En el año 1900, en una finca en el norte de Italia, nacen el mismo dia el hijo de un terrateniente y el hijo de un bracero. La pelicula les sigue a ellos y a sus familias durante ochenta años en la amistad y la alienacion, sobre todo en lo relacionado con su actitud frente al fascismo, con el que el burgues colabora pasivamente mientras el trabajador se convierte en partisano. Famoso drama que hace un complejo recorrido historico, politico y social de la Italia del siglo XX, muy alabado por la critica y con un impresionante reparto.
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Novecento, 1900, acto I - 9/16 - Bernardo Bertolucci - 1976
En el año 1900, en una finca en el norte de Italia, nacen el mismo dia el hijo de un terrateniente y el hijo de un bracero. La pelicula les sigue a ellos y a sus familias durante ochenta años en la amistad y la alienacion, sobre todo en lo relacionado con su actitud frente al fascismo, con el que el burgues colabora pasivamente mientras el trabajador se convierte en partisano. Famoso drama que hace un complejo recorrido historico, politico y social de la Italia del siglo XX, muy alabado por la critica y con un impresionante reparto.
terça-feira, 30 de junho de 2009
HONDURAS: A PRIORIDADE É ESMAGARMOS O OVO DA SERPENTE! - CELSO LUNGARETTI (clique aqui)

Bombardeio do Palácio do Governo, 1973: o caminho
dos golpes de estado leva aos pinochetazzos
Quando eu refletia sobre como posicionar-me diante do imbroglio hondurenho, o e-mail recebido do inestimável companheiro Ismar de Souza indicou-me o caminho correto:
"Mesmo sem ter presenciado, veio-me à memória como deve ter sido o golpe contra Goulart em 1964. Os países da América Latina devem reagir rapidamente, senão a espiral golpista pode voltar com força total em republiquetas menores, depois em países maiores como a Venezuela e Bolívia".
Concordo: é mesmo um precedente perigosíssimo, daí a necessidade de abortarmos imediatamente o golpe de estado. Trata-se da prioridade nº 1, neste momento.
Quando me posicionei com tanta ênfase contra a proposta de emenda constitucional para facultar-se nova reeleição ao presidente Lula, foi exatamente por temer um desdobramento desse tipo.
O presidente em exercício tem um poder de fogo muito grande para conseguir apoios e maiorias. Se o utilizar para perpetuar-se no poder, tem grande chance de obter êxito. Daí ser inaceitável, numa democracia, que ele manobre para a convocação de constituintes ou realização de plebiscitos no sentido de que sejam alteradas as regras do jogo em seu benefício. Mudanças que entrarão em vigência no mandato seguinte, tudo bem. Mudanças em causa própria, nunca!
Pior: a rua é sempre de duas mãos. Quem apóia a presidência eterna do Chávez será um cínico se negar idêntico direito a Uribe. O que serve para a esquerda, acaba servindo também para a direita.
ESQUERDA x MAQUIAVELISMO - Mas - objetarão alguns companheiros -, o que importam as regrinhas democráticas para quem quer tocar adiante uma revolução?
Aí a discussão é longa. Mas, eu permaneço fiel a um valor da minha geração: não se fazem revoluções com subterfúgios.
O PCB sempre acreditou em conquistar, pela via democrática, posições-chave do governo (quiçá a própria Presidência da República) e depois utilizá-las como catapulta para o poder.
Foi a postura que levou ao terrível fracasso de 1964. E que gerou uma nova esquerda, em 1968, disposta a perseguir abertamente seus objetivos, proclamando-os em alto e bom som, sem tentar esconder a que vinha.
Utilizarem-se as franquias democráticas para conquistar o governo e depois tentar burlá-las para alcançar o poder é puro maquiavelismo. Nada tem a ver com o marxismo, muito menos com o anarquismo.
Outro valor fundamental para a minha geração: revoluções são feitas pelo povo e com o povo. Acontecem quando o povo está pronto para elas. Não tomando-se o poder para depois tentar-se engajar o povo, pois este tem de ser sempre o sujeito da revolução, nunca o objeto.
Quem passa por cima disto, mesmo com boas intenções, acaba vendo o povo reduzido à condição de coadjuvante também durante o regime dito revolucionário. Daí o alerta profético de Trotsky: primeiro, o partido substitui o proletariado; depois, o Comitê Central substitui o partido; finalmente, um ditador substitui o Comitê Central.
Mais: revoluções são obra coletiva, não dependem desesperadamente de líder nenhum.
Se o preço das forçações de barra continuístas é dar ensejo a golpes de estado direitistas, então um presidente de esquerda tem mais é de tentar fazer seu sucessor, como o Lula no caso da Dilma.
Se tem mesmo prestígio junto às massas, elegerá um discípulo fiel e não concederá, de mão beijada, um trunfo à direita golpista. Se não tem, que se resigne a deixar o governo no final do mandato. É simples assim.
NO FIM DA LINHA, OS PINOCHETAZZOS - As trapalhadas do presidente hondurenho Manuel Zelaya permitiram que o golpe dado contra ele parecesse justificável. Afinal, pouparam-lhe a vida, boa parte de seu próprio partido o traiu, o Congresso avalizou a deposição e o substituto é um civil, o presidente do Legislativo, que promete marcar novas eleições para breve.
Eis um enorme perigo: começa-se por um golpe brando e se acaba em pinochetazzos. O ovo da serpente tem de ser esmagado antes de eclodir.
Mas, não por uma intervenção militar de um único país (como a Venezuela), o que geraria uma reação em cadeia, de consequências imprevisíveis. E sim por meio de uma articulação continental.
Mesmo porque a ninguém deve ser concedido o papel de polícia da América Latina. Se tanto combatemos a atuação dos EUA neste sentido, não foi para que as tropas de Chávez tomassem o lugar dos marines.
E que, uma vez afastado o perigo imediato, este episódio sirva como advertência. É hora de dissociarmos, de uma vez por todas, nossas revoluções de tudo que seja -- ou pareça -- o velho caudilhismo latino-americano.
FONTE:http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/2009/06/honduras-prioridade-e-esmagarmos-o-ovo.html
sábado, 6 de junho de 2009
SOBRE A LIBERDADE - FRASE DO ROMANCEIRO DA INCONFIDÊNCIA - CECÍLIA MEIRELES
que o sonho humano alimenta:
que não há ninguém que explique,
e ninguém que não entenda!"
CECÍLIA MEIRELES
José Pacheco - Palestra (ESCOLA DA PONTE)ALFABETIZAÇÃO E ETC
Palestra do Prof. José Pacheco na APEOESP, apresentada pelo programa Educação na TV. O professor Pacheco é ex-diretor da conhecida Escola da Ponte de Portugal.
O educador participou, desde o início, do processo que culminou na transformação daquela unidade educacional em uma instituição única.
TÚNEL DO TEMPO: TROPAS OCUPAM A USP, COMO NA DITADURA
Celso Lungaretti (*)
Termine como terminar a nova ocupação policial da Universidade de São Paulo, o grande perdedor, claro, é o governador José Serra, que começou sua trajetória política como presidente da União Nacional dos Estudantes e agora repete as práticas autoritárias do ministro da Educação da ditadura, Jarbas Passarinho.
Faz lembrar a propaganda contra armas que eu via nos ônibus quando criança: hoje mocinho, amanhã bandido.
Depois que o estado de direito foi restabelecido no Brasil, a atitude de tratar movimentos reivindicatórios e sociais como casos de polícia parecia estar destinada à lata de lixo da História, como parte da herança maldita do regime militar.
Foi estarrecedora a postura de Serra, ao permitir que as tropas ocupassem várias unidades de uma instituição universitária, como resposta a uma simples greve de funcionários!
Quanto à reitora, é a pessoal errada no lugar errado. Clama aos céus que não tem a mínima idéia do que seja um templo do saber e da decisão nefasta que tomou ao, com o aval de Serra, chamar a polícia para o campus.
Veio-me à lembrança a frase imortal de D. Paulo Evaristo Arns, diante da invasão da Pontifícia Universidade Católica pela PM: "'Na PUC só se entra prestando exame vestibular".
O resultado não se fez por esperar: agora os professores e os alunos também estão em greve, reagindo à truculência e à intimidação.
Serra é mais uma personalidade empenhada em incinerar seu currículo, talvez até como forma de se tornar palatável para os inimigos de ontem. Quer mostrar serviço para a direita, convencendo-a de que é capaz de servi-la fielmente, aplicando força desnecessária e criminalizando os movimentos dos quais outrora participou.
Vendeu a alma na esperança de chegar à Presidência da República. Tomara que nem essa contrapartida obtenha!
Talvez Serra até venha a seguir a exortação atribuída ao jornalista José Nêumanne Pinto, de que a polícia deveria mesmo é mandar bala nos baderneiros.
Se foi isso mesmo o que Nêumanne disse num telejornal matutino do SBT, é melhor ele abandonar de vez a profissão de jornalista, pois terá se tornado um estranho no ninho. Aliás, quem fala algo assim apartou-se da própria civilização.
Registro, finalmente, minha total e irrestrita solidariedade aos bravos professores, estudantes e funcionários da USP, que neste momento estão na linha de frente da resistência da sociedade brasileira às forças obscurantistas empenhadas em, pouco a pouco, irem reintroduzindo o autoritarismo em nosso cotidiano.
* Jornalista e escritor, mantém os blogues
http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/
http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/
Latuff - Outro Olhar - TV Brasil (sobre direitos autorais.ARTE É COMO FILHO,NÃO DÁ PRA TER CONTROLE SOBRE A OBRA DE ARTE - LATUFF)
O quadro "Outro Olhar" do noticiário noturno da TV Brasil, apresentou ontem, dia 19 de março, uma matéria sobre cultura livre, apresentando o trabalho do jornalista Tiago Juca e do cartunista Carlos Latuff. Meus sinceros agradecimentos ao Coletivo Catarse http://coletivocatarse.blogspot.com/ na pessoa de André de Oliveira e Jefferson Pinheiro, bem como o esforço de Janaina Rocha, da Agência Brasil.
O conteúdo deste vídeo é publicado sob uma Licença Creative Commons Atribuição 2.5. Brasil.
Che Guevara - 40 anos depois - parte 2 (TV UNICSUL - CANAL UNIVERSITÁRIO)
Documentário sobre a vida e trajetória política de Ernesto Che Guevara, produzido pela TV Unicsul.
sexta-feira, 5 de junho de 2009
O povo Xukurú do Ororubá e a criminalização do movimento indígena no Nordeste
Por Cassio Brancaleone e Eliana Barros 05/06/2009 às 16:03
Durante os dias 17, 18 e 19 de maio foi realizada em território indígena Xukurú, situado na área rural do município pernambucano de Pesqueira, a IX Assembléia do Povo Xukurú do Ororubá, sob o tema central de ?Fortalecer a organização para enfrentar a criminalização?.
A Assembléia do povo Xukurú configura-se como uma reunião de magnitude política e acontece desde o ano de 2001. Além de contar com a participação de representantes das 23 comunidades, cumprindo importante função social, cultural e política e fortalecendo o processo organizativo do grupo, recebe lideranças e representantes de outros povos indígenas do Nordeste, bem como a assessoria e participação de organizações indigenistas e de outros simpatizantes. A Assembléia Xukurú nasceu da necessidade de manter uma articulação gestada pelo Cacique Xicão, assassinado no ano de 1998 a mando de latifundiários e políticos da região agreste pernambucana. Xicão foi um dos grandes contribuintes da difusão da política de ?retomada? do território tradicional, alavancada pelos grupos indígenas no Nordeste, principalmente em fins dos anos 1980, junto à luta pelas mudanças constitucionais de 1988 e sendo seguida pelos anos 1990 até os recentes dias.
Os Xukurú, a partir da força de articulação política do cacique Xicão, da ativação da religiosidade indígena dada por guias religiosos da comunidade e também através de outros personagens Xukurú e do apoio da rede indigenista de apoio, iniciaram no início dos anos 1990 um processo de retomada de terras que levou a cabo uma guerra contra o latifúndio e a indústria do turismo regional. Foram quase 28 mil hectares reconquistados para um território onde vivem mais de dez mil indígenas e que só foi homologado há pouco mais de quatro anos. Este foi e se trata de um árduo caminho para várias lideranças e pessoas parceiras à luta do povo Xukurú. Seis pessoas foram assassinadas nos últimos anos, um dado que reflete o descaso do Estado com relação à questão indígena em nosso país.
Mesmo vivenciando um absurdo histórico de violência contra interlocutores do movimento, a tenacidade e a capacidade de resistência dos Xukurú pode ser observada no olhar de cada indígena, em sua expressão de auto-reconhecimento como povo e coletividade que compartilha um passado comum de exploração e que é comungado na expressão do toré, símbolo dessa resistência, ritual indígena de atividade secular entre as populações indígenas no Nordeste e que hoje se ressignifica enquanto ponte de ativação de força e de legitimação da identidade.
Atualmente, com mais de 90% de seu território original demarcado e buscando levar uma existência com dignidade, produzindo nos moldes da agricultura familiar e preservando suas matas e bosques, os Xukurú sofrem intenso acosso por parte da ressentida elite econômica e política local que teve sua terra desapropriada e que se vê ameaçada pelo vigoroso processo de organização e politização que alcança o movimento indígena no estado. Para conter esse processo a oligarquia local, assessorada e amparada por um significativo corpo de operadores do direito, atuando dentro e fora das agências do estado, acionam mecanismos e instrumentos jurídicos para a produção de acusações e penas sem fundamentos reais. Se tomamos em número, essa recente estratégia política da grande estrutura do poder vem sufocando as comunidades indígenas em suas bases organizativas, impedindo-as de manter seu cotidiano e o mais importante, seu acionamento político de articulação por demandas concretas de sobrevivência e autonomia. Hoje no Brasil, mais de 700 lideranças indígenas vivem sob processo da justiça penal. Podemos destacar o caso dos Cinta-Larga, de Rondônia, onde mais da metade da população de aproximadamente 1.400 pessoas, estão sob os olhos da justiça e respondendo a processo (Brasil de Fato, 06/05/2009). No Nordeste, destacamos os Xukurú e os Truká em Pernambuco e os Tupinambá, na Bahia, como povos que vêm enfrentando essa mesma guerra; guerra promovida pelo aparato da burocratização latifundiária e amparada pelo Estado de Direito.
Nos Xukurú, 26 lideranças estão sob processo na justiça e dentre os quais duas já estão presas há um ano e meio. No dia 21 de maio saiu a sentença de prisão preventiva ao Cacique Marcos Luídson, filho de Xicão, que é uma das lideranças que sofrem perseguição política. Todo esse mosaico de conflitos é reflexo do processo de retomada de terras e as acusações são as mais diversas possíveis: crimes que vão desde roubos, depredação de patrimônio privado, incitação à desordem até homicídio. O que vale ressaltar, porém, é que as sentenças públicas recentemente postas pela Justiça de Pernambuco seguem uma corrente de arbitrariedades, já que nenhum dos casos até hoje foram esclarecidos em júri. O cacique Marcos, por exemplo, foi sentenciado à pena de 10 anos e 4 meses antes mesmo de serem ouvidas suas testemunhas de defesa (CIMI, 28/05/2009).
A chamada ?criminalização? da luta indígena passa assim pela manipulação de fatos e fabricação de denúncias veiculadas pela grande mídia corporativa, e articuladas com ações legais como processos e ordens de apreensão. A estratégia da oligarquia local implica em produzir e difundir uma imagem do ?índio bandido? e neutralizar a capacidade organizativa dos Xukurú mediante o aprisionamento dos seus mais ativos quadros e lideranças.
A partir de uma rede de alianças firmada na IX Assembléia e continuada por antigos parceiros do movimento indígena no Nordeste, estão sendo planejadas ações que levem para o centro da sociedade envolvente o debate sobre a criminalização e a perseguição política por quais passam líderes de comunidades indígenas e para que também se multipliquem parcerias e coletivos de apoio. Na próxima sexta-feira, dia 05 de junho, às 14 horas, haverá em Recife, uma caminhada de protesto pela sentença dada ao cacique Marcos Xukurú e pela extensão das penas às outras duas lideranças já presas. A caminhada sairá do Parque 13 de Maio, no centro da cidade e se estenderá até o Palácio da Justiça. Esta é a primeira de uma série de atividades que estão sendo pensadas pela rede de ativistas que trabalham em parceria com o movimento indígena no Nordeste. A idéia é difundir a problemática e denunciar as estratégias do Estado na sua brutal e vergonhosa tentativa de desarticular os povos indígenas em seu processo de luta pela autonomia de fato.
Mas a 9ª Assembléia, mesmo orbitando em torno da problemática da criminalização, debateu outros temas de igual importância para o atual estágio da luta indígena Xukurú, como as questões de saúde e educação indígena, a produção e a formação de lideranças. Nesse sentido foi interessante acompanhar o processo de reflexão levado a cabo pelos próprios indígenas acerca dos avanços e obstáculos de seus programas e projetos, a avaliação das atividades existentes e o levantamento de novas demandas para futuros projetos.
É uma exigência do nosso tempo, portanto, reconhecer que a cidadania indígena é um fator extra e emergente no corrente processo de complexificação da sociedade brasileira, e se garantida pelo reconhecimento legal, ainda que realizada pelas ?vias de fato?, os processos de autonomia e autogoverno em gérmen podem se desenvolver em território indígena e assim oxigenar todo um profundo debate público sobre a necessidade de um projeto radical de democratização da terra, que passa necessariamente pela democratização da economia e da própria política.
FONTE : http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2009/06/448365.shtml
sábado, 28 de fevereiro de 2009
HISTÓRIA - ESCOLINHA DE ARTE DO BRASIL - A LIBERDADE DA CRIANÇA NA CRIAÇÃO ARTÍSTICA - RECONHECE-SE QUE A CRIANÇA POSSUI GRANDE CAPACIDADE ARTÍSTICA
A Escolinha de Arte do Brasil é criada em 1948, no Rio de Janeiro, por iniciativa do artista pernambucano Augusto Rodrigues (1913 - 1993), da artista gaúcha Lúcia Alencastro Valentim (1921) e da escultora norte-americana Margareth Spencer (1914). A Escolinha, que coloca o foco nas distintas expressões artísticas (dança, pintura, teatro, desenho, poesia etc.), funciona nas dependências da Biblioteca Castro Alves, do Instituto de Previdência e Assistência Social dos Servidores de Estado - Ipase, voltada fundamentalmente para o público infantil. O filósofo e teórico da arte Herbert Read (1893 - 1968) fornece as principais inspirações para a experiência, sistematizadas em sua obra Education through Art (1943). As idéias de Read - ancoradas no princípio de que a educação é o fundamento da arte - são também conhecidas do público brasileiro da época em função da exposição de arte infantil por ele organizada no Museu Nacional de Belas Artes - MNBA, Rio de Janeiro, em 1941. O espírito não diretivo e aberto da Escolinha de Arte do Brasil pode ser aferido na tentativa de ampliação do repertório artístico pela inclusão de elementos da arte popular e do folclore (por exemplo, teatro de fantoches e bonecos), na intensificação do diálogo entre as diferentes modalidades artísticas, ou na adoção de um método pouco convencional de ensino. Diz Lúcia Valentim: "Nossa grande mestra foi sem dúvida a criança. Havíamos decidido nos guiar por ela: observar o que ela fazia; oferecer situações novas e verificar como reagia; analisar o que recusava; documentar como progredia".
A Escolinha recebe forte apoio de educadores atuantes, como Anísio Teixeira (1900 - 1971) e Helena Antipoff (1892 - 1974). Esta é especialmente ligada a Augusto Rodrigues, em função do trabalho conjunto na Sociedade Pestalozzi, por ela criada em 1948, e na qual Augusto é professor. Vale lembrar que as relações entre arte e educação especial mobilizam a Escolinha de Arte do Brasil desde o início, favorecidas por convênios com a Pestalozzi e com a Apae, por intermédio de Antipoff e de Nise da Silveira (1905 - 1999). Experiências educacionais como essas ainda hoje enfrentam forte resistência por parte de muitos profissionais, apesar dos insubstituíveis serviços prestados às famílias de crianças deficientes. Outro traço importante do perfil e da atuação da Escolinha diz respeito às tentativas que empreende para difundir concepções mais modernas na área da educação artística com criação de veículos próprios como o jornal Arte & Educação, editado a partir de 1970. A produção de materiais específicos para o ensino de arte é outra inovação da Escolinha de Arte do Brasil, que sistematiza, pela primeira vez, técnicas pouco conhecidas e, até hoje, utilizadas pelas escolas: lápis de cera e anilina; lápis de cera e varsol; desenho de olhos fechados; impressão e pintura de dedo, mosaico de papel; recorte e colagem coletiva sobre papel preto; carimbo de batata; bordado criador, desenho raspado e de giz molhado, entre outras.
As primeiras escolas especializadas em arte para crianças e adolescentes remontam à década de 1930, às experiências como as da Escola Brasileira de Arte, de São Paulo, dirigida por Theodoro Braga (1872 - 1953), e aos cursos de Anita Malfatti (1889 - 1964), oferecidos em seu ateliê e na Biblioteca Infantil Municipal do Departamento de Cultura de São Paulo, dirigido por Mário de Andrade (1893 - 1945) entre 1935 e 1938. Essas experiências se caracterizam pela idéia da aprendizagem livre e do incentivo à expressão criativa, na contramão do ensino oficial de artes tal como instituído em seguida no período do Estado Novo, quando as aulas de desenho geométrico e cópia de estampas são introduzidas na escola primária e secundária com a finalidade de orientar ao máximo a formação artística, adequando-a aos modelos e padrões vigentes. Na década de 1940, novas experiências na área da educação artística têm lugar no país, com o intuito de formar artistas e educar o gosto em função da liberdade expressiva. A Escola Guignard, criada em 1943, na cidade de Belo Horizonte, é ótimo exemplo de um modelo não convencional de educação artística. Em relação às crianças, especialmente, amplo trabalho é feito pelos artistas que abrem os seus ateliês para a experimentação livre. No Recife, por exemplo, Lula Cardoso Ayres (1910 - 1987) fornece lápis, papel e tinta para as crianças, deixando que elas se expressem de modo não dirigido. Também as escolas Waldorf incentivam a integração entre arte e educação, no Brasil, desde a década de 1950.
A despeito de importantes iniciativas individuais, a Escolinha de Arte do Brasil altera o panorama do ensino artístico, multiplicando as experiências na área de arte e educação em diversas regiões do país. Sua criação está na base do Movimento Escolinhas de Arte - MEA, que congrega diversas escolinhas de arte, nos anos 1950, 1960 e 1970: a do Rio de Janeiro, da Bahia e do Recife, por exemplo. Podem ser considerados desdobramentos importantes da Escolinha de Arte do Brasil o Ateliê Infantil do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ, criado por Ivan Serpa (1923 - 1973), em 1972, e os cursos de licenciatura em educação artística, instituídos em 1973. Não se deve esquecer que a despeito da ênfase na liberdade de criação, o MEA procura interferir no ensino regular de arte nas escolas públicas. Algumas iniciativas são tomadas nessa direção, por exemplo, a organização de um curso promovido pelo Ministério da Educação e Cultura - MEC e pela Escolinha de Arte do Brasil, em 1971, para preparar as equipes das Secretarias de Educação para de orientar a implantação da disciplina de educação artística, obrigatória a partir da década de 1970. Com o tempo, portanto, a Escolinha de Arte do Brasil volta-se também para o público adulto, tornando-se um importante centro de formação de profissionais que vão supervisionar experiências no Brasil e América Latina.
Atualizado em 21/11/2005
FONTE: http://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_IC/index.cfm?fuseaction=marcos_texto&cd_verbete=3757
AGENDA 21 - LEIA NA ÍNTEGRA CLICANDO AQUI
A Agenda 21 é um programa de ação, baseado num documento de 40 capítulos, que constitui a mais ousada e abrangente tentativa já realizada de promover, em escala planetária, um novo padrão de desenvolvimento, conciliando métodos de proteção ambiental, justiça social e eficiência econômica.
Trata-se de um documento consensual para o qual contribuíram governos e instituições da sociedade civil de 179 países num processo preparatório que durou dois anos e culminou com a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD), em 1992, no Rio de Janeiro, também conhecida por ECO-92.
Além da Agenda 21, resultaram desse processo cinco outros acordos: a Declaração do Rio, a Declaração de Princípios sobre o Uso das Florestas, o Convênio sobre a Diversidade Biológica e a Convenção sobre Mudanças Climáticas.
Estrutura e conteúdo (da Wikipédia)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Agenda_21Os temas fundamentais da Agenda 21 estão tratados em 40 capítulos organizados em um preâmbulo e quatro seções:
- Preámbulo
Seção I. Dimensões sociais e econômicas - Cooperação internacional para acelerar o desenvolvimento sustentável dos países em desenvolvimento de das políticas internas conexas
- Luta contra a pobreza
- Evolução das modalidades de consumo
- Dinâmica demográfica e sustentabilidade
- Proteção e fomento da saúde humana
- Fomento do desenvolvimento sustentável dos recursos humanos
- Integração do meio ambiente e o desenvolvimento na tomada de decisões
Seção II . Conservação e gestão dos recursos para o desenvolvimento - Proteção da atmosfera
- Enfoque integrado do planejamento e da ordenação dos recursos das terras
- Luta contra o desmatamento
- Ordenação dos ecossistemas frágeis: luta contra a desertificação e a seca
- Ordenação dos ecossistemas frágeis: desenvolvimento sustentável das zonas montanhosas
- Fomento da agricultura e do desenvolvimento rural sustentável
- Conservação da diversidade biológica
- Gestão ecologicamente racional da biotecnologia
- Proteção dos oceanos e dos mares de todo tipo, incluídos os mares fechados e semi-fechados e as zonas costeiras, e o uso racional e o desenvolvimento de seus recursos vivos
- Proteção da qualidade dos recursos de água doce: aplicação de critérios integrados para o aproveitamento, ordenação e uso dos recursos de água doce
- Gestão ecologicamente racional dos produtos químicos tóxicos, incluída a prevenção do tráfico internacional ilícito de produtos tóxicos e perigosos
- Gestão ecologicamente racional dos rejeitos perigosos, incluída a prevenção do tráfico internacional ilícito de rejeitos perigosos
- Gestão ecologicamente racional dos rejeitos sólidos e questões relacionadas com as matérias fecais
- Gestão inócua e ecologicamente racional dos rejeitos radioativos
Seção III. Fortalecimento do papel dos grupos principais - Preâmbulo
- Medidas mundiais em favor da mulher para atingir um desenvolvimento sustentável e equitativo
- A infância e a juventude no desenvolvimento sustentável
- Reconhecimento e fortalecimento do papel das populações indígenas e suas comunidades
- Fortalecimento do papel das organizações não-governamentais associadas na busca de um desenvolvimento sustentável
- Iniciativas das autoridades locais em apoio ao Programa 21
- Fortalecimento do papel dos trabalhadores e seus sindicatos
- Fortalecimento do papel do comércio e da indústria
- A comunidade científica e tecnológica
- Fortalecimento do papel dos agricultores
Seção IV. Meios de execução - Recursos e mecanismos de financiamento
- Transferência de tecnologia ecologicamente racional, cooperação e aumento da capacidade
- A ciência para o desenvolvimento sustentável
- Fomento da educação, a capacitação e a conscientização
- Mecanismos nacionais e cooperação internacional para aumentar a capacidade nacional nos países em desenvolvimento
- Acordos institucionais internacionais
- Instrumentos e mecanismos jurídicos internacionais
- Informação para a adoção de decisões
Parque do Piauí guarda legado do homem pré-histórico

Foto: Luiz Citton
27.02.2009 - 20:10:08
O Parque da Serra da Capivara está localizado no sudeste do Estado do Piauí
O Parque Nacional da Serra da Capivara guarda um legado do homem pré-histórico , o parque foi apresentado com muitas fotos em destaque no Uol dessa sexta-feira.
O Parque Nacional Serra da Capivara está localizado no sudeste do Estado do Piauí, ocupando áreas dos municípios de São Raimundo Nonato, João Costa, Brejo do Piauí e Coronel José Dias. A superfície do Parque l é de 129.140 ha e seu perímetro é de 214 Km. A cidade mais próxima do Parque Nacional é Cel. José Dias, sendo a cidade de São Raimundo Nonato o maior centro urbano. A distância que o separa da capital do Estado, Teresina, é de 530 Km. No local existe mais de 35 mil pinturas rupestres.
A maneira mais rápida de chegar ao Parque é através de Petrolina, cidade do Estado de Pernambuco, da qual dista 300 Km. A cidade de Petrolina dispõe de um aeroporto onde opera atualmente a Gol, e a BRA, ligando a região com Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília.
A criação do Parque Nacional Serra Capivara teve múltiplas motivações ligadas à preservação de um meio ambiente específico e de um dos mais importantes patrimônios culturais pré-históricos. As características que mais pesaram na decisão da criação do Parque Nacional são de natureza diversa:
- culturais - na unidade acha-se uma densa concentração de sítios arqueológicos, a maioria com pinturas e gravuras rupestres, nos quais se encontram vestígios extremamente antigos da presença do homem (100.000 anos antes do presente). Atualmente estão cadastrados 912 sítios, entre os quais, 657 apresentam pinturas rupestres, sendo os outros sítios ao ar livre (acampamentos ou aldeias) de caçadores-coletores, são aldeias de ceramistas-agricultores, são ocupações em grutas ou abrigos, sítios funerários e, sítios arqueo-paleontológicos;
- ambientais - área semi-árida, fronteiriça entre duas grandes formações geológicas - a bacia sedimentar Maranhão-Piauí e a depressão periférica do rio São Francisco - com paisagens variadas nas serras, vales e planície, com vegetação de caatinga ( o Parque Nacional Serra da Capivara é o único Parque Nacional situado no domínio morfoclimático das caatingas), a unidade abriga fauna e flora específicas e pouco estudadas. Trata-se, pois, de uma das últimas áreas do semi-árido possuidoras de importante diversidade biológica;
- turísticas - com paisagens de uma beleza natural surpreendente, com pontos de observação privilegiados. Esta área possui importante potencial para o desenvolvimento de um turismo cultural e ecológico, constituindo uma alternativa de desenvolvimento para a região.
Em 1991 a UNESCO, pelo seu valor cultural, inscreveu o Parque Nacional na lista do Patrimônio Cultural da Humanidade. Em 2002 foi oficializado o pedido para que o mesmo seja declarado Patrimônio Natural da Humanidade.
O Parque Nacional Serra da Capivara é subordinado à Diretoria de Ecossistemas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), tendo sido concluída a sua demarcação em 1990. Em torno do Parque foi criada uma Área de Preservação Permanente de dez quilômetros que constitui um cinto de proteção suplementar e na qual seria necessário desenvolver uma ação de extensão. Em 1994 a FUMDHAM assinou um convênio de co-gestão com o IBAMA em 2002 um contrato de parceria com a mesma instituição.
Confira as fotos do Parque Nacional da Serra da Capivara, clicando aqui:
http://viagem.uol.com.br/album/guia/serradacapivara_album.jhtm?abrefoto=37
Serra da Capivara
legado do homem pré-histórico
Parque Nacional
http://45graus.com.br/geral/35884/parque_do_piaui_guarda_legado_do_homem_pre_historico.html
O DESMATAMENTO ILEGAL NA FLORESTA AMAZÔNICA DEVE SER VISTO COMO UM GRANDE CRIME ÀS FUTURAS GERAÇÕES!
"O aquecimento global não será resolvido em um estalo", diz pesquisador do Inpe a Marcelo Tas no Bate-papo UOL
06/06/2007
"O aquecimento global não será resolvido em um estalo", diz pesquisador do Inpe a Marcelo Tas no Bate-papo UOL
Da redação
Um dos temas mais preocupantes da atualidade, o aquecimento global, tomou conta do Bate-papo UOL desta terça-feira (22). Em uma conversa esclarecedora comandada pelo jornalista Marcelo Tas (visite blog), o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Carlos Afonso Nobre destacou as ações que podem minorar os efeitos do problema que veio à tona depois do documentário "Uma Verdade Inconveniente", que traz o ex-candidato à presidência americana, Al Gore, como "front man" (leia mais aqui).
Nobre disse que o aquecimento global não vai ser contido em um "estalo", nem ao menos através de "soluções tecnológicas". "Não podemos iludir ninguém, a temperatura vai continuar subindo, mas a inteligência humana pode ser utilizada para minorar esse problema", ressaltou.
Leia a seguir a íntegra do bate-papo que contou com a participação de 463 internautas.
(03:43:11) Carlos Nobre: Muito boa tarde, minha honra estar nesse bate-papo com vocês.
(03:51:15) Carlos Nobre: O risco é real, não é hipotético ou um pequeno risco que talvez valesse a pena correr em nome de um modelo de bem estar que nos acostumamos. O risco é real porque tudo o que já injetamos de gases que causam aquecimento nos últimos 50 anos ainda continuam na atmosfera. Esses gases são o gás carbônico, o metano e o óxido nitroso, que é um gás vindo da agropecuária e dos produtos químicos. Esses são os três gases que existem na natureza mas que estamos injetando devido às atividades humanas. E tem também o CFC, que é um gás criado pelo homem e foi muito utilizado em sprays e na serpentina de ar-condicionados, mas hoje já foi banido, mas se lançou muitos desses gases no passado e eles estão ai, ficam milhares de anos na atmosfera, e também causam o aquecimento. Esses gases mantêm a superfície aquecida. Esse é o efeito estufa natural, se temos vida aqui é porque esses gases deixam a Terra habitável, senão a temperatura seria de -18º. A questão é que estamos, desde a Revolução Industrial queimando carvão e, mais recentemente, petróleo, gás natural e florestas, emitindo o metano da pecuária, dos pântanos, dos arrozais, tudo isso fica na atmosfera por muito tempo. Existe sim o processo de fotossíntese, é verdade. Sem a fotossíntese não existiríamos, esse processo acontece dentro das folhas, com a clorofila. Esse é um processo natural e fundamental. Só que depois que queimamos carvão, petróleo e gás natural --que são produtos da fotossíntese formados por decomposição fóssil. Então quando os queimamos, jogamos tudo de volta na atmosfera e esses gases demoram anos para sair da atmosfera. Não dá mais para tirar esses gases rapidamente da atmosfera, não existem soluções tecnológicas, então temos que conviver com esses gases e eles continuarão a aquecer o planete por muitos séculos. O aquecimento global não é um problema como a cura da Aids, por exemplo, ele não será resolvido por um estalo nem por solução tecnológica. Ele precisa de muito tempo.
(03:55:18) Carlos Nobre: As alterações já estão ocorrendo, os oceanos ainda devem subir nesse século. Meio grau a mais na água do oceano já é suficiente para deixar os corais doentes, algumas espécies de sapos da América Central já desapareceram. O que se projeta é que se a temperatura aumentar de 1,2º ou 1,5º os efeitos serão enormes. Por exemplo, a produção agrícula das áreas quentes já perdem com apenas 2º, com aumento de 4º a agricultura do mundo inteiro perderia a produção. Com 2º a 2,5º a mais, 30% de toda as espécies sofrem o risco de extinção. Isso nunca aconteceu no nosso mundo. Estamos na sétima grande extinção, só com as mudanças de habitats, se colocarmos a questão ambiental, será muito maior. Ainda estamos a tempo de agir.
(03:57:02) Carlos Nobre: Recentemente houve um aumento da consciência mundial sobre a gravidade do problema, o que é fundamental. Ainda há tempo de agir para não deixar aumentar as temperaturas em mais de 2º. Para isso temos que descarbonizar o planeta, diminuindo as emissões, reduzindo globalmente o desmatamento. Só de trocar as lâmpadas incandescentes por fluorescentes, já reduziriam as emissões em 2%. Só isso, mas tem que ser em escala global.
(04:01:42) Carlos Nobre: Para um brasileiro, a nossa culpa maior é o desmatamento da Amazônia, do Cerrado, etc. O brasileiro consciente, que se sente responsável por garantir um mundo sustentável ambientalmente, ele tem que contribuir para essa diminuição através de consumo responsável. Se o produto que ele consome vem da Amazônia, ele tem que exigir certificação. Você tem que olhar a origem da madeira, da carne. O grande mercado desses produtos é o sul e o sudeste do Brasil. Quando o mercado sinalizar que não mais aturará os produtos vindos de desmatamento ilegal, os produtores vão ter que se remanejar. O consumidor de classe média brasileira não é muito diferente da classe média européia. Mas nós somos mais acostumados com uma vida menos controlada que o cidadão médio americano. Manter ambientes climaticamente controlados, como acontece nos EUA e na Europa durante todo o ano, consome muita energia. Temos que privilegiar o transporte coletivo, como é feito na Europa. No Brasil, o transporte coletivo é para pobre e nisso temos que melhorar. Outras pequenas coisas, como trocar o carro por veículos de combustível renovável e também plantar árvores que, apesar de ser um ato simbólico, ajuda.
(04:00:06) Adriana/UOL:
Carlos Nobre conversa com Marcelo Tas ao vivo no Bate-papo UOL (crédito: Manoela Pereira)
(03:36:34) Alex: Professor Carlos, boa tarde, de tanto se falar em aquecimento global, isso tá se tornando um assunto que muitos acham sem solução. O senhor percebe que está havendo por parte de alguem uma tomada de solução para esse problema?
(04:03:35) Carlos Nobre: Alex, boa tarde. O fato de que a ciência mostrou que algum aquecimento global já se tornou inevitável, não há como parar a máquina. A coisa é séria no sentido que a ação tem que ser agora. Não podemos iludir ninguém, a temperatura vai continuar subindo, mas a inteligência humana pode ser utilizada para minorar esse problema.
(03:41:58) Joao Carlos: O governo não está investindo pouco neste assunto?
(04:05:20) Carlos Nobre: João Carlos, o governo brasileiro apenas acordou para essa questão. O governo brasileiro ficou muito tempo voltado para questões econômicas e para o desenvolvimento nacional. Hoje o Brasil está plenamente consciente de que precisamos recuperar o tempo perdido em várias áreas. Estamos rapidamente tentando agir. Precisamos investir primeiro em Ciência, em tecnologia. Sem recursos adequados não vamos fazer muita coisa.
(03:47:45) Joao Carlos: Não seria importante unificar todos os centros de Meteorologia para estudar este assunto tão importante?
(04:07:06) Carlos Nobre: Unificar seria muito difícil visto que cada instituto nasceu de uma maneira. O que o Ministério da Ciência e Tecnologia está implementando é uma grande rede de pesquisa sobre essas mudanças climáticas. Vai haver um grande investimento, cerca de R$20 milhões, e isso vai ajudar no estudo dos impactos --que é muito mais você saber como um setor de energia elétrica, por exemplo, vai ser afetado pela diminuição das chuvas. Temos que trazer para a Ciência os outros setores.
(04:08:19) Carlos Nobre: Todos os países desenvolvidos gastam grande parte de seu PIB com investimentos em tecnologia. O Brasil sabe disso, mas não sabemos utilizar bem o dinheiro público.
(03:47:55) Emoo: Boa tarde prof. Carlos, eu moro em Toronto e as pessoas daqui dizem que antigamente as tempestades eram mais constantes. Gostaria de perguntar qual sera a regiao no planeta em que as mudancas climaticas serao mais nitidas
(04:10:19) Carlos Nobre: Emo, onde elas aparecem com total clareza são nas regiões mais frias, como acontece um pouco mais ao norte de Toronto, em regiões polares que se passava o ano todo coberto de gelo, com muito frio, já não há mais gelo durante todo o ano. Lá vemos essas mudanças quase a olhos vistos. No Canadá, a estação da primavera chega antes --nisso a agricultura é favorecida (mas só se for até 2º), mas também cresceu o número de pessoas com alergia a pólen.
(04:02:13) Estudante: Prof. Carlos, boa tarde, Sou estudante de Gestão Ambiental e nas aulas aprendi que a terra passa sempre por um periodo de aquecimento natural, o Sr não acha que o aquecimento Global deveria ser visto de uma maneira mais sensata, antes de sairmos por ai dizendo que por causa dele o planeta pode se extinguir?
(04:13:13) Carlos Nobre: Estudante, em primeiro lugar, ninguém está falando que o planeta Terra pode se extinguir. Um dado muito importante é que dificilmente as plantas conseguem fazer fotossíntese quando a temperatura das folhas ultrapassa os 45º -- o que é muito alto. Vamos supor que, daqui a muitos anos, a temperatura média do planeta passe dos 35º, assim, conseqüentemente, muitas regiões chegariam aos 45º e impediriam a produção, não haveria comida. Mas para isso levaria muito, muito tempo. Precisamos tomar um certo cuidado. Sim, é natural esse aquecimento do planeta que você diz. O problema é que estamos fazendo o planeta sair fora da faixa que a natureza escolheu para operar nosso planeta.
(04:08:37) Iver: O Brasil já tem medidas preventivas para o aquecimento global?
(04:20:24) Carlos Nobre: Iver, o Brasil se preocupou muito em ajudar na redução de emissões. Nos últimos dois anos, o desmatamento já diminuiu consideravelmente. A ministra Marina Silva está pessoalmente preocupada, por ser da região amazônica. Mas, o país ainda está atrasado nas adaptações aos efeitos que irão surtir. O governo acaba de divulgar um plano, mas é só um plano. Essas adaptações que devem ser pensadas são, por exemplo, com relação ao aumento no nível do mar, com pessoas que moram em áreas costeiras, porque precisamos reordenar o espaço litorâneo. Outro ponto é nossa agricultura que hoje é muito suscetível às variações climáticas, temos que desenvolver espécies resistentes. Temos que começar hoje a desenhar esse novo perfil agrícola. A cana-de-açúcar hoje é o combustível mais renovável que existe. A emissão de gás carbônico da queima da cana é na proporção de 1/8 em relação à gasolina. Mas, ainda com relação à cana-de-açúcar, há alguns lados preocupantes: as queimadas para preparar as colheitas, o que aumenta a eficiência --esse é um problema de saúde pública, tanto para os bóias-frias, quanto para a população da região onde ela acontece--, e a questão social, já que a tecnologia permite a colheita feita somente com maquinários, mas os bóias-frias continuam sendo empregados por uma questão social.
(04:21:22) Carlos Nobre: Os bóias-frias são remanescentes da escravidão e do início do período industrial, onde se ganhava por produtividade, isso no fim do século XIX.
(04:10:30) Jennifer: Existe algum projeto de Lei, que Obrigam as empresas como por exemplo Fabrica a diminuir os poluentes emitidos no Ar?
(04:23:44) Carlos Nobre: Jennifer, olha, hoje se começa cada vez mais a ter uma descrição mais genérica de poluentes. Tradicionalmente poluentes causam dano à saúde humana. Os gases não entram nessa categoria, mas em breve entrarão. A situação já melhorou muito na poluição em São Paulo, por exemplo, em relação à década de 70. A tecnologia dos automóveis e das indústrias permitem uma poluição menor. Mas ainda não há legislação com relação aos gases de efeito estufa.
(04:18:28) Pedro: Caro Carlos, muito se fala sobre o desmatamento da amazonia e seus efeitos no clima. E outros ecossistemas como o Cerrado, Caatinga, que tem sofrido taxas de desmatamentos muito maiores, nao teriam tb um papel na emissao de gases?
(04:27:03) Carlos Nobre: Pedro, sem dúvida. Em 2006 houve uma enorme redução do desmatamento da Amazônia (13 mil km2/ano), mas o desmatamento do Cerrado brasileiro aumentou muito (23 mil km2/ano). Esse desmatamento tem um efeito ecológico gigante. Mas na floresta amazônica tem muito mais carbono em sua biomassa do que no cerrado e mais ainda do que na caatinga. Nesse sentido a floresta é mais importante, mesmo que como ecossistemas os três sejam igualmente importantes.
(04:28:49) Carlos Nobre: No fim da estação chuvosa, quem quer desmatar vai e corta e deixa ali secando durante toda a estação seca (3-4 meses) e só depois bota fogo. Esse primeiro fogo queima 30-40% da biomassa. Em 10 ou 12 anos aquilo que restou ali vai decompondo naturalmente. Nesse processo de decomposição vira também gás carbônico e volta para a atmosfera, gerando o efeito estufa.
(04:22:07) Paulo Jundiaí: Aquecimento global está na moda (Leonardo di Caprio, Al Gore), eu não consigo pensar de uma maneira global...O que posso fazer em minha casa, em meu bairro e em minha cidade?
(04:32:19) Carlos Nobre: Paulo Jundiaí, acho que no futuro quando esse assunto adquirir mais seriedade, vai ser desenvolvido um aparelhinho medidor de emissão de gás na sua casa. O que não é difícil de fazer. Cada pessoa, de certo modo, pode contribuir. Por exemplo, quem viaja de avião, pode otimizar suas viagems e assim reduzir a emissão. Outra coisa, ter um carro de combustível renovável. Em países onde há muitas usinas termoelétricas, reduzir o consumo de energia é essencial. Se você puder reflorestar um pequeno terreno, você vai ajudar, porque a arvore diminui a temperatura local, diminui o risco de enchentes, melhora a qualidade do ar, e é uma ação que todos podemos tomar. É uma medida muito prática.
(04:23:57) Adriana/UOL:
Carlos Nobre ao vivo no Bate-papo UOL (Crédito: Manoela Pereira)
(04:34:11) Carlos Nobre: A reciclagem, além de gerar empregos, é fundamental porque a quantidade de energia utilizada na reciclagem é muito menor do que no processo original de produção. A sociedade do futuro vai reciclar absolutamente tudo. A casa do futuro pode usar materiais e formas que reduzam em 3/4 a necessidade de ar-condicionado. Se a pessoa quer contribuir, precisa pensar nessa questão.
(04:35:10) Carlos Nobre: O disperdício é uma característica do "homu-modernus-industrialis". A mídia e a publicidade criaram a mítica de que viver bem é consumir energia.
(04:29:42) CARLO: Hidrelétricas tem alguma parcela de culpa no aquecimento global?
(04:36:49) Carlos Nobre: Carlo, têm, mas menos do que as termoelétricas. Quando se enche o lago de uma hidrelétrica se gera o gás metano, que é muito mais poluente que o gás carbônico. Isso ainda é muito contestado, pois quando as hidrelétricas se instalaram na região da mata atlântica, toda a região já havia sido desmatada. Mas é inegável o impacto na criação de lagos na região amazônica, por exemplo.
(04:30:13) Amazonense: Professor, o aquecimento global pode afetar o regime de reprodução de peixes na Amazônia?
(04:38:14) Carlos Nobre: Amazonense, o Impa tem feito alguns estudos de laboratório que mostram que com o aumento de 2º no Rio Negro já compromete a reprodução dos peixes, por isso que eu dei aquele número de que com o aumento de 2,5º o risco de extinção é de 30% de todas as espécies vivas do mundo, com certeza esses peixes entram nessa estatística.
(04:37:30) Adriana/UOL:
Carlos Nobre e Marcelo Tas ao vivo no Bate-papo UOL (Crédito: Manoela Pereira)
(04:39:25) Carlos Nobre: O instituto tem um site que a maneira mais fácil de entrar: www.cptec.inpe.br e procurar pelo ícone de mudanças climáticas e você vai ter acesso a vários estudos sobre esse assunto.
(04:39:59) Carlos Nobre: Obrigado pela oportunidade.
(04:40:10) Adriana/UOL: O Bate-papo UOL agradece a presença de Carlos Nobre e de todos os internautas. Até o próximo!
MULHERES DE "NOVA HORIZONTE" LUTAM E CONSEGUEM CISTERNAS!!!
Nadia Stabile - 28/02/09
Municípios em 13/11/2007
"Construção de cisternas beneficia comunidades
do município de Ocara"
Duzentas e duas famílias do município de Ocara serão beneficiadas com a construção de cisternas. A ação será realizada pela Prefeitura Municipal em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e atenderá os distritos de Novo Horizonte (comunidade de Lagoa Nova/Borges), Curupira (Sítio Trinta e Sete, Lagoa Comprida e Lagoa do Choro) e Serragem (Lagoinha, Baixa Grande, Baixa do Miguel, Giral, Lagoa Nova dos Firminos).
O objetivo da construção das cisternas é atender as famílias de baixa renda com dificuldade de acesso água, assim melhorando as condições de vida e evitando as longas caminhadas em busca de água para beber. De acordo com Zulene Maia, Secretaria da Ação Social do município, a seleção das famílias que serão beneficiadas com as cisternas utilizará os mesmos critérios de elegibilidade adotados pelo Programa Bolsa Família. Ela lembra ainda que além dessa primeira avaliação, outros fatores serão priorizados como: famílias chefiadas por mulheres, maior número de crianças de 0 a 6 anos e em idade escolar, entre outros.
As cisternas armazenam água durante os meses chuvosos, garantindo 16 mil litros durante o período de seca das cidades pertencentes ao semi-árido. Os tanques são instalados próximos às casas e são suficientes para abastecer uma família com oito integrantes, contribuindo para a melhoria na qualidade de vida da família durante oito meses.
Mais informações: Secretaria da Ação Social (85) 3322 1029
http://www.avol.com.br/materia.php?id=19883.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
O QUE É NATURISMO? DA WIKIPÉDIA
Etimologia da palavra
A palavra naturismo provêm do francês naturisme, que é a doutrina filosófica que se baseia num modo de vida em harmonia com a natureza, caracterizado pela prática do nudismo em grupo, que tem por intenção favorecer o auto-respeito, o respeito pelo outro e o cuidado com o meio ambiente.
História
Difundido a partir do período de entreguerras em alguns países da Europa, especialmente Alemanha e Países Baixos, o naturismo chegou ao Brasil e se notabilizou pela sua prática mais marcante: o nudismo. Em Portugal foram oficializadas algumas praias para a prática do nudismo no entanto, esta prática acontece de forma livre em muitas outras praias do país de forma mais ou menos generalizada e aceite, em particular em zonas mais afastadas dos restantes banhistas.
No paraíso
Segundo o relato do Gênesis, “tanto o homem como a mulher estavam nus e não se envergonhavam.” (Gên 2, 25). Mas, logo a seguir, não resistiram à tentação e pecaram. “Abriram-se então os olhos de ambos e reconheceram que estavam nus; coseram folhas de figueira e fizeram cinturões para si.” (Gên 3,7). A iconografia ocidental encarregou-se de ilustrar o contraste entre antes e depois da queda. Antes, Adão e Eva, no esplendor da beleza, viviam nus no paraíso. Depois, constrangidos, procuram ocultar os órgãos genitais. Na interpretação da exegese, oficializada pela Igreja, isso ocorreu devido ao despertar da concupiscência, primeira manifestação da desordem que o pecado introduziu na harmonia da criação.[carece de fontes?]
Idade Antiga
Do século II até o final do IV, os romanos, sem excluir os cristãos[carece de fontes?], banhavam-se comunalmente nus em banhos públicos, com homens e mulheres banhando-se juntos. Na Grécia antiga era comum a prática de esportes ocorrer sem nenhuma peça de roupa. Algum do sentido de pudor que hoje vemos disseminado na sociedade moderna foi essencialmente legado que as religiões nos deixaram ao longo dos tempos.
Tempos modernos
O naturismo moderno surgiu no início do século 20, na Alemanha e França. Na França (especificamente na Ilha do Levante) foi criada pelos irmãos Duvalier uma "Clínica Helioterapêutica" onde se pregava que a nudez ao ar livre com alimentação natural (sem nenhum produto animal, drogas, cigarros e bebidas) e contato com outras pessoas ajudava na cura de todos os males físicos. Na Alemanha, que é tida como verdadeiramente a iniciadora do naturismo, um professor de educação física (Adolf Koch) propôs aos seus alunos que estes deveriam fazer os exercícios ao ar livre e sem roupas. Depois de algum tempo, os jovens deste professor passaram a serem mais corados, ter mais saúde e alegria, as famílias dos mesmos vendo as mudanças inclusive comportamentais dos mesmos resolveram aderir aos exercícios e criaram o que a princípio foi chamado de nudismo[carece de fontes?]. (a alteração de nome só foi feita na década de 50). No ano de 1906, surge nesse mesmo país o primeiro campo oficial para a prática do naturismo. Nessa época, alem dos exercícios ao ar livre em completa nudez, havia também uma grande preocupação com a alimentação, que deveria ser saudável, geralmente baseada no vegetarianismo.
Após a segunda guerra mundial, o naturismo começou a se difundir, não só na Europa, mas também nos Estados Unidos. Hoje são poucos os países que ainda não possuem adeptos do movimento.
Em 1974 a Federação Internacional de Naturismo (INF) definiu os princípios naturistas, que é a definição atual de Naturismo adotada por todas as entidades naturistas do mundo:
“Um modo de vida em harmonia com a natureza, caracterizado pela prática do nudismo em grupo, que tem por intenção favorecer o auto-respeito, o respeito pelo outro e o cuidado com o meio ambiente.”
"Qual a relação entre nudez coletiva e desenvolvimento do indivíduo?".
A resposta dos naturistas está no conceito de "aceitação do corpo", ou seja, na descoberta de que o corpo humano é um todo não havendo partes honrosas e partes indecorosas. Os naturistas, ao conviverem com a nudez do próximo não são chocados nem agredidos pelo corpo e sentem que o respeito é possível mesmo sem artifícios. Entrando em contato com a própria essência e deixando para trás o que é acessório. Para os naturistas somos todos iguais, apesar das diferenças.
Ética naturista
Embora os princípios da ética naturista sejam praticamente universais existem diferenças, a nível de cada país, nas regras definidas pelas Federações nacionais.(...)
LEIA MAIS EM :
FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/Naturismo
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
A NUDEZ PARA AS ETNIAS INDÍGENAS -BRASIL
O corpo é um dos meios que definem a nossa individualidade social e étnica. Por isso, o corpo através de vestimentas, adornos, tatuagens, comunicam mensagens, falam.
Os índios encontrados pelos portugueses à luz do descobrimento estavam nus. Este nativo brasileiro, no seu estado de pureza, desconhecia o pudor, tomada esta palavra na pura acepção adotada pelo homem branco.
Precisando viver identificado com a selva, sente que o estado de nudez o tornava mais saudável, evidentemente mais forte, apto para subsistir e vencer os obstáculos naturais. A ausência de vestes, emprestava ao indígena a grande fortaleza física que o acompanhava sempre. O corpo nu, recebe melhor a ação dos raios solares e deles absorvem elementos que se considera essenciais a vida.
Vivendo sempre nus, os índios brasileiros, quando acontecia de usarem tangas, coberturas, seja entre a região do peito ou do joelhos, seja da cintura as coxas ou ainda, no espaço pubiano, o que se verificava, particularmente, entre as mulheres, o faziam por imitação direta ou das tribos que já se vestiam por terem convivido com o branco. Mas, não era o pudor instintivo que os obrigava e vestirem-se.
Algumas tribos cujas mulheres adquiriram o hábito de vestir-se, parcialmente ou por inteiro, o faziam por pura vaidade, como as índias "caudieu", da tribo "guaicurú-caudieu", que se habituaram a enrolar parte do corpo com faixas de algodão, comprimindo os seios como se vestissem uma túnica.
Dos tupiniquins, os primeiros índios avistados pelas naus de Cabral, ficou a descrição de Caminha:" A feição deles é serem pardos, um tanto avermelhados, de bom rosto e bons narizes, bem feitos. Andavam nus, sem cobertura alguma. Nem faziam caso de encobrir suas vergonhas do que mostrar a cara". Jean de Lery, pouco depois, escreveria sobre os tupinambás e goitacás:"Tanto os homens como as mulheres se apresentavam nus como quando saíram do ventre materno".
O homem e a mulher indígena, viviam nus na sã exibição da forma em que foram moldados, sem que o estado de nudez provocassem neles sentimentos impuros. A força de atração que a índia exercia sobre o índio, naquela época, não dependia da quantidade de panos que lhe podiam ocultar o corpo.
Embora andassem nus, os índios pintavam seus corpos, que funcionavam como um verdadeiro código social, pois cada uma delas indicava uma situação ou estado de espírito: guerra, nascimento de filhos, luto, ritos etc. Para todo aquele que conhecia tais códigos, eles diziam mais do que qualquer outra vestimenta. Igualmente, facilitava a comunicação entre tribos que não falavam a mesma língua.
Em alguns costumes indígenas, os cintos, colares, penas, tangas e outros acessórios que o índio usava, agiam como elemento de sedução, de atração, nada a ver com pudor, propriamente dito, qualquer que seja a região anatômica sobre que esses enfeites repousem. Quando o índio encobria a glande ou todo o órgão de reprodução, ele estava se enfeitando para melhor despertar o curiosidade, o desejo da companheira. A mulher, igualmente, desde que não obedeça a imposições rituais, cobre-se para se fazer desejada. No âmbito da sedução e do domínio do corpo, este nexo social também era evidente nas pinturas usadas pelos jovens indígenas em seus bailes noturnos de caráter orgiástico e lúdico.
Em relação as práticas bélicas o corpo apontava diversos objetivos. Assim, os guerreiros escarificavam o peito, os braços e as pernas para transmitir atributos de animais cujos os ossos eram usados como escarificadores. Entre estes se preferia a de avestruz, por sua força e velocidade. A escarificação, portanto, implicava na apropriação das características dos animais, potencializando a capacidade bélica. O corpo se constitui deste modo, um veículo de transformação de poderes e for'ças naturais em humanas.
A guerra envolvia também a prática do "scalp" (corte do couro cabeludo) e a apropriação de crânios. Os couros cabeludos eram guardados como troféus pelo guerreiro, que demonstravam seu valor e habilidade. Da cabeça só se conservava a calota, que era usada para beber em cerimônias religiosos. Estas ações permitiam que o guerreiro incorporasse o poder do oponente, neutralizando a possibilidade de vingança do morto.
Do exposto se deduz, que o corpo pode ser, mesmo nu, radicalmente transformado e conecta o indivíduo não só com outros humanos, mas também com seres míticos, convertendo-se em receptáculo de poder.
Na nudez o índio exprimia a castidade sem malícia, da qual se afastaria, gradualmente, na convivência com o homem branco. Pois, sabe-se que o pudor não é instinto, vem de fora para dentro e, é coisa adquirida, ensinada, aprendida. Já dizia um velho sábio, que nascemos puros e originais, mas morremos cópias do meio-ambiente e de nosso aprendizado. O nu será sempre moral e nós é o que desvirtuamos emprestando sentimentos impuros à obra da natureza. Em nossa civilização seria um absurdo combater o uso de roupas, até porque seria um atentado ao pudor, punido criminalmente, mas para os índios daquela época era um erro forçá-los a adotá-la. A crônica e relato de etnólogos contam episódios de índios e índias que, afastados da aldeia e seduzidos pela vida da cidade, nela cresceram e educaram-se, adotando o uso de vestes, até que a saudade ou o destino os devolvia novamente, no limiar da selva. Neste dia, em que a sedução e a voz da Grande Mãe Terra se fazia ouvir mais forte, abandonavam os atrativos da civilização. Então, arrancavam toda a indumentária representativa do pudor, dela se despedindo sem saudades, pois para retornar ao seio da natureza, o índio deveria se apresentar no esplendor da nudez que nela viveu. Antes de possuí-la novamente, o índio faz o ato de renúncia e regressa à amplidão da selva nu como dela partiu.
Hoje os índios usam roupas, possuem carros, portam celulares e falam fluentemente português. Perfeitamente adaptados a vida urbana são universitários, professores, jogadores de futebol entre tantas outras profissões. Mas o que é mais importante: continuam sendo índios, não perderam sua individualidade. Mesmo utilizando toda a tecnologia moderna e não vivendo mais em selvas, não deixaram de ser o que verdadeiramente são: bravos guerreiros índios, que buscam o resgate de sua própria identidade. Ao restante da sociedade, cabe o discernimento de reconhecer nos povos indígenas atuais, não como remanescentes de um valoroso passado, mas sim como um povo merecedor de nossa admiração e respeito.
A sua luta, é nossa luta, somos todos filhos da mesma terra, portanto, empunhamos a mesma bandeira, assim como nossos corações-irmãos pulsam uníssonos.
Texto pesquisado e desenvolvido por
Rosane Volpatto
FONTE : http://www.rosanevolpatto.trd.br/lendalinguagemdocorpo.html
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
"O POVO BRASILEIRO" - DARCY RIBEIRO (livro) -"ANTES QUE A HUMANIDADE ACABE" DESCUBRA O BRASIL!! ((MULTIMANIFESTO)
Brasileiros... Um povo novo? Que tipo de povo somos nós ? A verdade é que muito já se escreveu sobre isso. E, no entanto, continuamos a fazer as mesmas perguntas... O Povo Brasileiro: vamos ver o que este livro conta.
"Meu livro mostra por que caminhos e como nós viemos, criando aquilo que eu chamo de Nova Roma. Roma com boa justificação... Roma por quê? A grande presença no futuro da romanidade, dos neolatinos é a nossa presença. Isso é o Brasil, uma Roma melhor porque mestiça, lavada em sangue negro, em sangue índio, sofrida e tropical. Com as vantagens imensas de um mundo enorme que não tem inverno e onde tudo é verde e lindo, e a vida é muito mais bela... E é uma gente que acompanha esse ambiente com uma alegria de viver que não se vê em outra parte. Esse país tropical, mestiço, orgulhoso de sua mestiçagem... Isso é que me levou muito tempo. Entender como isso se fez... Havia muita bibliografia sobre aspectos particulares, mas não uma visão de conjunto. Deixa eu contar pra vocês como é que isso se fez? " DARCY RIBEIRO
"Os iberos se lançaram à aventura no além-mar... desembarcavam sempre desabusados, atentos aos mundos novos, querendo fruí-los, recriá-los, convertê-los e mesclar-se racialmente com eles... " DARCY RIBEIRO
O Povo Brasileiro
"No Brasil a mestiçagem sempre se fez com muita alegria, e se fez desde o primeiro dia... Eu prometi contar como. Imagine a seguinte situação: uns mil índios colocados na praia e chamando outros: "venham ver, venham ver, tem um trem nunca visto"... E achavam que viam barcas de Deus, aqueles navios enormes com as velas enfurnadas... "O que é aquilo que vem?" Eles olhavam, encantados com aqueles barcos de Deus, do Deus Maíra chegando pelo mar grosso. Quando chegaram mais perto, se horrorizaram. Deus mandou pra cá seus demônios, só pode ser. Que gente! Que coisa feia! Porque nunca tinham visto gente barbada – os portugueses todos barbados, todos feridentos de escorbuto, fétidos, meses sem banho no mar... Mas os portugueses e outros europeus feiosos assim traziam uma coisa encantadora: traziam faquinhas, facões, machados, espelhos, miçangas, mas sobretudo ferramentas. Para o índio passou a ser indispensável ter uma ferramenta. Se uma tribo tinha uma ferramenta, a tribo do lado fazia uma guerra pra tomá-la." DARCY RIBEIRO
Ao longo da costa brasileira se defrontaram duas visões de mundo completamente opostas: a selvageria e a civilização. Concepções diferentes de mundo, da vida, da morte, do amor, se chocaram cruamente. Aos olhos dos europeus os indígenas pareciam belos seres inocentes, que não tinham noção do "pecado". Mas com um grande defeito: eram "vadios", não produziam nada que pudesse ter valor comercial. Serviam apenas para ser vendidos como escravos. Com a descoberta de que as matas estavam cheias de pau-brasil, o interesse mudou... Era preciso mão-de-obra para retirar a madeira.
" Onde tinha algum europeu instalado na costa em contato com as naus, e portanto capaz de fornecer mercadoria, cada aldeia, e eram milhares de aldeias, levava uma moça pra casar com ele. Se ele transasse com a moça, então ele se tornava cunhado. Ele passou a ter sogro, sogra, genros... ele passou a ser parente. Então o sabido do português, do europeu, conseguia desse modo pôr milhares de índios a serviço dele, pra derrubar pau-brasil..." DARCY RIBEIRO (...)
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Karl Marx,Shakespeare ,o exílio,as paixões e o romantismo -
Assim, durante seu exílio em Londres, quando costumava levar a família a piqueniques dominicais em Hampstead Heath, Marx desenvolveu o hábito de declamar cenas de Shakespeare, Dante e Goethe para Jenny e as meninas. Em 1856, escreveria a Engels, contando cheio de orgulho paterno que elas “liam constantemente” a obra do grande dramaturgo. Suas únicas incursões na cultura inglesa foram saídas ocasionais para assistir à montagens shakespeareanas e duas de suas três filhas sonharam tornar-se atrizes, sendo que uma conseguiu.
Como Marx fugia ao perfil de intelectual de sua época e buscava colocar em prática suas idéias, a concepção que tinha do amor, também estava inevitavelmente ligada à sua relação amorosa com Jenny. Assim, numa carta escrita à esposa treze anos depois do casamento, ainda é possível identificar a grande paixão que os unia:
”(...) Eis que assomas diante de mim, grande como a vida, e eu te ergo nos braços e te beijo dos pés à cabeça, e me prostro de joelhos diante de ti e exclamo: ‘Senhora, eu te amo’. E amo mesmo, com um amor maior do que jamais sentiu o Mouro de Veneza[28]. (...) Qual de meus muitos caluniadores e inimigos de língua viperina censurou-me, algum dia, por ser chamado a representar o principal papel romântico num teatro de segunda classe? E, no entanto, é verdade. Se os patifes tivessem alguma inteligência, teriam retratado ‘as relações produtivas e sociais’ de um lado e do outro, eu a teus pés. E embaixo escreveriam: ‘Olhem para esta imagem e para aquela (...)” [29]
Na carta pode-se ainda, perceber que também esta paixão de Marx era atravessada por Shakespeare, já que a última frase fora extraída de Hamlet. Por outro lado, a mesma também revela que a paixão de um homem por uma mulher podia, contraditoriamente, ser lida como indício de fraqueza perante outros homens, convertendo-se assim, num trunfo para os inimigos. Contudo, apesar de reconhecer que tal percepção acerca da paixão era corrente em sua época, a despeito do florescimento do romantismo, Marx não abriu mão de vive-la. Desta forma afirmou nos “Manuscritos de Paris”; “(...) O domínio da essência objetiva em mim, o irrompimento sensível de minha atividade essencial é a paixão (...)” [30]
Muito embora estivessem apaixonados, a vida de Marx e Jenny juntos foi marcada por muitas dificuldades; perseguições políticas que os obrigaram a mudar-se da França para a Bélgica, regressarem a Alemanha e terminarem seus dias na Inglaterra; problemas financeiros, oriundos da impossibilidade de Marx conseguir uma renda fixa, do medo que tinha da proletarização da família através do ingresso das mulheres – mãe e filhas – no mercado de trabalho e da extrema capacidade de endividamento que tinham. (...)
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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
EM 1999 COLÓQUIO CELEBROU OS 50 ANOS DE "O SEGUNDO SEXO" LIVRO DE SIMONE DE BEAUVOIR
(publicado em 23/01/1999)
MARIANA SGARIONI
De Paris
Começou na última terça-feira, em Paris, um colóquio internacional para celebrar os 50 anos do livro "O Segundo Sexo", obra da romancista e ensaísta francesa Simone de Beauvoir sobre a condição das mulheres na sociedade. O trabalho provocou polêmica quando foi lançado, em 1949.
O colóquio, que deve reunir até hoje cerca de 130 intelectuais e estudantes de todo o mundo, é organizado pela socióloga Christine Delphy e pela historiadora Sylvie Chaperon, especialista no conjunto da obra da ensaísta francesa.
"O Segundo Sexo" foi uma das principais bases para o feminismo contemporâneo, movimento do qual Beauvoir participou intensamente. A frase "Nós não nascemos mulher, e sim nos tornamos mulher" inspirou as gerações de mulheres que lutaram pela igualdade com os homens nos anos 70.
"Beauvoir ousou descrever sem eufemismo a sexualidade das mulheres. Ela falava em clitóris, vagina, menstruação e prazer feminino em plenos anos pós-Guerra", disse a historiadora Michelle Perrot ao jornal francês "Libération".
O ensaio, que mostrava de maneira filosófica a opressão das mulheres pelos homens partindo da sexualidade, acabou acarretando uma curiosa união: direita e esquerda francesa se aliaram para tentar demolir a obra.
Considerado por alguns um texto revolucionário e a bíblia do feminismo e, para outros, um livro abominável e degradante, não há dúvidas de que, até hoje, muitas mulheres tomam "O Segundo Sexo" como referência.
Simone de Beauvoir morreu em 1986 e tinha acabado de completar 40 anos de idade quando lançou o ensaio. Ela já tinha escrito dois outros romances de destaque: "O Convidado" (1943) e "O Sangue dos Outros" (1945).
A ensaísta foi companheira de Jean-Paul Sartre desde 1929 e suas obras expressam a filosofia existencialista que os dois partilhavam. Sua união com o intelectual fazia dela um personagem que despertava ou admiração, ou violentos ataques.
http://biblioteca.folha.com.br/1/23/1999012301.html.








