negros trazidos somente de angola.

o grande número de negros utilizado como escravos, deixa clara a alta lucratividade do tráfico negreiro, responsável inicialmente pelo abastecimento da lavoura canavieira em expansão nos séculos xvi e xvii e posteriormente nas áreas de mineração e da lavoura cafeeira nos séculos xviii e xix respectivamente.

A história e cultura

afro-brasileira na escola



A lei nº 10.639, de 2003, ou a ldb e passou a exigir que as escolas brasileiras de ensino fundamental e médio incluíssem no currículo o ensino da história e cultura afro-brasileira. o fato foi considerado pelos movimentos de luta dos negros em todo o país como um importante passo.
sua aplicação prática, no entanto, ainda é desafio para toda a comunidade escolar, especialmente para os professores: como sair da teoria? como e onde buscar material, isto é um grande desafio a ser cumprido.

História x Autalidades


Infelizmente, ainda a população “negra” no brasil, ocupa na área empregatícia, ocupa a posição de peão ou chão de fábrica, por não ter as mesmas oportunidades de crescimento que a grande parte da população “branca” tem. isto tudo é um reflexo de mais de 500 anos de história, onde o preconceito ainda está presente em piadinhas sem graça e que só desmoralizam um ser humano igual a tantos outros.


A exclusão existente no mundo do trabalho também se dá no sistema educacional. dos 28.234.039 estudantes do ensino fundamental, 52,0% são brancos, 43,1% são pardos e 4,5%, pretos. no ensino médio, que tem 3.760.935 alunos, as proporções correspondentes são 65,3%, 30,1% e 3,3%, para brancos, pardos e pretos, respectivamente, e, cursando o ensino superior, existem 1.665.982 estudantes, sendo 78,6% deles brancos, 17,4% de pardos e 1,4% de pretos (fonte: anuário estatístico do brasil 1992, rio de janeiro: ibge, v. 52, 1992. disponível em www.ibge.gov.br em "estatísticas do século xx", tema "educação")

http://www.hploco.com/ims/Historia_e_Atualidades_da_Cultura_Afro-Brasileira.html.

FONTE: INSTITUTO AFRO-BRASILEIRO DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL MILTON SANTOS

terça-feira, 4 de novembro de 2008

SE O METRÔ PAULISTANO EXIISTISSE!!...

eu faço de conta que escrevo...
e você faz de conta que lê!
as escolas fazem de conta que ensinam,
e os alunos fazem de conta que aprendem!
os planos médicos fazem de conta que funcionam,
e nós fazemos de conta que teremos tratamento numa doença grave!
o jornalismo da tv, aquele do horário nobre, faz de conta que informa,
e nós fazemos de conta que somos bem informados!
a bolsa!? AAA!!! quanto será que eu perdi hoje!?
o metrô de São Paulo que deveria ter pelo menos 10 vezes mais quilômetros...
este, estamos começando a perceber que não dá mais para fazer de conta que existe!
ele é somente uma amostra....e não grátis! caríssima! pois leva-nos junto com os quilômetros à menos, nossa paz, nossa saúde e muitos cidadãos que morrem por causa da poluição na cidade!
Poluição que seria bem menor se o metrô "EXISTISSE" ,mas não, como já disse,ele é apenas uma amostra. Este mesmo "ator" que está retratado aí na postagem anterior,continuou a fazer muitos outros estragos em São Paulo, tipo um túnel,se não me engano o nome deste túnel é Airton Senna,este túnel acreditem ! não tem altura suficiente para que nele trafeguem ônibus!
mas só automóveis! e pasmem! é o túnel que leva o tal do "ator" bem mais rápido para sua residência! Mas agora já ficou obsoleto! pois o tráfego de helicópteros desta cidade hoje, é um dos maiores do mundo! Afinal, para que usar o túnel!?
Enfim, até quando o Brasil será o país do faz de conta!? o país do "só pra constar",do "para inglês ver"....ou do "limpe onde passa o padre!"!?
Nossas origens culturais,sociais, nos levam a ainda mantermos esta mentalidade nada positiva!
que não tem nada a ver com auto estima! "Deixamos tudo como está para ver como é que fica"!
E ainda, um recente presidente expressou certa vez que se não há resolução, "cruzemos os braços e esperemos que se resolva sozinho!" Que espécie de ser humano são estes que tentam governar nosso país!? é melhor nem responder! cruzemos os braços!! e esperemos que eles acabem com tudo e conosco também!

NADIA STABILE - 04/11/08

sábado, 18 de outubro de 2008

O INÓSPITO...E CADA UM COM SEUS "GUAIS"

Por que nascemos onde nascemos? uma família cheia de inospitalidades!?
Uma eterna inadaptação ao meio,
às pessoas que nos rodeiam!?

Isto é normal? natural!? comum!?
O macaco aranha que nasceu na floresta
amazônica e que vê-se obrigado a entrar na disputa por

um buraco de lama com os porcos selvagens e com outros animais... tem que ser esperto para não ser caçado por seus predadores felinos...a lama é um de seus "alimentos" vitais! sem ela sua dieta de
vegetais altamente tóxicos o mataria!
Este macaco,assim como muitos outros vive nas alturas,

mas quando tem de descer,aproveita
e já ingere muito mais lama do que o necessário...

que seria revestir as paredes de seus intestinos com argila,para que os venenos presentes nos vegetais amazônicos, não sejam absorvidos por seus intestinos! mas os cientistas não descobriram ainda porque estes macacos comem tanta lama de uma vez só! talvez possa ser pelo medo de ter de voltar lá mais vezes e sofrer o stress de ser comido por um felino! ou não!?
Este seria um dos "guais" destes macacos! que apesar dele ter se adaptado ao meio...ainda assim existem "guais"...esta expressão é bem antiga! minha mãe a dizia!!
Quando temos de padecer com certas coisas chatas, desagradáveis, como por exemplo ficar sem poder dormir para ter de cuidar de um filho recém nascido ou de um filho doente!
Falando em filhos, imagine uma criança asmática ou que sofre de rinite alérgica, nascer na casa de pais fumantes!
Imagine agora os "guais" que esta criança terá de passar neste lar totalmente inóspito a ela!
"guais" acontecem em qualquer idade,e a inospitalidade existe em qualquer meio deste nosso planeta!
Se formos pensar na história da educação democrática, veremos que A.S.Neill ,em Summerhill,educava,também,crianças que não suportaram seus "guais", ou que eram "guais" demais para seus pais! A inadaptação está aí!! sem sombra de dúvidas!
Já Janus Korczak ,em Varsóvia,com seu "orfanato",educava crianças que haviam perdido seus pais! e que portanto...se não tivessem encontrado Korczak,teriam passado por muitos outros piores "guais".
Vemos que a educação quase sempre assemelha-se à lama que os macacos aranha teem de ingerir pra poder sobreviver!
Imaginem se esta lama estiver envenenada também!?
Imagine um educador que diz amar suas crianças e que faz suas crianças serem envenenadas dia a dia! ou com substâncias concretas, como a fumaça de cigarro, ou com "substâncias" abstratas,
como uma ideologia totalmente desumana!?
Acho que esta questão está além da moralidade! é uma questão humana, ética!
Porque se todos passamos por "guais"...porque temos de causar mais "guais" aos outros!?

Nadia Stabile - 18/10/08

quarta-feira, 30 de julho de 2008

WILHELM REICH,

A CRIANÇA ENTRE

ROUSSEAU E FREUD


Zeca Sampaio

José Gustavo Sampaio Garcia. Mestre em Educação. Doutorando em Educação pela FeUSP. Professor da Universidade Santa Cecília.

zecasampaio@superig.com.br

Este trabalho tem por objetivo traçar um quadro preliminar da concepção de criança na teoria reichiana, a partir de uma busca em seus próprios escritos, ao mesmo tempo, confrontando suas idéias com alguns elementos das diversas concepções de criança através da história humana. Para este confronto será utilizado o quadro dialético entre a tradição rousseauniana e a tradição do modernismo expressa mais claramente na teoria freudiana.

Singer (1997) aponta esta contradição entre a posição de Rousseau, a qual se assenta em uma visão positiva quanto à natureza da criança, e a posição da educação da cultura moderna que tenta impor à criança uma nova natureza. Ela ressalta a crítica de Foucault a esta educação disciplinadora, que procura domar o corpo tornando-o submisso.

Vamos encontrar também em Reich uma crítica explícita a esta educação disciplinadora que impede as manifestações mais importantes da vida.

Em busca de uma compreensão do funcionamento humano

Reich inicia sua busca por uma compreensão do ser humano a partir de seus estudos na faculdade de medicina, mas em especial quando ingressa nas fileiras da psicanálise, tornando-se discípulo de Freud. Esta adesão ao pensamento freudiano lhe permite conciliar elementos aparentemente contraditórios de sua formação que precisarão ser sintetizados para que surja a sua visão de homem e, com ela, sua concepção de criança.

Durante seus estudos na faculdade de medicina, Reich experimenta o conflito entre as explicações mecanicistas e vitalistas para a vida. Reich (1975a, p. 30) mesmo se define, em seu tempo de estudante de medicina, como um mecanicista de pensamento “ultra-sistemático”. Por outro lado, passa a se interessar pelos escritos de Bergson e se torna um grande admirador de seu pensamento. Mecanicismo e vitalismo vão se tornar para ele os representantes maiores da crise que se estabelece na ciência, especialmente em sua busca de compreensão do funcionamento vital. “A questão, ‘O que é a Vida?’ Estava por trás de tudo o que aprendia” (Reich, apud Sharaf, 1983, p. 55).

O interesse por Bergson e por uma visão menos determinista, menos cientificista da vida parece estar em contradição com a formação científica do jovem médico. Mas é exatamente esta visão composta por dois pares antitéticos que traz em si o germe de onde brotará o pensamento reichiano.

Para que estes elementos embrionários do pensamento reichiano possam ser desenvolvidos faz-se necessário que ele encontre um ambiente metodológico capaz de satisfazer tanto a sua necessidade de um método sistemático e verificável, isto é, que seja científico, como a sua busca por uma abordagem capaz de compreender o fenômeno vivo, com sua parcela de indeterminação e unicidade.

E é nesse contexto de crise, entre a tradição mecanicista, positivista da ciência natural de sua formação em medicina e o questionamento filosófico ao determinismo de Bergson, que Reich encontra Freud e seus escritos. A personalidade simples e direta do criador da psicanálise encanta o jovem Reich. Mas, é a atitude experimental, científica, baseada na observação, formulação de hipóteses e teste dessas hipóteses através de novas observações, juntamente com uma teoria da sexualidade com uma visão mais profunda e mais abrangente, considerando a sexualidade para além do papel da reprodução, que fazem com que ele resolva se dedicar ao estudo da psicanálise.

A posição da psicanálise no contexto das ciências que estudam o homem é bastante estratégica. Alguns autores como Japiassu a classificam em uma posição oposta a das psicologias de inspiração positivista, já dentro da fenomenologia ela é muitas vezes criticada como uma abordagem determinista, na medida em que busca as causas históricas inconscientes do comportamento humano.

Figueiredo (1991, p. 27) divide em duas grandes tendências as matrizes do pensamento psicológico, a cientificista e a romântica:

- De um lado se situam aqueles que procuram seguir o modelo das ciências naturais. Buscam a quantificação, os modelos mecanicistas, “classificações e leis gerais de caráter predicativo”.
- De outro, aqueles que acreditam que por ser o objeto das ciências humanas um objeto diferente do objeto das ciências naturais, faz-se necessário o desenvolvimento de uma metodologia própria compatível com este objeto.

Mais adiante, acaba por situar a psicanálise em ambas as matrizes já que vê nela um aspecto “determinista funcional” que a coloca ao lado das teorias funcionalistas de caráter cientificista (1991, ps. 95-100), ao mesmo tempo em que a inclui entre as matrizes compreensivas de influência romântica, por seu aspecto interpretativo (1991, ps. 167-169).

Esta característica intermediária, ou, no dizer de Figueiredo (1991, p. 99) “esta terra de ninguém epistemológica em que (a psicanálise) se originou”, entre a objetividade determinista e a intersubjetividade humanista, pode ter sido um motivo importante para a adesão de Reich às suas fileiras.

Entendo esta “terra de ninguém” como a descrição do fato de que Freud inaugura um território novo para a compreensão do homem.

É uma época em que a oposição entre uma psicologia científica nascente, de paradigma cientificista, positivista e uma psicologia de tradição introspectiva, com raízes na filosofia caracteriza o debate em torno do que é o homem. A primeira via o homem como absolutamente determinado por processos biológicos internos, ou por seu aprendizado de comportamentos, que nega a existência e a possibilidade da liberdade humana. Lembre-se aqui de Skinner. A segunda via o homem como consciência autodeterminada, não dependente de processos biológicos, capaz de decidir a partir de suas próprias determinações, ou no dizer de Sartre, seu próprio projeto, tendo a liberdade como valor fundamental. É só lembrarmos do próprio Sartre e, mais tarde, um Rogers.

A descoberta do inconsciente por parte de Freud relativiza esta segunda posição ao afirmar a existência de motivações para a ação e decisão humanas que estão fora do campo da consciência. Por outro lado, a proposta de um Ego intermediador entre as pulsões instintuais e a realidade exterior, contrariam a idéia de um determinismo absoluto.(...) LEIA NA ÍNTEGRA EM:

http://www.politeia.org.br/tiki-index.php?page=WILHELM%20REICH%2C%20A%20CRIAN%C3%87A%20ENTRE%20ROUSSEAU%20E%20FREUD

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