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sábado, 28 de fevereiro de 2009

Educador/a Fazendo Rizoma na Rede

Margarita Victoria Gomez
Profa. Cs. da Educação Univ. Nacional de Rosario, Argentina
Doutoranda - FEUSP
mvgomez@usp.br

Este artigo pretende abrir a reflexão e o debate em relação à instalação do computador e das redes de computadores na prática educativa. A partir da própria vivência da autora revela-se a inquietação originada nos educadores, em geral, pela presença das tecnologias da informação e comunicação. Indica algumas brechas e caminhos abertos para possíveis explorações em rede, sugerindo tarefas e leituras para leitores mais ávidos. Eis a questão: em que rede plugar, onde fazer rizoma(1)?

A informática marca presença na sociedade atual, a ponto de parecer difícil pensar, hoje, uma cultura sem tecnologias da informação e comunicação. Desde o posicionamento de Platão quanto às formas de transmissão oral do conhecimento, produz-se uma divisão ao pensar a tecnologia na sociedade. Um salto tecnológico-cultural semelhante aconteceu quando Galileu utilizou alguns meios científicos para suas descobertas, ou quando apareceu o trem, o microscópio, as tecnologias de guerra e as de controle, e ainda, as estratégias e redes para ocultar informação. O avanço em sofisticação da tecnologia parece ser acompanhado pela desconsideração do fator humano. A máquina, além de ser considerada a depredadora do aspecto humano do homem e da mulher, transformou-se hoje no cotidiano do educador/a em um “monstro de sete cabeças”. O problema é: “ser ou não ser tecnológico”, “ter ou não ter tecnologia”, “estar ou não estar no ciberespaço”, “estar ou não estar na tela”.

O computador, como o telescópio de Galileu ou o microscópio, é o resultado de reiteradas tentativas e insucessos, uma série descontínua de explorações e descobertas. Ameaçador e maravilhoso, o computador marca glórias e misérias deste e do próximo século.

Esta contribuição, elaborada a partir da própria experiência, colocará em relevo algumas questões que incidem fortemente na prática educativa e o novo espaço hipertextual, a partir do qual se começa a pensar a tecnologia na educação. O que me levou a trabalhar sobre esse assunto foi o fascínio que sentia por essas novidades e o fato de observar forte resistência à máquina por parte de alguns/as educadores/as no ambiente educativo. Argumentava-se que era instrumento do imperialismo yankee, de dominação dos militares, que desumanizava as pessoas, que só propiciaria treinamento e capacitação instrumental, que era custoso, além de tantas outras questões. Considerando isto, procurava-se superar a tradicional abordagem binária: técnica e humana. A primeira, porque colocava a tecnologia em relevância superior e com valor positivo e, a segunda porque só incluia na sua abordagem o desafio cultural e examinava as mudanças ocorridas à medida em que se introduzia a tecnologia em detrimento do homem. Polarizadas estas questões, pouca contribuição trarão à educação.

Cabe distinguir que nas décadas de 60 e 70, utilizavam-se máquinas perfuradoras e cartões – sobretudo para as chamadas ciências exatas e que não propiciavam muita reflexão – que se converteram em uma pesada rotina. O único atrativo em nível social nesta tecnologia era a possibilidade de jogar na loto com cartões perfurados que, no melhor dos casos, era o único aproveitamento indireto, por parte da maioria das pessoas. Acreditava-se que o desenvolvimento tecnológico levaria bem-estar às pessoas e a melhoria da educação nas universidades. Prevaleciam as abordagens binárias que implicavam a destruição da dimensão humana em relação ao desenvolvimento tecnológico. Nos anos 80, com a aparição do microcomputador, desenvolveram-se bases de dados que permitiram acumular na memória e consultar grandes quantidades de dados em velocidade maior. Embora o esforço por lembrar os comandos do DOS (sistema operacional) ou dos processadores de textos não fossem amigáveis, o fato de classificar informação, realizar cálculos, gráficos e apresentações mais bonitas e rápidas por parte dos próprios usuários do computador (personal computer) modificou profundamente o relacionamento do homem com a máquina. No entorno cultural, em geral permanecia a tecnofobia ou o endeusamento. Continuava a ser injustificado tanto avanço tecnológico sem retorno social favorável para a maioria das pessoas.

O que revolucionou culturalmente a vida social foi o uso do computador com ambiente Windows porque introduziu a interface gráfica e a instalação da imagem colorida, interativa, na vida das pessoas, que, junto com a Internet(2), vão marcar o boom de um espaço global diferenciado. Antes da Internet se utilizava a BitNet, iniciais da expressão "Because It's Time Network (Porque é tempo de rede); uma rede acadêmica e de pesquisa iniciada em 1981 e operada pela Educom. Formada, em sua maior parte, por mainframes (servidor corporativo) IBM, utilizava um protocolo diferente da Internet (RSCS - Remote Spooling Communication System)(3) que possibilitava a busca de informações em grandes bibliotecas, transferir arquivos (FTP) e trocar mensagens, com interface textual.

Com o aparecimento da interface gráfica e da Internet (1993), considerada a rede de redes interligadas em mais de 70 países, começa-se a andar por uma estrada sem fim, sem retorno, cuja única certeza é o ingresso no universo digitalizado. E esse é um caminho difícil de desfazer ou desandar. A Internet vem acompanhada da World Wide Web (WWW) ou teia de alcance mundial. E o espaço multimídia da Internet caracteriza-se por ser hipermídia, ou seja, permite conectar através de link ou enlaces de arquivos de texto, sons, vídeos e imagens gráficas. Esta ferramenta dá leveza e rapidez à navegação pela Internet bem como à conexão com outras pessoas ou comunidades através dos browsers ou navegadores de visualização de páginas WWW como o Netscape ou o Navigator, por exemplo.

Em um percurso de vinte anos, superaram-se diversos obstáculos para o aproveitamento do computador nas atividades educativas. Durante o seminário sobre utilização das tecnologias da informação na pesquisa educativa de um curso de graduação de Ciências da Educação (1997), percebeu-se uma brecha em relação à disciplina metodologia da pesquisa científica e os saberes dos alunos e profissionais. A questão era: são os computadores que estão descontextualizados ou as teorias abordadas na universidade. Muitos acreditavam que seria o fim da educação crítica e era difícil enxergar uma universidade pública preocupada em adquirir e manter custosas redes de computadores para a pesquisa educativa, havendo tantas questões urgentes a solucionar. Muitas certezas se perderam, cresceu a insegurança, mas também, a produção, interpelação, comunicação, estudos e conflitos que desembocaram na criação do Centro de Pesquisa em Educação e Tecnologia, o Centro de Pesquisa em Informática Educativa (CEIDE). Constitui-se, então, um contexto legítimo de pesquisa e discussão sobre a tecnologia na sociedade, em que se abrem estudos diversos que contribuem para a compreensão do assunto.

Michel Serres e Pierre Lévy(4) denominam “Cosmopédia” ao novo tipo de organização de saberes, que repousa na possibilidade de representação e gestão dinâmica dos conhecimentos emergida a partir do uso da informática. Chegam a falar de uma filosofia da implicação; implicados na forma móvel da imagem que se materializa por meio de posições relativas, proximidades, cores e luminosidade. Através das navegações no plano de imanência dos saberes, o sujeito constrói seu objeto; e conhecer ou implicar-se em um objeto é o mesmo que lhe dar existência.

A informática, ao produzir bit por bit cada imagem, mensagem etc., exerce um certo controle em sinergia com os outros elementos e constitui-se em tecnologia imanente; é a encarregada do tratamento automático da informação. Pela própria necessidade do homem de comunicar grandes quantidades de informação, de cálculos matemáticos mais complexos, de aperfeiçoar as estratégias de guerra, em criar redes para ocultar informação chegou-se na atualidade aos avanços a que estamos assistindo: operações, trocas de informações sintetizadas ou criptografadas, imagens numéricas, arquivos de sons e áudio/vídeo etc. As perspectivas deste cenário pedagógico nos remetem a uma dimensão diferenciada do relacionamento entre educador/a-educando/a e homem–máquina. A memória externa adquire muito valor, a velocidade, a transparência, a leveza e a capacidade não só de estoques senão também de transformações e reposições de informação. Esse “simples” fato de libertar a própria memória vai tornando o homem dependente dos suportes externos. Ele só existe em relação aos aparelhos que o circundam, e isto aplica-se em relação à cultura que lhe permite viver. Atividades e realidades como classificar, interpretar, intercalar, responder, reproduzir, copiar, colar, representar, criar, digitalizar, sintetizar, encapsular, desenhar, ocultar, visualizar, salvar, deletar, simular, dinheiro plástico, cartão magnético, senha, login, encriptar e criptografar integram este universo hipertextual e multimedial.

Resgata-se a leveza como valor para tornar–se um ser leve. Não por acaso aparecem filmes como “A história sem fim” de M. Ende e a “Insuportável leveza do ser”, de M. Kundera ou documentos tais como “La insoportable levedad de la ley: la impunidad” e isto no contexto latino-americano é polêmico(5) quando se trata de constituir uma nova cidadania.

Na re-invenção da cultura há poucas certezas; mais do que salvar o homem trata-se de salvar o planeta integralmente das tecnologias invisíveis. No universo digital, distribuído e rizomático o homem pode encontrar mais um espaço de luta, desde que seja consciente da dimensão. E o educador/a fará rizoma nesse espaço de múltiplas aberturas e caminhos, ao estabelecer nexos ou conexões com outros educadores/as, grupos, instituições, negociando com outras culturas, estabelecendo parcerias com fundações para constituir uma rede educativa. Constitui-se em um espaço de relações sinergéticas e simbióticas entre educador/a-educando/a e a tecnologia informática que possibilita produzir a própria obra digitalizada pode reintegrá-los à cultura com marcado protagonismo. Nas suas incursões individuais podem ir reintegrando os fatos histórico-sociais ao seu ser/estar no mundo, correndo o risco de ficar na ilusão. Mas, o educador/a pode-se libertar do ostracismo ao explorar (expor-se em) o ciberespaço. Ao reintegrar a sua produção na rede coloca em movimento outro ou outros em relação aos temas de preocupação em comum, constituindo um depósito vivo de conhecimento.

No trajeto percorrido por educadores/as, cada click do mouse na tela vai amarrando pontos de união, ligando-os numa rede de associações de significado e possibilitando-lhe uma abertura textual, outorgando-lhes protagonismo ao decidir o próprio caminho no espaço hipertextual. A introdução ao mundo digitalizado é similar ao mundo joyceano: no percurso do descobrimento é posta em relevo a dúvida do caminho a seguir.

Lévy refere-se ao hipertexto no seu princípio de multiplicidade e de encaixe das escalas: “O hipertexto se organiza de modo “fractal”, ou seja, qualquer nó ou conexão, quando analisado, pode revelar-se como sendo composto por toda uma rede, e assim por diante, indefinidamente, ao longo da escala dos graus de precisão. Em algumas circunstâncias críticas, há efeitos que podem propagar-se de uma escala a outra: a interpretação de uma vírgula em um texto (elemento de uma micro-rede de documentos), caso se trate de um tratado internacional, pode repercutir na vida de milhões de pessoas (na escala da macrorrede social)(6). Nesse espaço do saber, os intelectuais coletivos reconstituem um plano de imanência no qual os seres, os signos e as coisas voltam a encontrar uma relação dinâmica de participação recíproca.

Similar à Babel Borgeana, o conhecimento é produto de um acaso em que a ficção é o universo e, através de múltiplas combinações, chega-se a textos particulares, constituindo uma narrativa em contínua reconstrução. Neste sentido, o princípio borgeano acredita no universo em forma de labirinto, onde o espelho e recorrência não permitem enxergar a saída desse mundo. Borges diz: “A realidade não é somente aparência mas sentimento e também imaginação e o mundo não é um caos mas um labirinto, um cosmos que se oculta e temos a tarefa de descobri-lo”(7)

Um princípio spinoziano aparece quando se admite que o Uno é a síntese dialética e que no múltiplo achamos os rasgos da circunferência que passa pelas partes e cujo centro é inachável e continuamente procurado. O imanentismo é típico e coerente neste percurso.

Para Lévy, no humano está a originalidade, o homem como capital e matéria-prima e a inteligência coletiva como produto fazem o que as máquinas “inteligentes” não conseguem fazer, o mundo sensível, a invenção, a relação e a recriação. Neste sentido, nos ofícios contemporâneos haverá um acompanhamento relacional agregado; que a inteligência coletiva será a fonte e objeto de outras riquezas, aberta e inacabada, paradoxal, qualitativa e subjetiva, produto infinito. A riqueza das nações dependerá da capacidade de pesquisa, de inovação, de aprendizado rápido e de cooperação ética de suas populações. O novo patrão promoverá a inteligência dos homens e os novos proletários trabalharão como massas humanas brutas e a tarefa será humanizar os corpos, os espíritos e os comportamentos coletivos. O nome do novo proletário: a) professores, pedagogos, formadores em geral; b) assistentes, trabalhadores sociais, policiais e carcereiros; c) caritativos, povo miúdo, os justos, “os justiceiros”. Todos os proletários vivem à beira da exclusão, arriscando-se a saltar para fora. Será com base nestes elementos que procuraremos formar uma rede?

O universo hipertextual, além desses elementos, apresenta uma multiperspectividade de caminhos por onde caminhar e na qual a dúvida aparece a cada passo nas redes, nos mares de informação digitalizada. Essa construção particular confere protagonismo ao leitor/autor. Eis a questão, essa decisão que pode libertar, também poderia pulverizar.

Michael Authier e Pierre Lévy propõem, para orientar a exploração, os “cinemapas”, ou seja, instrumentos de navegação que acompanham o andar do intelectual em seus mundos de conhecimento. Segundo esses autores, a lenda do labirinto manifesta incapacidade de encontrar a saída pacífica, por isso propõem a ideografia dinâmica, a escrita do futuro, a superlíngua dos coletivos inteligentes que através de comunicações inovadoras, descentralizadas, flexíveis e interativas possibilitam enfrentar novos espaços de significação.

Gilles Deleuze e Felix Guattari afirmam que o mundo se converteu num caos, onde o livro permanece como imagem do mundo, onde o múltiplo deve ser feito não agregando sempre uma dimensão superior, mas o mais simples e sóbrio possível para integrar o uno no múltiplo. Para eles, os rizomas como tronco subterrâneo se distinguem totalmente das raízes; os bulbos e tubérculos são rizomas. O rizoma possui diversas formas, desde sua extensão superficial ramificada em todos os sentidos, até suas concretizações em bulbos e tubérculos. O rizoma é uma anti genealogia, o mesmo que acontece com o livro e o mundo. Ele procede por variação, expansão, conquista, captura, abertura, remete-se a um mapa que deve produzir-se, construir-se, demonstrável, conectável, invertível, modificável com entradas e saídas múltiplas, com suas linhas de fuga. Trata-se de um sistema acentrado, não hierárquico e não significante, definido unicamente por uma circulação de estados(8).

Na medida em que lemos e que decidimos os caminhos, nos introduzimos em universos que se caracterizam pela atemporalidade; navegando fluidamente exploramos textos, sons, imagens, áudio/vídeo, vozes de outras pessoas, harmonizando a comunicação a partir dos próprios interesses. Na introdução nesses universos inéditos o educador recorre à múltipla conectividade, onde o ponto de um plano se relaciona com infinitos planos. Surfando nesse infinito ciberespaço, o sujeito constrói sua narrativa ganhando protagonismo como autor singular e vivendo a aventura das múltiplas linguagens, em que a multiperspectividade de caminhos lhe apresenta a dúvida da orientação a seguir nos mares de informação digitalizada, na redes de computadores. O educador/a que permanecia em espaços de permanente quietude agora na fuga dentro/fora, interno/externo pode recapitular, superar e reintegrar o movimento, a flexibilidade, a multiperspectividade e linguagens, para dar vida à sua prática e libertar-se de coisas ontologicamente já conhecidas pela humanidade, para dedicar-se a dialogar com os educandos/as. A sua criação, superando a individualidade inicial de espectador, pode permitir o surgimento de novas formas de olhar, compreender e interpretar o atual universo educativo a fim de orientar seu caminhar em formas alternativas de comunicação e educação. Antes de arriscar os possíveis benefícios ou perigos da Internet na prática do educador/a, seria de muito proveito analisar o que de melhor ou de pior acrescentam esses enlaces, com quê, quem ou com quais pessoas ele faz rizoma para reinventar a sua prática. Além disso, entender como se desenvolvem os acontecimentos na atual dinâmica sócio-cultural para compreender um pouco melhor as transformações promovidas pela informática na vida dos educadores/as em um mundo globalizado.

FONTE: http://www.hottopos.com.br/videtur6/rizoma.htm ( veja a bibliografia neste link)

HISTÓRIA - ESCOLINHA DE ARTE DO BRASIL - A LIBERDADE DA CRIANÇA NA CRIAÇÃO ARTÍSTICA - RECONHECE-SE QUE A CRIANÇA POSSUI GRANDE CAPACIDADE ARTÍSTICA

Histórico

A Escolinha de Arte do Brasil é criada em 1948, no Rio de Janeiro, por iniciativa do artista pernambucano Augusto Rodrigues (1913 - 1993), da artista gaúcha Lúcia Alencastro Valentim (1921) e da escultora norte-americana Margareth Spencer (1914). A Escolinha, que coloca o foco nas distintas expressões artísticas (dança, pintura, teatro, desenho, poesia etc.), funciona nas dependências da Biblioteca Castro Alves, do Instituto de Previdência e Assistência Social dos Servidores de Estado - Ipase, voltada fundamentalmente para o público infantil. O filósofo e teórico da arte Herbert Read (1893 - 1968) fornece as principais inspirações para a experiência, sistematizadas em sua obra Education through Art (1943). As idéias de Read - ancoradas no princípio de que a educação é o fundamento da arte - são também conhecidas do público brasileiro da época em função da exposição de arte infantil por ele organizada no Museu Nacional de Belas Artes - MNBA, Rio de Janeiro, em 1941. O espírito não diretivo e aberto da Escolinha de Arte do Brasil pode ser aferido na tentativa de ampliação do repertório artístico pela inclusão de elementos da arte popular e do folclore (por exemplo, teatro de fantoches e bonecos), na intensificação do diálogo entre as diferentes modalidades artísticas, ou na adoção de um método pouco convencional de ensino. Diz Lúcia Valentim: "Nossa grande mestra foi sem dúvida a criança. Havíamos decidido nos guiar por ela: observar o que ela fazia; oferecer situações novas e verificar como reagia; analisar o que recusava; documentar como progredia".

A Escolinha recebe forte apoio de educadores atuantes, como Anísio Teixeira (1900 - 1971) e Helena Antipoff (1892 - 1974). Esta é especialmente ligada a Augusto Rodrigues, em função do trabalho conjunto na Sociedade Pestalozzi, por ela criada em 1948, e na qual Augusto é professor. Vale lembrar que as relações entre arte e educação especial mobilizam a Escolinha de Arte do Brasil desde o início, favorecidas por convênios com a Pestalozzi e com a Apae, por intermédio de Antipoff e de Nise da Silveira (1905 - 1999). Experiências educacionais como essas ainda hoje enfrentam forte resistência por parte de muitos profissionais, apesar dos insubstituíveis serviços prestados às famílias de crianças deficientes. Outro traço importante do perfil e da atuação da Escolinha diz respeito às tentativas que empreende para difundir concepções mais modernas na área da educação artística com criação de veículos próprios como o jornal Arte & Educação, editado a partir de 1970. A produção de materiais específicos para o ensino de arte é outra inovação da Escolinha de Arte do Brasil, que sistematiza, pela primeira vez, técnicas pouco conhecidas e, até hoje, utilizadas pelas escolas: lápis de cera e anilina; lápis de cera e varsol; desenho de olhos fechados; impressão e pintura de dedo, mosaico de papel; recorte e colagem coletiva sobre papel preto; carimbo de batata; bordado criador, desenho raspado e de giz molhado, entre outras.

As primeiras escolas especializadas em arte para crianças e adolescentes remontam à década de 1930, às experiências como as da Escola Brasileira de Arte, de São Paulo, dirigida por Theodoro Braga (1872 - 1953), e aos cursos de Anita Malfatti (1889 - 1964), oferecidos em seu ateliê e na Biblioteca Infantil Municipal do Departamento de Cultura de São Paulo, dirigido por Mário de Andrade (1893 - 1945) entre 1935 e 1938. Essas experiências se caracterizam pela idéia da aprendizagem livre e do incentivo à expressão criativa, na contramão do ensino oficial de artes tal como instituído em seguida no período do Estado Novo, quando as aulas de desenho geométrico e cópia de estampas são introduzidas na escola primária e secundária com a finalidade de orientar ao máximo a formação artística, adequando-a aos modelos e padrões vigentes. Na década de 1940, novas experiências na área da educação artística têm lugar no país, com o intuito de formar artistas e educar o gosto em função da liberdade expressiva. A Escola Guignard, criada em 1943, na cidade de Belo Horizonte, é ótimo exemplo de um modelo não convencional de educação artística. Em relação às crianças, especialmente, amplo trabalho é feito pelos artistas que abrem os seus ateliês para a experimentação livre. No Recife, por exemplo, Lula Cardoso Ayres (1910 - 1987) fornece lápis, papel e tinta para as crianças, deixando que elas se expressem de modo não dirigido. Também as escolas Waldorf incentivam a integração entre arte e educação, no Brasil, desde a década de 1950.

A despeito de importantes iniciativas individuais, a Escolinha de Arte do Brasil altera o panorama do ensino artístico, multiplicando as experiências na área de arte e educação em diversas regiões do país. Sua criação está na base do Movimento Escolinhas de Arte - MEA, que congrega diversas escolinhas de arte, nos anos 1950, 1960 e 1970: a do Rio de Janeiro, da Bahia e do Recife, por exemplo. Podem ser considerados desdobramentos importantes da Escolinha de Arte do Brasil o Ateliê Infantil do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ, criado por Ivan Serpa (1923 - 1973), em 1972, e os cursos de licenciatura em educação artística, instituídos em 1973. Não se deve esquecer que a despeito da ênfase na liberdade de criação, o MEA procura interferir no ensino regular de arte nas escolas públicas. Algumas iniciativas são tomadas nessa direção, por exemplo, a organização de um curso promovido pelo Ministério da Educação e Cultura - MEC e pela Escolinha de Arte do Brasil, em 1971, para preparar as equipes das Secretarias de Educação para de orientar a implantação da disciplina de educação artística, obrigatória a partir da década de 1970. Com o tempo, portanto, a Escolinha de Arte do Brasil volta-se também para o público adulto, tornando-se um importante centro de formação de profissionais que vão supervisionar experiências no Brasil e América Latina.


Atualizado em 21/11/2005

FONTE: http://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_IC/index.cfm?fuseaction=marcos_texto&cd_verbete=3757

AGENDA 21 - LEIA NA ÍNTEGRA CLICANDO AQUI

http://www.ecolnews.com.br/agenda21/index.htm

A Agenda 21 é um programa de ação, baseado num documento de 40 capítulos, que constitui a mais ousada e abrangente tentativa já realizada de promover, em escala planetária, um novo padrão de desenvolvimento, conciliando métodos de proteção ambiental, justiça social e eficiência econômica.
Trata-se de um documento consensual para o qual contribuíram governos e instituições da sociedade civil de 179 países num processo preparatório que durou dois anos e culminou com a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD), em 1992, no Rio de Janeiro, também conhecida por ECO-92.

Além da Agenda 21, resultaram desse processo cinco outros acordos: a Declaração do Rio, a Declaração de Princípios sobre o Uso das Florestas, o Convênio sobre a Diversidade Biológica e a Convenção sobre Mudanças Climáticas.

Estrutura e conteúdo (da Wikipédia)

http://pt.wikipedia.org/wiki/Agenda_21

Os temas fundamentais da Agenda 21 estão tratados em 40 capítulos organizados em um preâmbulo e quatro seções:

  1. Preámbulo
    Seção I. Dimensões sociais e econômicas
  2. Cooperação internacional para acelerar o desenvolvimento sustentável dos países em desenvolvimento de das políticas internas conexas
  3. Luta contra a pobreza
  4. Evolução das modalidades de consumo
  5. Dinâmica demográfica e sustentabilidade
  6. Proteção e fomento da saúde humana
  7. Fomento do desenvolvimento sustentável dos recursos humanos
  8. Integração do meio ambiente e o desenvolvimento na tomada de decisões
    Seção II . Conservação e gestão dos recursos para o desenvolvimento
  9. Proteção da atmosfera
  10. Enfoque integrado do planejamento e da ordenação dos recursos das terras
  11. Luta contra o desmatamento
  12. Ordenação dos ecossistemas frágeis: luta contra a desertificação e a seca
  13. Ordenação dos ecossistemas frágeis: desenvolvimento sustentável das zonas montanhosas
  14. Fomento da agricultura e do desenvolvimento rural sustentável
  15. Conservação da diversidade biológica
  16. Gestão ecologicamente racional da biotecnologia
  17. Proteção dos oceanos e dos mares de todo tipo, incluídos os mares fechados e semi-fechados e as zonas costeiras, e o uso racional e o desenvolvimento de seus recursos vivos
  18. Proteção da qualidade dos recursos de água doce: aplicação de critérios integrados para o aproveitamento, ordenação e uso dos recursos de água doce
  19. Gestão ecologicamente racional dos produtos químicos tóxicos, incluída a prevenção do tráfico internacional ilícito de produtos tóxicos e perigosos
  20. Gestão ecologicamente racional dos rejeitos perigosos, incluída a prevenção do tráfico internacional ilícito de rejeitos perigosos
  21. Gestão ecologicamente racional dos rejeitos sólidos e questões relacionadas com as matérias fecais
  22. Gestão inócua e ecologicamente racional dos rejeitos radioativos
    Seção III. Fortalecimento do papel dos grupos principais
  23. Preâmbulo
  24. Medidas mundiais em favor da mulher para atingir um desenvolvimento sustentável e equitativo
  25. A infância e a juventude no desenvolvimento sustentável
  26. Reconhecimento e fortalecimento do papel das populações indígenas e suas comunidades
  27. Fortalecimento do papel das organizações não-governamentais associadas na busca de um desenvolvimento sustentável
  28. Iniciativas das autoridades locais em apoio ao Programa 21
  29. Fortalecimento do papel dos trabalhadores e seus sindicatos
  30. Fortalecimento do papel do comércio e da indústria
  31. A comunidade científica e tecnológica
  32. Fortalecimento do papel dos agricultores
    Seção IV. Meios de execução
  33. Recursos e mecanismos de financiamento
  34. Transferência de tecnologia ecologicamente racional, cooperação e aumento da capacidade
  35. A ciência para o desenvolvimento sustentável
  36. Fomento da educação, a capacitação e a conscientização
  37. Mecanismos nacionais e cooperação internacional para aumentar a capacidade nacional nos países em desenvolvimento
  38. Acordos institucionais internacionais
  39. Instrumentos e mecanismos jurídicos internacionais
  40. Informação para a adoção de decisões

Moeda social substitui dinheiro e estimula desenvolvimento local


12 de novembro de 2008

Fonte: Fernanda Barreto (fernanda.ascom@brasilocal.org.br)

O mundo financeiro mudou. As bolsas encolheram, moedas esvaziaram-se e grandes bancos desapareceram do mapa.
No Brasil, existem, porém, 33 comunidades que dão as costas para o que acontece no resto do planeta. Se
consultadas, seriam capazes de dar lições de economia aos poderosos. Elas imprimem o seu próprio dinheiro, só compram
com desconto e emprestam a menos de 1% ao mês. Não é pouca coisa. A chamada economia solidária já conta com
35 bancos e cinco moedas próprias em circulação. No lugar do real, entram papéis alternativos, como a palmas, o bem, a
terra ou a oração, que chegam a valer mais do que a moeda oficial do país.
Dentro do sistema de economia solidária, não existe crise financeira. Nem internacional, nem local. O funcionamento é
simples: em vez de pagar em reais, o consumidor usa a moeda social em circulação no seu bairro ou cidade. No
comércio local, ele ganha desconto ao pagar com esse dinheiro. Já o comerciante pode desfazer a troca no banco
social, se tiver necessidade de fazer compras fora da comunidade. “Com isso, a riqueza fica dentro do bairro, pois o
pagamento em palmas ou orações não tem valor fora dali”, observa. É o oposto da economia globalizada, onde o investidor
só aplica no Brasil se ele for o país mais rentável no momento. “Durante uma crise, os investimentos evaporam, porque
não há nenhum vínculo com o país ou com a comunidade. A riqueza muda muito rapidamente de lugar”, compara
Peterson Gandolfi, professor de administração da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).
A primeira experiência com moeda social de Minas Gerais está instalada em Uberlândia, na rica região do Triângulo
Mineiro. Quem colabora na organização não-governamental (ONG) Ação Moradia recebe o pagamento pelas horas
trabalhadas em hora-ação, o nome oficial da moeda. Em mineirês, foi encurtado para oração. Na prática, cada hora de
colaboração na cozinha, na limpeza ou na costura corresponde a uma oração. Com o tempo, Enilda passou a achar mais
bonito receber o salário em moeda solidária. “Aqui dentro, a oração vale do mesmo jeito que o real”, completa.
Com as cédulas na mão, devidamente numeradas e plastificadas, é possível trocar por mercadorias usadas no bazar,
que recebe doações de eletrodomésticos, móveis e computadores das empresas da região. Na tabela de preços, um par de
meias vale duas orações, um fogão sobe para 50 orações e o computador atinge o teto de 70 orações. “Nenhuma comunidade
é tão pobre que não consiga gerar sua própria riqueza. O problema é que o trabalhador gasta o seu salário mínimo no
supermercado das grandes redes, em vez de dar preferência para o mercadinho do bairro. Com a moeda alternativa, o
dinheiro forçosamente vai ficar dentro da comunidade e circular lá dentro. Quem quiser comprar fora terá de trocar por
reais”, explica o empresário Oswaldo Cetti, que fundou a entidade com a mulher, Eliana Maria Carrijo Setti. No caso
dele, a moeda social também minimizou o dilema na hora de distribuir as doações de bens de maior valor e ajudou a
captar mais horas de trabalho “voluntário” entre as pessoas da comunidade.
Bom, seguro e sempre solidário Cadastros de clientes são baseados na confiança e praticamente não há inadimplência
no setor. Mas também existem regras legais para os bancos sociais
O 15 de setembro de 2008 já entrou para a história como o marco do maior crash internacional depois de 1929. Nesse
dia, o mundo percebeu o alcance da quebradeira quando o Lehman Brothers, o quarto maior banco de investimentos
americano, pediu concordata. Não há risco de nada parecido ocorrer com nenhum dos 35 bancos comunitários
brasileiros que, do dia para a noite, se tornaram as únicas instituições realmente sólidas no mercado. Só por um motivo: a
garantia é de outra ordem, não-financeira. “Aqui não há como ocorrer o subprime americano (traduzido como distribuir
empréstimos imobiliários a quem não tem condições de pagar). Antes de emprestar, o banco vai lá na casa dele e
pergunta para o vizinho e para a sogra se o fulano é bom pagador, se ele costuma atrasar as contas. Com isso,
consegue fazer uma avaliação de cadastro mais profunda do que o sistema internacional de crédito”, diz Peter Gandolf,
da UFU. Para Oswaldo Cetti, fundador da ONG Ação Moradia, nenhuma comunidade é tão pobre que não possa gerar
sua própria riqueza.
Nos bancos sociais, a inadimplência acima de 60 dias é perto de zero. Em média, o atraso nas prestações não passa de
10 dias. “Quem ficou devendo dá um jeito de arranjar dinheiro, pega emprestado com parentes para não ficar
inadimplente com o banco e nem sujar o nome. Ele sabe que atrasar no banco é coisa séria, pois o dinheiro é da
Fórum Brasileiro de Economia Solidária
http://www.fbes.org.br
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comunidade, é dele”, explica o professor da UFU. Também o critério de cessão dos créditos é outro, proporcional à
necessidade do tomador. “Os critérios são definidos por agentes de crédito escolhidos pela comunidade. Não é porque
o mundo está caindo que o banco vai negar o financiamento de R$ 500 para o pipoqueiro que precisa comprar um
novo carrinho para trabalhar. Se o dinheiro está mais curto e falta liquidez no mercado, ele terá preferência”, completa.
As comunidades também sofrem com as oscilações do real, porque as moedas sociais têm paridade com a moeda
oficial. Para cada oração ou palma, o banco social tem um real guardado em caixa. Isso garante que as moedas sejam
lastreadas em reais e mantém os bancos dentro da lei – que restringe a emissão de dinheiro ao Banco Central (BC).
Mas as regras comuns das notas de real caem por terra diante da realidade. “Se o tráfico matou três filhos de um
correntista, caso verdadeiro que ocorreu em nosso banco, foi feita uma renegociação da dívida em mais prestações. No
banco tradicional, ele passaria a ser um inadimplente. A decisão passou pelo crivo das pessoas da comunidade, que
assumem o compromisso de manter o banco funcionando, de acordo com a disponibilidade de caixa”, informa Leonora
Laiboissière Mol, presidente do Banco Bem, de Vitória, no Espírito Santo, o primeiro da Região Sudeste.
Valores Em três anos, o modelo do Banco Bem já foi replicado no Banco Terra e Banco Verde Vida, em Vila Velha, e
no Banco Sol, em Cariacica. A proposta de abrir um banco social chegou a ser apresentada em Uberlândia, mas não foi
para frente. A entidade recusou também o projeto de instalar uma filial do Banco Popular do Brasil, subsidiária do
Banco do Brasil voltado para o microcrédito. “O BB estava mais interessado em dar empréstimos aos moradores, a
juros que variam de 1,5% a 3,5% ao mês. Não havia uma contrapartida”, reclama Oswaldo Cetti. Segundo ele, algumas
vezes não adianta explicar a proposta da entidade. “Nessa altura da vida, o dinheiro além do necessário perde o
sentido. De herança, quero deixar outros valores”, conclui.
Moedas já circulam em 33 cidades As moedas sociais circulam hoje em 33 comunidades, sendo 24 delas no Ceará.
Em municípios menores, a moeda circula por toda a cidade, caso do acaraú, em Tamboril. Na capital Fortaleza, a mais
forte é a palmas, do Conjunto Palmeiras. Pelo Banco Palmas, circulam atualmente cerca de 25 mil palmas, aceitas em
250 pontos de comércio cadastrados.
“Na nossa comunidade não tem inflação, porque não há excesso de dinheiro na praça. Nós mapeamos a produção e a
necessidade de consumo local. Se os moradores precisam de 800 sabonetes por mês, damos um incentivo para abrir a
fábrica da Palmalimp, que vai produzir sob encomenda”, explica João Joaquim de Melo Segundo, coordenador da Rede
Brasileira de Bancos Comunitários e do Instituto Banco Palmas.
Oferta e procura Segundo Joaquim, ao fazer isso, a economia solidária não subverte a lei da oferta e da procura (a lei
máxima do mercado), mas equilibra os pratos da balança. “É a lei da justa medida. O capitalismo trabalha com o princípio
da escassez, onde uns ganham e outros perdem. A nossa é a teoria da abundância, onde tem espaço para todo mundo.”
A teoria é muito bonita. Mas funciona, na prática? “Estamos provando que sim. Basta reorganizar a economia para
gerar trabalho e emprego”, defende João Joaquim.
Um desafio é o livre-arbítrio dos moradores nas decisões de compra. Surge a dúvida: e se a dona-de-casa do Conjunto
Palmeiras quiser continuar usando o detergente da Bombril? “É preciso conscientizar a comunidade, mostrar que existe
uma diferença profunda entre levar o produto da Palmalimp e o da Bombril, uma grande marca americana que já está
rica. Ela terá de fazer a opção entre ter o bico dosador ou apostar na fábrica local, que no futuro vai contratar um jovem
do bairro. A maneira como a gente consome define o tipo de sociedade que queremos construir”, afirma. Para substituir o
bico dosador, Joaquim sugere bater um prego na ponta da embalagem plástica, que, segundo ele, faz o mesmo efeito.

http://www.fbes.org.br/index2.php?option=com_content&do_pdf=1&id=3918.

Reunião da Rede Paulista de Trocas Solidárias é amanhã dia 28/02 (Economia Solidária RS/Post 305)


Posted by: Economia Solidária/RS on: 27/02/2009

* In: Clube de Trocas| Economia Solidária| Feira de Trocas| Moeda Social| SP
* Comment!

Reunião da Rede Paulista de Trocas Solidárias, amanhã dia 28/02/2009, as 10:00 horas, na Rua Padre Jose Maria, 555 – Santo Amaro – SP (Cecco Santo Amaro), solicitamos a todos e todas uma ajuda solidária, se possível chegar as 09:00 horas, para ajudar na montagem das barracas da feira de trocas que funciona neste mesmo local as 11:00 horas.

Pré pauta da reunião:
1- Encontro entre formadores e organizadores de Bancos Comunitários na Região Sul de São Paulo.
2 – Visita de Margrit Kennedy a São Paulo.

Calendário de Feiras de Trocas em São Paulo no mês de Março / 2009.

28/02/2009 – CECCO Santo Amaro, Clube de Trocas moeda social Talento - Local: Rua Pe Jose Maria, 555 – Santo Amaro – São Paulo – SP. Referencia: do lado do Terminal Santo Amaro. Feira de trocas das 11:00 as 14:00.

01/03/2009 – Clube de trocas no GOTI - Endereço: Rua Delfin do Prata, 15 A – Santa Terezinha – Pedreira – Santo Amaro - SP. Feira de trocas das 14:00 as 17:00h. (Obs: Estamos necessitando de livros infantis para a creche que funciona neste espaço, o pagamento dos livros será em moeda social, quem puder ajudar, agradecemos toda ajuda).

08/03/2009 - Clube de Trocas do Jd. Ângela e Capão Redondo - Horário: 13h as 17h - Local: Associação Sonia Ingá. Endereço: R. Felipe Manara, 13 - Jd Sonia Ingá - Neste próximo Clube haverá a comercialização de alimentos doados pelo ENEDS.

Atenção, para esta próxima feira de trocas com mudança de endereço.
14/03/2009 – Feira de Trocas Solidárias – AME JABAQUARA - Local: Rua Godofredo Braga, 215 – Jabaquara (Próximo ao Metro Jabaquara) - Das 11:00 as 14:00 horas. Telefone de contato 3294-1021 / 5588-0599.

21/03/2009 - Feira de trocas das 10 as 17 horas na Rua Dr. Lund, 361 – ponto de referencia de baixo do Viaduto Gricério – Centro São Paulo. Teremos nesta feira de trocas 7 Empreendimentos solidários, oferecendo valor estimado a R$ 1.000,00 em produtos a base de trocas, entre os produtos, doces, salgados, bijuterias, bolsas, cachecóis, mudas e plantas, outros participantes desta feira, também estarão oferecendo outros produtos. Neste dia ainda teremos a visita de Margrit Kennedy que propõe a implantação da moeda ecológica e a liberação dos juros bancários como a solução dos males do capitalismo.

29/03/2009 – CECCO Santo Amaro, Clube de Trocas moeda social Talento - Local: Rua Pe Jose Maria, 555 – Santo Amaro – São Paulo – SP. Referencia: do lado do Terminal Santo Amaro. Feira de trocas das 11:00 as 14:00.

Fonte: clube de trocas em São Paulo

http://outraeconomiacontece.wordpress.com/2009/02/27/reuniao-da-rede-paulista-de-trocas-solidarias-e-amanha-dia-2802-economia-solidaria-rspost-305/

Edição 151 - Jornal Recomeço - O jornal dos detentos

JORNAL RECOMEÇO

Ano VIII - Edição 151 - Fevereiro de 2009
http://www.jornalrecomeco.com/

ABERTURA
- Oração do preso
- Presídios cada vez piores
"Esse é um quadro grave, vergonhoso” (Gilmar Mendes - Presidente do STF)
- Oficial de Justiça exemplar - João Baptista Herkenhoff
"...eu quisera, como Juiz de Direito, trabalhar sempre com Oficiais de Justiça portadores de sensibilidade humana, inteligência e bom senso como aquele Oficial de Justiça que me impedira de cometer uma brutalidade."
- Voto dos presos em 2010
A Procuradoria Regional Eleitoral, em São Paulo, pediu ao Tribunal Regional Eleitoral paulista que presos provisórios possam votar nas eleições de 2010.
- TEXTO DOS DETENTOS
À mestra, com carinho - Rodrigo dos Reis
"É com humildes palavras que eu, Rodrigo, venho agradecer o trabalho que a professora Beth tem feito na cadeia pública de Cataguases."
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- Jornal Recomeço impresso
Leia na íntegra clicando em "Edição 121", no site

Nota
- Notícias diárias no blog do Jornal Recomeço

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

CURSO DE FORMAÇÃO EM EDUCAÇÃO DEMOCRÁTICA NA POLITEIA


Inscrições Abertas:

Módulo 1: Fundamentos, História e Práticas

Resumo: O curso de "Formação em Educação Democrática" existe há 6 anos e tem por objetivo apresentar as principais correntes teóricas da educação democrática, assim como a experiência das principais escolas. Discutindo autores como Tolstoi, Korczak, Neill, Illich e Pacheco, o curso busca pensar a realidade brasileira a partir da tradição da educação democrática e elaborar propostas de intervenção nas escolas ou em outras instituições a partir das experiências dos participantes.

Carga horária: 32 horas
Início: 9 de março
Término: 29 de junho
Dia: segundas-feiras
Horário: das 19h às 21h
Vagas: 30

Opções de pagamento

470,00 parcelado em até 4 vezes no cheque pré-datado
450,00 à vista

Para mais informações acesse: www.curso.politeia.org.br


POLITEIA - Instituto de Educação Democrática

Rua Dona Germaine Burchard, 511 - Água Branca - São Paulo
telefone: 11 3803-9805
secretaria@politeia.org.br

CARTA DE PROTESTO - DISCRIMINAÇÃO DENTRO DE ESCOLA EM ALTAMIRA - PA



ALTAMIRA 26 DE FEVEREIRO DE 2009

Em Altamira – Pa, uma garota teve que abandonar o colégio por que a direção cismou sua amizade com outra garota. A diretora juntamente com a psicóloga da escola (CEGD) sugeriram à mãe da adolescente (R.B,
17anos) que a levassem a um psicólogo para fazer tratamento, pois a menina mantinha comportamento estranho ao se relacionar com outras.
Alegaram que a aluna era doente e precisava de tratamento psicológico, e como se não bastasse teve rematrícula negada.

Podemos afirmar que um indivíduo – salvo aqueles que não foram inseridos no sistema educacional por falta de oportunidade e/ou por impossibilidade – passa cerca de 10 anos no ambiente escolar na tentativa de adquirir graus de escolaridade e talvez um pouco de cidadania. Mais ou menos entre 07 e 17 é o período de várias transformações corporais e mentais. Portanto, não é leviano assumir que boa parcela da personalidade do garoto ou garota vem desse ambiente. É na escola que eles desenvolvem suas habilidades sociais e começam a compreender o conceito de sociedade.

A escola não é um sistema fechado, pelo contrário, traz para si uma importante carga de experiências do mundo externo. Entenda-se que desse mundo, como não isento disso, cargas negativas também virão como os vícios do mundo lá fora.

Esse ambiente ao qual nos referimos muitas vezes oprime a juventude mesmo não intencionalmente. O jovem historicamente é visto como símbolo de transgressão e rebeldia (justificadas ou não), assim, historicamente também é penalizado por isso. Nesse contexto, uso de drogas e sexualidade são os temas mais preocupantes entre professores e diretores. Por mais preocupados e empenhados que sejam/estejam, nenhum professor ou diretor em sã consciência admitiria o preconceito se o caso fosse, por exemplo, de homossexualidade, assim como a maioria da população diz não ser racista, mas seus atos mostram o contrário.
A homossexualidade não é novidade nem nunca foi moda, ao contrário do que muitos conservadores pensam e ainda repugnam. É fato! No ambiente escolar não seria diferente. O que se percebe em muitas escolas, local onde deveria haver proteção e amparo – e uma maior compreensão já que se discute cidadania, direitos e igualdade –, garotos e/ou garotas homossexuais sofrem diariamente discriminação. Não raro, garotos são expulsos por trocar carícias no corredor (um caso detectado em Manaus). Em Altamira – Pa, uma garota teve que abandonar o colégio por que a direção cismou sua amizade com outra garota. A diretora juntamente com a psicóloga da escola (CEGD) sugeriram à mãe da adolescente (R.B, 17anos) que a levassem a um psicólogo para fazer tratamento, pois a menina mantinha comportamento estranho ao se relacionar com outras. Alegaram que a aluna era doente e precisava de tratamento psicológico, e como se não bastasse teve rematrícula negada. Procuramos a direção da escola e os mesmos se recusaram a dar maiores informações sobre o assunto. "Mais importante que considerar a homossexualidade um problema psicológico, passível de ser tratado, é educar a população para respeitar as individualidades. Diferenças não são escolhas, e sim tendências que fazem parte da natureza das pessoas", por isso o aluno e os pais podem (e devem!) procurar uma assessoria jurídica, de preferência grupos que respondam pela categoria como grupos gays da sua cidade e partir pra cima!

Discriminação, mesmo dentro da escola, já é crime no Brasil. O Artigo
232 do Estatuto da Criança e do Adolescente diz: “Submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a vexame ou a
constrangimento: Pena – detenção de seis meses a dois anos”. Esse artigo é muito sério. Bem administrado, ele praticamente criminaliza a homofobia quando praticada por um pai ou um professor contra um adolescente. Alguns professores mal (in)formados são incapazes de discutir o assunto, mas devemos mudar essa realidade curricular e a atuação profissional em sala de aula. Podemos denunciar atitudes antiéticas desses profissionais no Ministério da Educação, nos órgãos representativos de classe, no Ministério Público Federal ou Estadual, ou seja, rompa esse silêncio. A escola pode ensinar teorias, mas não como você vai expressar a sua sexualidade.

Não podemos deixar IMPUNE a atitude preconceituosa e discriminatória dessa instituição de Ensino.

QUEREMOS JUSTIÇA DAS AUTORIDADES

Seus Direitos, Nossos Direitos, Direitos Humanos - Direitos Iguais!
Nem Mais, Nem Menos.

Grupo Homossexual da Transamazônica e Xingu

Publicação: Revista G Magazine, Folha de São Paulo, Diário do Pará, Folha do Tocantins, Jornal Estado do Carajás.

Informaçõe s adicionais humbertofesta@hotmail.com

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

AVISO DE COLETIVA – APRESENTAÇÃO DO ESPAÇO PELOS DIREITOS COLETIVOS DOS POVOS

Data: 29/01 (Quinta-feira) Hora: 9 horas Local: Tenda 4: Direitos Coletivos dos povos en nações sem estado – UFRA (Pela primeira vez, o direito a autodeterminação é um dos dez eixos temáticos do FSM.)

Pela primeira vez, o direito a autodeterminação é um dos dez eixos temáticos do FSM.

Na próxima quinta-feira, será apresentada aos veículos de imprensa, o Espaço pelos Direitos Coletivos dos Povos, a tenda temática que durante o Fórum Social Mundial se concentrará nas questões dos direitos coletivos das nações sem estado, comunidades e povos indígenas e grupos marginalizados de todo mundo.

O espaço acolherá representantes de 30 povos, e durante três dias oferecerá conferências, mesas redondas e todo tipo de atividades simultâneas, em duas grandes tendas. Também haverá uma série de estandes nos quais se encontrarão informações sobre estes povos. Entre os participantes das atividades, se encontram organizações e personalidades significativas, como Tomás Huanacu (CONAMAQ, Bolívia), Boaventura de Souza (UPMS, Portugal),

Emir Sader (CLACSO, Brasil), Humberto Cholango (Ecuarunari), Xosé Manuel Beiras (Fundação Galícia Sempre), Walter Wendellin (Euskal Herria), S.V. Kirubaharan (Centro Tamil para os Direitos Humanos) e Jamal Juma' (Anti-Wall Campaign, Palestina), entre muitos outros.

A iniciativa do Espaço pelos Direitos Coletivos dos Povos (organizada e coordenada pelo Centro Internacional Escarré para as Minorias Étnicas e as Nações, da Catalunha) é especialmente importante já que centraliza pela primeira vez o debate e a discussão acerca do direito a autodeterminação e a soberania dos povos, um conceito que o Conselho Internacional do FSM incorporou como um de seus objetivos-eixos temáticos (o número 7) nesta edição de 2009.

Um dos focos de atenção das tenda pelos Direitos Coletivos, será a questão da Palestina. Destaque para a Assembléia Geral pela Palestina, a principal ação coordenada entre todas as organizações palestinas e de apoio à Palestina, que participam do Fórum, a qual acontecerá sábado, dia 31, às 18h30.
O CIEMEN é uma entidade catalã dedicada a defesa internacinoal dos direitos dos povos e das minorias, que tem sua sede em Barcelona. Mais informaçaõ a http://autodeterminaciofsm2009.wordpress.com.

FONTE: http://www.fsm2009amazonia.org.br/sala-de-imprensa/aviso-de-coletiva/aviso-de-coletiva-2013-apresentacao-do-espaco-pelos-direitos-coletivos-dos-povos

O QUE É NATURISMO? DA WIKIPÉDIA

O naturismo (não confundir com naturalismo) é um conjunto de princípios éticos e comportamentais que preconizam um modo de vida baseado no retorno à natureza como a melhor maneira de viver e defendendo a vida ao ar livre, o consumo de alimentos naturais e a prática do nudismo, entre outras atitudes.

Etimologia da palavra

A palavra naturismo provêm do francês naturisme, que é a doutrina filosófica que se baseia num modo de vida em harmonia com a natureza, caracterizado pela prática do nudismo em grupo, que tem por intenção favorecer o auto-respeito, o respeito pelo outro e o cuidado com o meio ambiente.

História

Difundido a partir do período de entreguerras em alguns países da Europa, especialmente Alemanha e Países Baixos, o naturismo chegou ao Brasil e se notabilizou pela sua prática mais marcante: o nudismo. Em Portugal foram oficializadas algumas praias para a prática do nudismo no entanto, esta prática acontece de forma livre em muitas outras praias do país de forma mais ou menos generalizada e aceite, em particular em zonas mais afastadas dos restantes banhistas.

No paraíso

Segundo o relato do Gênesis, “tanto o homem como a mulher estavam nus e não se envergonhavam.” (Gên 2, 25). Mas, logo a seguir, não resistiram à tentação e pecaram. “Abriram-se então os olhos de ambos e reconheceram que estavam nus; coseram folhas de figueira e fizeram cinturões para si.” (Gên 3,7). A iconografia ocidental encarregou-se de ilustrar o contraste entre antes e depois da queda. Antes, Adão e Eva, no esplendor da beleza, viviam nus no paraíso. Depois, constrangidos, procuram ocultar os órgãos genitais. Na interpretação da exegese, oficializada pela Igreja, isso ocorreu devido ao despertar da concupiscência, primeira manifestação da desordem que o pecado introduziu na harmonia da criação.[carece de fontes?]

Idade Antiga

Do século II até o final do IV, os romanos, sem excluir os cristãos[carece de fontes?], banhavam-se comunalmente nus em banhos públicos, com homens e mulheres banhando-se juntos. Na Grécia antiga era comum a prática de esportes ocorrer sem nenhuma peça de roupa. Algum do sentido de pudor que hoje vemos disseminado na sociedade moderna foi essencialmente legado que as religiões nos deixaram ao longo dos tempos.

Tempos modernos

O naturismo moderno surgiu no início do século 20, na Alemanha e França. Na França (especificamente na Ilha do Levante) foi criada pelos irmãos Duvalier uma "Clínica Helioterapêutica" onde se pregava que a nudez ao ar livre com alimentação natural (sem nenhum produto animal, drogas, cigarros e bebidas) e contato com outras pessoas ajudava na cura de todos os males físicos. Na Alemanha, que é tida como verdadeiramente a iniciadora do naturismo, um professor de educação física (Adolf Koch) propôs aos seus alunos que estes deveriam fazer os exercícios ao ar livre e sem roupas. Depois de algum tempo, os jovens deste professor passaram a serem mais corados, ter mais saúde e alegria, as famílias dos mesmos vendo as mudanças inclusive comportamentais dos mesmos resolveram aderir aos exercícios e criaram o que a princípio foi chamado de nudismo[carece de fontes?]. (a alteração de nome só foi feita na década de 50). No ano de 1906, surge nesse mesmo país o primeiro campo oficial para a prática do naturismo. Nessa época, alem dos exercícios ao ar livre em completa nudez, havia também uma grande preocupação com a alimentação, que deveria ser saudável, geralmente baseada no vegetarianismo.


Após a segunda guerra mundial, o naturismo começou a se difundir, não só na Europa, mas também nos Estados Unidos. Hoje são poucos os países que ainda não possuem adeptos do movimento.

Em 1974 a Federação Internacional de Naturismo (INF) definiu os princípios naturistas, que é a definição atual de Naturismo adotada por todas as entidades naturistas do mundo:

“Um modo de vida em harmonia com a natureza, caracterizado pela prática do nudismo em grupo, que tem por intenção favorecer o auto-respeito, o respeito pelo outro e o cuidado com o meio ambiente.”

"Qual a relação entre nudez coletiva e desenvolvimento do indivíduo?".

A resposta dos naturistas está no conceito de "aceitação do corpo", ou seja, na descoberta de que o corpo humano é um todo não havendo partes honrosas e partes indecorosas. Os naturistas, ao conviverem com a nudez do próximo não são chocados nem agredidos pelo corpo e sentem que o respeito é possível mesmo sem artifícios. Entrando em contato com a própria essência e deixando para trás o que é acessório. Para os naturistas somos todos iguais, apesar das diferenças.

Ética naturista

Embora os princípios da ética naturista sejam praticamente universais existem diferenças, a nível de cada país, nas regras definidas pelas Federações nacionais.(...)

LEIA MAIS EM :

FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/Naturismo

Acre é o primeiro estado a ter legislação própria sobre economia solidária

Em dezembro, a Assembléia Legislativa do Acre aprovou por unanimidade o projeto de lei nº 110/2008 que regulamenta o Programa Estadual de Economia Solidária, tornando o Acre o primeiro estado brasileiro a ter uma legislação própria para o tema. De acordo com os coordenadores estadual e municipal de Economia Solidária de Rio Branco, Danuza Lemos e Paulo Sérgio Braña, o programa permitirá a consolidação de pequenos negócios por meio da capacitação, elaboração de projetos e concessão de microcréditos. Segundo eles, o objetivo é valorizar a produção coletiva em projetos de extrativismo, artesanato, culinária, agricultura familiar, entre outros.

FONTE: http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/EdicaoNoticiaIntegra.asp?id_artigo=5873

O empreendedor e a economia solidária


Por LAURO AUGUSTO MONTECLARO JUNIOR

Embora exista grande convergência de opiniões sobre ser a economia solidária a forma por excelência para a superação do atual desemprego, derivado de certos aspectos da globalização, existem dificuldades para sua real implementação. A mais importante é o desafio do desenvolvimento da capacidade empreendedora dos trabalhadores.

Sempre se fala nos temidos eventos já anunciados por Jeremy Rifkin em sua obra “O fim dos Empregos: o declínio inevitável dos níveis dos empregos e a redução da força global de trabalho”, de 1994, e essa “profecia” se confirma cada dia mais. Prova disso é a observação de Juan Somavia, diretor geral da OIT em seu artigo: “A Geração do Milênio procura trabalho para superar a pobreza” de 21/09/2005:

“É verdade que nos últimos anos foram criados muitos postos de trabalho, mas ao mesmo tempo o desemprego a nível mundial aumentou 26% nos últimos 10 anos. Esta cifra não deve nos fazer esquecer de um problema ainda maior, o do subemprego, o de bilhões de pessoas – em especial mulheres – sem acesso a empregos dignos que lhes permitam desenvolver seu potencial produtivo”.

Além disso, outra temível previsão de Rifkin tem se tornado uma dura realidade:

“Quando um número cada vez maior de pessoas para as quais não haverá qualquer tipo de trabalho no setor de mercado, os governos enfrentarão duas escolhas: Financiar proteção policial adicional e construir mais cadeias para encarcerar uma classe criminosa crescente, ou financiar formas alternativas de trabalho no terceiro setor”.(RIFKIN, 2001:272)

Vimos que na prática, a maioria dos governos adotou um misto das duas soluções, sem muito sucesso. A criminalidade tem se tornado incontrolável e as “formas alternativas” são cada vez mais o trabalho precário e informal, sempre beirando a marginalidade. As políticas “sociais” por sua vez são ineficazes ou insuficientes para contentar as populações, principalmente os jovens, sem perspectivas de trabalho decente.

A imensidão da população carcerária nos EUA, as “demonstrações de força” de organizações criminosas no Brasil e distúrbios violentos, provocados por jovens “bem protegidos” pelo Estado de bem-estar social na França, são demonstrações definitivas disso.

Em geral uma das soluções apontadas é a adoção dos princípios da “Economia Solidária” em complementação ao sistema de produção capitalista ou até como uma forma de superá-lo. De fato, vários autores que investigam o fenômeno da globalização chegaram a essa conclusão:

“É nesse contexto que ganha enorme importância à práxis de um cooperativismo autônomo, autogestionário e solidário, que inova no espaço da empresa-comunidade humana e também na relação de troca entre os diversos agentes [...] o associativismo e o cooperativismo autogestionários, transformados em projeto estratégico, podem ser os meios mais adequados para a reestruturação da socioeconomia na nova era que se anuncia”. (ARRUDA E BOFF, 2000:53).(...)

leia na íntegra em :http://www.espacoacademico.com.br/074/74cesarjr.htm

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

LEIA NO BLOG DO "SARAU PARA TODOS" - clique nos links

▼ 2009 (205)
▼ Janeiro (205)
FONTE: http://sarauxyz.blogspot.com

QUILOMBOLAS VENCEM RIXA COM AGÊNCIA ESPACIAL BRASILEIRA - POR MAURÍCIO WALDMAN

Maurício Waldman
21 de janeiro de 2009 13:53

Uma disputa entre tradição secular e alta tecnologia terminou com vitória da primeira. As comunidades tradicionais quilombolas do município de Alcântara, Maranhão, venceram uma querela judicial por terras travada com a AEB - Agência Espacial Brasileira.

Alcântara, MA - A AEB havia instalado, em 1983, uma base de lançamento de foguetes na área. Os povos descendentes de quilombolas foram formados por escravos fugidos na época da escravidão e, de acordo com os moradores do local, instalados na região há mais de três séculos.

O Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) publicou, em 4 de novembro de 2008, um documento que reconhece as comunidades e determina que 78,1 mil hectares da região pertencem aos descendentes de quilombolas por direito. Pela decisão, o Centro de Lançamento de Alcântara da AEB fica com 9,3 mil hectares, dos 14 mil pretendidos pela agência. A resolução tem um prazo de 90 dias, a partir da data de publicação, para ser contestada.

Na década de 1980, cerca de 300 famílias descendentes de quilombolas foram retiradas do local onde viviam e instaladas em agrovilas próximas dali, para que o centro de lançamento pudesse ser instalado em 1983. Em 1991, a área destinada à base de lançamento chegou a ser de 62 mil hectares. Os 9 mil hectares que agora a AEB tem direito correspondem a um espaço já utilizado pela base de lançamento.

Hoje, vivem na região cerca de 15 mil descendentes de quilombolas em 106 comunidades, o que significa mais de 70% da população total de Alcântara. Já os 78 mil hectares demarcados correspondem a 52% do território da cidade, que é de 148.300 hectares, apenas 4 mil hectares menor do que o município de São Paulo. As principais atividades das comunidades são a agricultura familiar — principalmente o cultivo de feijão, mandioca e milho —, a pesca e o artesanato.

O presidente da AEB, Carlos Ganem, questiona a decisão do Incra, afirmando que a área pretendida é apenas 5 mil hectares a mais que o determinado e que, em razão dessa diferença, talvez seja preciso instalar bases de lançamento em outros locais do país. “É o melhor lugar do planeta para lançar foguetes. Pela posição estratégica, exige menos combustível, e é próximo ao mar, evitando acidentes. Não utilizar isso é desprezar a oportunidade que temos em mãos. Um programa espacial é um programa de inclusão econômica e ambiental. É importante para a observação, a coleta de dados, a meteorologia, a prevenção de catástrofes como a de Santa Catarina , o controle do tráfego aéreo e a navegação”, defende Ganem.

Para o Incra, a decisão garante que a agência não ampliará a área ocupada pelo centro de lançamento. “A vitória é que eles (a AEB) tinham um projeto bem maior do que isso, que causaria a necessidade de deslocamento de famílias. Com essa decisão, essa possibilidade não existe mais”, afirma a coordenadora geral de registro de territórios quilombolas do instituto, Givânia Maria da Silva.

Além da garantia do território, o subsecretário de políticas para comunidades tradicionais da SEPPIR (Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial), Alexandro Reis, acrescenta que a demarcação “trará maior dignidade às comunidades e direito a crédito no sistema público ou privado”. “Eles não viverão mais sob a ameaça de que aquelas terras em viram seus filhos nascerem, nas quais viveram seus pais, nas quais eles plantaram, não são suas, vamos saldar uma dívida histórica do país com estas comunidades.”

As comunidades, segundo Reis, já têm acesso a serviços do governo nas áreas de educação (para reforma e construção de escolas), saúde (direcionados ao acesso a saneamento e água, além de atendimento médico básico) e desenvolvimento econômico. “Agora, a previsão é de instalar um centro de referência quilombola, que funcionaria como um polo que articula as políticas públicas dos quilombolas, junto com inclusão digital”, afirma.

Nachriten Zeitung/Central de Notícias Deutsche Welle - A Voz da Alemanha, BrasilAlemanha/Neues (21-02-2009).



Prof. Dr. Mauricio Waldman

E-mail contact: mw@mw.pro.br

Site Pessoal - Official Website (PB): www.mw.pro.br

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