Mostrando postagens com marcador MODOLINKAR. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador MODOLINKAR. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 30 de junho de 2009

HONDURAS: A PRIORIDADE É ESMAGARMOS O OVO DA SERPENTE! - CELSO LUNGARETTI (clique aqui)
















Bombardeio do Palácio do Governo, 1973: o caminho
dos golpes de estado leva aos pinochetazzos


Quando eu refletia sobre como posicionar-me diante do imbroglio hondurenho, o e-mail recebido do inestimável companheiro Ismar de Souza indicou-me o caminho correto:

"Mesmo sem ter presenciado, veio-me à memória como deve ter sido o golpe contra Goulart em 1964. Os países da América Latina devem reagir rapidamente, senão a espiral golpista pode voltar com força total em republiquetas menores, depois em países maiores como a Venezuela e Bolívia".

Concordo: é mesmo um precedente perigosíssimo, daí a necessidade de abortarmos imediatamente o golpe de estado. Trata-se da prioridade nº 1, neste momento.

Quando me posicionei com tanta ênfase contra a proposta de emenda constitucional para facultar-se nova reeleição ao presidente Lula, foi exatamente por temer um desdobramento desse tipo.

O presidente em exercício tem um poder de fogo muito grande para conseguir apoios e maiorias. Se o utilizar para perpetuar-se no poder, tem grande chance de obter êxito. Daí ser inaceitável, numa democracia, que ele manobre para a convocação de constituintes ou realização de plebiscitos no sentido de que sejam alteradas as regras do jogo em seu benefício. Mudanças que entrarão em vigência no mandato seguinte, tudo bem. Mudanças em causa própria, nunca!

Pior: a rua é sempre de duas mãos. Quem apóia a presidência eterna do Chávez será um cínico se negar idêntico direito a Uribe. O que serve para a esquerda, acaba servindo também para a direita.

ESQUERDA x MAQUIAVELISMO - Mas - objetarão alguns companheiros -, o que importam as regrinhas democráticas para quem quer tocar adiante uma revolução?

Aí a discussão é longa. Mas, eu permaneço fiel a um valor da minha geração: não se fazem revoluções com subterfúgios.

O PCB sempre acreditou em conquistar, pela via democrática, posições-chave do governo (quiçá a própria Presidência da República) e depois utilizá-las como catapulta para o poder.

Foi a postura que levou ao terrível fracasso de 1964. E que gerou uma nova esquerda, em 1968, disposta a perseguir abertamente seus objetivos, proclamando-os em alto e bom som, sem tentar esconder a que vinha.

Utilizarem-se as franquias democráticas para conquistar o governo e depois tentar burlá-las para alcançar o poder é puro maquiavelismo. Nada tem a ver com o marxismo, muito menos com o anarquismo.

Outro valor fundamental para a minha geração: revoluções são feitas pelo povo e com o povo. Acontecem quando o povo está pronto para elas. Não tomando-se o poder para depois tentar-se engajar o povo, pois este tem de ser sempre o sujeito da revolução, nunca o objeto.

Quem passa por cima disto, mesmo com boas intenções, acaba vendo o povo reduzido à condição de coadjuvante também durante o regime dito revolucionário. Daí o alerta profético de Trotsky: primeiro, o partido substitui o proletariado; depois, o Comitê Central substitui o partido; finalmente, um ditador substitui o Comitê Central.

Mais: revoluções são obra coletiva, não dependem desesperadamente de líder nenhum.

Se o preço das forçações de barra continuístas é dar ensejo a golpes de estado direitistas, então um presidente de esquerda tem mais é de tentar fazer seu sucessor, como o Lula no caso da Dilma.

Se tem mesmo prestígio junto às massas, elegerá um discípulo fiel e não concederá, de mão beijada, um trunfo à direita golpista. Se não tem, que se resigne a deixar o governo no final do mandato. É simples assim.

NO FIM DA LINHA, OS PINOCHETAZZOS - As trapalhadas do presidente hondurenho Manuel Zelaya permitiram que o golpe dado contra ele parecesse justificável. Afinal, pouparam-lhe a vida, boa parte de seu próprio partido o traiu, o Congresso avalizou a deposição e o substituto é um civil, o presidente do Legislativo, que promete marcar novas eleições para breve.

Eis um enorme perigo: começa-se por um golpe brando e se acaba em pinochetazzos. O ovo da serpente tem de ser esmagado antes de eclodir.

Mas, não por uma intervenção militar de um único país (como a Venezuela), o que geraria uma reação em cadeia, de consequências imprevisíveis. E sim por meio de uma articulação continental.

Mesmo porque a ninguém deve ser concedido o papel de polícia da América Latina. Se tanto combatemos a atuação dos EUA neste sentido, não foi para que as tropas de Chávez tomassem o lugar dos marines.

E que, uma vez afastado o perigo imediato, este episódio sirva como advertência. É hora de dissociarmos, de uma vez por todas, nossas revoluções de tudo que seja -- ou pareça -- o velho caudilhismo latino-americano.

FONTE:http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/2009/06/honduras-prioridade-e-esmagarmos-o-ovo.html

sábado, 6 de junho de 2009

TÚNEL DO TEMPO: TROPAS OCUPAM A USP, COMO NA DITADURA


Celso Lungaretti (*)

Termine como terminar a nova ocupação policial da Universidade de São Paulo, o grande perdedor, claro, é o governador José Serra, que começou sua trajetória política como presidente da União Nacional dos Estudantes e agora repete as práticas autoritárias do ministro da Educação da ditadura, Jarbas Passarinho.

Faz lembrar a propaganda contra armas que eu via nos ônibus quando criança: “hoje mocinho, amanhã bandido”.

Depois que o estado de direito foi restabelecido no Brasil, a atitude de tratar movimentos reivindicatórios e sociais como casos de polícia parecia estar destinada à lata de lixo da História, como parte da herança maldita do regime militar.

Foi estarrecedora a postura de Serra, ao permitir que as tropas ocupassem várias unidades de uma instituição universitária, como resposta a uma simples greve de funcionários!

Quanto à reitora, é a pessoal errada no lugar errado. Clama aos céus que não tem a mínima idéia do que seja um templo do saber e da decisão nefasta que tomou ao, com o aval de Serra, chamar a polícia para o campus.

Veio-me à lembrança a frase imortal de D. Paulo Evaristo Arns, diante da invasão da Pontifícia Universidade Católica pela PM: "'Na PUC só se entra prestando exame vestibular".

O resultado não se fez por esperar: agora os professores e os alunos também estão em greve, reagindo à truculência e à intimidação.

Serra é mais uma personalidade empenhada em incinerar seu currículo, talvez até como forma de se tornar palatável para os inimigos de ontem. Quer mostrar serviço para a direita, convencendo-a de que é capaz de servi-la fielmente, aplicando força desnecessária e criminalizando os movimentos dos quais outrora participou.

Vendeu a alma na esperança de chegar à Presidência da República. Tomara que nem essa contrapartida obtenha!

Talvez Serra até venha a seguir a exortação atribuída ao jornalista José Nêumanne Pinto, de que a polícia deveria mesmo é mandar bala nos baderneiros.

Se foi isso mesmo o que Nêumanne disse num telejornal matutino do SBT, é melhor ele abandonar de vez a profissão de jornalista, pois terá se tornado um estranho no ninho. Aliás, quem fala algo assim apartou-se da própria civilização.

Registro, finalmente, minha total e irrestrita solidariedade aos bravos professores, estudantes e funcionários da USP, que neste momento estão na linha de frente da resistência da sociedade brasileira às forças obscurantistas empenhadas em, pouco a pouco, irem reintroduzindo o autoritarismo em nosso cotidiano.

* Jornalista e escritor, mantém os blogues
http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/
http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/

Os Insurgentes - Conversa com Guilherme Correa (Edson Passeti entrevista) - TV PUC-SP - CANAL UNIVERSITÁRIO (4 partes)













quarta-feira, 15 de abril de 2009

BLOG SARAU PARA TODOS (clique nos links)

Abril (120)

POSOLOGIA DAS ÁRVORES - Nadia Stabile
MODOAGIR - (modolinkar com o blog MODOVESTIR)cliqu...
O tempo e o cão: a atualidade das depressões (Lanç...
Darwin Now: não perca a nova exposição temporária,...
MÃOS DADAS - GLÓRIA KREINZ
Mário Pedrosa e o Brasil
Jean Baudrillard,fala sobre o Brasil
O filósofo da contracultura
LYGIA FAGUNDES TELLES , A TORTURA E A DITADURA
O PAPEL DA MÍDIA NA DEMOCRACIA E DURANTE A DITADUR...
VÍDEO : ESTAMIRA (Música de Paco de Lucia)
Kunstbar
VIRA NOTÍCIA - GLÓRIA KREINZ
A poesia de Novalis
JOAQUIM JOSÉ DA SILVA XAVIER
TAPA NA PANTERA - COM MARIA ALICE VERGUEIRO (o dir...
"Fudêncio - Apocalipsio" - o besteirol na animação...
Tudo o que é Sólido Pode Derreter - Nova série da...
Leverage - Série de TV - seria esta uma série anar...
O Mundo de Beakman respiração beakmania telefone 1...
O Mundo de Beakman eletricidade beakmania lâmpada ...
O Mundo de Beakman - Clorofila, beakmania, papeis ...
DARCY RIBEIRO - O Povo Brasileiro - 28 - A Invençã...
Darcy Ribeiro discursa no enterro do genial Glaube...
Darcy Ribeiro - Roda Viva - 1 ª Parte
UMBERTO ECO: O BELO E O FEIO (HISTÓRIA DA BELEZA E...
EXALTAÇÃO A TIRADENTES - JOÃO BOSCO
A Biblioteca de Babel, no ar dia 21 de abril (DO B...
(Extreme) More than Words - Sungha Jung (AMIGA RAQ...
SARAU PARA TODOS E A FOGUEIRA MAIS TRISTE DE MINHA...
Espelho de Carne (Walder Maia do Carmo)
SECURA
Pablo Neruda
Marcelo Leite lança livro com palestra sobre Darwi...
TIRADENTES, O REVOLUCIONÁRIO
"TÊMPERA " - "COMPANHEIRA" - CELSO LUNGARETTI
...e os bois já estão sendo renomeados!
CONVERSAREMOS - GLÓRIA KREINZ
PASSANDO DOS CINQÜENTA - MARINA COLASANTI (AMIGA ...
DESTINO DE POETA - OCTAVIO PAZ
Livro organizado pelos professores Crodowaldo Pava...
José Reis: Ciência, Poesia e Outros Caminhos
CAMINHO - JOSÉ REIS
CONVERSAR - OCTAVIO PAZ
O POEMA PARA OCTAVIO PAZ - "A PALAVRA É O PRÓPRIO ...
FESTA DAS CORES - GLÓRIA KREINZ
Expressão (Walder Maia do Carmo)
MASSA POPULACIONAL
©Jesus Carlos/Imagemlatina - Cotidiano fotográfico...
A PALAVRA...SER CIDADÃO ... FRAGMENTO DO DISCURSO ...
No início era o verbo (ação)
CAMÕES E RECEITAS DE BOLO !!!
Palíndromo ? (da Wikipédia)
A "Escrita Inversa" de Da Vinci
desenho e aquarela no photoshop - Nadia Stabile (c...
desenhos no photoshop - Nadia Stabile - 09/04/09 (...
crise da palavra... SOS!!!
Nada é impossível de mudar - Brecht
HELEN MARTINS (1897-1976) - A ESCULTORA OUTSIDER Q...
Juan Miro - Man...Woman In Front of a Pile of Excr...
CCJ aprova parecer que impede parlamentares de ter...
QUANTO MAIS, MAIS...
Roots - Frida Kahlo (1943)
La Columna Rota - Frida Kahlo
SENDO - GLÓRIA KREINZ
Frida Kahlo - Auto - Retrato
Odilon Redon - O Nascimento de Vênus - (1912)
Eugène Emmanuel Amaury-Duval (1808-1885) O Nascime...
Gustave Moreau - O Nascimento de Vênus - (1826-189...
Alexandre Cabanel - O NASCIMENTO DE VÊNUS - (1863)...
DI CAVALCANTI - Nascimento de Vênus - 1940
SANDRO BOTTICELLI - O NASCIMENTO DE VÊNUS (1483)
William Bouguereau - (1825-1905) O NASCIMENTO DE ...
MEU MUNDO - MARCELO ROQUE
João Batista Vilanova Artigas - Frases
Pisando em ovos - Vulgo Dudu - modolinkar - Blog P...
RITUAL -GLÓRIA KREINZ
DESÍGNIOS DOS CORPOS
SENHORES DO TEMPO
prisão dos meus sonhos (Walder Maia do Carmo)
O ATEU ( Psicografado por Chico Xavier)
O DIA A DIA DE QUEM RESISTIA À DITADURA
BATISMO DE UM POETA
RESCALDO DE UM EPISÓDIO DE GROSSEIRAS MANIPULAÇÕES...
"KATANA"
ROCCO - SLIDE SHOW FEITO PELA AMIGA ANJO CARMIM
JOSÉ GOMES FERREIRA (AMIGA CAMPESINA ENVIA ENCANTA...
Vai-te, Poesia! - JOSÉ GOMES FERREIRA (AMIGA CAMPE...
*Amor é o contrário da morte. Estamos morrendo?
ENTÃO EU ESTOU AQUI ( Luiz Antonio A. Gasparetto)...
rima vazia(Walder Maia do Carmo)
CRIATURA E CRIADOR
A VIDA (Milton Nascimento e Fernando Brant )
LADO OCULTO-JOANA D'ARC MEDEIROS DE AZEVEDO DA MAT...
"SÓ FALTOU A FOLHA DIZER: ELA É COMUNISTA E COME C...
Os Irmãos Karamazov Origem: Wikipédia, a enciclopé...
POR QUE TANTO ESTARDALHAÇO EM TORNO DE UM SEQUESTR...
NAVEGADORES - HOMENAGEM A CRODOWALDO PAVAN
A RESPOSTA DO GOVERNO SERRA AO PROTESTO DIANTE DO ...
O Grito Ressoa - GLÓRIA KREINZ
Canção de alta noite - Cecília Meireles
CECÍLIA MEIRELES - (AMIGA CAMPESINA ENVIA)
"Poema de mim" - Beto Samu
Nem cercas, nem muralhas
“Como dois animais”
Corredeiras
Difícil amor
Poesia Editorial blogueira, inacabada
Ainda sobre e sob mentiras
DOIS PARES DE OLHOS
CLITÓRIS
Cecília Meireles
ABRUPTAMENTE
NATUREZA HUMANA
SOBRE A POESIA E ETC - NADIA STABILE
HOMEM / MULHER
EMBONECADAS
Descoberta científica acobertada durante séculos
A Vida Buscando Destino (Walder Maia do Carmo)
O Que Não Pode Ser (Walder Maia do Carmo)

sexta-feira, 27 de março de 2009

BLOG SARAU PARA TODOS - (clique aqui)

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Educador/a Fazendo Rizoma na Rede

Margarita Victoria Gomez
Profa. Cs. da Educação Univ. Nacional de Rosario, Argentina
Doutoranda - FEUSP
mvgomez@usp.br

Este artigo pretende abrir a reflexão e o debate em relação à instalação do computador e das redes de computadores na prática educativa. A partir da própria vivência da autora revela-se a inquietação originada nos educadores, em geral, pela presença das tecnologias da informação e comunicação. Indica algumas brechas e caminhos abertos para possíveis explorações em rede, sugerindo tarefas e leituras para leitores mais ávidos. Eis a questão: em que rede plugar, onde fazer rizoma(1)?

A informática marca presença na sociedade atual, a ponto de parecer difícil pensar, hoje, uma cultura sem tecnologias da informação e comunicação. Desde o posicionamento de Platão quanto às formas de transmissão oral do conhecimento, produz-se uma divisão ao pensar a tecnologia na sociedade. Um salto tecnológico-cultural semelhante aconteceu quando Galileu utilizou alguns meios científicos para suas descobertas, ou quando apareceu o trem, o microscópio, as tecnologias de guerra e as de controle, e ainda, as estratégias e redes para ocultar informação. O avanço em sofisticação da tecnologia parece ser acompanhado pela desconsideração do fator humano. A máquina, além de ser considerada a depredadora do aspecto humano do homem e da mulher, transformou-se hoje no cotidiano do educador/a em um “monstro de sete cabeças”. O problema é: “ser ou não ser tecnológico”, “ter ou não ter tecnologia”, “estar ou não estar no ciberespaço”, “estar ou não estar na tela”.

O computador, como o telescópio de Galileu ou o microscópio, é o resultado de reiteradas tentativas e insucessos, uma série descontínua de explorações e descobertas. Ameaçador e maravilhoso, o computador marca glórias e misérias deste e do próximo século.

Esta contribuição, elaborada a partir da própria experiência, colocará em relevo algumas questões que incidem fortemente na prática educativa e o novo espaço hipertextual, a partir do qual se começa a pensar a tecnologia na educação. O que me levou a trabalhar sobre esse assunto foi o fascínio que sentia por essas novidades e o fato de observar forte resistência à máquina por parte de alguns/as educadores/as no ambiente educativo. Argumentava-se que era instrumento do imperialismo yankee, de dominação dos militares, que desumanizava as pessoas, que só propiciaria treinamento e capacitação instrumental, que era custoso, além de tantas outras questões. Considerando isto, procurava-se superar a tradicional abordagem binária: técnica e humana. A primeira, porque colocava a tecnologia em relevância superior e com valor positivo e, a segunda porque só incluia na sua abordagem o desafio cultural e examinava as mudanças ocorridas à medida em que se introduzia a tecnologia em detrimento do homem. Polarizadas estas questões, pouca contribuição trarão à educação.

Cabe distinguir que nas décadas de 60 e 70, utilizavam-se máquinas perfuradoras e cartões – sobretudo para as chamadas ciências exatas e que não propiciavam muita reflexão – que se converteram em uma pesada rotina. O único atrativo em nível social nesta tecnologia era a possibilidade de jogar na loto com cartões perfurados que, no melhor dos casos, era o único aproveitamento indireto, por parte da maioria das pessoas. Acreditava-se que o desenvolvimento tecnológico levaria bem-estar às pessoas e a melhoria da educação nas universidades. Prevaleciam as abordagens binárias que implicavam a destruição da dimensão humana em relação ao desenvolvimento tecnológico. Nos anos 80, com a aparição do microcomputador, desenvolveram-se bases de dados que permitiram acumular na memória e consultar grandes quantidades de dados em velocidade maior. Embora o esforço por lembrar os comandos do DOS (sistema operacional) ou dos processadores de textos não fossem amigáveis, o fato de classificar informação, realizar cálculos, gráficos e apresentações mais bonitas e rápidas por parte dos próprios usuários do computador (personal computer) modificou profundamente o relacionamento do homem com a máquina. No entorno cultural, em geral permanecia a tecnofobia ou o endeusamento. Continuava a ser injustificado tanto avanço tecnológico sem retorno social favorável para a maioria das pessoas.

O que revolucionou culturalmente a vida social foi o uso do computador com ambiente Windows porque introduziu a interface gráfica e a instalação da imagem colorida, interativa, na vida das pessoas, que, junto com a Internet(2), vão marcar o boom de um espaço global diferenciado. Antes da Internet se utilizava a BitNet, iniciais da expressão "Because It's Time Network (Porque é tempo de rede); uma rede acadêmica e de pesquisa iniciada em 1981 e operada pela Educom. Formada, em sua maior parte, por mainframes (servidor corporativo) IBM, utilizava um protocolo diferente da Internet (RSCS - Remote Spooling Communication System)(3) que possibilitava a busca de informações em grandes bibliotecas, transferir arquivos (FTP) e trocar mensagens, com interface textual.

Com o aparecimento da interface gráfica e da Internet (1993), considerada a rede de redes interligadas em mais de 70 países, começa-se a andar por uma estrada sem fim, sem retorno, cuja única certeza é o ingresso no universo digitalizado. E esse é um caminho difícil de desfazer ou desandar. A Internet vem acompanhada da World Wide Web (WWW) ou teia de alcance mundial. E o espaço multimídia da Internet caracteriza-se por ser hipermídia, ou seja, permite conectar através de link ou enlaces de arquivos de texto, sons, vídeos e imagens gráficas. Esta ferramenta dá leveza e rapidez à navegação pela Internet bem como à conexão com outras pessoas ou comunidades através dos browsers ou navegadores de visualização de páginas WWW como o Netscape ou o Navigator, por exemplo.

Em um percurso de vinte anos, superaram-se diversos obstáculos para o aproveitamento do computador nas atividades educativas. Durante o seminário sobre utilização das tecnologias da informação na pesquisa educativa de um curso de graduação de Ciências da Educação (1997), percebeu-se uma brecha em relação à disciplina metodologia da pesquisa científica e os saberes dos alunos e profissionais. A questão era: são os computadores que estão descontextualizados ou as teorias abordadas na universidade. Muitos acreditavam que seria o fim da educação crítica e era difícil enxergar uma universidade pública preocupada em adquirir e manter custosas redes de computadores para a pesquisa educativa, havendo tantas questões urgentes a solucionar. Muitas certezas se perderam, cresceu a insegurança, mas também, a produção, interpelação, comunicação, estudos e conflitos que desembocaram na criação do Centro de Pesquisa em Educação e Tecnologia, o Centro de Pesquisa em Informática Educativa (CEIDE). Constitui-se, então, um contexto legítimo de pesquisa e discussão sobre a tecnologia na sociedade, em que se abrem estudos diversos que contribuem para a compreensão do assunto.

Michel Serres e Pierre Lévy(4) denominam “Cosmopédia” ao novo tipo de organização de saberes, que repousa na possibilidade de representação e gestão dinâmica dos conhecimentos emergida a partir do uso da informática. Chegam a falar de uma filosofia da implicação; implicados na forma móvel da imagem que se materializa por meio de posições relativas, proximidades, cores e luminosidade. Através das navegações no plano de imanência dos saberes, o sujeito constrói seu objeto; e conhecer ou implicar-se em um objeto é o mesmo que lhe dar existência.

A informática, ao produzir bit por bit cada imagem, mensagem etc., exerce um certo controle em sinergia com os outros elementos e constitui-se em tecnologia imanente; é a encarregada do tratamento automático da informação. Pela própria necessidade do homem de comunicar grandes quantidades de informação, de cálculos matemáticos mais complexos, de aperfeiçoar as estratégias de guerra, em criar redes para ocultar informação chegou-se na atualidade aos avanços a que estamos assistindo: operações, trocas de informações sintetizadas ou criptografadas, imagens numéricas, arquivos de sons e áudio/vídeo etc. As perspectivas deste cenário pedagógico nos remetem a uma dimensão diferenciada do relacionamento entre educador/a-educando/a e homem–máquina. A memória externa adquire muito valor, a velocidade, a transparência, a leveza e a capacidade não só de estoques senão também de transformações e reposições de informação. Esse “simples” fato de libertar a própria memória vai tornando o homem dependente dos suportes externos. Ele só existe em relação aos aparelhos que o circundam, e isto aplica-se em relação à cultura que lhe permite viver. Atividades e realidades como classificar, interpretar, intercalar, responder, reproduzir, copiar, colar, representar, criar, digitalizar, sintetizar, encapsular, desenhar, ocultar, visualizar, salvar, deletar, simular, dinheiro plástico, cartão magnético, senha, login, encriptar e criptografar integram este universo hipertextual e multimedial.

Resgata-se a leveza como valor para tornar–se um ser leve. Não por acaso aparecem filmes como “A história sem fim” de M. Ende e a “Insuportável leveza do ser”, de M. Kundera ou documentos tais como “La insoportable levedad de la ley: la impunidad” e isto no contexto latino-americano é polêmico(5) quando se trata de constituir uma nova cidadania.

Na re-invenção da cultura há poucas certezas; mais do que salvar o homem trata-se de salvar o planeta integralmente das tecnologias invisíveis. No universo digital, distribuído e rizomático o homem pode encontrar mais um espaço de luta, desde que seja consciente da dimensão. E o educador/a fará rizoma nesse espaço de múltiplas aberturas e caminhos, ao estabelecer nexos ou conexões com outros educadores/as, grupos, instituições, negociando com outras culturas, estabelecendo parcerias com fundações para constituir uma rede educativa. Constitui-se em um espaço de relações sinergéticas e simbióticas entre educador/a-educando/a e a tecnologia informática que possibilita produzir a própria obra digitalizada pode reintegrá-los à cultura com marcado protagonismo. Nas suas incursões individuais podem ir reintegrando os fatos histórico-sociais ao seu ser/estar no mundo, correndo o risco de ficar na ilusão. Mas, o educador/a pode-se libertar do ostracismo ao explorar (expor-se em) o ciberespaço. Ao reintegrar a sua produção na rede coloca em movimento outro ou outros em relação aos temas de preocupação em comum, constituindo um depósito vivo de conhecimento.

No trajeto percorrido por educadores/as, cada click do mouse na tela vai amarrando pontos de união, ligando-os numa rede de associações de significado e possibilitando-lhe uma abertura textual, outorgando-lhes protagonismo ao decidir o próprio caminho no espaço hipertextual. A introdução ao mundo digitalizado é similar ao mundo joyceano: no percurso do descobrimento é posta em relevo a dúvida do caminho a seguir.

Lévy refere-se ao hipertexto no seu princípio de multiplicidade e de encaixe das escalas: “O hipertexto se organiza de modo “fractal”, ou seja, qualquer nó ou conexão, quando analisado, pode revelar-se como sendo composto por toda uma rede, e assim por diante, indefinidamente, ao longo da escala dos graus de precisão. Em algumas circunstâncias críticas, há efeitos que podem propagar-se de uma escala a outra: a interpretação de uma vírgula em um texto (elemento de uma micro-rede de documentos), caso se trate de um tratado internacional, pode repercutir na vida de milhões de pessoas (na escala da macrorrede social)(6). Nesse espaço do saber, os intelectuais coletivos reconstituem um plano de imanência no qual os seres, os signos e as coisas voltam a encontrar uma relação dinâmica de participação recíproca.

Similar à Babel Borgeana, o conhecimento é produto de um acaso em que a ficção é o universo e, através de múltiplas combinações, chega-se a textos particulares, constituindo uma narrativa em contínua reconstrução. Neste sentido, o princípio borgeano acredita no universo em forma de labirinto, onde o espelho e recorrência não permitem enxergar a saída desse mundo. Borges diz: “A realidade não é somente aparência mas sentimento e também imaginação e o mundo não é um caos mas um labirinto, um cosmos que se oculta e temos a tarefa de descobri-lo”(7)

Um princípio spinoziano aparece quando se admite que o Uno é a síntese dialética e que no múltiplo achamos os rasgos da circunferência que passa pelas partes e cujo centro é inachável e continuamente procurado. O imanentismo é típico e coerente neste percurso.

Para Lévy, no humano está a originalidade, o homem como capital e matéria-prima e a inteligência coletiva como produto fazem o que as máquinas “inteligentes” não conseguem fazer, o mundo sensível, a invenção, a relação e a recriação. Neste sentido, nos ofícios contemporâneos haverá um acompanhamento relacional agregado; que a inteligência coletiva será a fonte e objeto de outras riquezas, aberta e inacabada, paradoxal, qualitativa e subjetiva, produto infinito. A riqueza das nações dependerá da capacidade de pesquisa, de inovação, de aprendizado rápido e de cooperação ética de suas populações. O novo patrão promoverá a inteligência dos homens e os novos proletários trabalharão como massas humanas brutas e a tarefa será humanizar os corpos, os espíritos e os comportamentos coletivos. O nome do novo proletário: a) professores, pedagogos, formadores em geral; b) assistentes, trabalhadores sociais, policiais e carcereiros; c) caritativos, povo miúdo, os justos, “os justiceiros”. Todos os proletários vivem à beira da exclusão, arriscando-se a saltar para fora. Será com base nestes elementos que procuraremos formar uma rede?

O universo hipertextual, além desses elementos, apresenta uma multiperspectividade de caminhos por onde caminhar e na qual a dúvida aparece a cada passo nas redes, nos mares de informação digitalizada. Essa construção particular confere protagonismo ao leitor/autor. Eis a questão, essa decisão que pode libertar, também poderia pulverizar.

Michael Authier e Pierre Lévy propõem, para orientar a exploração, os “cinemapas”, ou seja, instrumentos de navegação que acompanham o andar do intelectual em seus mundos de conhecimento. Segundo esses autores, a lenda do labirinto manifesta incapacidade de encontrar a saída pacífica, por isso propõem a ideografia dinâmica, a escrita do futuro, a superlíngua dos coletivos inteligentes que através de comunicações inovadoras, descentralizadas, flexíveis e interativas possibilitam enfrentar novos espaços de significação.

Gilles Deleuze e Felix Guattari afirmam que o mundo se converteu num caos, onde o livro permanece como imagem do mundo, onde o múltiplo deve ser feito não agregando sempre uma dimensão superior, mas o mais simples e sóbrio possível para integrar o uno no múltiplo. Para eles, os rizomas como tronco subterrâneo se distinguem totalmente das raízes; os bulbos e tubérculos são rizomas. O rizoma possui diversas formas, desde sua extensão superficial ramificada em todos os sentidos, até suas concretizações em bulbos e tubérculos. O rizoma é uma anti genealogia, o mesmo que acontece com o livro e o mundo. Ele procede por variação, expansão, conquista, captura, abertura, remete-se a um mapa que deve produzir-se, construir-se, demonstrável, conectável, invertível, modificável com entradas e saídas múltiplas, com suas linhas de fuga. Trata-se de um sistema acentrado, não hierárquico e não significante, definido unicamente por uma circulação de estados(8).

Na medida em que lemos e que decidimos os caminhos, nos introduzimos em universos que se caracterizam pela atemporalidade; navegando fluidamente exploramos textos, sons, imagens, áudio/vídeo, vozes de outras pessoas, harmonizando a comunicação a partir dos próprios interesses. Na introdução nesses universos inéditos o educador recorre à múltipla conectividade, onde o ponto de um plano se relaciona com infinitos planos. Surfando nesse infinito ciberespaço, o sujeito constrói sua narrativa ganhando protagonismo como autor singular e vivendo a aventura das múltiplas linguagens, em que a multiperspectividade de caminhos lhe apresenta a dúvida da orientação a seguir nos mares de informação digitalizada, na redes de computadores. O educador/a que permanecia em espaços de permanente quietude agora na fuga dentro/fora, interno/externo pode recapitular, superar e reintegrar o movimento, a flexibilidade, a multiperspectividade e linguagens, para dar vida à sua prática e libertar-se de coisas ontologicamente já conhecidas pela humanidade, para dedicar-se a dialogar com os educandos/as. A sua criação, superando a individualidade inicial de espectador, pode permitir o surgimento de novas formas de olhar, compreender e interpretar o atual universo educativo a fim de orientar seu caminhar em formas alternativas de comunicação e educação. Antes de arriscar os possíveis benefícios ou perigos da Internet na prática do educador/a, seria de muito proveito analisar o que de melhor ou de pior acrescentam esses enlaces, com quê, quem ou com quais pessoas ele faz rizoma para reinventar a sua prática. Além disso, entender como se desenvolvem os acontecimentos na atual dinâmica sócio-cultural para compreender um pouco melhor as transformações promovidas pela informática na vida dos educadores/as em um mundo globalizado.

FONTE: http://www.hottopos.com.br/videtur6/rizoma.htm ( veja a bibliografia neste link)

O DISCURSO DA SUSTENTABILIDADE E SUAS IMPLICAÇÕES PARA A EDUCAÇÃO

GUSTAVO DA COSTA LIMA*

CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES

As duas últimas décadas testemunharam a emergência do discurso da
sustentabilidade como a expressão dominante no debate que envolve as questões de
meio ambiente e de desenvolvimento social em sentido amplo. Em pouco tempo,
sustentabilidade tornou-se palavra mágica, pronunciada indistintamente por diferentes
sujeitos, nos mais diversos contextos sociais e assumindo múltiplos sentidos.
Sua expansão gradual tem influenciado diversos campos do saber e de
atividades diversas, entre os quais o campo da educação. Há pouco mais de uma
década, observa-se entre os organismos internacionais,as organizações não-governamentais
e nas políticas públicas dirigidas à educação, ambiente e desenvolvimento
de alguns países, uma tendência a substituir a concepção de educação ambiental, até
então dominante, por uma nova proposta de “educação para a sustentabilidade” ou
“para um futuro sustentável”.
Essa renovação discursiva no debate internacional pode ser observada
nas conferências e documentos da UNESCO, na Agenda 21 proposta na Rio-92, nas
políticas educacionais de diversos governos da União Européia e na produção acadêmica
internacional que serve de base a esta orientação. Gradualmente, e com intensidades
variadas, o novo discurso passou a penetrar também o debate em outros países centrais
e periféricos e nas demais esferas institucionais.
No Brasil, o discurso da educação para a sustentabilidade ainda é pouco
disseminado na literatura e nas práticas que relacionam educação e meio ambiente.
Entretanto, a crescente difusão do discurso da sustentabilidade no contexto de um
mundo globalizado – marcado por relações entre as esferas locais e globais e por relações de dependência política e cultural entre países do centro e da periferia do sistema
mundial– recomenda a análise de seus significados e a avaliação de suas contribuições
para o debate brasileiro.
Quais os significados e implicações desta articulação entre a educação e
a sustentabilidade? Qual a natureza e os objetivos desta renovação discursiva? Educar
para sustentar o quê? Qual a diversidade de leituras sobre este debate e quais os
principais argumentos a favor e contra a nova proposta? Que fundamentos, valores e
interesses estão envolvidos neste processo? Qual a história da construção do discurso
da sustentabilidade e de sua inserção na educação?
Essas são algumas das questões que norteiam a reflexão deste ensaio.
Problematizando-as, procuramos compreender as relações entre a sustentabilidade e a
educação, a diversidade de sentidos envolvidos nesta construção, o jogo de forças e
interesses que nela se destacam, assim como as principais ênfases e contradições que
marcam este campo discursivo.
Para realizar o trabalho, recuperamos, em primeiro lugar, um pouco da
história do surgimento do discurso da sustentabilidade. Em seguida, desenvolvemos
uma análise das principais críticas favoráveis e desfavoráveis a este discurso. Em um
terceiro momento, exploramos a diversidade de interpretações que constituem a
sustentabilidade como um campo discursivo para, finalmente, abordarmos os significados
e implicações da inserção do discurso da sustentabilidade no campo educacional.
Por compreendermos a sustentabilidade como uma proposta em torno da
qual gravitam múltiplas e diversas forças sociais, interesses e leituras que disputam
entre si o reconhecimento e a legitimação social como “a interpretação verdadeira”
sobre o tema, optamos por tratá-la como um discurso, no sentido empregado por Michel
Foucault no contexto da arqueologia e, sobretudo, da genealogia do saber-poder.
Segundo esse autor, toda sociedade controla e seleciona o que pode ser dito numa
certa época, quem pode dizer e em que circunstâncias, como meio de filtrar ou afastar
os perigos e possíveis subversões que daí possam advir (FOUCAULT, 2001).(...)

LEIA NA ÍNTEGRA EM: http://www.scielo.br/pdf/asoc/v6n2/a07v06n2.pdf

GUSTAVO DA COSTA LIMA*- Professor do Departamento de Sociologia da Universidade Federal da Paraíba-UFPB e Doutorando em Ciências
Sociais no IFCH/UNICAMP, e-mail: gust3lima@bol.com.br.
2003.


LinkWithin

Related Posts with Thumbnails