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terça-feira, 30 de junho de 2009

Somos todas Honduras! Estamos em resistência!





A Marcha Mundial das Mulheres e a Rede Latinoamericana Mulheres Transformando a Economia nos unimos a todas as organizações feministas e do movimento social de Honduras para condenar e repudiar veementemente o golpe de Estado contra o presidente Manuel Zelaya Rosales, dirigido pelas Forças Armadas e pelo presidente do Congresso Nacional, Roberto Micheletti, com apoio dos meios de comunicação controlados pela oligarquia deste país.

Executado pelas forças armadas às 5 da manhã do domingo, 28 de junho, o golpe truncou as aspirações democráticas da população, que se preparava para realizar uma consulta à sociedade hondurenha, para verificar se estava de acordo em convocar uma Assembléia Nacional Constituinte, com o objetivo de elaborar uma nova constituição. Além disso, o golpe militar colocou na presidência Roberto Micheletti, fantoche da oligarquia hondurenha.

Apoiamos a resistência pacífica do povo, em particular das feministas hondurenhas, que estão mobilizados/as em vigílias e greve geral em apoio ao Presidente Zelaya e à restituição da democracia hondurenha, e nos somamos a todos os movimentos sociais para exigir:


1. O restabelecimento da ordem constitucional, sem derramamento de sangue.



2. Que o Exército não reprima a população de Honduras que exige o retorno da democracia.



3. Que se respeite a integridade física das feministas e demais dirigentes sociais, que estiveram a frente da consulta.



4. O retorno do Presidente Zelaya a suas funções em Honduras, e o rechaço a Micheletti por parte da Organização dos Estados Americanos (OEA).



5. Que as autoridades garantam o direito da população ao pleno exercício da democracia através da consulta popular.


Denunciamos o papel dos meios de comunicação comerciais, utilizados pelas oligarquias hondurenhas como ferramenta para frear a vontade popular e intermediar, encorajar e justificar o golpe, o que os torna cúmplices.

Conclamamos todas as pessoas, organizadas em movimentos ou não, em nível nacional e internacional, a se manifestarem contra esta agressão aos direitos do povo hondurenho e a divulgar este pronunciamento. Convidamos também a socializar informações produzidas pelos meios populares como a Rádio ELM (www.radioeslodemenos.org) e a Rádio Mundo Real (www.radiomundoreal.fm).

Além disso, convocamos os movimentos sociais a protestar frente às representações diplomáticas e comerciais de Honduras, e a enviar cartas de repúdio ao golpe de Estado às embaixadas em cada um de seus países.

Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres!

29 de junho de 2009
ps. Em anexo, segue comunicado da MMM em Honduras e fotos da manifestação de 28.6

http://br.groups.yahoo.com/group/consultapopularsp/attachments/folder/913891183/item/1208922741/view

sábado, 28 de fevereiro de 2009

MULHERES DE "NOVA HORIZONTE" LUTAM E CONSEGUEM CISTERNAS!!!

(este notícia já é antiga, mas a coloco aqui em homenagem as mulheres,que como quase sempre lutam para melhorar o meio em que vivem! os maridos duvidavam e diziam ser perda de tempo!! mas as mulheres uniram-se e lutaram para ter cisternas! hoje a qualidade de vida melhorada de todos de Nova Horizonte, deve-se a luta destas grandes mulheres!)
Nadia Stabile - 28/02/09


Municípios em 13/11/2007


"Construção de cisternas beneficia comunidades
do município de Ocara"

Duzentas e duas famílias do município de Ocara serão beneficiadas com a construção de cisternas. A ação será realizada pela Prefeitura Municipal em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e atenderá os distritos de Novo Horizonte (comunidade de Lagoa Nova/Borges), Curupira (Sítio Trinta e Sete, Lagoa Comprida e Lagoa do Choro) e Serragem (Lagoinha, Baixa Grande, Baixa do Miguel, Giral, Lagoa Nova dos Firminos).

O objetivo da construção das cisternas é atender as famílias de baixa renda com dificuldade de acesso água, assim melhorando as condições de vida e evitando as longas caminhadas em busca de água para beber. De acordo com Zulene Maia, Secretaria da Ação Social do município, a seleção das famílias que serão beneficiadas com as cisternas utilizará os mesmos critérios de elegibilidade adotados pelo Programa Bolsa Família. Ela lembra ainda que além dessa primeira avaliação, outros fatores serão priorizados como: famílias chefiadas por mulheres, maior número de crianças de 0 a 6 anos e em idade escolar, entre outros.

As cisternas armazenam água durante os meses chuvosos, garantindo 16 mil litros durante o período de seca das cidades pertencentes ao semi-árido. Os tanques são instalados próximos às casas e são suficientes para abastecer uma família com oito integrantes, contribuindo para a melhoria na qualidade de vida da família durante oito meses.

Mais informações: Secretaria da Ação Social (85) 3322 1029
http://www.avol.com.br/materia.php?id=19883.

sábado, 31 de janeiro de 2009

"Vénus de Willendorf" - ARTE RUPESTRE - PERÍODO PALEOLÍTICO













































A Vénus de Willendorf, hoje também conhecida como Mulher de Willendorf, é uma estatueta com 11,1 cm (4 3/8 polegadas) de altura representando estilisticamente uma mulher, descoberta no sítio arqueológico do paleolítico situado perto de Willendorf, na Áustria.


Foi desenterrada a 8 de Agosto de 1908, pelo arqueólogo Josef Szombathy. Está esculpida em calcário oolítico, material que não existe na região, e colorido com ocre vermelho.

Em 1990, após uma revisão da análise estratigráfica deste sítio arqueológico, estimou-se que tivesse sido esculpida há 22000 ou 24000 anos. Pouco se sabe sobre a origem, método de criação e significado cultural.

A Vénus não pretende ser um retrato realista, mas uma idealização da figura feminina. A vulva, seios e barriga são extremamente volumosos, de onde se infere que tenha uma relação forte com o conceito da fertilidade. Os braços, muito frágeis e quase imperceptíveis, dobram-se sobre os seios e não têm uma face visível, sendo a cabeça coberta do que podem ser rolos de tranças, um tipo de penteado ou mesmo vários olhos.

O apelido com que ficou conhecida causa alguma relutância a alguns estudiosos actuais, que não conseguem ver nesta figura com características de obesidade a imagem clássica de uma Vénus. Christopher Witcombe, professor na Sweet Briar College, em Virgínia por exemplo, refere que "a identificação irónica destas figuras com Vénus satisfez de forma prazenteira alguns conceitos correntes, na época, sobre o que era o homem primitivo, sobre as mulheres e sobre o sentido estético". Outros autores têm alguma relutância em identificá-la como a deusa Mãe-Terra (Grande Mãe) da cultura européia do Paleolítico. Alguns sugerem que a corpulência representa um elevado estatuto social numa sociedade caçadora-recolectora e que, além da óbvia referência à fertilidade, a imagem podia ser também um símbolo de segurança, de sucesso e de bem-estar.

Os pés da estátua não estão esculpidos de forma que se mantenha em pé por si mesma. Por essa razão, especula-se que fosse usada para ser trazida por alguém em vez de ser apenas observada, podendo ser apenas um amuleto. Há ainda quem avance a hipótese de que poderia ser inserida na vagina, em rituais de fertilidade.

A Vénus faz parte da colecção do Museu de História Natural de Viena (Naturhistorisches Museum).

Outras representações semelhantes foram descobertas depois desta, ficando também conhecidas como "Vénus".

FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/V%C3%A9nus_de_Willendorf

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Vitrine solidária: Madeirarte – Marcenaria coletiva autogestionária no assentamento Pirituba II













Por Brunna Rosa [Quarta-Feira, 14 de Janeiro de 2009 às 11:40hs]

Itapeva, município paulista que fica quase na divisa com o Paraná, abriga o assentamento de reforma agrária mais antigo do Estado de São Paulo. Em 13 de maio de 1984 se iniciava a luta dos agricultores ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) para a desapropriação da fazenda Pirituba e, 24 anos depois, o assentamento abriga cerca de 2 mil famílias em seis agrovilas que ocupam cerca de 8 mil hectares. Pirituba é hoje referência justamente por discutir e colocar em prática conceitos como a agroecologia e o cooperativismo.
Com os projetos de construção de casas, surgiu a idéia de fazer uma marcenaria como solução para suprir as necessidades relacionadas aos componentes em madeira. Assim, em 2004, um grupo de pessoas do assentamento passou a trabalhar junto com a Incubadora Regional de Cooperativas Populares (Incoop), ligada à Universidade de São Carlos (UFSCar), e começou a ser capacitado para trabalhos específicos na marcenaria, por meio da fabricação de mesas, cavaletes, armários e tanque para tratamento, além de pequenos objetos que fazem parte da infraestrutura de produção dos componentes de madeira.
Atualmente, o grupo da marcenaria é composto por cinco mulheres, agricultoras familiares de baixa renda com idade entre 40 e 50 anos, além de um marceneiro instrutor e mais cinco jovens, entre 17 e 23 anos. Quando finalizar a entrega de vários produtos para 49 casas do assentamento, o grupo quer consolidar a marcenaria e, após passar pela formação para autogestão e elaboração de material de divulgação, já começará a aceitar novas encomendas.
A Madeirarte fica no assentamento Pirituba II, Agrovila 4 – Itapeva, São Paulo, Rodovia para Bom Sucesso de Itararé. Telefone: (15) 3526-7375

FONTE: http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/EdicaoNoticiaIntegra.asp?id_artigo=5873

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

TÁ COM PRESSA!!?? VAI DE BIKE!! WORLD NAKED BIKE RIDE EM SÃO PAULO - CICLOATIVISTAS QUEREM ESPAÇO NESTA MEGALÓPOLE DOIDA!!




A CORAGEM DOS CICLOATIVISTAS PELADOS DE SÃO PAULO!!JUNHO DE 2008

World Naked Bike Ride em São Paulo, Brasil. Cobertura de Renata Falzoni e Tomaz Cavalieri para o Aventuras, da ESPN/Brasil.

Declaração dos participantes da I Pedalada Pelada de São Paulo - A I Pedalada Pelada de São Paulo, ou World Naked Bike Ride (WNBR)14/06/08

(...)**Celebração da nudez não sexualizada e não comercializada.
Liberdade de expressão e manifestação.

Iniciada a pedalada na Avenida Paulista, à medida que os ciclistas se distanciavam da praça foram tomando coragem de expor mais seus corpos. Seguindo o lema naturista, puderam celebrar sua nudez não sexualizada e não comercializada, muito diferente da exposição sexual dos corpos padronizados tão comum nas emissoras de TV e revistas.

Centenas de pessoas puderam expor por alguns instantes seus corpos “imperfeitos”, gorduras a mais ou a menos, celulites e estrias livres da ditadura estética vigente que causa distúrbios alimentares, complexos e depressões.

A alegria desse momento foi tão contagiante que provocou aplausos da “platéia”. Pessoas que caminhavam pelas ruas, passavam dentro de ônibus ou automóveis, riam, assobiavam, apontavam a massa de pelados que pedalava. Câmeras e mais câmeras de celulares foram apontadas para a avenida.

E a prova máxima de civilidade foi dada pelos próprios ciclistas nus (ou seminus), que abriram mão de assédios e piadas de mau gosto para compartilhar respeitosamente um momento de pura liberdade de expressão e manifestação.

**Criminalização da nudez, neutralização da massa e violência policial

Infelizmente, aprendemos com nossa ação que a nudez que se manifesta livremente a favor da vida é criminalizada, enquanto a nudez explorada, sexualizada e comercializada nos carnavais, novelas e revistas é permitida.

Durante o trajeto, um comandante da polícia militar deixou claro a quem ele pensou ser o organizador da ação, que o nu frontal não seria tolerado, somente corpos pintados como no carnaval. Apesar das dezenas de ciclistas completamente nus, André Pasqualini acabou sendo escolhido como o “bode expiatório” e foi levado nu para a delegacia, como forma de neutralizar nossa ação.

Alguns ciclistas tentaram se manifestar contra a prisão e foram agredidos com pontapés e gás de pimenta, como mostra diversas fotos e vídeos publicados pela grande mídia (matéria no Estadão) e pela mídia independente. Como sempre é feito em manifestações ciclo ativistas, os ciclistas ergueram suas bicicletas no ar. Foram absurdamente acusados de usá-las como arma.

O comandante da operação declarou diante das câmeras que fez o que estava planejado, prendeu o “líder” da ação para acabar com a manifestação. A lógica estava errada, já que não existem líderes ou organizadores da Pedalada dos Pelados, mas a tática deu certo, porque seja lá quem tivesse sido detido, nós não deixaríamos de apoiá-lo.

Com a prisão de um dos seus participantes, a massa perdeu um pouco em alegria e parte dela seguiu escoltada pela CET rumo ao 78º DP na Rua Estados Unidos. A festa continuou ali, aos gritos de “Ô seu delegado, libera o pelado!”.(...)

LEIA MAIS EM : http://apocalipsemotorizado.net/2008/06/19/eram-muitos-os-pelados/


WNBR Brasil - São Paulo -Aventuras com Renata Falzoni Parte 2

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Karl Marx,Shakespeare ,o exílio,as paixões e o romantismo -

(...)A relação de Marx com o romantismo remonta à sua infância, quando através do barão Ludwig von Westphalen, descobriu, com grande emoção, a obra de Shakespeare. Elo entre ele e aquele que, em grande medida substituiria a figura paterna em sua vida[27], o culto ao pensamento shakespeareano, mais tarde, reforçaria também, o forte elo entre Marx e suas filhas.

Assim, durante seu exílio em Londres, quando costumava levar a família a piqueniques dominicais em Hampstead Heath, Marx desenvolveu o hábito de declamar cenas de Shakespeare, Dante e Goethe para Jenny e as meninas. Em 1856, escreveria a Engels, contando cheio de orgulho paterno que elas “liam constantemente” a obra do grande dramaturgo. Suas únicas incursões na cultura inglesa foram saídas ocasionais para assistir à montagens shakespeareanas e duas de suas três filhas sonharam tornar-se atrizes, sendo que uma conseguiu.

Como Marx fugia ao perfil de intelectual de sua época e buscava colocar em prática suas idéias, a concepção que tinha do amor, também estava inevitavelmente ligada à sua relação amorosa com Jenny. Assim, numa carta escrita à esposa treze anos depois do casamento, ainda é possível identificar a grande paixão que os unia:

”(...) Eis que assomas diante de mim, grande como a vida, e eu te ergo nos braços e te beijo dos pés à cabeça, e me prostro de joelhos diante de ti e exclamo: ‘Senhora, eu te amo’. E amo mesmo, com um amor maior do que jamais sentiu o Mouro de Veneza[28]. (...) Qual de meus muitos caluniadores e inimigos de língua viperina censurou-me, algum dia, por ser chamado a representar o principal papel romântico num teatro de segunda classe? E, no entanto, é verdade. Se os patifes tivessem alguma inteligência, teriam retratado ‘as relações produtivas e sociais’ de um lado e do outro, eu a teus pés. E embaixo escreveriam: ‘Olhem para esta imagem e para aquela (...)” [29]

Na carta pode-se ainda, perceber que também esta paixão de Marx era atravessada por Shakespeare, já que a última frase fora extraída de Hamlet. Por outro lado, a mesma também revela que a paixão de um homem por uma mulher podia, contraditoriamente, ser lida como indício de fraqueza perante outros homens, convertendo-se assim, num trunfo para os inimigos. Contudo, apesar de reconhecer que tal percepção acerca da paixão era corrente em sua época, a despeito do florescimento do romantismo, Marx não abriu mão de vive-la. Desta forma afirmou nos “Manuscritos de Paris”; “(...) O domínio da essência objetiva em mim, o irrompimento sensível de minha atividade essencial é a paixão (...)” [30]

Muito embora estivessem apaixonados, a vida de Marx e Jenny juntos foi marcada por muitas dificuldades; perseguições políticas que os obrigaram a mudar-se da França para a Bélgica, regressarem a Alemanha e terminarem seus dias na Inglaterra; problemas financeiros, oriundos da impossibilidade de Marx conseguir uma renda fixa, do medo que tinha da proletarização da família através do ingresso das mulheres – mãe e filhas – no mercado de trabalho e da extrema capacidade de endividamento que tinham. (...)

LEIA MAIS EM : http://www.achegas.net/numero/dezesseis/anna_marina_16.htm

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

CONHEÇA!!! - "ANTES QUE O MUNDO ACABE" OU "ANTES QUE A HUMANIDADE SE AUTO DESTRUA" (MULTIMANIFESTO)

conheça seu corpo,
reconheça a necessidade de
aprender a lidar com as frustrações,
frustre seus filhos,
não exagere satisfazendo os desejos de seus filhos!
eles precisam aprender com as frustrações!
o excesso de brinquedos, e celulares...
atrapalha tudo!
atrapalha a educação de seu filho,em primeiro lugar!
em segundo atrapalha a economia de sua casa,
muitas famílias colocam em segundo plano a alimentação equilibrada,
em prol do consumo de bugigangas tecnológicas!
as duas coisas desequilibram o meio ambiente!
lembre mo-nos do caso do Japão,
as montanhas de lixo tecnológico neste país são assustadoras!
Se as famílias deixam de se alimentar de forma mais natural,
contribuem para o aquecimento global!
a futilidade, o jovem volúvel que entra nesta doença consumista,
torna-se um ser humano que passa a sentir que vale pelo que possui,
e não por aquilo que é!!
o ser e o ter,entram em conflito graças ao capitalismo selvagem!
em nosso país o provincianismo é alimentado por este tipo
de consumo exagerado e sem sentido!
os pais precisam reconhecer urgentemente que as crianças
precisam mesmo desenvolver sua criatividade, sua
capacidade de resolver problemas que
aparentemente possuem saídas impossíveis!
a publicidade contribui em muito para esta mentalidade totalmente equivocada!
há uma verdadeira inversão de valores neste caso!
os pais é que passam a obedecer seus filhos!
e o pior, os filhos que estão atordoados pela comunicação de massa,
sentem-se abandonados por seus pais, que agem com total alienação e idiotice!
o nosso cerne provinciano precisa urgentemente ser reconhecido por nós!
precisamos perceber que por causa dele estamos virando o povo mais
idiota do mundo!
quando entenderemos que um povo de verdade conhece sua identidade,
e reconhece que sem verdadeira cidadania, nunca deixaremos de ser
um povinho de ultima categoria! e leia-se povinho, um aglomerado de pessoas
sem nenhuma determinação humana! simplesmente um aglomerado de idiotas!
ANTES QUE O MUNDO ACABE !!! RECONHEÇA SUAS PRÓPRIAS IDIOTICES!
RECONHEÇA QUE SÓ ENXERGAR EFEITOS E NEM QUERER CONHECER AS CAUSAS,
É SER MESMO UM POVO INVOLUÍDO!! NEM SUBDESENVOLVIDO!! MAS INVOLUIDO MESMO!!

NADIA STABILE - 17/12/08

*este texto foi motivado por um vídeo no blog de Luiz de Campos
http://decostasparaalousa.blogspot.com/2008/11/criana-alma-do-negcio.html
e por outro amigo que luta pela causa da ecologia , o Beto.
Agradeço aos dois! Afinal, aprender a ser cidadã, depende da cooperação de todos!
sem isto , não chegaremos a lugar algum!

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

FRASE DE KARL MARX - MODOLINKAR COM O BLOG "APONTAMENTOS ACERCA DA PUTA QUE PARIU A ARTE" (clique aqui)


MICHEL FOUCAULT - A MULHER/OS RAPAZES,DA HISTÓRIA DA SEXUALIDADE - LIVRO



Foucault, Michel. A mulher / os rapazes: História da sexualidade (extraído da História da sexualidade v. 3); trad. de Maria Theresa da Costa Albuquerque. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997 - (coleção Leitura)

Foucault examina, nos dois textos extraídos do volume terceiro da sua obra "História da sexualidade", a formulação do saber sobre as relações de amor e de sexo, a compilação e a evolução do pensamento humanístico acerca dos relacionamentos heterossexuais e homossexuais, a partir da Grécia Antiga.

É de se observar que tais temas permaneceram encobertos durante a Idade Média e a Idade Moderna, pela força da moral cristã e de seus rígidos regramentos, e volta à tona com a dissipação dos valores da era pós-contemporânea, onde a família não se situa mais como forma de organização social imprescindível ao novo modelo econômico de produção.

No primeiro texto, Foucault investiga os benefícios e prejuízos do vínculo conjugal, à luz dos problemas relativos à virgindade, à simetria e reciprocidade de direitos e deveres entre marido e mulher, ao compromisso de solidariedade, ao monopólio do sexo e à forma pela qual os prazeres do casamento deveriam se desenvolver, dado que este era considerado necessário para o desenvolvimento do afeto, sendo, no entanto, repudiado seu excesso, assim como o adultério, reputado uma quebra do afeto e do comprometimento de vida una.

Tais elementos foram retirados de textos de Aristóteles, Platão, Plutarco, Sêneca e Musonius Rufo, sendo evidente que o filósofo se absteve de ingressar nos detalhes da relação conjugal tal como prescrita pela pastoral cristã, que recrudesce diversas das prescrições da moral greco-romana e se imiscui inclusive na forma como deve se desenrolar a relação sexual dentro do casamento.

No segundo texto, Foucault analisa a postura greco-romana sobre o amor homossexual a partir de diálogos filosóficos nos textos de Platão, Plutarco e Pseudo-Luciano. Partindo-se do questionamento acerca de qual amor seria o mais verdadeiro e casto, se o homossexual ou o heterossexual, chega-se à primeira conclusão que o amor seria uma manifestação única da caridade (charis) e, posteriormente, a par das críticas feitas pelos partidários do amor entre rapazes, Plutarco identifica imperfeições que transformariam o amor entre homens em uma classe menor de afeto.

Sobreleva, na discussão filosófica, a reflexão sobre o caráter impositivo da atração que um homem sente por uma mulher, dado que esta seria decorrente da premência da própria natureza, enquanto a afeição de um homem por outro seria um sentimento tardio, uma elevação das necessidades satisfeitas rumo a um plano elevado de curiosidade e saber, no exato momento em que os homens, após aprenderem tantas habilidades úteis, começam a não negligenciar mais nada em sua pesquisa.

Interessante notar como o tema é profundamente discutido desde a Antigüidade e, tendo se tornado tabu por diversos séculos, retorna à baila diante das novas configurações possíveis de arranjos de convivência, onde não há mais a exigência do modelo tradicional familiar ou, aliás, o modelo tradicional familiar é visto como empecilho à realização completa da felicidade do homem, esta pregada como finalidade última do ser humano pelas rígidas exigências do mercado de trabalho e da atual sociedade de consumo.

http://paulacajaty.com/index.php?option=com_content&task=view&id=208&Itemid=32

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

ESTAMIRA - A MULHER,O LIXO E O MITO - FILME





Estamira, de Marcos Prado
(Brasil, 2004)

por Cléber Eduardo


A mulher, o lixo e o mito

Talvez desconfiado de sua própria autoridade como revelador de verdades quaisquer (sobre pessoas, ambientes, momentos históricos), o documentário em geral (e o brasileiro em particular) tem evitado, em linhas gerais, colocar-se como uma postura do saber sobre qualquer coisa. Isso ajuda a explicar, ainda que parcialmente, a necessidade de se dar voz ao outro, em geral pessoas de vida modesta, não midiáticas, que passam a exercer a tarefa de “sabedoria popular”, modelada pelas experiências empíricas.

Senhora com distúrbios mentais, que vive de um lixão na Grande Rio (Duque de Caxias, especificamente), Estamira, em seus acessos nervosos, vocifera contra Deus, contra a alienação dos seres humanos pela religião e pelos remédios (“dopantes”), contra uma suposta sociedade de controle, estruturada para calar a voz e os pensamentos dos rebeldes (ela). Em sua retórica irada e em suas manifestações alucinadas, Estamira, sempre dizendo-se a reveladora da verdade, demiurga consciente de seu grau de perturbação, revela aguda coerência em suas análises intensas – uma marxista naif com discurso messiânico. A proclamação da verdade está com ela e, devido ao espaço dado à suas frases no filme, há um interesse por essa verdade.

A verdade resgatada pelo diretor Marcos Prado, na fala de Estamira, é a verdade desmistificadora das verdades, sustentada pela desconfiança das falsas retóricas, dos mecanismos produtores de ilusão, das religiões, do consumo, da publicidade. É uma verdade empenhada em acordar o ser humano, tirar a venda de seus olhos, com a força de uma crueldade ao mesmo tempo mítica e iluminista, certamente medieval em seu espírito paradoxal, certamente épica, poética e religiosa em seu ateísmo ritualístico, em sua expressão verbal cifrada, em sua narratividade vomitada. Estamira, o filme, transfere assim a “voz do saber” para o “discurso anômalo” – mais autêntico, menos controlado, sem filtros ou coletes em seu duelo com as feridas da vida. A franqueza permeada de ódio é depositária de algo sagrado, com seu discurso não formatado e não negociado com as convenções do pensamento dominante.

Existe algum tipo de ligação entre Estamira e outros documentários recentes – A Pessoa é para o Que Nasce, de Roberto Berliner, A Alma do Osso, de Cão Guimarães, O Fim e O Princípio, de Eduardo Coutinho, e Moacyr Arte Bruta, de Walter Carvalho. Temos nesses trabalhos aproximações, de maneiras distintas, com figuras dotadas de certa “inspiração”, vistas como seres especiais, que se distinguem por algum tipo de anomalia (orgânica ou social). Esses seres, transformados em personagens, carregariam em suas palavras (e em seu estar no mundo) algum tipo de sabedoria autista, que os torna sagrados ou superiores aos olhos dos realizadores. Talvez porque sejam vistos em outra dimensão (etérea), menos contaminados pelas formatações de subjetividade e mentalidade do capitalismo, mais capazes de serem originais, porque pensam a partir da experiência empírica e não a partir das representações das experiências. Registrá-los parece ser uma maneira de preservá-los enquanto imagem, como se tenta preservar espécies em extinção.

Só que, entre ver nessa figura humana apenas um sinal de uma conjuntura social (saída fácil) e representar seu universo real e imaginário como um mito, Marcos Prado opta pelo segundo caminho, preferindo tratar o lixão menos como espaço sintético de resíduos humanos, de margem do capital, e mais como cenário medieval de uma subjetividade apocalíptica e fabular, que encara o depósito de dejetos como ambiente de resistência (não de opressão ou de abandono). Nesse sentido, Estamira, o filme, adere a Estamira, a mulher fora do filme, saindo do registro de denúncia para o registro do mito lírico. Pode-se até detectar algo da estrutura social e cultural na vida de Estamira (como sua relação com o sistema de saúde pública e sua paranóia com câmeras escondidas – uma ironia com o espírito do observacional), mas não é a sociedade que interessa a Marcos Prado. O objeto esculpido por sua narrativa é a subjetividade verbalizada de Estamira, o funcionamento de seu mecanismo mental, a força inquebrantável de sua resistência e de suas convicções. Uma mulher que não se dobra.

Esse rumo torna compreensível a busca permanente pelo enquadramento bem composto, pelos momentos de poesia com o espaço putrefato, explícito nas imagens em preto e branco granulado (primas do Nesse Mundo, de Michael Winterbotton). O filme abusa dos efeitos obtidos na finalização (nos cortes, na música, na função do som), na construção de uma atmosfera cinematográfica que, em vez de captar o real sem filtros, apodera-se dessa realidade enfocada para se estabelecer como obra pictórica. Estamira não é estética do lixo, mas o lixo estetizado, tornado imagem quase irreal, lírico em sua agressividade.

É verdade que esse lirismo, possível na imagem, talvez seja inviável “in loco”. A imagem não cheira, não suja os sapatos, não oferece riscos de doença, nem o perigo de, à noite, promover um encontro entre nós e algum rato. Essas limitações tornam possível o embelezamento plástico e a sedução de nossa sensorialidade, protegidos contra o compartilhamento da experiência vivida pelo realizador na captação. Embora ouça as verdades de Estamira contra as falsas verdades, Marcos Prado não quer a imagem verdadeira, chocante, cruel e desconfortável, mas uma verdadeira imagem de cinema, com suas manipulações, formalismos e atenuações da experiência real.

Estamos em um observacional calcado na performance de sua protagonista-atração, em busca do espetáculo visual e narrativo extraído da miséria social e da presença cênica de sua personagem. Não vemos aqui uma escancaramento do encontro entre realizador e a pessoa filmada, marca predominante da produção documental brasileira, especialmente após Santo Forte, de Eduardo Coutinho (certamente um filme-marco para o documentário dos anos 90-00). Essa opção pelo olhar sem o ponto de vista assumido de quem filma, sem a experiência de quem é de fora do espaço filmado, sem o choque de culturas e experiências entre diretor e personagem, em alguma medida, já demonstra um objetivo estratégico de Estamira: expor o resultado de um processo (sobretudo seus efeitos dramáticos-estéticos), e não o processo pelo qual se chegou a esse resultado.

Para ser compreendido em seus procedimentos, Estamira exige de quem o analisa uma reflexão sobre a ética da imagem, de modo a não vetarmos a proposta do filme baseados em critérios que, antes de serem estéticos, estão comprometidos com um programa de proibições imposto ao documentário. Existe um desejo um tanto voraz, e nem sempre coerente (do qual não excluo alguns de meus textos), em relação ao estabelecimento de regras nessa atividade. Parte da produção tem sido avaliada por meio de delimitações sobre o “permitido” e o “proibido” na relação das imagens com pessoas reais. Para que melhor se discuta o filme, é muito importante evitarmos esse risco – ainda que não sem levá-lo em conta.


editoria@revistacinetica.com.br
http://www.revistacinetica.com.br/estamira.htm

"A mulher eunuco", de Germaine Green - LIVRO

11 de novembro de 2007

Parte da segunda onda feminista,"A mulher eunuco", 1970, tornou a autora, Germaine Green, conhecida mundialmente. De forma pioneira, descreve ligações sobre o relacionamento sexual entre homens e mulheres e a dominação sexual (bandeira do movimento feminista).
Para Greer, a diferença entre os sexos foram exageradas ao longo da história e o papel que cada um exerce é fruto de um aprendizado "planejado pelos homens" e exigidos por uma sociedade de família "nuclear, suburbana e consumista", segundo a própria autora.

Inicia falando do corpo, porque acredita que as mulheres devem aprender como discutir as mais básicas suposições à normalidade feminina. Assim, começa nas células e diferenças cromossômicas, segue-se uma discussão dos efeitos do comportamento sobre o esqueleto e as curvas - tão essenciais para suposições do sexo feminino, finaliza com cabelo e sexualidade. Trata do mito do Eterno Feminino, também chamado Estereótipo e de todos os condicionamentos que fazem parte deste processo. Também das relações reconhecidas pela sociedade, como casamento-emprego.
Reivindica a liberdade. Pressupõe que seu livro ficará preso pelos moralistas e políticos conservadores. Considera que as mulheres são "o verdadeiro proletariado, a maioria verdadeiramente oprimida" e que a "revolução só pode ficar mais perto com a retirada o apoio delas ao sistema capitalista". Para a autora, a mulher é "o verdadeiro eunuco" da humanidade.

Sobre a autora

Australiana, Germanaine Greer, nasceu no subúrbio de Mentone. Envolveu-se com um grupo libertário de intelectuais de esquerda em Sidney e em Cambridge participou da revista satírica OZ, assinando os textos com o pseudônimo Dr. G.
Concluiu o doutorado em 1968, subordinando às primeiras peças de W. Shakespeare. Em 1970, publicou "Mulher Eunuco" (The Female Eunuch).

Em 1989, torna pública a transexualidade da física Rachel Padman, episódio que torna Greer conhecida por sua transfobia, especialmente contra mulheres transexuais.
A última polêmica foi em 2005 quando participou do Big Brother por cinco dias, saindo do programa devido à produção de assédio e criticando os outros participantes pela busca desesperada de protagonismo.

Título: A Mulher Eunuco
Autor: Germaine Greer
Gênero: Sexualidade
Editora: Círculo do Livro
Idioma: Português
http://www.pco.org.br/conoticias/ler_materia.php?mat=1469.

EM 1999 COLÓQUIO CELEBROU OS 50 ANOS DE "O SEGUNDO SEXO" LIVRO DE SIMONE DE BEAUVOIR

Colóquio celebra 50 anos de 'O Segundo Sexo'
(publicado em 23/01/1999)

MARIANA SGARIONI
De Paris

Começou na última terça-feira, em Paris, um colóquio internacional para celebrar os 50 anos do livro "O Segundo Sexo", obra da romancista e ensaísta francesa Simone de Beauvoir sobre a condição das mulheres na sociedade. O trabalho provocou polêmica quando foi lançado, em 1949.

O colóquio, que deve reunir até hoje cerca de 130 intelectuais e estudantes de todo o mundo, é organizado pela socióloga Christine Delphy e pela historiadora Sylvie Chaperon, especialista no conjunto da obra da ensaísta francesa.

"O Segundo Sexo" foi uma das principais bases para o feminismo contemporâneo, movimento do qual Beauvoir participou intensamente. A frase "Nós não nascemos mulher, e sim nos tornamos mulher" inspirou as gerações de mulheres que lutaram pela igualdade com os homens nos anos 70.

"Beauvoir ousou descrever sem eufemismo a sexualidade das mulheres. Ela falava em clitóris, vagina, menstruação e prazer feminino em plenos anos pós-Guerra", disse a historiadora Michelle Perrot ao jornal francês "Libération".

O ensaio, que mostrava de maneira filosófica a opressão das mulheres pelos homens partindo da sexualidade, acabou acarretando uma curiosa união: direita e esquerda francesa se aliaram para tentar demolir a obra.

Considerado por alguns um texto revolucionário e a bíblia do feminismo e, para outros, um livro abominável e degradante, não há dúvidas de que, até hoje, muitas mulheres tomam "O Segundo Sexo" como referência.

Simone de Beauvoir morreu em 1986 e tinha acabado de completar 40 anos de idade quando lançou o ensaio. Ela já tinha escrito dois outros romances de destaque: "O Convidado" (1943) e "O Sangue dos Outros" (1945).

A ensaísta foi companheira de Jean-Paul Sartre desde 1929 e suas obras expressam a filosofia existencialista que os dois partilhavam. Sua união com o intelectual fazia dela um personagem que despertava ou admiração, ou violentos ataques.

http://biblioteca.folha.com.br/1/23/1999012301.html.

A invenção do clitóris - "O ANATOMISTA" livro

20 Julho 1997
A invenção do clitóris
'O Anatomista' narra como Mateo Colombo descobriu o pequeno órgão feminino


Se você tiver o projeto de ler só um livro neste inverno, leia, então, "O Anatomista", de Federico Andahazi (Ed. Relume-Dumará, excelente tradução de P. Wacht e A. Roitman). Gostou de "O Nome da Rosa", de Umberto Eco? Adorará "O Anatomista". Acha "O Nome da Rosa" um pouco devagar, comprido demais e prefere o filme? Melhor ainda: "O Anatomista" é leve, rápido, ágil.
O livro chega ao Brasil já famoso, ajudado por um escândalo. Ganhou na Argentina o prêmio Fortabat. A senhora Fortabat não gostou da decisão do júri, pagou o prêmio, mas recusou-se a associar seu nome ao romance. Certo, o texto tem momentos eróticos, e supõe um papa, no século 16, satisfeito em recuperar a saúde graças ao sangue de meninas degoladas. De qualquer forma, a reação fortabatiana produziu um eco da própria história contada no romance, no qual o anatomista lida com censura e inquisição. Andahazi virou, assim, matéria do "New York Times", pulou para a lista dos mais vendidos na Argentina e seu livro foi comprado pela editora Doubleday por US$ 200 mil _recorde para uma obra sul-americana de autor estreante. O cinema já se interessa.

Mas, enfim, qual é a história? Trata-se de Mateo Realdo Colombo, anatomista italiano da Renascença que publicou em Veneza, em 1559 _ano presumido de sua morte_, um tratado de anatomia: "De Re Anatomica" (como informação: em todas as bibliografias, ele aparece como Realdo e não Mateo). O livro teve numerosas edições e foi influente. Colombo (que não era parente do navegador) entrou para história por uma intuição sobre a circulação do sangue e pela descoberta do clitóris: "O órgão que governa o amor nas mulheres". Armado dos poucos dados biográficos, Andahazi inventa e conta esta extraordinária aventura do anatomista italiano.
Antes de mais nada, a própria idéia de que haja uma descoberta do clitóris pode parecer estranha: como é possível que ela seja tão recente? Ou mesmo que venha a ser uma descoberta? Será que as próprias mulheres não conheceriam desde sempre seu corpo?
(...)
LEIA NA ÍNTEGRA EM :
http://contardocalligaris.blogspot.com/1997/07/inveno-do-clitris.html.

Congresso propõe erradicar exploração sexual infantil até 2013 - NOS 60 ANOS DA DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS ,A EXISTÊNCIA DE ....


Congresso propõe erradicar exploração sexual infantil até 2013

**(NOS 60 ANOS DA DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS ,A EXISTÊNCIA DE QUESTÕES COMO ESTA NOS CHOCAM!!!) Nadia Stabile

Da EFE


Rio de Janeiro, 28 nov (EFE).- O 3º Congresso Mundial de Enfrentamento da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes estabeleceu hoje um prazo de cinco anos para que os Governos de todo o mundo coloquem fim a este tipo de violência contra crianças e adolescentes.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que convocou o evento, considerou esta exploração a pior que existe.

O documento final deste encontro fez uma chamada mundial para que todos os países assinem, até o final de 2013, a Convenção das Nações Unidas dos Direitos da Criança e seu protocolo opcional sobre o tráfico e prostituição infantil.

O congresso também pediu para ratificar "sem atrasos", até a mesma data, as convenções regionais mais importantes sobre este assunto, como a Carta Africana sobre Direitos e Bem-estar das Crianças.

O diretor do Unicef para a América Latina e o Caribe, Nils Kastberg, disse que a margem de cinco anos é um "prazo realista" para que a sociedade civil pressione os Governos a tomar medidas, e pediu que comecem o mais rápido possível, porque "é preciso muito tempo" para capacitar policiais e juízes na área.

"Temos muitas esperanças devido à grande participação que os adolescentes tiveram neste Congresso, que agora poderão contribuir para reforçar os movimentos sociais em seus países", afirmou Kastberg à Agência Efe.

O representante do Unicef afirmou que autoridades de várias nações da região mostraram "vontade" em avançar na luta contra os abusos sexuais, como é o caso da Costa Rica, que quer acelerar a luta contra a pornografia, ou o do Brasil, que quer articular políticas até o nível municipal.

Kastberg também ressaltou a conscientização de líderes religiosos e de empresários do setor turístico, comprometidos em acabar com a prostituição infantil em seus locais e que "partem com uma bagagem de práticas muito boa" para colocar em funcionamento após o congresso.

Entre as medidas propostas, destaca-se a proibição de todo tipo de violência sexual contra menores, incluindo práticas como o casamento de crianças.

Pede-se abolir o requisito de dupla criminalidade, para facilitar as extradições dos autores dos abusos sexuais e poder julgá-los, mesmo que tenham cometido os crimes em jurisdição de outro país que não tenha leis para persegui-los.

O documento pede tratar as crianças como vítimas, e nunca como responsáveis dos crimes, com respeito, sigilo de sua identidade durante os processos judiciais e cuidados específicos para evitar novos traumas.

Também pede-se a melhoria dos mecanismos de cooperação internacional em nível administrativo, governamental e policial.

Especialmente, há a solicitação de colaborar com a Interpol em casos como o do turismo sexual.

Para isso, propõe-se utilizar um sistema de notificação internacional desta Polícia, para que os Governos avisem quando e para onde viajam pessoas com histórico de exploração sexual infantil.

No campo da internet, há a proposta para que se defina o crime de pornografia infantil com base em parâmetros internacionais, assim como sejam criminalizadas a produção, distribuição, recepção e posse de imagens sexuais com menores.

O congresso, convocado pelo Unicef e dezenas de ONGs, aconteceu no Rio de Janeiro desde terça-feira para dar continuidade aos dois primeiros encontros, realizados em Estocolmo (em 1996) e na cidade japonesa de Yokohama (em 2001). EFE


FONTE :http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL883039-5602,00-CONGRESSO+PROPOE+ERRADICAR+EXPLORACAO+SEXUAL+INFANTIL+ATE.html

domingo, 14 de dezembro de 2008

A FUNÇÃO DO CLITÓRIS É SÓ UMA!? " MULTIMANIFESTO: ANTES QUE O MUNDO ACABE")

...se a função do clitóris é só uma!?
e se cada mulher só tem um clitóris!
e mesmo assim a maioria das mulheres
não sabe qual é de verdade
a função deste pequeno órgão,
que possue o dobro de terminações
nervosas do que a glande de um pênis!!!...
Então...podemos constatar que seria mesmo
impossível que os homens pudessem
dar conta de entender tamanho enigma!
Este "elo perdido"...não tão perdido assim,
o clitóris,poderá nos trazer muitas surpresas,
assim que pararmos para refletir e
começarmos a entender o porquê!...
ou os desígnios virtuosos
deste pequeno órgão enigmático.
Se fosse para escrever sobre sexo
simplesmente neste blog,
nem precisaria fazê-lo,
pois a web está cheia de sites sobre isso!
O que procuro escrever aqui tem muito
a ver com algo que escrevi tempos atrás,
aqui neste blog...a forma e as funções...
mas não só as funções biológicas, físicas...
mas as que extrapolam isso!
Os seres humanos, assim como os outros animais,
possuem rituais corporais!
tomar banhos, usar perfumes,
malhar, se alimentar pensando na saúde e na estética!
enfim...assim como os gatos se lambem,
e fazem isso como um ritual diário e instintivo,
nós também temos rituais de higiene e saúde,
mas quase sempre não nos damos conta disto,
e em relação ao sexo, chegamos a encará-lo como algo
comum,algo que cumpre uma função biológica, mas...
o que está além desta função...
geralmente passa despercebido!
seria o clitóris uma motivação para que tentássemos
ver de uma outra forma totalmente diferente a prática sexual!?
nos ajudando a transcender certas baixarias de nossa parte!?
não, não me refiro só ao sexo masculino não!
refiro-me a ambos os sexos!
Talvez um caminho fosse nos propormos
a tentar ver as coisas por outros prismas!
Você está vivo? pra fazer o que?
Por que você continua vivo?
Só por causa de uma coisa!?
ou várias!?
Sua genitália,tem quantas funções!?
você acha que conseguiu chegar
a algo virtuoso,em sua vida?
assunto complicado!
acho que é melhor tentar fazer uma canção!

Nadia Stabile - 14/12/08

A MONJA NO CANAL UNIVERSITÁRIO

"o último herói já morreu!
troquei o poster de Che Guevara, pelo de Gandhi!"
"Gaiarsa tinha uma imagem de Cristo rindo,na parede!"
"meditar com os olhos entreabertos e
atingir as ondas alfa,naturalmente,
sem drogas ou eletrodos!"
"...minha mãe se dizia cristã,
mas não tratava seus empregados como tratava suas filhas!"
"Casei-me quando tinha 13 anos. Antes de assinar os papéis do casamento, era pecado transar,após ter assinado,transar,virou algo abençoado, assim...só por causa de um papel!"
"na guerra todos perdem!"
"minha revolução é ininterrupta e eterna!"
"a revolução só pode ser cultural,mental!"

FRASES DA MONJA COEN, EM ENTREVISTA NO CANAL UNIVERSITÁRIO - dezembro/08

(Nadia Stabile)

sábado, 13 de dezembro de 2008

Os Mistérios do Corpo Feminino, ou as Muitas Descobertas do Clitóris


Margareth Rago

No ano de 1997, o jornal Folha de São Paulo noticiou com alarde a publicação de um romance, O Anatomista, por uma das mais famosas editoras brasileiras. De autoria do psicanalista argentino Federico Andahazy, trata-se de uma ficção real, ou de uma história romanceada a respeito da descoberta do clitóris, em 1559, por Readolus Colombus, ou Mateo Renaldo Colón. Risadas, brincadeiras, comentários jocosos, a verdade é que o livro vendeu bem e o autor se tornou famoso nos meios culturais e sociais também em nosso país. E com ele, o clitóris entra novamente em cena.

Digo novamente, é claro, porque o feminismo, liberal ou socialista, já havia feito esta mesma descoberta décadas antes. Logo no final dos anos 60, ou inícios dos anos 70, feministas radicais, lésbicas assumidas e mulheres emancipadas proclamavam sua independência sexual em relação ao império do falo, acusando os homens de desconhecerem o corpo e a sexualidade femininos, negando-lhes na prática o direito ao prazer. A revista Nova, publicada pela Editora Abril a partir de 1972, destinada a mulheres da classe média urbana, divulgava a nova e importante descoberta: as mulheres tinham sim orgasmo e este era sobretudo clitoriano, não apenas vaginal. O clitóris, órgão pouco falado e conhecido entre as mulheres principalmente, fazia sua portentosa aparição, de certo modo, assustadora para os homens: os holofotes punham em cena o pequeno órgão que havia passado tão despercebido e desconsiderado por homens e mulheres por muito tempo.

Na verdade, também não sabemos exatamente por quanto tempo, já que, em seguida, as pesquisas históricas e antropológicas sobre o corpo e a sexualidade do "sexo frágil" passaram a indicar, ao menos nos textos médicos do século 19 e das primeiras décadas do 20, na Europa e no Brasil, um conhecimento bastante aprofundado sobre o corpo feminino pela medicina moderna. Antes mesmo da descoberta de Freud, em 1905, vários médicos, ao explicarem as razões da anafrodisia ou da prostituição, demonstravam um conhecimento científico bastante aprofundado sobre o corpo e os órgãos prazerosos da mulher, desde meados do século 19. Vale lembrar, aliás, que nos séculos anteriores, esta era pensada biologicamente a partir do modelo masculino, sendo o clitóris interpretado como um pequeno pênis.

Gostaria de pensar, neste texto, as razões que levam a um esquecimento da existência do clitóris, a um apagamento do pequeno órgão em cada época histórica e a seu posterior e abrupto renascimento. Será possível detectar algum fenômeno maior associado a este movimento? Será possível dizer que o clitóris é redescoberto em momentos de modernização econômica e de maior liberação das mulheres e, do mesmo modo, esquecido e silenciado em momentos de retração, de maior repressão moral e conservadorismo político? Seria o controle dessa informação sobre o corpo da mulher uma forma de contenção do desejo e normatização das relações de gênero, garantindo o lugar privilegiado ao sexo forte? Minha hipótese é a de que o clitóris é silenciado física e discursivamente nos momentos de maior controle sobre a mulher, sobretudo naqueles em que é associada à figura da mãe e, portanto, totalmente dessexualizada. Exemplo disso são os regimes totalitários, o fascismo italiano e o nazismo alemão que promoveram a figura dócil da mulher camponesa, aconchegante e aninhada entre os filhos, abnegada e bondosa, porém, totalmente assexuada.


A releitura médica do corpo feminino no século 18

Alguns estudos, como o de Thomas W. Laqueur, Ivonne Knibiehler/Catherine Fouquet e Jean-Louis Flandrin trazem inquietantes informações a respeito das interpretações médicas do corpo feminino. O primeiro autor, por exemplo, explica que, a partir do final do século 18, os doutores mudaram radicalmente os parâmetros para pensar o corpo e a sexualidade feminina, o que levou a uma profunda dessexualização da mulher, ou para recorrer a Foucault, a uma patologização de seu corpo. Segundo ele, a partir do final do século 18, emerge uma nova conceitualização do orgasmo feminino, o qual deixa de ser relevante para a geração, como fora anteriormente a ciência médica das Luzes. Os textos renascentistas, em que o clitóris é concebido como um órgão que faz o prazer das mulheres e sem o qual elas "não teriam desejo, nem prazer e nem nunca poderiam conceber" se tornam superados.

O deslocamento do orgasmo sexual feminino se inscreve num quadro mais amplo de reinterpretação radical do corpo feminino, em relação ao masculino, no século 18. Por milhares de anos, embora a mulher fosse socialmente percebida como inferior ao homem, acreditava-se que tinha os mesmos órgãos genitais que ele, com a diferença de estarem dentro e não fora. Galeno, que desenvolve o modelo mais importante sobre a natureza homóloga entre os órgãos reprodutivos do macho e da fêmea, no século 2 d.C., afirmava que a mulher tem testículos acompanhados de canais seminais iguais aos do homem, um de cada lado do útero, com a única diferença de que os do macho estão contidos no escroto e os da fêmea não. Por dois milênios, o órgão que, no início do século 19, definirá a essência da mulher ainda não tinha um nome próprio. Galeno refere-se a ele usando o mesmo nome que utiliza para os testes masculinos, orchis. No século 17, Regnier de Graaf chama os ovários pelo nome latino, testiculi. No século 18, Pierre Roussel, autor do Système Plysique et Moral de la Femme, um dos autores mais influentes do período, denomina os dois corpos ovais em cada lado do útero de ovários ou testículos

"dependendo do sistema que cada um adota".

Por volta de 1800, a concepção que associava o orgasmo à geração se torna alvo de profundos ataques. Os autores passam a defender a tese da profunda diferença da sexualidade masculina e feminina, apoiando-se nas descobertas de suas diferenças biológicas. Em 1803, o médico Jacques Moreau de la Sarthe, autor da Histoire Naturelle de la Femme, em 3 volumes, afirmava, contra Aristóteles e Galeno, que não apenas os sexos são diferentes, mas são diferentes em todos os domínios do corpo e da alma, em cada aspecto moral e físico. Entre homem e mulher, haveria muito mais contrastes e oposições. Segundo Julien Joseph Virey, autor de inúmeras obras sobre a mulher:

"As diferenças sexuais não se limitam aos órgãos da geração simplesmente, no homem e na mulher, mas todas as partes de seus corpos, mesmo as que parecem indiferentes aos sexos revelam alguma influência destes."

O saber médico esforça-se por definir a especificidade do corpo feminino em relação ao masculino, acentuando seus principais traços: fraqueza e predestinação à maternidade. Para Roussel,

"os ossos são menores e menos duros, a caixa toráxica é mais estreita; a bacia mais larga impõe aos femures uma obliquidade que atrapalha o andar, pois os joelhos se tocam, as ancas balançam para encontrar o centro de gravidade, o andar é vacilante e inseguro, a corrida rápida é impossível às mulheres",

explica Knibiehler. (p.90)

Ao mesmo tempo, o útero é definido como o principal órgão feminino, responsável pelo funcionamento de todos os outros: cérebro, estômago, seios, lábios etc. (p.94) Portanto, o antigo modelo de interpretação do corpo, em que homens e mulheres eram definidos segundo o grau de perfeição metafísica, por seu calor vital, segundo um eixo cujo telos era masculino, foi substituído pelo modelo da diferença biológica, no século 18. Assim como Knibiehler, Laqueur nega que estas conclusões e especialmente o ataque ao orgasmo feminino tenham advindo de avanços científicos concretos, registrando um profundo desconhecimento da ovulação humana até recentemente. A mudança na interpretação dos corpos feminino e masculino, antes vistos como hierárquica e verticalmente dispostos e agora percebidos como horizontalmente disposto, como opostos, como "incomensuráveis" resulta de outros fatores. Até 1797, ninguém se preocupara em reproduzir um esqueleto feminino num livro de anatomia para ilustrar as diferenças do homem. Até então só existira uma estrutura básica do corpo humano, a do macho. Portanto, longe de refletir um avanço científico,

"novos modos de interpretar o corpo resultavam de novos modos de representar e de fato de constituir realidades sociais". (p.4)

Knbiehler refere-se à medicina das Luzes como aquela que promove a domesticação do corpo feminino, como aquela que

"invalida o ser feminino como nunca havia sido antes"

pois a mulher deverá ser afastada da vida pública e profissional por sua constituição fraca e por sua sensibilidade à flor da pele. (p.113) Ter prazer sexual significava, na lógica do século 16, como mostra Flandrin, ter tido uma relação sexual perfeita, portanto, gerado o ser perfeito, tese que era aceita pelos teólogos. Segundo estes, os membros inferiores e as costas da viúva solitária doeriam por causa da contenção do sêmen, até que ela descarregasse e sentisse um prazer semelhante ao que obteria na cópula: Segundo Ambroise Paré:

"Nenhuma concepção ocorre se as duas sementes não concorrerem junto no mesmo instante." (p. 133)

Ao mesmo tempo, vários autores viam a menstruação como um sangramento, entre outros. Para o médico Boerhaave por exemplo, os homens sangravam regularmente através das artérias hemorroidiais, do nariz, dedos, etc.

O clitóris, descoberto em 1559 por Readolus Colombus como "a sede do deleite das mulheres", era chamado nos textos do século 16 de mentula muliébris (female penis), nympha (termo de Galeno), columnella (coluna), crista (de galo), dulcedo amoris ou oestrum veneris; era visto como o pênis feminino, como, aliás, aparece no guia de parteira de Jane Sharp, de 1671. ainda não passaria pela cabeça de ninguém a idéia de que clitóris grande significasse lesbianismo

Laqueur chama a atenção para o fato de que a construção cultural da fêmea em relação ao macho, enquanto expressa em termos de realidades concretas do corpo estava mais profundamente en~aizada em assunções sobre a natureza da folitica e da sociedade. O abandono destas crenças no Iluminismo tornou inapropriado o sistema de homologias hierarquicamente ordenado. A nova biologia, com sua busca por diferenças fundamentais entre os sexos e entre seus desejos emergiu neste momento preciso, quando as bases da sociedade estavam profundamente abaladas. O século 19, lembra Havelock Ellis, afirmará a tese da anestesia sexual da mulher. Mas, o que aconteceu com a velha biologia?

Para Flandrin, a seqüência é a seguitie: Aristóteles, com a teoria de que a mulher é um vaso receptáculo apenas do sêmen masculino e de que não necessita de orgasmo para a geração é seguido por São Jerônimo e Santo Agostinho, e ainda no século 13, na obra de Alberto, o Grande. Os médicos dos séculos 16 e 17 foram partidários de Galeno e a maioria dos teólogos também retomaram os argumentos galenistas. Contudo, ninguém seguiu à risca as diferentes teorias, mesclando-as muitas vezes. (p.132) Flandrin constrói seu texto no sentido de mostrar que não há um avanço com os séculos, mas um crescente irracionalismo com a modernidade.

Aí entra a reviravolta: por que muda o modelo de leitura do corpo? Por que há uma dramática reavaliação do orgasmo feminino e de interpretação do corpo feminino em relação ao masculino, no final do século 18? Os escritores do século 18 buscam na biologia uma justificação para as diferenças culturais e políticas entre os sexos, que foram cruciais para as articulações de argumentos feministas e antifeministas. Para Hobbes, não havia na natureza nenhuma base para justificar qualquer tipo de autoridade - de um rei sobre seu povo, do homem sobre a mulher. E a revolução, o argumento de que a humanidade em todas as suas relações sociais e culturais poderia ser refeita engendrou tanto um novo feminismo quanto um novo medo da mulher. Mas o próprio feminismo e sua luta pela entrada da mulher na esfera pública foi feita com base nesta diferença.

Sua tese segue a de Ivonne Knibiehler: com a emergência da sociedade burguesa houve, no final do século 18, uma redefinição do lugar social da mulher, para a qual a ideologia burguesa teve que fornecer novas justificações científicas. A ciência médica propõe, então, uma releitura do corpo feminino, tendo em vista responder a uma série de problemas colocados pela nova ordem sócioeconômica emergente: a concepção de indivíduo, já que as mulheres passam a se pensar como iguais aos homens; a separação entre as esferas públicas e a privada, a primeira associada aos negócios masculinos e a segunda à natureza feminina; uma re-significação da função social da mulher, agora destinada a constituir a família higiênica.

Segundo ele, deve-se considerar as mudanças políticas em curso: a emergência do discurso da igualdade se faz acompanhar do nascimento de uma nova biologia - "a biologia da incomensurabilidade" - segundo a qual a mulher é por natureza diferente do homem, inferior e incapaz de vida pública. A resistência das mulheres, o nascimento do feminismo acirram este discurso, levando a buscarem-se outros modos de restabelecimento das hierarquias de gênero, num momento em que as bases metafísicas estavam sendo solapadas. No Brasil, várias pesquisas tornaram conhecidas as teorias médicas sobre o corpo e a sexualidade feminina, seja da "mulher honesta", seja de seu avesso, "a prostituta", que fundamentaram as interpretações e os sentidos atribuídos à feminilidade e definiram o lugar da mulher na sociedade, e que referenciaram as práticas de controle social, incluindo-se as policiais. Fortemente marcados pelos pensadores e cientistas europeus, os médicos explicaram a inferioridade física, moral e intelectual da mulher em relação ao homem, como uma realidade inscrita em seu próprio corpo, na configuração diferenciada de sua estrutura óssea, concluindo por sua incompetência para participar da esfera pública em condições de igualdade com os homens. Avisaram que, por natureza, as mulheres haviam sido destinadas às tarefas da reprodução e as que se recusavam a essa função deveriam ser percebidas como "desviantes" ou "associais". Era o caso das feministas, consideradas mulheres que recusavam sua condição e seu espaço natural - a maternidade e o lar e desejavam ser homens, ou quase como homens. Era o caso também das prostitutas e lésbicas, mulheres dos excessos instintivos, degeneradas natas por hereditariedade.

Os médicos e a relações conjugais no Brasil

A partir do último quarto do século 19, os enunciados do discurso médico sobre a sexualidade feminina, no Brasil, reproduzem as concepções, dominantes da medicina vitoriana, ampliada, mais para o final do século, pelas teorias lombrosianas da Antropologia Criminal. Em 1872, o dr. Ferraz de Macedo, em sua já conhecida tese sobre A Prostituição na Cidade do Rio de Janeiro, classificava, as prostitutas, como mulheres excêntricas, gulosas, preguiçosas, irracionais, irrecuperáveis para a sociedade, signos da involução das espécies: sub-raça. Alguns anos depois, o criminologista italiano Cesare Lombroso classificava as cientificamente como "degeneradas natas", sendo então largamente difundido entre os médicos de todo o mundo. Aqui os doutores insistiam na ausência de instinto sexual nas "mulheres castas", a não ser para fins reprodutivos. Como ensinava o doutor J.B. de Moraes Leme, em 1926:

"Na mulher domina, sobre o instinto sexual, o instinto materno, ou melhor, o apetite sexual decorre do instinto materno, enquanto que no homem o instinto paterno tem parte muito pequena no coito, em que aquilo que ele procura é o prazer".

Ao lado dos médicos, juristas famosos como o dr. Viveiros de Castro, obcecados com a classificação do que consideravam "perversões sexuais", segundo as classificações do psiquiatra vienense Richard von Kraft-Ebing, enxergavam onanistas, pedófilos, homossexuais, tríbades, desviantes e perversos sexuais em quase todos os cantos dá cidade, sobretudo nos bares, restaurantes, cafés-concertos e pensões de artistas. Voyeuristas conscientes ou inconscientes, os homens da ciência seqüestraram a sexualidade desde o século 19, como apontou Foucault, e "perverteram o sexo". Todas as práticas sexuais foram postas sob o signo do discurso científico, analisadas, classificadas e condenadas, enquanto o corpo da mulher foi congelado sob o "império do útero", na expressão de Knibiehler. Dir-se-ia que a ciência domou o sexo, com medo de ser dominada.

É de se notar que o saber médico recolhia importantes informações sobre a anatomia do corpo feminino, não se detendo nas meretrizes, importantes, diga-se de passagem, apenas na medida em que permitiam sinalizar as formas de conduta que as "honestas" deveriam evitar. Por isso mesmo, insistiam no fato de que as mulheres tinham um desejo sexual muito menor do que os homens aliás, quase inexistente, já que sua energia sexual era canalizada para a realização de sua essência: o desejo de ser mãe.

Contudo, já em 1886, o médico A. D'Almeida Camilo, em sua tese O Onanismo na Mulher: explicava a anatomia feminina e destacava a importância do clitóris para o prazer sexual. Segundo ele:

"O clitóris é um órgão eréctil, cuja estrutura se assemelha à dos corpos cavernosos e que apoiado sobre o dorso do pênis, no ato da cópula, recebe a excitação pelo atrito deste, dando em resultado a satisfação do desejo venéreo."

Advertia, portanto, que, em geral, o homem terminava a cópula antes da mulher,

"de mudo que, havendo lentidão e portanto o clitóris não sendo perfeitamente friccionado pelo pênis, permitindo apenas um começo de prazer, este ato que lhe é mais enfadonho que agradável a obriga a masturbar-se para completar o prazer que começara a sentir"

Seria limitado, portanto, enxergar o discurso médico como homogêneo e de ponta a ponta coerente, ao longo dessas décadas. Alguns doutores aproximaram-se de teorias científicas mais abertas, em especial durante os , anos 20, quando as antigas leituras do corpo feminino e de suas necessidades passam a ser questionadas em vários países, como na Inglaterra e nos Estados Unidos. Para muitos historiadores, esta foi a década que presenciou a "primeira revolução sexual" do século 20, precedendo a segunda nos anos 60, e se caracterizaria por uma liberação dos costumes sexuais, mas apenas no que se refere às relações conjugais heterossexuais, e não homossexuais.

Já praticado na experiência anarquista da Colônia Cecília, no Paraná, em fins do século, o "amor livre" passa a ser um tema constantemente debatido nas rodas de intelectuais e de artistas, modernistas e libertários, como observa Maria Lacerda de Moura, enquanto ela própria contesta radicalmente o casamento indissolúvel como prisão e a exigência da virgindade apenas para. as mulheres. Pagu e Oswald de Andrade ficam famosos, nos anos 20 por suas relações amorosas bastante livres e transgressoras, enquanto ela é lembrada como uma mulher que ousa desafiar a moral, que circula audaciosamente vestida nas ruas da cidade, protagonizando a "nova mulher", ou a "mulher emancipada", próxima da figura da "melindrosa" e da vamp sedutora, que aparecem nos romances da época. Nesse contexto, o casamento é contestado enquanto instituição deformada e desmoraliza-la, enquanto vários posicionam-se favoravelmente ao divórcio.

A preocupação com a erotização da mulher casada, na Inglaterra e nos Estados Unidos, é destacada por Jeffreys, como: uma das principais mudanças na ideologia, sexual desta década e, de certo modo podemos observar uma tendência semelhante no Brasil. Ao longo dos anos 20 e 30 cresce, entre nós, toda uma literatura que discute e questiona a moral sexual, por parte de médicos e juristas, tanto quanto de anarquistas e modernistas. A virgindade, o casamento, o adultério, a prostituição, o divórcio compõem um conjunto de temas amplamente discutidos, tanto em sentido conservador e misógino, como em sentido oposto.

Os argumentos desenvolvidos pelos homens cultos em favor da educação sexual dos jovens revelaram que a preservação dos valores morais burgueses se colocava com alguma insistência, e que esta aparecia como uma poderosa arma no combate moral aos perigos, imaginários e reais, que visualizavam. O dr. Ubaldino A. de Oliveira, por exemplo, em discussão sobre a questão da Profilaxia Sexual? ou Social em 1924, afirmava que as causas da "derrocada moral" de nossa sociedade se deviam a que a juventude buscava unicamente "o gozo" nas suas atividades. Pela falta de educação sexual, os jovens ficavam seduzidos pelas orgias e pelos "vícios elegantes", entenda-se, as drogas. Desde cedo, aprendiam a arte de seduzir as "mulheres honestas", e apenas quando "gastos" resolviam casar-se. Para o dr. Orlando Vairo, o vício se alastrava de tal modo na cidade de São Paulo, que até mesmo senhoras casadas da alta sociedade já se entregavam

"à embriaguez do ‘lança perfume’ no salão das danças."

Já as jovem solteiras,

"excitada nos bailes, cinemas, teatros, etc., sem ver a possibilidade de satisfação honesta e natural de seu instinto de mulher sem conhecimento perfeito da missão que lhe compete, e dos perigos a que se acha exposta, um di1ema se lhe antolha - ou fala mais alto o instinto, e ela se prostitui, - ou um resto de pudor e vigilância dos pais a detêm até aparecer um marido – qualquer que ele seja - escolhido muitas vezes por pais inescrupulosos." (p.15)

Ao mesmo tempo, os defensores da educação sexual acreditavam que a ignorância masculina em relação ao corpo e ao funcionamento desejante da mulher resultava em freqüentes desentendimentos entre o casal. Portanto, exclamava A. Debay:

"Srs. homens, rogo-vos que vos deis ao trabalho de estudar a mulher em sua organização física e moral; (...) a maior parte dos homens casados, para não dizer quase todos, ignoram as verdades fisiológicas que acabamos de expor; sua ignorância relativamente a este fato natural leva-os a queixarem-se da indiferença de suas consortes e os torna ridículos, senão injustos;(...)".

A "higiene do amor"

Tendo em vista educar os homens e informá-los sobre as questões sexuais, os médicos elaboraram manuais de higiene sexual, ou de "higiene do amor e das paixões", a exemplo do dr. Olavarrieta, cujo trabalho intitulado Higiene Sexual foi publicado em São Paulo, em 1929.

Bastante liberal em relação aos seus predecessores e na ânsia de salvar o casamento indissolúvel como ele mesmo dizia, o doutor procurava explicar aos homens a fisiologia da mulher, advertindo-os contra a falta de excitação, de prazeres, de cuidados no ato sexual em relação às suas esposas, tida para eles "como mães de seus filhos". Reconhecia as necessidades sexuais das mulheres, diferentemente de seus antecessores, o que em nada alterava a reafirmação de todos os outros mitos referentes à construção de sua identidade como incapaz, menor, desigual em relação ao homem. Modernizava as relações de gênero, inclusive reformulando e liberalizando as práticas sexuais do casal, mas em nada alterava sua concepção de que a mulher deveria permanecer na esfera privada do lar. Examinemos os seus argumentos. Convicto da necessidade da união sexual para mulheres e homens através do casamento, o médico discernia as necessidades sexuais e emocionais de cada um: no caso das mulheres, o matrimônio afigurava-se da maior importância e era, aliás, exigido por sua própria constituição física, sob pena de dela apoderar-se a "clorose lenta e contínua", ou pior, de ela interessar-se pelas práticas detestáveis do onanismo e da prostituição. Função de controle e de autocentramento, portanto.

Já paia os homens, uma das vantagens do matrimônio e, conseqüentemente, da regularidade virtual do prazer sexual obtido "com moderação" seria o prolongamento da vida, pois a satisfação sexual comunicaria ao corpo "maior vigor às funções e uma justa compensação pelos trabalhos desenvolvidos." Função de vitalidade e de energização. Segundo suas pesquisas, prosseguindo a tradição dos naturalistas europeus, a regularidade sexual para ambos os sexos resultaria em muitas vantagens para a vida física, moral e intelectual, ao contrário do que ocorria com os solteiros, expostos com mais facilidade a contrair doenças e vícios que

"esgotam prontamente o organismo"

Entendendo que o casamento respondia a uma exigência natural para ambos os sexos, Olavarrieta era favorável ao divórcio, pois acreditava que a única garantia para a conservação do contrato estabelecido entre eles seria apenas "a satisfação do apetite sexual".

Procurava mostrar, em suas reflexões a importância do prazer sexual nas relações contraídas pelo casal e alertar contra os perigos de ignorar se a questão sexual. De uma certa maneira, seu manual de "higiene sexual" apresentava-se como um guia para a realização dos prazeres entre o casal, tendo em vista a preservação do casamento, como, aliás, encontramos hoje em dia em algumas revistas destinadas ao público feminino.

O manual procurava informar o público-leitor - principalmente constituído por homens - a respeito da fisiologia tanto do homem quanto da mulher, elucidando alguns pontos sobre o prazer sexual para ambos. Fundamentalmente, considerava-se que embora a mulher tivesse necessidades sexuais, estas não eram tão prementes e ameaçadoras quanto as masculinas,

"pois a mulherão conhecendo a tumescência, fenômeno representado no homem, pela repleção e distensão dos órgãos genitais, em particular de suas vesículas seminais, não precisa se socorrer da cópula, para conseguir o fenômeno oposto, isto é, o da detumescência."

Por este mesmo motivo, aceitava-se a existência de um espaço geográfico especialmente destinado ao transbordamento do desejo masculino, mas onde as mulheres presentes seriam muito possivelmente percebidas pela tipologia do dr. Lombroso. Refiro-me, evidentemente, à zona da prostituição.

Dentre as enfermidades que poderiam afetar e mesmo interromper as relações sexuais do casal, Olavarrieta destacava a anafrodisia, ou "a falta de desejos venéreos", raríssima entre os homens, porém, muito freqüente nas esposas, em virtude da experiência sexual diferenciadíssima que ambos traziam para o matrimônio. Segundo o médico, a indiferença pelos prazeres sexuais que se manifestava na mulher resultava tanto de uma educação errônea, que acentuava sua ignorância em relação às necessidades sexuais e aos deveres conjugais, quanto do egoísmo e do "néscio excesso de pureza" dos maridos. Chegando ao casamento "sexualmente gastos, enfastiados e estragados", estes submetiam suas esposas a regimes de relações sexuais extremamente austeros,

"transformando as carícias em obrigação, quem sabe em repugnância ou em dor."

O resultado disso era que as mulheres fugiam do sexo com o marido, ao invés de encontrar no parceiro uma importante fonte de satisfação sexual. Para o médico, os homens haviam sido induzidos erroneamente a acreditar que as práticas sexuais prazerosas só poderiam ser consumadas com amigas, amantes ou prostitutas, respeitando religiosamente as esposas. Para o saber médico, os homens tinham uma posição muito conservadora em termos sexuais, projetando na esposa a figura da mãe, isto é, dessexualizando-a.

Segundo ele:

"Erroneamente, o casado evita com sua mulher toda classe de refinamentos durante o ato sexual, crendo deste modo cumprir mais fielmente as obrigações de marido, já que a alegria, a satisfação, a recreação ficaram nos braços de suas amigas anteriores. Repeti-las com sua própria mulher, com a que vai ser ‘mãe de seus filhos’ seria insensato, eqüivaleria a tanto como insultá-la, ofendê-la, quiçá, prostituí-la."(p.16)

Ao mesmo tempo, o prazer no casamento seria fundamental e saudável também para o homem, evitando o recurso à masturbação e à procura dos prazeres extraconjugais. No primeiro caso, conhecemos o terror suscitado pelas práticas onanistas na medicina dos séculos 19 e 20. A própria impotência, afirmava o dr. Olavarrieta, um dos principais problemas que afetava a relação entre o casal, evidenciando-se com mais freqüência no homem, resultaria do abuso da masturbação, do excesso de relações sexuais ou de prazeres solitários, na grande maioria das vezes, quando não de enfermidades venéreas contraídas no mundo exterior. Em relação ao onanismo, afirmava ele:

"as vítimas desta paixão solitária perdem a memória e a inteligência; tornam-se estúpidas, melancólicas e hipocondríacas; desejam a solidão, são incapazes de estudar, e chegam bem facilmente à degenerescência amplamente declarada."

(p.57)

Vale notar que o saber médico de então tinha uma concepção bastante ampla das práticas onanistas, entre as quais destacava as que caracterizavam o onanismo conjugal, segundo suas informações, muito praticado naqueles tempos: a saber, a sodomia, o coito interrompido, e até mesmo a utilização do condão, atual camisinha,

unicamente tolerável nos coitos mercenários, pois consegue sempre evitar os contágios venéreos."

É interessante notar que, apesar das concepções moralistas e extremamente misóginas destes doutores, muitos reconheciam o "apetite sexual" também nas mulheres, procurando alertar para a importância de ser, ao menos parcialmente, satisfeito. Discutindo O Problema Venéreo, em 1926, outro medico afirmava que o apetite sexual sendo diferente nos dois sexos, no homem era mais intenso justamente porque a ele cabia a parte ativa da relação, o que não significava, porém, que aquela deixasse de conhecer o orgasmo:

"o papel da mulher no coito é em geral meramente passivo; sem deixar de ter o orgasmo venéreo, por vezes tão intenso quanto o do homem e por vezes superior ao deste, a mulher é na regra comum menos sensual; nela o instinto de geração está mais conservado que no homem, embora as restrições que à sociedade lhe impõe sejam muito mais severas que as que se impõem ao outro sexo."

E claro que, apesar dos seus refinados conhecimentos, os médicos estavam menos preocupados com a satisfação das necessidades sexuais femininas do que com a garantia do casamento e com o futuro da prole. Fundamentalmente pregavam a indissolubilidade do matrimônio, embora evidenciando direta ou indiretamente suas angústias e seus temores. De qualquer modo, o nacionalismo crescente entre as décadas de 20 e 30 fundamentava uma forte preocupação eugênica com o fortalecimento da raça, com a formação dos futuros cidadãos da pátria e com a transmissão dos valores éticos, como se pode observar nas afirmações do dr. Renato Kehl, fundador do Instituto Brasileiro de Eugenia.

Mesmo assim, uma série de preceitos eram definidos de modo a orientar os maridos, principalmente, na boa condução da relação sexual: durante o ato sexual, recomendava-se que a relação se restringisse ao "coito vaginal", isto é,

"intromissão do pênis na vagina, estando o corpo em posição horizontal e ficando a mulher em plano inferior em relação ao homem"

dormir ou repousar um pouco após o ato; e, sobretudo, nunca repetir a cópula,

"seja ao se terminar a primeira, seja horas após, no mesmo dia."

O "coito interrompido" era condenado também por não resultar em satisfação para as mulheres, que

"sofrem grandes perturbações nervosas, em conseqüência do estado de insatisfação sexual, que desta prática deflui, devido ao fato da mulher interromper em regra geral a cópula, antes de entrar em orgasmo."

E mesmo no caso em que o homem conseguisse reter a ejaculação, para que a companheira pudesse

"entrar em orgasmo antes da interrupção do coito",

nem assim sua satisfação sexual estaria garantida, pois ela ficaria igualmente

"privada do esperma, [e] não participaria dos benefícios, que de sua absorção defluiriam."

A "revolução clitoriana" nos anos 70

É interessante observar que, a despeito do reconhecimento do clitóris como lugar fundamental do prazer sexual feminino, no final do século 19, a grande maioria dos médicos, quando aceitava a necessidade sexual da mulher indicava como desejável a relação tradicional em que se procurava obter o orgasmo vaginal. E, de certo modo, é possível dizer que a vitória do modelo da família nuclear higienizada, entre os inícios do século 20 e os anos 50, levou a um total abafamento da existência e da importância do pequeno órgão da mulher, cada vez mais associado à anormalidade e ao lesbianismo. Assim, é somente nos inícios dos anos 70 que, no Brasil e em muitos outros países, entra em cena o clitóris, no contexto de toda uma discussão que redefiniu o lugar social e sobretudo sexual da mulher.

Vale notar que, para além das revistas feministas norte-americanas a que tiveram acesso as jovens da classe média universitária desde o final dos anos 60, a discussão foi popularizada através de uma revista comercial destinada ao público feminino, que rapidamente se tornou nacionalmente conhecida: a revista Nova. Já em seus primeiros artigos, ao propor uma nova figura de mulher independente, livre, ágil, ativa, nova cidadã e nova integrante do mercado, explicava a fisiologia do corpo feminino e masculino, atentando para o clitóris como lugar fundamental do prazer sexual, com base nas descobertas de Master e Johnson. Para a "nova" mulher, indicavam-se novos saberes sexuais, que poderiam informar a mudança de hábitos pessoais e com o companheiro. Em artigo intitulado "Orgasmo" (n° 68, maio de 1979), por exemplo, o terapeuta sexual respondia à pergunta "Como você sabe se está tendo um orgasmo?":

"O orgasmo acontece sempre de um mesmo jeito: pela estimulação do clitóris (orgasmos vaginais não existem); e cada clímax é diferente do outro. Seu orgasmo da segunda feira não é igual ao que você sentiu no sábado à noite, e você o experimenta sempre de modo diferente de suas amigas."

E à pergunta de se "Um homem pode ‘dar’ orgasmo a uma mulher?", a resposta era taxativa:

"...NÃO. As mulheres são responsáveis por seus próprios orgasmos. Por outro lado, com um homem hábil e atencioso é bem mais provável que a mulher chegue ao clímax."

Em outro artigo, de fevereiro de 1991, Freud é responsabilizado pelas confusões em torno do clímax feminino:

"Ele acreditava que as mulheres tinham dois tipos de orgasmo: o clitorial (imaturo) e o vaginal, durante a relação. Alcançado por mulheres emocionalmente maduras. Mas isso era só teoria, sem nenhuma pesquisa científica. Hoje em dia os sexólogos dizem que alcançar o orgasmo pela estimulação do clitóris é tão válido, ou maduro, quanto qualquer outro tipo de orgasmo."

Em outras palavras, o clitóris foi discursiva e praticamente fundamental para a redefinição social da figura da mulher, muito embora se tenha dado pouca atenção à associação então estabelecida. Mais do que nunca, clitóris e política se encontram, trazendo muito para se pensar e fazer.

Finalizando:

A questão inicial deste texto continua sem resposta definitiva. Contudo, é possível perceber que, em momentos de desestabilização social, provocada pela modernização econômica e pela transformação social dos hábitos, as discussões sobre a capacidade desejante da mulher, ou sua possível igualdade em relação aos homens também em matéria de sentimentos, instintos e sensações ganham destaque e, com elas, o clitóris adquire visibilidade.

E também possível concluir que as informações médicas sobre a anatomia do corpo feminino e seu funcionamento variam conforme o maior conservadorismo ou progressismo da época. Nos momentos de explosão feminista, como nos inícios do século 20 e nas décadas de 70-80, o clitóris entrou em cena, as mulheres ganhando autonomia em relação aos homens inclusive no campo sexual, biologicamente fundamentadas. Nos períodos de enclausuramento do desejo, como nos anos 30 ou S0, os discursos autorizados promovem a figura da "mãe cívica", logo, sem desejo e sem tesão. O precioso órgão desaparece dos discursos competentes.

É de se notar, portanto, que a maneira pela qual o corpo é lido e explicado, mesmo que cientificamente, varia em cada época, tanto segundo as representações, corporais produzidas, quanto segundo os interesses políticos e ideológicos dominantes. Como diz Laqueur,

"a história do clitóris é parte da história da diferença sexual e da socialização dos prazeres do corpo. Como a da masturbação, trata tanto de questões sociais, como de sexo."

Seguramente uma análise psicanalítica nos levaria um pouco mais longe nessas considerações a respeito do corpo e de suas racionalidades, ou das manipulações culturais do desejo em cada momento e em cada sociedade.

FONTE: http://www.nodo50.org/insurgentes/textos/mulher/16descobertas.htm.

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