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domingo, 23 de agosto de 2009

“flash mob die in” - Contra energia nuclear, pessoas simulam estar mortas no asfalto- GREENPEACE



Nas cidades de Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro, exatamente às 10h deste sábado, o promove uma GreenpeaceFlashmob - mobilização relâmpago - na qual as pessoas vão deitar no asfalto e fingir estar mortas.

O objetivo da mobilização é protestar contra a parceria entre França e Brasil na área de energia nuclear.

O evento, que ganhou o apelido “flash mob die in”, por conta da morte coletiva simbólica, é reconhecido pela própria organização como “o primeiro flash mob do Greenpeace no Brasil”.

Pelo visto, parece ser uma nova forma de protesto a ser usada pela organização internacional para defender as causas ambientais.

Moda em todo o mundo, a flashmob se baseia na mobilização coletiva, aparentemente casual e espontânea. Nos tempos de “febre”, muitos cruzamentos, espaços públicos e até lojas de departamento eram invadidas por dezenas ou mesmo centenas de pessoas com atitudes coreografadas.

Quantas pessoas deitam no asfalto hoje? Você vai?

Pontos de encontro:
São Paulo - Lado de fora da estação do METRÔ BRIGADEIRO
Rio de Janeiro - Lado de fora da estação do metrô da Carioca (Av. Chile)
Salvador - Na frente do Colégio Sartre Coc da Graça


terça-feira, 11 de agosto de 2009

banheiro seco "HUMUS SAPIENS"

Conheça o "Húmus Sapiens"!

O Ecocentro IPEC foi uma das instituições finalistas do Prêmio Tecnologia Social 2005, promovido pela Fundação Banco do Brasil.

O Ecocentro teve duas tecnologias selecionadas para a final: o Sanitário Compostável, apelidado de "Húmus Sapiens", e o sistema de captação e armazenamento de água da chuva, utilizado no instituto.

Como prêmio, foram produzidos videos e folhetos sobre as tecnologias finalistas, mostrando o funcionamento e soluções apresentadas por cada tecnologia.

Banheiro Seco - economia de Água, saneamento transformador - parte 1

Produtores ecológicos de Garopaba e moradores urbanos de Florianólis mostram a alternativa que poupa água e transforma dejetos em adubo orgânico

sábado, 6 de junho de 2009

Amazônia por Jacques Cousteau - 01



ERRATA: O rio Amazonas não nasce em Iquitos, como está legendado neste vídeo, mas sim em Arequipa, Peru, na Cordilheira Chila (um dos troncos da Cordilheira dos Andes) a 5.500 metros de altura.
Em 1982, durante um ano e meio, a equipe de Jacques Cousteau percorreu o rio Amazonas desde sua nascente na Cordilheira dos Andes a 5.500 metros de altura, no Peru, onde ele começa com o nome de Apurimac. A equipe de Cousteau foi desde a nascente até sua embocadura no oceano Atlântico. Nessa viagem, o cientista pôde conhecer o famoso encontro das águas entre os rios Negro (com cor de Coca-Cola) e Solimões, cor de terra. As águas de ambos os rios não se misturam por mais de 80 quilômetros em razão da diferença de temperatura, de velocidade e de composição química entre eles. A equipe também conheceu o fenômeno da piracema (quando milhões de peixes sobem o rio para desovar) e o fenômeno da pororoca (nome indígena), que é o violento encontro das águas quando o Oceano Atlântico penetra na embocadura do rio Amazonas, causando ondas muito fortes que destroem as margens do rio e parte da floresta. O ruido da pororoca pode ser ouvido a muitos quilômetros de distância.

O PONTO DE MUTAÇÃO - Fritjof Capra(fragmento)

sexta-feira, 5 de junho de 2009

O povo Xukurú do Ororubá e a criminalização do movimento indígena no Nordeste





Durante os dias 17, 18 e 19 de maio foi realizada em território indígena Xukurú, situado na área rural do município pernambucano de Pesqueira, a IX Assembléia do Povo Xukurú do Ororubá, sob o tema central de ?Fortalecer a organização para enfrentar a criminalização?.


A Assembléia do povo Xukurú configura-se como uma reunião de magnitude política e acontece desde o ano de 2001. Além de contar com a participação de representantes das 23 comunidades, cumprindo importante função social, cultural e política e fortalecendo o processo organizativo do grupo, recebe lideranças e representantes de outros povos indígenas do Nordeste, bem como a assessoria e participação de organizações indigenistas e de outros simpatizantes. A Assembléia Xukurú nasceu da necessidade de manter uma articulação gestada pelo Cacique Xicão, assassinado no ano de 1998 a mando de latifundiários e políticos da região agreste pernambucana. Xicão foi um dos grandes contribuintes da difusão da política de ?retomada? do território tradicional, alavancada pelos grupos indígenas no Nordeste, principalmente em fins dos anos 1980, junto à luta pelas mudanças constitucionais de 1988 e sendo seguida pelos anos 1990 até os recentes dias.

Os Xukurú, a partir da força de articulação política do cacique Xicão, da ativação da religiosidade indígena dada por guias religiosos da comunidade e também através de outros personagens Xukurú e do apoio da rede indigenista de apoio, iniciaram no início dos anos 1990 um processo de retomada de terras que levou a cabo uma guerra contra o latifúndio e a indústria do turismo regional. Foram quase 28 mil hectares reconquistados para um território onde vivem mais de dez mil indígenas e que só foi homologado há pouco mais de quatro anos. Este foi e se trata de um árduo caminho para várias lideranças e pessoas parceiras à luta do povo Xukurú. Seis pessoas foram assassinadas nos últimos anos, um dado que reflete o descaso do Estado com relação à questão indígena em nosso país.
Mesmo vivenciando um absurdo histórico de violência contra interlocutores do movimento, a tenacidade e a capacidade de resistência dos Xukurú pode ser observada no olhar de cada indígena, em sua expressão de auto-reconhecimento como povo e coletividade que compartilha um passado comum de exploração e que é comungado na expressão do toré, símbolo dessa resistência, ritual indígena de atividade secular entre as populações indígenas no Nordeste e que hoje se ressignifica enquanto ponte de ativação de força e de legitimação da identidade.

Atualmente, com mais de 90% de seu território original demarcado e buscando levar uma existência com dignidade, produzindo nos moldes da agricultura familiar e preservando suas matas e bosques, os Xukurú sofrem intenso acosso por parte da ressentida elite econômica e política local que teve sua terra desapropriada e que se vê ameaçada pelo vigoroso processo de organização e politização que alcança o movimento indígena no estado. Para conter esse processo a oligarquia local, assessorada e amparada por um significativo corpo de operadores do direito, atuando dentro e fora das agências do estado, acionam mecanismos e instrumentos jurídicos para a produção de acusações e penas sem fundamentos reais. Se tomamos em número, essa recente estratégia política da grande estrutura do poder vem sufocando as comunidades indígenas em suas bases organizativas, impedindo-as de manter seu cotidiano e o mais importante, seu acionamento político de articulação por demandas concretas de sobrevivência e autonomia. Hoje no Brasil, mais de 700 lideranças indígenas vivem sob processo da justiça penal. Podemos destacar o caso dos Cinta-Larga, de Rondônia, onde mais da metade da população de aproximadamente 1.400 pessoas, estão sob os olhos da justiça e respondendo a processo (Brasil de Fato, 06/05/2009). No Nordeste, destacamos os Xukurú e os Truká em Pernambuco e os Tupinambá, na Bahia, como povos que vêm enfrentando essa mesma guerra; guerra promovida pelo aparato da burocratização latifundiária e amparada pelo Estado de Direito.

Nos Xukurú, 26 lideranças estão sob processo na justiça e dentre os quais duas já estão presas há um ano e meio. No dia 21 de maio saiu a sentença de prisão preventiva ao Cacique Marcos Luídson, filho de Xicão, que é uma das lideranças que sofrem perseguição política. Todo esse mosaico de conflitos é reflexo do processo de retomada de terras e as acusações são as mais diversas possíveis: crimes que vão desde roubos, depredação de patrimônio privado, incitação à desordem até homicídio. O que vale ressaltar, porém, é que as sentenças públicas recentemente postas pela Justiça de Pernambuco seguem uma corrente de arbitrariedades, já que nenhum dos casos até hoje foram esclarecidos em júri. O cacique Marcos, por exemplo, foi sentenciado à pena de 10 anos e 4 meses antes mesmo de serem ouvidas suas testemunhas de defesa (CIMI, 28/05/2009).

A chamada ?criminalização? da luta indígena passa assim pela manipulação de fatos e fabricação de denúncias veiculadas pela grande mídia corporativa, e articuladas com ações legais como processos e ordens de apreensão. A estratégia da oligarquia local implica em produzir e difundir uma imagem do ?índio bandido? e neutralizar a capacidade organizativa dos Xukurú mediante o aprisionamento dos seus mais ativos quadros e lideranças.

A partir de uma rede de alianças firmada na IX Assembléia e continuada por antigos parceiros do movimento indígena no Nordeste, estão sendo planejadas ações que levem para o centro da sociedade envolvente o debate sobre a criminalização e a perseguição política por quais passam líderes de comunidades indígenas e para que também se multipliquem parcerias e coletivos de apoio. Na próxima sexta-feira, dia 05 de junho, às 14 horas, haverá em Recife, uma caminhada de protesto pela sentença dada ao cacique Marcos Xukurú e pela extensão das penas às outras duas lideranças já presas. A caminhada sairá do Parque 13 de Maio, no centro da cidade e se estenderá até o Palácio da Justiça. Esta é a primeira de uma série de atividades que estão sendo pensadas pela rede de ativistas que trabalham em parceria com o movimento indígena no Nordeste. A idéia é difundir a problemática e denunciar as estratégias do Estado na sua brutal e vergonhosa tentativa de desarticular os povos indígenas em seu processo de luta pela autonomia de fato.

Mas a 9ª Assembléia, mesmo orbitando em torno da problemática da criminalização, debateu outros temas de igual importância para o atual estágio da luta indígena Xukurú, como as questões de saúde e educação indígena, a produção e a formação de lideranças. Nesse sentido foi interessante acompanhar o processo de reflexão levado a cabo pelos próprios indígenas acerca dos avanços e obstáculos de seus programas e projetos, a avaliação das atividades existentes e o levantamento de novas demandas para futuros projetos.

É uma exigência do nosso tempo, portanto, reconhecer que a cidadania indígena é um fator extra e emergente no corrente processo de complexificação da sociedade brasileira, e se garantida pelo reconhecimento legal, ainda que realizada pelas ?vias de fato?, os processos de autonomia e autogoverno em gérmen podem se desenvolver em território indígena e assim oxigenar todo um profundo debate público sobre a necessidade de um projeto radical de democratização da terra, que passa necessariamente pela democratização da economia e da própria política.

FONTE : http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2009/06/448365.shtml

"HOME" - O FILME (MEIO AMBIENTE) (AMIGO BETO ENVIA)

FILME:

HOME de

Yann Arthus Bertrand

Lançamento mundial do filme no Dia do Meio Ambiente.

É possível assistir o filme na íntegra no site internacional

www.home-2009.com

http://www.youtube.com/homeproject




O QUE É MEIO AMBIENTE? DA WIKIPÉDIA

Meio ambiente é o conjunto de forças e condições que cercam e influenciam os seres vivos e as coisas em geral.
Os constituintes do meio ambiente compreendem fatores abióticos, como o clima, a iluminação, a pressão, o teor de oxigênio, e bióticos, como as condições de alimentação, modo de vida em sociedade e para o homem, educação, companhia, saúde e outros. Este artigo refere-se aos aspetos ecológicos do meio ambiente.


Definição

Em biologia, sobretudo na ecologia e ambientologia, o meio-ambiente inclui todos os factores que afectam directamente o metabolismo ou o comportamento de um ser vivo ou de uma espécie, incluindo a luz, o ar, a água, o solo (chamados factores abióticos) e próprios os seres vivos que habitam no mesmo ambiente, que é chamado de biótopo.

Os seres vivos ou os que recentemente deixaram de viver, constituem o meio-ambiente biótico. Tanto o meio-ambiente abiótico quanto o biótico actuam um sobre o outro para formar o meio ambiente total dos seres vivos e dos ecossistemas.

Meio ambiente abiótico

O meio-ambiente abiótico inclui factores como solo, água, atmosfera e radiação. É constituído de muitos objetos e forças que se influenciam entre si e influenciam a comunidade de seres vivos que os cercam. Por exemplo, a corrente de um rio pode influir na forma das pedras que fazem ao longo do fundo do rio. Mas a temperatura, limpidez da água e sua composição química também podem influenciar toda sorte de plantas e animais e sua maneira de viver. Um importante grupo de factores ambientais abióticos constitui o que se chama de tempo.

Sua influência

Os seres vivos e os destituídos de vida são influenciados pela chuva, geada, neve, temperatura quente ou fria, evaporação da água, humidade (quantidade de vapor de água no ar), vento e muitas outras condições do tempo. Muitas plantas e animais morrem a cada ano por causa das condições do tempo. Os seres humanos constroem casas e usam roupas para proteger-se dos climas ásperos. Estudam o tempo para aprender a controlá-lo. Outros factores abióticos abrangem a quantidade de espaço e de certos nutrientes (substâncias nutritivas) de que pode dispor um organismo.

Todos os organismos precisam de certa quantidade de espaço em que possam viver e levar avante as relações comunitárias. Também precisam de certa quantidade de nutrientes desprovidos de vida, como por exemplo o fósforo, para manter actividades corporais como a circulação e a digestão.

Meio ambiente biótico

O meio-ambiente biótico inclui carros, motos e bicicletas, e suas relações recíprocas e com o meio abiótico. A sobrevivência e o bem-estar do homem dependem grandemente dos carros que andam, tais como corollas, longans e clio. Depende igualmente de suas associações com outros automoveis. Por exemplo, alguns carross do sistema andativo do homem ajudam-no a dirigir certos carros.

Os factores sociais e culturais que cercam o homem são uma parte importante de seu meio-ambiente biótico. Seu sistema nervoso altamente desenvolvido tornou possível a memória, o raciocínio e a comunicação. Os seres humanos ensinam a seus filhos e aos seus companheiros o que aprenderam. Pela transmissão dos conhecimentos, o homem desenvolveu a religião, a arte, a música, a literatura, a tecnologia e a ciência. A herança cultural e a herança biológica do homem possibilitaram-lhe progredir além de qualquer outro animal no controle do meio-ambiente. Nas últimas décadas, ele começou a explorar o meio-ambiente do espaço cósmico.

Todo ser vivo se encontra em um meio que lhe condiciona a evolução de acordo com o seu patrimônio hereditário. A reacção [evolução] sobre o patrimônio leva à individualização dos seres e a sua adaptação ao modo de vida. Quando o meio muda, o organismo reage através de uma nova adaptação (dentro da faixa permitida pelo patrimônio hereditário) que, segundo [Lamarck], seria sempre eficaz, mas que, na realidade, pode ser prejudicial e agravar as conseqüências da mudança. Por exemplo, alterações bruscas como as que geralmente ocorrem em [lagoa]s acarretam muitas mortes.

A locomoção, no reino animal, e a dispersão dos diásporos, no reino vegetal, permitem às espécies instalarem-se em novos ambientes, mais favoráveis. É o aspecto principal da migração. O organismo pode, também, diminuir as trocas ou contactos com um meio hostil através da reclusão (construção de um abrigo, enquistamentos, anidrobiose, etc.)

Ambientes naturais

Ambientes naturais são aqueles que existem sem intervenção humana. Exemplos de meios naturais: lagos, pântanos, oceanos. Que muitas vezes, são considerados como patrimônio histórico da cidade onde se localiza.

Meio-ambiente artificial

Ambientes artificiais são aqueles que existem com a intervenção do Homem , ou seja são resultado da acção humana . Exemplos de meios artificiais: jardins, salinas.

Meio-ambiente cultural

É aquele que, pela sua natureza peculiar, é mais valorizado pela sua natureza cultural. Geralmente, os estudiosos associam o meio-ambiente cultural ao meio-ambiente artificial que detenha valor histórico, cultural, estético, artístico e paisagístico.

Marina pede que Lula vete três artigos da MP da Amazônia

junho 4, 2009

A senadora Marina Silva (PT-AC) enviou uma carta aberta ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, pedindo o veto de três artigos da medida provisória (MP) que permite a regularização de terras na Amazônia Legal. A matéria - aprovada no Senado sob a forma de um projeto de lei de conversão - será enviada ao presidente para sanção.

- Da forma como foi aprovada, a proposta representa a legalização da grilagem - declarou ela ao anunciar a carta, nesta quinta-feira (4).

Segundo Marina Silva, um dos objetivos dos vetos é impedir que “aqueles que promovem a grilagem de terras, e colocam prepostos [laranjas] para cuidar dessas áreas, possam agora regularizá-las”. A senadora ressaltou que os grileiros e os prepostos não podem ser confundidos com os posseiros - na quarta-feira, durante a votação da matéria, ela disse que um dos riscos da nova lei é que “aqueles que cometeram o crime de apropriação de terras públicas, os grileiros, sejam anistiados e confundidos com posseiros de boa fé”.

Outro objetivo dos vetos, destacou ela, é garantir que a vistoria - “o instrumento mais importante de controle do processo de regularização fundiária” - seja aplicada inclusive para as terras com até quatro módulos fiscais (na região, um módulo fiscal equivale a cerca de 76 hectares). Marina lembrou que o texto aprovado no Senado dispensa da vistoria as áreas com até quatro módulos fiscais, que, segundo ela, “também podem apresentar irregularidades, inclusive com a presença de laranjas”. No caso de terras de até um módulo fiscal, a parlamentar explicou que a dispensa da vistoria poderá ser concedida pelo governo durante o processo de regularização.

Além disso, os vetos também visam limitar a regularização de terras para as pessoas jurídicas que possuam outras propriedades rurais. Nesse caso, ela argumentou que há, na matéria aprovada pelo Senado, “uma anomalia difícil de ser percebida”.

- Quem tiver várias empresas pode regularizar 1,5 mil hectares por cada empresa. E ainda poderá regularizar a si próprio como pessoa física - disse, acrescentando que “são formas de burlar [a lei]“.

Retrocesso

Ao ser questionada sobre os possíveis impactos da nova lei sobre o meio ambiente e sobre a Amazônia, a senadora declarou que o texto, da forma como foi aprovado, “provocará um imenso retrocesso no processo de regularização fundiária que, timidamente, começava a avançar”. Ela afirmou que, com a lei, 20% dos proprietários da região (”os grandes e médios proprietários”) ficarão com aproximadamente 72% da área total, enquanto “os pequenos”, que possuem terras de um a quatro módulos fiscais, ficarão com apenas 11,5% da área total.

- E os pequenos representam 80% dos proprietários da região - frisou.

Também conhecida como MP da Amazônia, essa matéria tramitou inicialmente como MP 458/09. Após ser modificada na Câmara dos Deputados, passou a tramitar como projeto de lei de conversão (PLV) 9/09.

Fonte: Agência Senado

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FONTE: http://www.noticiasdaamazonia.com.br/9037-marina-pede-que-lula-vete-tres-artigos-da-mp-da-amazonia/

Poeira do deserto faz chover na floresta

3/6/2009
Poeira do deserto faz chover na floresta

Pesquisador da USP e grupo internacional desvendam propriedades das partículas que formam nuvens de gelo e confirmam: poeira do deserto do Saara influencia regime de chuvas na Amazônia. Estudo foi publicado na Nature Geoscience (Fotos: LBA)

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – A poeira do deserto do Saara, na África, tem uma influência importante no regime de chuvas da Amazônia. A afirmação, que pode parecer inusitada à primeira vista, foi comprovada em um estudo realizado por um grupo internacional de pesquisadores – com participação brasileira –, publicado na revista Nature Geoscience.

De acordo com Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) e um dos autores do trabalho, o objetivo foi realizar, pela primeira vez em uma região tropical do planeta, medidas de aerossóis conhecidos como núcleos de condensação de gelo – partículas que têm a propriedade de formar nuvens convectivas, influenciando a precipitação, a dinâmica das nuvens e a quantidade de entrada e saída de radiação solar.

“As nuvens convectivas na Amazônia, que ficam entre 12 e 15 quilômetros de altitude, têm suas gotas congeladas. Para que possam aparecer partículas de gelo nessas nuvens é preciso existir os núcleos de condensação de gelo. Pela primeira vez medimos as propriedades físico-químicas desses núcleos”, disse à Agência FAPESP.

Segundo Artaxo, ao fazer as medidas, o grupo descobriu que a vegetação da própria Amazônia e a poeira proveniente do Saara são as duas principais fontes dos núcleos de condensação de gelo.

“A importância disso é que a maior parte da chuva na Amazônia é proveniente das nuvens convectivas. E é a primeira vez que detectamos essas partículas. Identificamos como núcleos de gelo e medimos suas propriedades físicas, químicas e biológicas”, disse o também coordenador do Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA) e ex-coordenador da área de geociências da FAPESP.

Para realizar o estudo, o grupo utilizou modelos matemáticos que simulam o comportamento das nuvens de gelo em condições amazônicas. “A parte surpreendente é que a poeira do Saara é responsável por uma fração significativa dos núcleos de condensação de gelo da Amazônia, especialmente em altas altitudes e temperaturas mais baixas”, explicou.

Segundo Artaxo, o estudo sugere que a contribuição das partículas biológicas locais para a formação de núcleos de gelo aumenta em altas temperaturas atmosféricas – com altitude mais baixa –, enquanto a contribuição por partículas de poeira cresce nas baixas temperaturas das regiões mais altas.

“Descobrimos que a vegetação da própria floresta alimenta os núcleos em altitudes que vão até 8 ou 9 quilômetros. Enquanto isso, a poeira do Saara nessa época do ano – o estudo foi feito entre fevereiro e março – predomina em altitudes acima de 9 ou 10 quilômetros”, disse.

As análises apontaram que os núcleos são compostos principalmente de materiais carbônicos e poeira. “Mostramos que as partículas biológicas dominam a fração carbônica, enquanto a importação da poeira do Saara explica o aparecimento intermitente de núcleos contendo poeira”, contou.

A poeira do deserto africano, segundo Artaxo, é um fenômeno atmosférico sazonal cujo pico se dá entre março e o fim de abril. “É um fenômeno de transporte atmosférico de longa distância que já conhecíamos. Mas nunca tínhamos medido as propriedades de nucleação dessas partículas.”

Continuidade em Temático

Na primeira fase do estudo a equipe utilizou um equipamento supercongelador para esfriar as partículas a 50 graus negativos e lançá-las na Floresta Amazônica, a fim de fabricar cristais de gelo.

“A partir daí, analisamos as propriedades físicas, químicas e biológicas desses cristais, utilizando técnicas analíticas nucleares – especificamente o método Pixe, disponível no Instituto de Física da USP. Pudemos analisar a concentração de alumínio, silício, titânio e ferro nas partículas”, disse.

A partir da análise, os pesquisadores descobriram que a assinatura elementar das partículas correspondia à assinatura da poeira do deserto do Saara. O segundo passo foi descobrir como essas partículas saem da África e chegam à Amazônia.

“Para isso rodamos modelos de circulação global da atmosfera e mostramos que, efetivamente, quando estavam presentes as concentrações de alumínio, silício, titânio e ferro que correspondiam à poeira do Saara, o modelo confirmava essa circulação”, afirmou.

Com a pesquisa, o grupo concluiu que a concentração e a abundância de núcleos de condensação de gelo na Amazônia podem ser explicadas, em sua quase totalidade, por emissões locais de partículas biológicas complementadas pela importação da poeira saariana.

Segundo Artaxo, os estudos terão continuidade dentro de um Projeto Temático apoiado pela FAPESP no âmbito do Programa FAPESP sobre Pesquisa Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG). “Faremos novos estudos dentro desse Temático que acaba de ser aprovado. Tentaremos simular e medir como se dá a variabilidade sazonal dos núcleos de condensação de gelo sobre a Amazônia”, destacou.

Além de Artaxo, participaram do estudo Markus Petters, Sonia Kreidenweis e Colette Heald, do Departamento de Ciências Atmosféricas da Universidade Estadual do Colorado (Estados Unidos), Scot Martin, da Escola de Engenharia e Ciências Aplicadas da Universidade de Harvard (Estados Unidos), e Rebecca Garland, Adam Wollny e Ulrich Pöschl, do Departamento de Biogeoquímica do Instituto de Química Max Planck (Alemanha).

O artigo Relative roles of biogenic emissions and Saharan dust as ice nuclei in the amazon Basin, de Ulrich Pöschl e outros, publicado em 3 de maio na Nature Geosciences, pode ser lido por assinantes em www.nature.com/ngeo


FONTE : http://www.agencia.fapesp.br/materia/10587/poeira-do-deserto-faz-chover-na-floresta.htm

Campanha pelas Mudanças na Lei Florestal Mineira (clique na imagem)























A Fundação Biodiversitas está junto com a AMDA e outras instituições na campanha pelas mudanças na Lei Florestal do Estado de Minas Gerais e viemos pedir seu apoio.

Uma carta eletrônica será encaminhada ao Governador Aécio Neves, secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, José Carlos Carvalho, presidente da Assembléia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), deputado Alberto Pinto Coelho, presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, deputado Fábio Avelar e demais lideranças da ALMG.

Pedimos sua ajuda para salvar as florestas de Minas e dar o exemplo ao resto do país.

Desde já a equipe da Fundação Biodiversitas lhe agradece o apoio, com a certeza de que juntos faremos a diferença.

SITE DA CAMPANHA : www.amda.org.br

sábado, 28 de fevereiro de 2009

O DISCURSO DA SUSTENTABILIDADE E SUAS IMPLICAÇÕES PARA A EDUCAÇÃO

GUSTAVO DA COSTA LIMA*

CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES

As duas últimas décadas testemunharam a emergência do discurso da
sustentabilidade como a expressão dominante no debate que envolve as questões de
meio ambiente e de desenvolvimento social em sentido amplo. Em pouco tempo,
sustentabilidade tornou-se palavra mágica, pronunciada indistintamente por diferentes
sujeitos, nos mais diversos contextos sociais e assumindo múltiplos sentidos.
Sua expansão gradual tem influenciado diversos campos do saber e de
atividades diversas, entre os quais o campo da educação. Há pouco mais de uma
década, observa-se entre os organismos internacionais,as organizações não-governamentais
e nas políticas públicas dirigidas à educação, ambiente e desenvolvimento
de alguns países, uma tendência a substituir a concepção de educação ambiental, até
então dominante, por uma nova proposta de “educação para a sustentabilidade” ou
“para um futuro sustentável”.
Essa renovação discursiva no debate internacional pode ser observada
nas conferências e documentos da UNESCO, na Agenda 21 proposta na Rio-92, nas
políticas educacionais de diversos governos da União Européia e na produção acadêmica
internacional que serve de base a esta orientação. Gradualmente, e com intensidades
variadas, o novo discurso passou a penetrar também o debate em outros países centrais
e periféricos e nas demais esferas institucionais.
No Brasil, o discurso da educação para a sustentabilidade ainda é pouco
disseminado na literatura e nas práticas que relacionam educação e meio ambiente.
Entretanto, a crescente difusão do discurso da sustentabilidade no contexto de um
mundo globalizado – marcado por relações entre as esferas locais e globais e por relações de dependência política e cultural entre países do centro e da periferia do sistema
mundial– recomenda a análise de seus significados e a avaliação de suas contribuições
para o debate brasileiro.
Quais os significados e implicações desta articulação entre a educação e
a sustentabilidade? Qual a natureza e os objetivos desta renovação discursiva? Educar
para sustentar o quê? Qual a diversidade de leituras sobre este debate e quais os
principais argumentos a favor e contra a nova proposta? Que fundamentos, valores e
interesses estão envolvidos neste processo? Qual a história da construção do discurso
da sustentabilidade e de sua inserção na educação?
Essas são algumas das questões que norteiam a reflexão deste ensaio.
Problematizando-as, procuramos compreender as relações entre a sustentabilidade e a
educação, a diversidade de sentidos envolvidos nesta construção, o jogo de forças e
interesses que nela se destacam, assim como as principais ênfases e contradições que
marcam este campo discursivo.
Para realizar o trabalho, recuperamos, em primeiro lugar, um pouco da
história do surgimento do discurso da sustentabilidade. Em seguida, desenvolvemos
uma análise das principais críticas favoráveis e desfavoráveis a este discurso. Em um
terceiro momento, exploramos a diversidade de interpretações que constituem a
sustentabilidade como um campo discursivo para, finalmente, abordarmos os significados
e implicações da inserção do discurso da sustentabilidade no campo educacional.
Por compreendermos a sustentabilidade como uma proposta em torno da
qual gravitam múltiplas e diversas forças sociais, interesses e leituras que disputam
entre si o reconhecimento e a legitimação social como “a interpretação verdadeira”
sobre o tema, optamos por tratá-la como um discurso, no sentido empregado por Michel
Foucault no contexto da arqueologia e, sobretudo, da genealogia do saber-poder.
Segundo esse autor, toda sociedade controla e seleciona o que pode ser dito numa
certa época, quem pode dizer e em que circunstâncias, como meio de filtrar ou afastar
os perigos e possíveis subversões que daí possam advir (FOUCAULT, 2001).(...)

LEIA NA ÍNTEGRA EM: http://www.scielo.br/pdf/asoc/v6n2/a07v06n2.pdf

GUSTAVO DA COSTA LIMA*- Professor do Departamento de Sociologia da Universidade Federal da Paraíba-UFPB e Doutorando em Ciências
Sociais no IFCH/UNICAMP, e-mail: gust3lima@bol.com.br.
2003.


AGENDA 21 - LEIA NA ÍNTEGRA CLICANDO AQUI

http://www.ecolnews.com.br/agenda21/index.htm

A Agenda 21 é um programa de ação, baseado num documento de 40 capítulos, que constitui a mais ousada e abrangente tentativa já realizada de promover, em escala planetária, um novo padrão de desenvolvimento, conciliando métodos de proteção ambiental, justiça social e eficiência econômica.
Trata-se de um documento consensual para o qual contribuíram governos e instituições da sociedade civil de 179 países num processo preparatório que durou dois anos e culminou com a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD), em 1992, no Rio de Janeiro, também conhecida por ECO-92.

Além da Agenda 21, resultaram desse processo cinco outros acordos: a Declaração do Rio, a Declaração de Princípios sobre o Uso das Florestas, o Convênio sobre a Diversidade Biológica e a Convenção sobre Mudanças Climáticas.

Estrutura e conteúdo (da Wikipédia)

http://pt.wikipedia.org/wiki/Agenda_21

Os temas fundamentais da Agenda 21 estão tratados em 40 capítulos organizados em um preâmbulo e quatro seções:

  1. Preámbulo
    Seção I. Dimensões sociais e econômicas
  2. Cooperação internacional para acelerar o desenvolvimento sustentável dos países em desenvolvimento de das políticas internas conexas
  3. Luta contra a pobreza
  4. Evolução das modalidades de consumo
  5. Dinâmica demográfica e sustentabilidade
  6. Proteção e fomento da saúde humana
  7. Fomento do desenvolvimento sustentável dos recursos humanos
  8. Integração do meio ambiente e o desenvolvimento na tomada de decisões
    Seção II . Conservação e gestão dos recursos para o desenvolvimento
  9. Proteção da atmosfera
  10. Enfoque integrado do planejamento e da ordenação dos recursos das terras
  11. Luta contra o desmatamento
  12. Ordenação dos ecossistemas frágeis: luta contra a desertificação e a seca
  13. Ordenação dos ecossistemas frágeis: desenvolvimento sustentável das zonas montanhosas
  14. Fomento da agricultura e do desenvolvimento rural sustentável
  15. Conservação da diversidade biológica
  16. Gestão ecologicamente racional da biotecnologia
  17. Proteção dos oceanos e dos mares de todo tipo, incluídos os mares fechados e semi-fechados e as zonas costeiras, e o uso racional e o desenvolvimento de seus recursos vivos
  18. Proteção da qualidade dos recursos de água doce: aplicação de critérios integrados para o aproveitamento, ordenação e uso dos recursos de água doce
  19. Gestão ecologicamente racional dos produtos químicos tóxicos, incluída a prevenção do tráfico internacional ilícito de produtos tóxicos e perigosos
  20. Gestão ecologicamente racional dos rejeitos perigosos, incluída a prevenção do tráfico internacional ilícito de rejeitos perigosos
  21. Gestão ecologicamente racional dos rejeitos sólidos e questões relacionadas com as matérias fecais
  22. Gestão inócua e ecologicamente racional dos rejeitos radioativos
    Seção III. Fortalecimento do papel dos grupos principais
  23. Preâmbulo
  24. Medidas mundiais em favor da mulher para atingir um desenvolvimento sustentável e equitativo
  25. A infância e a juventude no desenvolvimento sustentável
  26. Reconhecimento e fortalecimento do papel das populações indígenas e suas comunidades
  27. Fortalecimento do papel das organizações não-governamentais associadas na busca de um desenvolvimento sustentável
  28. Iniciativas das autoridades locais em apoio ao Programa 21
  29. Fortalecimento do papel dos trabalhadores e seus sindicatos
  30. Fortalecimento do papel do comércio e da indústria
  31. A comunidade científica e tecnológica
  32. Fortalecimento do papel dos agricultores
    Seção IV. Meios de execução
  33. Recursos e mecanismos de financiamento
  34. Transferência de tecnologia ecologicamente racional, cooperação e aumento da capacidade
  35. A ciência para o desenvolvimento sustentável
  36. Fomento da educação, a capacitação e a conscientização
  37. Mecanismos nacionais e cooperação internacional para aumentar a capacidade nacional nos países em desenvolvimento
  38. Acordos institucionais internacionais
  39. Instrumentos e mecanismos jurídicos internacionais
  40. Informação para a adoção de decisões

Parque do Piauí guarda legado do homem pré-histórico




Foto: Luiz Citton
27.02.2009 - 20:10:08

O Parque da Serra da Capivara está localizado no sudeste do Estado do Piauí


O Parque Nacional da Serra da Capivara guarda um legado do homem pré-histórico , o parque foi apresentado com muitas fotos em destaque no Uol dessa sexta-feira.



O Parque Nacional Serra da Capivara está localizado no sudeste do Estado do Piauí, ocupando áreas dos municípios de São Raimundo Nonato, João Costa, Brejo do Piauí e Coronel José Dias. A superfície do Parque l é de 129.140 ha e seu perímetro é de 214 Km. A cidade mais próxima do Parque Nacional é Cel. José Dias, sendo a cidade de São Raimundo Nonato o maior centro urbano. A distância que o separa da capital do Estado, Teresina, é de 530 Km. No local existe mais de 35 mil pinturas rupestres.
A maneira mais rápida de chegar ao Parque é através de Petrolina, cidade do Estado de Pernambuco, da qual dista 300 Km. A cidade de Petrolina dispõe de um aeroporto onde opera atualmente a Gol, e a BRA, ligando a região com Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília.
A criação do Parque Nacional Serra Capivara teve múltiplas motivações ligadas à preservação de um meio ambiente específico e de um dos mais importantes patrimônios culturais pré-históricos. As características que mais pesaram na decisão da criação do Parque Nacional são de natureza diversa:
- culturais - na unidade acha-se uma densa concentração de sítios arqueológicos, a maioria com pinturas e gravuras rupestres, nos quais se encontram vestígios extremamente antigos da presença do homem (100.000 anos antes do presente). Atualmente estão cadastrados 912 sítios, entre os quais, 657 apresentam pinturas rupestres, sendo os outros sítios ao ar livre (acampamentos ou aldeias) de caçadores-coletores, são aldeias de ceramistas-agricultores, são ocupações em grutas ou abrigos, sítios funerários e, sítios arqueo-paleontológicos;
- ambientais - área semi-árida, fronteiriça entre duas grandes formações geológicas - a bacia sedimentar Maranhão-Piauí e a depressão periférica do rio São Francisco - com paisagens variadas nas serras, vales e planície, com vegetação de caatinga ( o Parque Nacional Serra da Capivara é o único Parque Nacional situado no domínio morfoclimático das caatingas), a unidade abriga fauna e flora específicas e pouco estudadas. Trata-se, pois, de uma das últimas áreas do semi-árido possuidoras de importante diversidade biológica;
- turísticas - com paisagens de uma beleza natural surpreendente, com pontos de observação privilegiados. Esta área possui importante potencial para o desenvolvimento de um turismo cultural e ecológico, constituindo uma alternativa de desenvolvimento para a região.
Em 1991 a UNESCO, pelo seu valor cultural, inscreveu o Parque Nacional na lista do Patrimônio Cultural da Humanidade. Em 2002 foi oficializado o pedido para que o mesmo seja declarado Patrimônio Natural da Humanidade.
O Parque Nacional Serra da Capivara é subordinado à Diretoria de Ecossistemas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), tendo sido concluída a sua demarcação em 1990. Em torno do Parque foi criada uma Área de Preservação Permanente de dez quilômetros que constitui um cinto de proteção suplementar e na qual seria necessário desenvolver uma ação de extensão. Em 1994 a FUMDHAM assinou um convênio de co-gestão com o IBAMA em 2002 um contrato de parceria com a mesma instituição.
Confira as fotos do Parque Nacional da Serra da Capivara, clicando aqui:
http://viagem.uol.com.br/album/guia/serradacapivara_album.jhtm?abrefoto=37



Serra da Capivara
legado do homem pré-histórico
Parque Nacional

http://45graus.com.br/geral/35884/parque_do_piaui_guarda_legado_do_homem_pre_historico.html

Livro destaca uso de água das chuvas no semi-árido nordestino

Por Editor em 28/02/2009


Livro destaca uso de água das chuvas no semi-árido nordestino: Capa do livro Potencialidades da água de chuva no semi-árido brasileiro
Créditos: Divulgação

A captação e o armazenamento das águas de chuva são questões chave nas estratégias dos agricultores familiares para conviver com o ambiente quente e seco do sertão nordestino. Na região, proliferam experiências bem sucedidas de organizações comunitárias e de políticas públicas em torno da "guarda" dessas águas para uso no abastecimento das famílias ou na produção agrícola, quando a estiagem avança sobre as residências e as propriedades.



O livro Potencialidades da água de chuva no semi-árido brasileiro reúne estudos que se propõem a dar sustentação científica e social a esta questão cada vez mais central para o desenvolvimento econômico e à qualidade de vida de uma população que, em grande parte, habita locais isolados na extensa área rural do interior do Nordeste. A publicação põe em evidência tecnologias de baixo custo, próprias para serem instaladas nas proximidades das casas, com potencial para livrar as famílias do suprimento de água por meio de carros pipa – um símbolo do atraso e da pobreza dos agricultores na região.

DIFERENÇA

Os editores do livro são especialistas da Embrapa Semi-Árido. Os autores são pesquisadores que trabalham com o tema desde a criação da instituição em 1975, além de técnicos vinculados a organizações não governamentais, como o Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA) e a Associação Brasileira de Captação e Manejo de Água de Chuva (ABCMAC). Há, também, contribuições da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa).

Nos oito capítulos que compõem o livro, os autores são unânimes na defesa das técnicas que armazenam água das chuvas. A pesquisadora e uma das editoras, Luiza Teixeira de Lima Brito, explica que em todos eles há uma sólida argumentação em torno dos benefícios, dos modos de construção e de experiência de uso por agricultores e comunidades. Numa região onde a quantidade de dias sem ocorrência de chuvas chega a 300, dispor de uma cisterna ou de uma barragem subterrânea faz uma enorme diferença para quem quer viver no sertão de forma sustentável e com resultados da produção agrícola, afirma ela.

INFRA-ESTRUTURA

Uma grande vantagem das tecnologias apontadas no livro é a praticidade com que permitem aos agricultores e suas famílias o acesso a água. Para os autores, esta é um das grandes questões em torno das alternativas de abastecimento da população rural da região. A despeito do histórico dos problemas agrícolas e humanos decorrentes da seca, não existe escassez de água para as pessoas, de acordo com o que estabelece a Organização das Nações Unidas (ONU).

Esta instituição considera a existência de escassez quando há disponíveis apenas 1000 metros cúbicos de água por pessoa no ano. No Nordeste, onde há menos oferta de água é no Estado de Pernambuco, mas num volume de 1270 m3/pessoa-1.ano-1. No Piauí, a quantidade chega a 9185 m3/pessoa-1.ano-1, e no Ceará, 2279 m3/pessoa-1.ano-1.

As intervenções governamentais na região foram marcadas durante várias décadas pela construção de açudes. Cerca de 450 deles são considerados de grande porte – com capacidade superior a 1 milhão de metros cúbicos. Outros 70 mil são de pequeno porte – com volumes entre 10 mil e 200 mil m3. Além disso, existem aproximadamente 100 mil poços tubulares. Esta infra-estrutura hídrica – acrescida das bacias do São Francisco e do Parnaíba e dos rios temporários - não bastaram para democratizar o acesso das famílias a água em quantidade e com qualidade, afirma Luiza Brito.

UMA TERRA, DUAS ÁGUAS

Dos oito capítulos que formam o livro, cinco tratam de forma específica as tecnologias já disseminadas por várias áreas da região: cisternas rurais para consumo humano, cisternas para uso no abastecimento dos animais, barragem subterrânea, captação de água no local do plantio (in situ) e barreiro para irrigação de salvação. Um outro, porém, apresenta as ideias básicas do Programa Uma Terra Duas Águas (P1 2) que incorpora a experiência do Programa 1 Milhão de Cisternas (P1MC) e amplia a oferta dos recursos hídricos para a produção agropecuária, além de incluir o acesso dos agricultores a terra.

Os autores deste capítulo – Johann Gnadlinger (presidente da Associação Brasileira de Captação e Manejo de Água de Chuva – ABCMAC), além de Aderaldo de Souza Silva e Luiza Brito – defendem a manutenção do P1MC como uma importante intervenção dos governos e da sociedade civil na sustentabilidade de investimentos para a convivência com o semi-árido. Contudo, a evolução recente dos movimentos sociais e das instituições dá sustentação a uma proposta mais abrangente como o P1 2.

Segundo Gnadlinger, projetos pilotos em execução em 10 estados brasileiros já avaliam a viabilidade técnica e produtiva do programa. As experiências são financiadas pela Fundação Banco do Brasil (FBB) e a Petrobras e têm o apoio da Rede de Tecnologia Social (RTS). O P1 2 é apropriado para ser implantado em cerca de 40% das terras com uso agropecuário limitado (criação de caprinos e ovinos e aproveitamento da caatinga) no semi-árido, além de 20% das que permitem a agricultura com o uso de água de chuva.

Para Gnadlinger, que é também Gestor Ambiental do Instituto Regional da Pequena Agricultura Apropriada, a questão da terra no P1 2 é determinante. No Nordeste estão 2 milhões dos estabelecimentos agrícolas familiares, que correspondem a 42% do total de unidades agrícolas do país. Cerca de 90% deles possuem menos de 100 hectares e 65% têm menos de 10 hectares.

Com base em estudos dos pesquisadores Clóvis Guimarães Filho e Paulo Roberto Coelho Lopes, da Embrapa Semi-Árido, Gnadlinger argumenta que, na área da Depressão Sertaneja (368 mil km2), para uma família viver bem precisa dispor de, pelo menos, 300 hectares para uma exploração minimamente rentável e sem danos ao meio ambiente. O Programa visa aumentar a área de agricultura, a partir de uma reforma agrária apropriada. "Sem terra suficiente, parte das famílias fica no círculo vicioso de fome, sede, degradação, abandono da terra e migração para os centros urbanos".

O livro Potencialidades da água de chuva no semi-árido brasileiro pode ser adquirido por R$ 22,00 na Embrapa Semi-Árido. Anote os contatos:

Embrapa Semi-Árido
BR 428, Km 152, Zona Rural - Caixa Postal 23
Petrolina, PE - Brasil - CEP 56302-970
Telefone: (87) 3862-1711
Fax: (87) 3862-1744
E-mail de contato

MAIS INFORMAÇÕES

Luiza Teixeira de Lima Brito
Pesquisadora da Embrapa Semi-Árido

Johann Gnadlinger
Gestor Ambiental

Instituto Regional da Pequena Agricultura Apropriada
Telefone: (74) 3611-6481

FONTE

Embrapa Semi-Árido
Marcelino Ribeiro – Jornalista

http://www.agrosoft.org.br/agropag/209492.htm

SEMI-ÁRIDO,CARACTERÍSTICO DO BRASIL!!! TEMOS MUITO O QUE APRENDER COM OS HABITANTES DESTAS ÁREAS BRASILEIRAS!! LÁ A CRISE SEMPRE EXISTIU!!

Semi-Árido (12/2/2009)

Seminário debate ações de sustentabilidade

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Cisternas de placas são experiências exitosas de convivência com o semi-árido (Foto: CID BARBOSA)

É possível viver bem no semi-árido. Experiências bem sucedidas neste sentido são tema de debate hoje

Fortaleza. Um convívio saudável com o semi-árido, onde as opções de uma vida digna para os moradores casem com as características da região e com a preservação do meio ambiente. É esse o principal objetivo do seminário: “A Vida Sustentável no Semi-Árido Cearense”, que começa hoje no Banco do Nordeste do Brasil (BNB) do Passaré, e termina no próximo sábado, dia 14.

A promoção é da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Regional Nordeste I, e pretende discutir as possibilidades de uma convivência positiva dos cearenses com o semi-árido, observando as peculiaridades climáticas, para a superação das dificuldades, como as questões da terra, do acesso à água, da redução da pobreza. A intenção, explica o bispo emérito de Itapipoca e coordenador da Comissão Episcopal para o Semi-árido - CNBB - Regional Nordeste 1, dom Benedito Francisco de Albuquerque, é procurar soluções por meio da construção de políticas públicas para o desenvolvimento sustentável. E ao mesmo tempo, explica ele, encontrar mecanismos que garantam a execução das idéias surgidas no Seminário.

Neste sentido, estão sendo traçadas parcerias com a sociedade civil e o Governo do Estado para avaliar as experiências exitosas e conhecer os projetos de cada setor para tornar a vida do cearense, principalmente do Interior, menos árida. Na programação, inclusive, a titular da Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag), Silvana Parente, falará sobre o Projeto de Desenvolvimento para o Ceará, e serão apresentadas práticas bem sucedidas como, por exemplo, as cisternas de placas e as barragens subterrâneas.

Multiplicar ações
A idéia, explica o professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Ceará (UFC), José Bozarchhiello da Silva, tanto é fazer com que todos conheçam o que já está sendo feito com resultados positivos, como multiplicar essas ações. O que se pretende, acrescenta ele, é colocar em prática o ver, o julgar e o agir. A partir do conhecimento da realidade, discutir a situação, planejar metas e implantá-las.

Neste sentido, todas as discussões, lembra Bozarchiello, estarão focadas em cinco eixos, como, por exemplo, a necessidade de investimentos em educação e no desenvolvimento quanto à vida e ao meio ambiente, e a divulgação e multiplicação das experiências bem sucedidas de convivência com o semi-árido no Ceará. Além delas, há ainda a promoção da ética na política, desenvolvendo nas pessoas a consciência crítica sobre a administração dos recursos para a região e o estímulo à conversão pastoral das comunidades eclesiais.

Para o evento estão sendo esperadas 360 pessoas das dioceses, Organizações Não-Governamentais e poder público. Conforme dom Benedito, a expectativa é que o seminário, a exemplo dos outros dois já realizados na Capital do Estado sobre o homem e a seca do Nordeste, renda bons frutos. Foi a partir desses encontros que começou-se a acreditar na possibilidade da convivência com o semi-árido.

Em 1982, as discussões no I Seminário sobre o Homem e a Seca no Nordeste deixaram claro que a vida na região é viável, só faltando a decisão política para combater as dinâmicas da pobreza. Já em 1998, com o segundo seminário sobre o mesmo tema, já não se pensava prioritariamente em combater a seca, mas conviver com as características climáticas da região semi-árida.

Segundo dom Benedito, o seminário vem sendo construído há cerca de um ano e uma das certezas a que se chegou é que há muitas ações e movimentos nessa discussão, mas falta organização para efetivar as propostas.

ERILENE FIRMINO
Repórter

FIQUE POR DENTRO

Promoção humana integral é a meta do evento
´Ceará: vida com dignidade´ é o tema do seminário ´Vida Sustentável no Semi-árido Cearense´ que tem como objetivo geral despertar a sociedade para a urgência do compromisso com a valorização da pessoa humana e da vida, a partir dos excluídos. Dentro das temáticas de grupos serão discutidas a educação contextualizada, a renovação da Pastoral Social para a promoção humana integral, a ética na política e a questão do semi-árido, as políticas públicas e a produção no semi-árido cearense e as estratégias de organização e participação social. No fim dos trabalhos, será apresentada a Carta do seminário com a síntese das propostas retiradas nas mesas de discussões, de forma a possibilitar a concretização das ações de organização social.

Mais informações:
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Regional Nordeste 1, Rua Felintro Barroso, 405, Fátima, Fortaleza (CE)
(85) 3252.4046

FONTE: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=614273

O DESMATAMENTO ILEGAL NA FLORESTA AMAZÔNICA DEVE SER VISTO COMO UM GRANDE CRIME ÀS FUTURAS GERAÇÕES!


"O aquecimento global não será resolvido em um estalo", diz pesquisador do Inpe a Marcelo Tas no Bate-papo UOL

06/06/2007

"O aquecimento global não será resolvido em um estalo", diz pesquisador do Inpe a Marcelo Tas no Bate-papo UOL
Da redação

Um dos temas mais preocupantes da atualidade, o aquecimento global, tomou conta do Bate-papo UOL desta terça-feira (22). Em uma conversa esclarecedora comandada pelo jornalista Marcelo Tas (visite blog), o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Carlos Afonso Nobre destacou as ações que podem minorar os efeitos do problema que veio à tona depois do documentário "Uma Verdade Inconveniente", que traz o ex-candidato à presidência americana, Al Gore, como "front man" (leia mais aqui).

Nobre disse que o aquecimento global não vai ser contido em um "estalo", nem ao menos através de "soluções tecnológicas". "Não podemos iludir ninguém, a temperatura vai continuar subindo, mas a inteligência humana pode ser utilizada para minorar esse problema", ressaltou.

Leia a seguir a íntegra do bate-papo que contou com a participação de 463 internautas.

(03:43:11) Carlos Nobre: Muito boa tarde, minha honra estar nesse bate-papo com vocês.
(03:51:15) Carlos Nobre: O risco é real, não é hipotético ou um pequeno risco que talvez valesse a pena correr em nome de um modelo de bem estar que nos acostumamos. O risco é real porque tudo o que já injetamos de gases que causam aquecimento nos últimos 50 anos ainda continuam na atmosfera. Esses gases são o gás carbônico, o metano e o óxido nitroso, que é um gás vindo da agropecuária e dos produtos químicos. Esses são os três gases que existem na natureza mas que estamos injetando devido às atividades humanas. E tem também o CFC, que é um gás criado pelo homem e foi muito utilizado em sprays e na serpentina de ar-condicionados, mas hoje já foi banido, mas se lançou muitos desses gases no passado e eles estão ai, ficam milhares de anos na atmosfera, e também causam o aquecimento. Esses gases mantêm a superfície aquecida. Esse é o efeito estufa natural, se temos vida aqui é porque esses gases deixam a Terra habitável, senão a temperatura seria de -18º. A questão é que estamos, desde a Revolução Industrial queimando carvão e, mais recentemente, petróleo, gás natural e florestas, emitindo o metano da pecuária, dos pântanos, dos arrozais, tudo isso fica na atmosfera por muito tempo. Existe sim o processo de fotossíntese, é verdade. Sem a fotossíntese não existiríamos, esse processo acontece dentro das folhas, com a clorofila. Esse é um processo natural e fundamental. Só que depois que queimamos carvão, petróleo e gás natural --que são produtos da fotossíntese formados por decomposição fóssil. Então quando os queimamos, jogamos tudo de volta na atmosfera e esses gases demoram anos para sair da atmosfera. Não dá mais para tirar esses gases rapidamente da atmosfera, não existem soluções tecnológicas, então temos que conviver com esses gases e eles continuarão a aquecer o planete por muitos séculos. O aquecimento global não é um problema como a cura da Aids, por exemplo, ele não será resolvido por um estalo nem por solução tecnológica. Ele precisa de muito tempo.

(03:55:18) Carlos Nobre: As alterações já estão ocorrendo, os oceanos ainda devem subir nesse século. Meio grau a mais na água do oceano já é suficiente para deixar os corais doentes, algumas espécies de sapos da América Central já desapareceram. O que se projeta é que se a temperatura aumentar de 1,2º ou 1,5º os efeitos serão enormes. Por exemplo, a produção agrícula das áreas quentes já perdem com apenas 2º, com aumento de 4º a agricultura do mundo inteiro perderia a produção. Com 2º a 2,5º a mais, 30% de toda as espécies sofrem o risco de extinção. Isso nunca aconteceu no nosso mundo. Estamos na sétima grande extinção, só com as mudanças de habitats, se colocarmos a questão ambiental, será muito maior. Ainda estamos a tempo de agir.

(03:57:02) Carlos Nobre: Recentemente houve um aumento da consciência mundial sobre a gravidade do problema, o que é fundamental. Ainda há tempo de agir para não deixar aumentar as temperaturas em mais de 2º. Para isso temos que descarbonizar o planeta, diminuindo as emissões, reduzindo globalmente o desmatamento. Só de trocar as lâmpadas incandescentes por fluorescentes, já reduziriam as emissões em 2%. Só isso, mas tem que ser em escala global.

(04:01:42) Carlos Nobre: Para um brasileiro, a nossa culpa maior é o desmatamento da Amazônia, do Cerrado, etc. O brasileiro consciente, que se sente responsável por garantir um mundo sustentável ambientalmente, ele tem que contribuir para essa diminuição através de consumo responsável. Se o produto que ele consome vem da Amazônia, ele tem que exigir certificação. Você tem que olhar a origem da madeira, da carne. O grande mercado desses produtos é o sul e o sudeste do Brasil. Quando o mercado sinalizar que não mais aturará os produtos vindos de desmatamento ilegal, os produtores vão ter que se remanejar. O consumidor de classe média brasileira não é muito diferente da classe média européia. Mas nós somos mais acostumados com uma vida menos controlada que o cidadão médio americano. Manter ambientes climaticamente controlados, como acontece nos EUA e na Europa durante todo o ano, consome muita energia. Temos que privilegiar o transporte coletivo, como é feito na Europa. No Brasil, o transporte coletivo é para pobre e nisso temos que melhorar. Outras pequenas coisas, como trocar o carro por veículos de combustível renovável e também plantar árvores que, apesar de ser um ato simbólico, ajuda.

(04:00:06) Adriana/UOL:

Carlos Nobre conversa com Marcelo Tas ao vivo no Bate-papo UOL (crédito: Manoela Pereira)

(03:36:34) Alex: Professor Carlos, boa tarde, de tanto se falar em aquecimento global, isso tá se tornando um assunto que muitos acham sem solução. O senhor percebe que está havendo por parte de alguem uma tomada de solução para esse problema?
(04:03:35) Carlos Nobre: Alex, boa tarde. O fato de que a ciência mostrou que algum aquecimento global já se tornou inevitável, não há como parar a máquina. A coisa é séria no sentido que a ação tem que ser agora. Não podemos iludir ninguém, a temperatura vai continuar subindo, mas a inteligência humana pode ser utilizada para minorar esse problema.

(03:41:58) Joao Carlos: O governo não está investindo pouco neste assunto?
(04:05:20) Carlos Nobre: João Carlos, o governo brasileiro apenas acordou para essa questão. O governo brasileiro ficou muito tempo voltado para questões econômicas e para o desenvolvimento nacional. Hoje o Brasil está plenamente consciente de que precisamos recuperar o tempo perdido em várias áreas. Estamos rapidamente tentando agir. Precisamos investir primeiro em Ciência, em tecnologia. Sem recursos adequados não vamos fazer muita coisa.

(03:47:45) Joao Carlos: Não seria importante unificar todos os centros de Meteorologia para estudar este assunto tão importante?
(04:07:06) Carlos Nobre: Unificar seria muito difícil visto que cada instituto nasceu de uma maneira. O que o Ministério da Ciência e Tecnologia está implementando é uma grande rede de pesquisa sobre essas mudanças climáticas. Vai haver um grande investimento, cerca de R$20 milhões, e isso vai ajudar no estudo dos impactos --que é muito mais você saber como um setor de energia elétrica, por exemplo, vai ser afetado pela diminuição das chuvas. Temos que trazer para a Ciência os outros setores.

(04:08:19) Carlos Nobre: Todos os países desenvolvidos gastam grande parte de seu PIB com investimentos em tecnologia. O Brasil sabe disso, mas não sabemos utilizar bem o dinheiro público.

(03:47:55) Emoo: Boa tarde prof. Carlos, eu moro em Toronto e as pessoas daqui dizem que antigamente as tempestades eram mais constantes. Gostaria de perguntar qual sera a regiao no planeta em que as mudancas climaticas serao mais nitidas
(04:10:19) Carlos Nobre: Emo, onde elas aparecem com total clareza são nas regiões mais frias, como acontece um pouco mais ao norte de Toronto, em regiões polares que se passava o ano todo coberto de gelo, com muito frio, já não há mais gelo durante todo o ano. Lá vemos essas mudanças quase a olhos vistos. No Canadá, a estação da primavera chega antes --nisso a agricultura é favorecida (mas só se for até 2º), mas também cresceu o número de pessoas com alergia a pólen.

(04:02:13) Estudante: Prof. Carlos, boa tarde, Sou estudante de Gestão Ambiental e nas aulas aprendi que a terra passa sempre por um periodo de aquecimento natural, o Sr não acha que o aquecimento Global deveria ser visto de uma maneira mais sensata, antes de sairmos por ai dizendo que por causa dele o planeta pode se extinguir?
(04:13:13) Carlos Nobre: Estudante, em primeiro lugar, ninguém está falando que o planeta Terra pode se extinguir. Um dado muito importante é que dificilmente as plantas conseguem fazer fotossíntese quando a temperatura das folhas ultrapassa os 45º -- o que é muito alto. Vamos supor que, daqui a muitos anos, a temperatura média do planeta passe dos 35º, assim, conseqüentemente, muitas regiões chegariam aos 45º e impediriam a produção, não haveria comida. Mas para isso levaria muito, muito tempo. Precisamos tomar um certo cuidado. Sim, é natural esse aquecimento do planeta que você diz. O problema é que estamos fazendo o planeta sair fora da faixa que a natureza escolheu para operar nosso planeta.

(04:08:37) Iver: O Brasil já tem medidas preventivas para o aquecimento global?
(04:20:24) Carlos Nobre: Iver, o Brasil se preocupou muito em ajudar na redução de emissões. Nos últimos dois anos, o desmatamento já diminuiu consideravelmente. A ministra Marina Silva está pessoalmente preocupada, por ser da região amazônica. Mas, o país ainda está atrasado nas adaptações aos efeitos que irão surtir. O governo acaba de divulgar um plano, mas é só um plano. Essas adaptações que devem ser pensadas são, por exemplo, com relação ao aumento no nível do mar, com pessoas que moram em áreas costeiras, porque precisamos reordenar o espaço litorâneo. Outro ponto é nossa agricultura que hoje é muito suscetível às variações climáticas, temos que desenvolver espécies resistentes. Temos que começar hoje a desenhar esse novo perfil agrícola. A cana-de-açúcar hoje é o combustível mais renovável que existe. A emissão de gás carbônico da queima da cana é na proporção de 1/8 em relação à gasolina. Mas, ainda com relação à cana-de-açúcar, há alguns lados preocupantes: as queimadas para preparar as colheitas, o que aumenta a eficiência --esse é um problema de saúde pública, tanto para os bóias-frias, quanto para a população da região onde ela acontece--, e a questão social, já que a tecnologia permite a colheita feita somente com maquinários, mas os bóias-frias continuam sendo empregados por uma questão social.

(04:21:22) Carlos Nobre: Os bóias-frias são remanescentes da escravidão e do início do período industrial, onde se ganhava por produtividade, isso no fim do século XIX.

(04:10:30) Jennifer: Existe algum projeto de Lei, que Obrigam as empresas como por exemplo Fabrica a diminuir os poluentes emitidos no Ar?
(04:23:44) Carlos Nobre: Jennifer, olha, hoje se começa cada vez mais a ter uma descrição mais genérica de poluentes. Tradicionalmente poluentes causam dano à saúde humana. Os gases não entram nessa categoria, mas em breve entrarão. A situação já melhorou muito na poluição em São Paulo, por exemplo, em relação à década de 70. A tecnologia dos automóveis e das indústrias permitem uma poluição menor. Mas ainda não há legislação com relação aos gases de efeito estufa.


(04:18:28) Pedro: Caro Carlos, muito se fala sobre o desmatamento da amazonia e seus efeitos no clima. E outros ecossistemas como o Cerrado, Caatinga, que tem sofrido taxas de desmatamentos muito maiores, nao teriam tb um papel na emissao de gases?
(04:27:03) Carlos Nobre: Pedro, sem dúvida. Em 2006 houve uma enorme redução do desmatamento da Amazônia (13 mil km2/ano), mas o desmatamento do Cerrado brasileiro aumentou muito (23 mil km2/ano). Esse desmatamento tem um efeito ecológico gigante. Mas na floresta amazônica tem muito mais carbono em sua biomassa do que no cerrado e mais ainda do que na caatinga. Nesse sentido a floresta é mais importante, mesmo que como ecossistemas os três sejam igualmente importantes.

(04:28:49) Carlos Nobre: No fim da estação chuvosa, quem quer desmatar vai e corta e deixa ali secando durante toda a estação seca (3-4 meses) e só depois bota fogo. Esse primeiro fogo queima 30-40% da biomassa. Em 10 ou 12 anos aquilo que restou ali vai decompondo naturalmente. Nesse processo de decomposição vira também gás carbônico e volta para a atmosfera, gerando o efeito estufa.

(04:22:07) Paulo Jundiaí: Aquecimento global está na moda (Leonardo di Caprio, Al Gore), eu não consigo pensar de uma maneira global...O que posso fazer em minha casa, em meu bairro e em minha cidade?
(04:32:19) Carlos Nobre: Paulo Jundiaí, acho que no futuro quando esse assunto adquirir mais seriedade, vai ser desenvolvido um aparelhinho medidor de emissão de gás na sua casa. O que não é difícil de fazer. Cada pessoa, de certo modo, pode contribuir. Por exemplo, quem viaja de avião, pode otimizar suas viagems e assim reduzir a emissão. Outra coisa, ter um carro de combustível renovável. Em países onde há muitas usinas termoelétricas, reduzir o consumo de energia é essencial. Se você puder reflorestar um pequeno terreno, você vai ajudar, porque a arvore diminui a temperatura local, diminui o risco de enchentes, melhora a qualidade do ar, e é uma ação que todos podemos tomar. É uma medida muito prática.

(04:23:57) Adriana/UOL:

Carlos Nobre ao vivo no Bate-papo UOL (Crédito: Manoela Pereira)

(04:34:11) Carlos Nobre: A reciclagem, além de gerar empregos, é fundamental porque a quantidade de energia utilizada na reciclagem é muito menor do que no processo original de produção. A sociedade do futuro vai reciclar absolutamente tudo. A casa do futuro pode usar materiais e formas que reduzam em 3/4 a necessidade de ar-condicionado. Se a pessoa quer contribuir, precisa pensar nessa questão.
(04:35:10) Carlos Nobre: O disperdício é uma característica do "homu-modernus-industrialis". A mídia e a publicidade criaram a mítica de que viver bem é consumir energia.

(04:29:42) CARLO: Hidrelétricas tem alguma parcela de culpa no aquecimento global?
(04:36:49) Carlos Nobre: Carlo, têm, mas menos do que as termoelétricas. Quando se enche o lago de uma hidrelétrica se gera o gás metano, que é muito mais poluente que o gás carbônico. Isso ainda é muito contestado, pois quando as hidrelétricas se instalaram na região da mata atlântica, toda a região já havia sido desmatada. Mas é inegável o impacto na criação de lagos na região amazônica, por exemplo.

(04:30:13) Amazonense: Professor, o aquecimento global pode afetar o regime de reprodução de peixes na Amazônia?
(04:38:14) Carlos Nobre: Amazonense, o Impa tem feito alguns estudos de laboratório que mostram que com o aumento de 2º no Rio Negro já compromete a reprodução dos peixes, por isso que eu dei aquele número de que com o aumento de 2,5º o risco de extinção é de 30% de todas as espécies vivas do mundo, com certeza esses peixes entram nessa estatística.

(04:37:30) Adriana/UOL:

Carlos Nobre e Marcelo Tas ao vivo no Bate-papo UOL (Crédito: Manoela Pereira)

(04:39:25) Carlos Nobre: O instituto tem um site que a maneira mais fácil de entrar: www.cptec.inpe.br e procurar pelo ícone de mudanças climáticas e você vai ter acesso a vários estudos sobre esse assunto.

(04:39:59) Carlos Nobre: Obrigado pela oportunidade.

(04:40:10) Adriana/UOL: O Bate-papo UOL agradece a presença de Carlos Nobre e de todos os internautas. Até o próximo!

http://www.sacodeeventos.com.br/index.php?id=435.

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