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domingo, 23 de agosto de 2009

“flash mob die in” - Contra energia nuclear, pessoas simulam estar mortas no asfalto- GREENPEACE



Nas cidades de Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro, exatamente às 10h deste sábado, o promove uma GreenpeaceFlashmob - mobilização relâmpago - na qual as pessoas vão deitar no asfalto e fingir estar mortas.

O objetivo da mobilização é protestar contra a parceria entre França e Brasil na área de energia nuclear.

O evento, que ganhou o apelido “flash mob die in”, por conta da morte coletiva simbólica, é reconhecido pela própria organização como “o primeiro flash mob do Greenpeace no Brasil”.

Pelo visto, parece ser uma nova forma de protesto a ser usada pela organização internacional para defender as causas ambientais.

Moda em todo o mundo, a flashmob se baseia na mobilização coletiva, aparentemente casual e espontânea. Nos tempos de “febre”, muitos cruzamentos, espaços públicos e até lojas de departamento eram invadidas por dezenas ou mesmo centenas de pessoas com atitudes coreografadas.

Quantas pessoas deitam no asfalto hoje? Você vai?

Pontos de encontro:
São Paulo - Lado de fora da estação do METRÔ BRIGADEIRO
Rio de Janeiro - Lado de fora da estação do metrô da Carioca (Av. Chile)
Salvador - Na frente do Colégio Sartre Coc da Graça


terça-feira, 30 de junho de 2009

HONDURAS: A PRIORIDADE É ESMAGARMOS O OVO DA SERPENTE! - CELSO LUNGARETTI (clique aqui)
















Bombardeio do Palácio do Governo, 1973: o caminho
dos golpes de estado leva aos pinochetazzos


Quando eu refletia sobre como posicionar-me diante do imbroglio hondurenho, o e-mail recebido do inestimável companheiro Ismar de Souza indicou-me o caminho correto:

"Mesmo sem ter presenciado, veio-me à memória como deve ter sido o golpe contra Goulart em 1964. Os países da América Latina devem reagir rapidamente, senão a espiral golpista pode voltar com força total em republiquetas menores, depois em países maiores como a Venezuela e Bolívia".

Concordo: é mesmo um precedente perigosíssimo, daí a necessidade de abortarmos imediatamente o golpe de estado. Trata-se da prioridade nº 1, neste momento.

Quando me posicionei com tanta ênfase contra a proposta de emenda constitucional para facultar-se nova reeleição ao presidente Lula, foi exatamente por temer um desdobramento desse tipo.

O presidente em exercício tem um poder de fogo muito grande para conseguir apoios e maiorias. Se o utilizar para perpetuar-se no poder, tem grande chance de obter êxito. Daí ser inaceitável, numa democracia, que ele manobre para a convocação de constituintes ou realização de plebiscitos no sentido de que sejam alteradas as regras do jogo em seu benefício. Mudanças que entrarão em vigência no mandato seguinte, tudo bem. Mudanças em causa própria, nunca!

Pior: a rua é sempre de duas mãos. Quem apóia a presidência eterna do Chávez será um cínico se negar idêntico direito a Uribe. O que serve para a esquerda, acaba servindo também para a direita.

ESQUERDA x MAQUIAVELISMO - Mas - objetarão alguns companheiros -, o que importam as regrinhas democráticas para quem quer tocar adiante uma revolução?

Aí a discussão é longa. Mas, eu permaneço fiel a um valor da minha geração: não se fazem revoluções com subterfúgios.

O PCB sempre acreditou em conquistar, pela via democrática, posições-chave do governo (quiçá a própria Presidência da República) e depois utilizá-las como catapulta para o poder.

Foi a postura que levou ao terrível fracasso de 1964. E que gerou uma nova esquerda, em 1968, disposta a perseguir abertamente seus objetivos, proclamando-os em alto e bom som, sem tentar esconder a que vinha.

Utilizarem-se as franquias democráticas para conquistar o governo e depois tentar burlá-las para alcançar o poder é puro maquiavelismo. Nada tem a ver com o marxismo, muito menos com o anarquismo.

Outro valor fundamental para a minha geração: revoluções são feitas pelo povo e com o povo. Acontecem quando o povo está pronto para elas. Não tomando-se o poder para depois tentar-se engajar o povo, pois este tem de ser sempre o sujeito da revolução, nunca o objeto.

Quem passa por cima disto, mesmo com boas intenções, acaba vendo o povo reduzido à condição de coadjuvante também durante o regime dito revolucionário. Daí o alerta profético de Trotsky: primeiro, o partido substitui o proletariado; depois, o Comitê Central substitui o partido; finalmente, um ditador substitui o Comitê Central.

Mais: revoluções são obra coletiva, não dependem desesperadamente de líder nenhum.

Se o preço das forçações de barra continuístas é dar ensejo a golpes de estado direitistas, então um presidente de esquerda tem mais é de tentar fazer seu sucessor, como o Lula no caso da Dilma.

Se tem mesmo prestígio junto às massas, elegerá um discípulo fiel e não concederá, de mão beijada, um trunfo à direita golpista. Se não tem, que se resigne a deixar o governo no final do mandato. É simples assim.

NO FIM DA LINHA, OS PINOCHETAZZOS - As trapalhadas do presidente hondurenho Manuel Zelaya permitiram que o golpe dado contra ele parecesse justificável. Afinal, pouparam-lhe a vida, boa parte de seu próprio partido o traiu, o Congresso avalizou a deposição e o substituto é um civil, o presidente do Legislativo, que promete marcar novas eleições para breve.

Eis um enorme perigo: começa-se por um golpe brando e se acaba em pinochetazzos. O ovo da serpente tem de ser esmagado antes de eclodir.

Mas, não por uma intervenção militar de um único país (como a Venezuela), o que geraria uma reação em cadeia, de consequências imprevisíveis. E sim por meio de uma articulação continental.

Mesmo porque a ninguém deve ser concedido o papel de polícia da América Latina. Se tanto combatemos a atuação dos EUA neste sentido, não foi para que as tropas de Chávez tomassem o lugar dos marines.

E que, uma vez afastado o perigo imediato, este episódio sirva como advertência. É hora de dissociarmos, de uma vez por todas, nossas revoluções de tudo que seja -- ou pareça -- o velho caudilhismo latino-americano.

FONTE:http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/2009/06/honduras-prioridade-e-esmagarmos-o-ovo.html

Somos todas Honduras! Estamos em resistência!





A Marcha Mundial das Mulheres e a Rede Latinoamericana Mulheres Transformando a Economia nos unimos a todas as organizações feministas e do movimento social de Honduras para condenar e repudiar veementemente o golpe de Estado contra o presidente Manuel Zelaya Rosales, dirigido pelas Forças Armadas e pelo presidente do Congresso Nacional, Roberto Micheletti, com apoio dos meios de comunicação controlados pela oligarquia deste país.

Executado pelas forças armadas às 5 da manhã do domingo, 28 de junho, o golpe truncou as aspirações democráticas da população, que se preparava para realizar uma consulta à sociedade hondurenha, para verificar se estava de acordo em convocar uma Assembléia Nacional Constituinte, com o objetivo de elaborar uma nova constituição. Além disso, o golpe militar colocou na presidência Roberto Micheletti, fantoche da oligarquia hondurenha.

Apoiamos a resistência pacífica do povo, em particular das feministas hondurenhas, que estão mobilizados/as em vigílias e greve geral em apoio ao Presidente Zelaya e à restituição da democracia hondurenha, e nos somamos a todos os movimentos sociais para exigir:


1. O restabelecimento da ordem constitucional, sem derramamento de sangue.



2. Que o Exército não reprima a população de Honduras que exige o retorno da democracia.



3. Que se respeite a integridade física das feministas e demais dirigentes sociais, que estiveram a frente da consulta.



4. O retorno do Presidente Zelaya a suas funções em Honduras, e o rechaço a Micheletti por parte da Organização dos Estados Americanos (OEA).



5. Que as autoridades garantam o direito da população ao pleno exercício da democracia através da consulta popular.


Denunciamos o papel dos meios de comunicação comerciais, utilizados pelas oligarquias hondurenhas como ferramenta para frear a vontade popular e intermediar, encorajar e justificar o golpe, o que os torna cúmplices.

Conclamamos todas as pessoas, organizadas em movimentos ou não, em nível nacional e internacional, a se manifestarem contra esta agressão aos direitos do povo hondurenho e a divulgar este pronunciamento. Convidamos também a socializar informações produzidas pelos meios populares como a Rádio ELM (www.radioeslodemenos.org) e a Rádio Mundo Real (www.radiomundoreal.fm).

Além disso, convocamos os movimentos sociais a protestar frente às representações diplomáticas e comerciais de Honduras, e a enviar cartas de repúdio ao golpe de Estado às embaixadas em cada um de seus países.

Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres!

29 de junho de 2009
ps. Em anexo, segue comunicado da MMM em Honduras e fotos da manifestação de 28.6

http://br.groups.yahoo.com/group/consultapopularsp/attachments/folder/913891183/item/1208922741/view

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Poeira do deserto faz chover na floresta

3/6/2009
Poeira do deserto faz chover na floresta

Pesquisador da USP e grupo internacional desvendam propriedades das partículas que formam nuvens de gelo e confirmam: poeira do deserto do Saara influencia regime de chuvas na Amazônia. Estudo foi publicado na Nature Geoscience (Fotos: LBA)

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – A poeira do deserto do Saara, na África, tem uma influência importante no regime de chuvas da Amazônia. A afirmação, que pode parecer inusitada à primeira vista, foi comprovada em um estudo realizado por um grupo internacional de pesquisadores – com participação brasileira –, publicado na revista Nature Geoscience.

De acordo com Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) e um dos autores do trabalho, o objetivo foi realizar, pela primeira vez em uma região tropical do planeta, medidas de aerossóis conhecidos como núcleos de condensação de gelo – partículas que têm a propriedade de formar nuvens convectivas, influenciando a precipitação, a dinâmica das nuvens e a quantidade de entrada e saída de radiação solar.

“As nuvens convectivas na Amazônia, que ficam entre 12 e 15 quilômetros de altitude, têm suas gotas congeladas. Para que possam aparecer partículas de gelo nessas nuvens é preciso existir os núcleos de condensação de gelo. Pela primeira vez medimos as propriedades físico-químicas desses núcleos”, disse à Agência FAPESP.

Segundo Artaxo, ao fazer as medidas, o grupo descobriu que a vegetação da própria Amazônia e a poeira proveniente do Saara são as duas principais fontes dos núcleos de condensação de gelo.

“A importância disso é que a maior parte da chuva na Amazônia é proveniente das nuvens convectivas. E é a primeira vez que detectamos essas partículas. Identificamos como núcleos de gelo e medimos suas propriedades físicas, químicas e biológicas”, disse o também coordenador do Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA) e ex-coordenador da área de geociências da FAPESP.

Para realizar o estudo, o grupo utilizou modelos matemáticos que simulam o comportamento das nuvens de gelo em condições amazônicas. “A parte surpreendente é que a poeira do Saara é responsável por uma fração significativa dos núcleos de condensação de gelo da Amazônia, especialmente em altas altitudes e temperaturas mais baixas”, explicou.

Segundo Artaxo, o estudo sugere que a contribuição das partículas biológicas locais para a formação de núcleos de gelo aumenta em altas temperaturas atmosféricas – com altitude mais baixa –, enquanto a contribuição por partículas de poeira cresce nas baixas temperaturas das regiões mais altas.

“Descobrimos que a vegetação da própria floresta alimenta os núcleos em altitudes que vão até 8 ou 9 quilômetros. Enquanto isso, a poeira do Saara nessa época do ano – o estudo foi feito entre fevereiro e março – predomina em altitudes acima de 9 ou 10 quilômetros”, disse.

As análises apontaram que os núcleos são compostos principalmente de materiais carbônicos e poeira. “Mostramos que as partículas biológicas dominam a fração carbônica, enquanto a importação da poeira do Saara explica o aparecimento intermitente de núcleos contendo poeira”, contou.

A poeira do deserto africano, segundo Artaxo, é um fenômeno atmosférico sazonal cujo pico se dá entre março e o fim de abril. “É um fenômeno de transporte atmosférico de longa distância que já conhecíamos. Mas nunca tínhamos medido as propriedades de nucleação dessas partículas.”

Continuidade em Temático

Na primeira fase do estudo a equipe utilizou um equipamento supercongelador para esfriar as partículas a 50 graus negativos e lançá-las na Floresta Amazônica, a fim de fabricar cristais de gelo.

“A partir daí, analisamos as propriedades físicas, químicas e biológicas desses cristais, utilizando técnicas analíticas nucleares – especificamente o método Pixe, disponível no Instituto de Física da USP. Pudemos analisar a concentração de alumínio, silício, titânio e ferro nas partículas”, disse.

A partir da análise, os pesquisadores descobriram que a assinatura elementar das partículas correspondia à assinatura da poeira do deserto do Saara. O segundo passo foi descobrir como essas partículas saem da África e chegam à Amazônia.

“Para isso rodamos modelos de circulação global da atmosfera e mostramos que, efetivamente, quando estavam presentes as concentrações de alumínio, silício, titânio e ferro que correspondiam à poeira do Saara, o modelo confirmava essa circulação”, afirmou.

Com a pesquisa, o grupo concluiu que a concentração e a abundância de núcleos de condensação de gelo na Amazônia podem ser explicadas, em sua quase totalidade, por emissões locais de partículas biológicas complementadas pela importação da poeira saariana.

Segundo Artaxo, os estudos terão continuidade dentro de um Projeto Temático apoiado pela FAPESP no âmbito do Programa FAPESP sobre Pesquisa Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG). “Faremos novos estudos dentro desse Temático que acaba de ser aprovado. Tentaremos simular e medir como se dá a variabilidade sazonal dos núcleos de condensação de gelo sobre a Amazônia”, destacou.

Além de Artaxo, participaram do estudo Markus Petters, Sonia Kreidenweis e Colette Heald, do Departamento de Ciências Atmosféricas da Universidade Estadual do Colorado (Estados Unidos), Scot Martin, da Escola de Engenharia e Ciências Aplicadas da Universidade de Harvard (Estados Unidos), e Rebecca Garland, Adam Wollny e Ulrich Pöschl, do Departamento de Biogeoquímica do Instituto de Química Max Planck (Alemanha).

O artigo Relative roles of biogenic emissions and Saharan dust as ice nuclei in the amazon Basin, de Ulrich Pöschl e outros, publicado em 3 de maio na Nature Geosciences, pode ser lido por assinantes em www.nature.com/ngeo


FONTE : http://www.agencia.fapesp.br/materia/10587/poeira-do-deserto-faz-chover-na-floresta.htm

Campanha pelas Mudanças na Lei Florestal Mineira (clique na imagem)























A Fundação Biodiversitas está junto com a AMDA e outras instituições na campanha pelas mudanças na Lei Florestal do Estado de Minas Gerais e viemos pedir seu apoio.

Uma carta eletrônica será encaminhada ao Governador Aécio Neves, secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, José Carlos Carvalho, presidente da Assembléia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), deputado Alberto Pinto Coelho, presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, deputado Fábio Avelar e demais lideranças da ALMG.

Pedimos sua ajuda para salvar as florestas de Minas e dar o exemplo ao resto do país.

Desde já a equipe da Fundação Biodiversitas lhe agradece o apoio, com a certeza de que juntos faremos a diferença.

SITE DA CAMPANHA : www.amda.org.br

A América Latina e os desafios da globalização (clique na imagem)


ensaios dedicados a Ruy Mauro Marini

*Emir Sader e Theotonio dos Santos (coord.);
Carlos Eduardo Martins e Adrián Sotelo Valencia (orgs.)


*Considerado um pilar da construção do pensamento marxista não só no Brasil mas em toda a América Latina, paradoxalmente, o legado de Ruy Mauro Marini é pouco conhecido no País. A América Latina e os desafios da globalização: ensaios dedicados a Ruy Mauro Marini reúne dezesseis ensaios de intelectuais consagrados, dedicados ao legado do pensador brasileiro, produzidos nos dez anos de sua morte.

Para Theotonio dos Santos, identificado ao lado de Marini e Vânia Bambirra como a corrente da “teoria da dependência”, a vida de Marini como militante clandestino, exilado e revolucionário, “só podia ser uma incômoda presença em nosso país”. No momento em que a emergência de crises agudas coloca em cheque os preceitos neoliberais, a homenagem a Marini cumpre um duplo objetivo – ao mesmo tempo em que busca corrigir a pouca difusão de sua obra no Brasil, retoma a avaliação sobre a produção teórica latino-americana desde os anos 1920, dialogando com os desafios que se apresentam no horizonte.

Dividido em quatro partes, os ensaios de América Latina e os desafios da globalização retomam o aspecto político e militante das obras de Marini, os debates sobre as tendências do sistema e da economia mundial, a articulação entre a acumulação de capital e o trabalho, e o pensamento social latino-americano. Ao mesmo tempo em que recuperam a análise crítica sobre a produção teórica na região, os autores retomam, sob a conjuntura contemporânea, os conceitos e temas desenvolvidos por Marini. Leia mais http://www.boitempoeditorial.com.br/livro_completo.php?isbn=978-85-7559-117-8

Boitempo Editorial
Débora Prado
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sábado, 28 de fevereiro de 2009

Parque do Piauí guarda legado do homem pré-histórico




Foto: Luiz Citton
27.02.2009 - 20:10:08

O Parque da Serra da Capivara está localizado no sudeste do Estado do Piauí


O Parque Nacional da Serra da Capivara guarda um legado do homem pré-histórico , o parque foi apresentado com muitas fotos em destaque no Uol dessa sexta-feira.



O Parque Nacional Serra da Capivara está localizado no sudeste do Estado do Piauí, ocupando áreas dos municípios de São Raimundo Nonato, João Costa, Brejo do Piauí e Coronel José Dias. A superfície do Parque l é de 129.140 ha e seu perímetro é de 214 Km. A cidade mais próxima do Parque Nacional é Cel. José Dias, sendo a cidade de São Raimundo Nonato o maior centro urbano. A distância que o separa da capital do Estado, Teresina, é de 530 Km. No local existe mais de 35 mil pinturas rupestres.
A maneira mais rápida de chegar ao Parque é através de Petrolina, cidade do Estado de Pernambuco, da qual dista 300 Km. A cidade de Petrolina dispõe de um aeroporto onde opera atualmente a Gol, e a BRA, ligando a região com Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília.
A criação do Parque Nacional Serra Capivara teve múltiplas motivações ligadas à preservação de um meio ambiente específico e de um dos mais importantes patrimônios culturais pré-históricos. As características que mais pesaram na decisão da criação do Parque Nacional são de natureza diversa:
- culturais - na unidade acha-se uma densa concentração de sítios arqueológicos, a maioria com pinturas e gravuras rupestres, nos quais se encontram vestígios extremamente antigos da presença do homem (100.000 anos antes do presente). Atualmente estão cadastrados 912 sítios, entre os quais, 657 apresentam pinturas rupestres, sendo os outros sítios ao ar livre (acampamentos ou aldeias) de caçadores-coletores, são aldeias de ceramistas-agricultores, são ocupações em grutas ou abrigos, sítios funerários e, sítios arqueo-paleontológicos;
- ambientais - área semi-árida, fronteiriça entre duas grandes formações geológicas - a bacia sedimentar Maranhão-Piauí e a depressão periférica do rio São Francisco - com paisagens variadas nas serras, vales e planície, com vegetação de caatinga ( o Parque Nacional Serra da Capivara é o único Parque Nacional situado no domínio morfoclimático das caatingas), a unidade abriga fauna e flora específicas e pouco estudadas. Trata-se, pois, de uma das últimas áreas do semi-árido possuidoras de importante diversidade biológica;
- turísticas - com paisagens de uma beleza natural surpreendente, com pontos de observação privilegiados. Esta área possui importante potencial para o desenvolvimento de um turismo cultural e ecológico, constituindo uma alternativa de desenvolvimento para a região.
Em 1991 a UNESCO, pelo seu valor cultural, inscreveu o Parque Nacional na lista do Patrimônio Cultural da Humanidade. Em 2002 foi oficializado o pedido para que o mesmo seja declarado Patrimônio Natural da Humanidade.
O Parque Nacional Serra da Capivara é subordinado à Diretoria de Ecossistemas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), tendo sido concluída a sua demarcação em 1990. Em torno do Parque foi criada uma Área de Preservação Permanente de dez quilômetros que constitui um cinto de proteção suplementar e na qual seria necessário desenvolver uma ação de extensão. Em 1994 a FUMDHAM assinou um convênio de co-gestão com o IBAMA em 2002 um contrato de parceria com a mesma instituição.
Confira as fotos do Parque Nacional da Serra da Capivara, clicando aqui:
http://viagem.uol.com.br/album/guia/serradacapivara_album.jhtm?abrefoto=37



Serra da Capivara
legado do homem pré-histórico
Parque Nacional

http://45graus.com.br/geral/35884/parque_do_piaui_guarda_legado_do_homem_pre_historico.html

Livro destaca uso de água das chuvas no semi-árido nordestino

Por Editor em 28/02/2009


Livro destaca uso de água das chuvas no semi-árido nordestino: Capa do livro Potencialidades da água de chuva no semi-árido brasileiro
Créditos: Divulgação

A captação e o armazenamento das águas de chuva são questões chave nas estratégias dos agricultores familiares para conviver com o ambiente quente e seco do sertão nordestino. Na região, proliferam experiências bem sucedidas de organizações comunitárias e de políticas públicas em torno da "guarda" dessas águas para uso no abastecimento das famílias ou na produção agrícola, quando a estiagem avança sobre as residências e as propriedades.



O livro Potencialidades da água de chuva no semi-árido brasileiro reúne estudos que se propõem a dar sustentação científica e social a esta questão cada vez mais central para o desenvolvimento econômico e à qualidade de vida de uma população que, em grande parte, habita locais isolados na extensa área rural do interior do Nordeste. A publicação põe em evidência tecnologias de baixo custo, próprias para serem instaladas nas proximidades das casas, com potencial para livrar as famílias do suprimento de água por meio de carros pipa – um símbolo do atraso e da pobreza dos agricultores na região.

DIFERENÇA

Os editores do livro são especialistas da Embrapa Semi-Árido. Os autores são pesquisadores que trabalham com o tema desde a criação da instituição em 1975, além de técnicos vinculados a organizações não governamentais, como o Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA) e a Associação Brasileira de Captação e Manejo de Água de Chuva (ABCMAC). Há, também, contribuições da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa).

Nos oito capítulos que compõem o livro, os autores são unânimes na defesa das técnicas que armazenam água das chuvas. A pesquisadora e uma das editoras, Luiza Teixeira de Lima Brito, explica que em todos eles há uma sólida argumentação em torno dos benefícios, dos modos de construção e de experiência de uso por agricultores e comunidades. Numa região onde a quantidade de dias sem ocorrência de chuvas chega a 300, dispor de uma cisterna ou de uma barragem subterrânea faz uma enorme diferença para quem quer viver no sertão de forma sustentável e com resultados da produção agrícola, afirma ela.

INFRA-ESTRUTURA

Uma grande vantagem das tecnologias apontadas no livro é a praticidade com que permitem aos agricultores e suas famílias o acesso a água. Para os autores, esta é um das grandes questões em torno das alternativas de abastecimento da população rural da região. A despeito do histórico dos problemas agrícolas e humanos decorrentes da seca, não existe escassez de água para as pessoas, de acordo com o que estabelece a Organização das Nações Unidas (ONU).

Esta instituição considera a existência de escassez quando há disponíveis apenas 1000 metros cúbicos de água por pessoa no ano. No Nordeste, onde há menos oferta de água é no Estado de Pernambuco, mas num volume de 1270 m3/pessoa-1.ano-1. No Piauí, a quantidade chega a 9185 m3/pessoa-1.ano-1, e no Ceará, 2279 m3/pessoa-1.ano-1.

As intervenções governamentais na região foram marcadas durante várias décadas pela construção de açudes. Cerca de 450 deles são considerados de grande porte – com capacidade superior a 1 milhão de metros cúbicos. Outros 70 mil são de pequeno porte – com volumes entre 10 mil e 200 mil m3. Além disso, existem aproximadamente 100 mil poços tubulares. Esta infra-estrutura hídrica – acrescida das bacias do São Francisco e do Parnaíba e dos rios temporários - não bastaram para democratizar o acesso das famílias a água em quantidade e com qualidade, afirma Luiza Brito.

UMA TERRA, DUAS ÁGUAS

Dos oito capítulos que formam o livro, cinco tratam de forma específica as tecnologias já disseminadas por várias áreas da região: cisternas rurais para consumo humano, cisternas para uso no abastecimento dos animais, barragem subterrânea, captação de água no local do plantio (in situ) e barreiro para irrigação de salvação. Um outro, porém, apresenta as ideias básicas do Programa Uma Terra Duas Águas (P1 2) que incorpora a experiência do Programa 1 Milhão de Cisternas (P1MC) e amplia a oferta dos recursos hídricos para a produção agropecuária, além de incluir o acesso dos agricultores a terra.

Os autores deste capítulo – Johann Gnadlinger (presidente da Associação Brasileira de Captação e Manejo de Água de Chuva – ABCMAC), além de Aderaldo de Souza Silva e Luiza Brito – defendem a manutenção do P1MC como uma importante intervenção dos governos e da sociedade civil na sustentabilidade de investimentos para a convivência com o semi-árido. Contudo, a evolução recente dos movimentos sociais e das instituições dá sustentação a uma proposta mais abrangente como o P1 2.

Segundo Gnadlinger, projetos pilotos em execução em 10 estados brasileiros já avaliam a viabilidade técnica e produtiva do programa. As experiências são financiadas pela Fundação Banco do Brasil (FBB) e a Petrobras e têm o apoio da Rede de Tecnologia Social (RTS). O P1 2 é apropriado para ser implantado em cerca de 40% das terras com uso agropecuário limitado (criação de caprinos e ovinos e aproveitamento da caatinga) no semi-árido, além de 20% das que permitem a agricultura com o uso de água de chuva.

Para Gnadlinger, que é também Gestor Ambiental do Instituto Regional da Pequena Agricultura Apropriada, a questão da terra no P1 2 é determinante. No Nordeste estão 2 milhões dos estabelecimentos agrícolas familiares, que correspondem a 42% do total de unidades agrícolas do país. Cerca de 90% deles possuem menos de 100 hectares e 65% têm menos de 10 hectares.

Com base em estudos dos pesquisadores Clóvis Guimarães Filho e Paulo Roberto Coelho Lopes, da Embrapa Semi-Árido, Gnadlinger argumenta que, na área da Depressão Sertaneja (368 mil km2), para uma família viver bem precisa dispor de, pelo menos, 300 hectares para uma exploração minimamente rentável e sem danos ao meio ambiente. O Programa visa aumentar a área de agricultura, a partir de uma reforma agrária apropriada. "Sem terra suficiente, parte das famílias fica no círculo vicioso de fome, sede, degradação, abandono da terra e migração para os centros urbanos".

O livro Potencialidades da água de chuva no semi-árido brasileiro pode ser adquirido por R$ 22,00 na Embrapa Semi-Árido. Anote os contatos:

Embrapa Semi-Árido
BR 428, Km 152, Zona Rural - Caixa Postal 23
Petrolina, PE - Brasil - CEP 56302-970
Telefone: (87) 3862-1711
Fax: (87) 3862-1744
E-mail de contato

MAIS INFORMAÇÕES

Luiza Teixeira de Lima Brito
Pesquisadora da Embrapa Semi-Árido

Johann Gnadlinger
Gestor Ambiental

Instituto Regional da Pequena Agricultura Apropriada
Telefone: (74) 3611-6481

FONTE

Embrapa Semi-Árido
Marcelino Ribeiro – Jornalista

http://www.agrosoft.org.br/agropag/209492.htm

sábado, 31 de janeiro de 2009

"Vénus de Willendorf" - ARTE RUPESTRE - PERÍODO PALEOLÍTICO













































A Vénus de Willendorf, hoje também conhecida como Mulher de Willendorf, é uma estatueta com 11,1 cm (4 3/8 polegadas) de altura representando estilisticamente uma mulher, descoberta no sítio arqueológico do paleolítico situado perto de Willendorf, na Áustria.


Foi desenterrada a 8 de Agosto de 1908, pelo arqueólogo Josef Szombathy. Está esculpida em calcário oolítico, material que não existe na região, e colorido com ocre vermelho.

Em 1990, após uma revisão da análise estratigráfica deste sítio arqueológico, estimou-se que tivesse sido esculpida há 22000 ou 24000 anos. Pouco se sabe sobre a origem, método de criação e significado cultural.

A Vénus não pretende ser um retrato realista, mas uma idealização da figura feminina. A vulva, seios e barriga são extremamente volumosos, de onde se infere que tenha uma relação forte com o conceito da fertilidade. Os braços, muito frágeis e quase imperceptíveis, dobram-se sobre os seios e não têm uma face visível, sendo a cabeça coberta do que podem ser rolos de tranças, um tipo de penteado ou mesmo vários olhos.

O apelido com que ficou conhecida causa alguma relutância a alguns estudiosos actuais, que não conseguem ver nesta figura com características de obesidade a imagem clássica de uma Vénus. Christopher Witcombe, professor na Sweet Briar College, em Virgínia por exemplo, refere que "a identificação irónica destas figuras com Vénus satisfez de forma prazenteira alguns conceitos correntes, na época, sobre o que era o homem primitivo, sobre as mulheres e sobre o sentido estético". Outros autores têm alguma relutância em identificá-la como a deusa Mãe-Terra (Grande Mãe) da cultura européia do Paleolítico. Alguns sugerem que a corpulência representa um elevado estatuto social numa sociedade caçadora-recolectora e que, além da óbvia referência à fertilidade, a imagem podia ser também um símbolo de segurança, de sucesso e de bem-estar.

Os pés da estátua não estão esculpidos de forma que se mantenha em pé por si mesma. Por essa razão, especula-se que fosse usada para ser trazida por alguém em vez de ser apenas observada, podendo ser apenas um amuleto. Há ainda quem avance a hipótese de que poderia ser inserida na vagina, em rituais de fertilidade.

A Vénus faz parte da colecção do Museu de História Natural de Viena (Naturhistorisches Museum).

Outras representações semelhantes foram descobertas depois desta, ficando também conhecidas como "Vénus".

FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/V%C3%A9nus_de_Willendorf

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

REVISTA VERVE - Edson Passetti, Acácio Augusto e etc...

Guilherme Corrêa, Edson Passetti, Acácio Augusto, Alexandre Berkman, Judith Malina, Julian Beck, Rogério Nascimento, João da Mata, José Maria Carvalho Ferreira, Saul Newman, Rolf S. de Folter, Edson Lopes, Emma Goldman, Roberto Freire, Antonio Martinez, Jaime Cubero, Eliane Knorr, Gustavo Ramus, Natalia Montebello.

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v e r v e 14

Verve 14, traz a segunda parte do dossiê 68 com palavras-falas do nu-sol para inesperado jogo de amarelinha. um jovem artista, aloisio licht, revira vestígios disciplinares com a delicadeza do traço compondo uma figuração mordaz. uma jovem anarquista, américa scarfó, conversa com um experimentado anarquista sobre o amor livre. verve amplia suas proximidades com o teatro publicando a aula-teatro 3 do nu-sol, FOUCAULT (assim mesmo em maiúsculas: o que somos e não somos), uma brevíssima peça de alexandre berkman e trechos do muito comentado, e pouco conhecido, paradise now de the living theatre, também de sessenta e oito. indisciplina, prazer e rebeldia rondam e transpõem as misérias do esporte. uma discussão pertinente sobre anarquismo e ressentimento situa a relevância das reviravoltas anarquistas contemporâneas e mete uma rasteira em nietzsche. o abolicionismo penal presente em um texto referência, nas escarificações de políticas de segurança e com uma anarquista no tribunal: diante da prisão é preciso ser tupinambá. uma antropofagia anarquista deglute a presença de três anarquista ausentes (jaime cubero, antonio martinez e roberto freire) e os muitos anônimos guerreiros. dos livros lidos comentamos mulheres, religião, 68, teatro livre... verve 14

SUMÁRIO

Dossiê 68
Nu-Sol

A etologia das disfunções, de Aloisio Licht
Guilherme Corrêa

América Scarfó, Uma experiência

FOUCAULT
Edson Passetti e Acácio Augusto

O grande jogo
Alexander Berkman

Paradise Now
Judith Malina e Julian Beck

Escolas de indisciplina: notas sobre sociabilidades
anarquistas no Brasil em inícios do século XX
Rogério Nascimento

Prazer e rebeldia
João da Mata

O esporte como miséria e espetáculo na era da globalização
José Maria Carvalho Ferreira

Anarquismo e a política do ressentimento
Saul Newman

Sobre a fundamentação metodológica do enfoque
abolicionista do sistema de justiça penal -
uma comparação das idéias de Hulsman, Mathiesen e Foucault
Rolf S. de Folter

Política, segurança e criminalização de deslocados
Edson Lopes

Emma Goldman diante do tribunal
Emma Goldman

Antropofagia anarquista:
Roberto Freire, Antonio Martinez, Jaime Cubero

resenhas

Convulsões espanholas: invenções na Revolução
Eliane Knorr

Mergulho e liberdades
Natalia Montebello

Sobre o uso político da religião
Gustavo Ramus

Teatro, anarquia e um alerta aos pluralistas
Edson Passetti



Guilherme Corrêa, Edson Passetti, Acácio Augusto, Alexandre Berkman, Judith Malina, Julian Beck, Rogério Nascimento, João da Mata, José Maria Carvalho Ferreira, Saul Newman, Rolf S. de Folter, Edson Lopes, Emma Goldman, Roberto Freire, Antonio Martinez, Jaime Cubero, Eliane Knorr, Gustavo Ramus, Natalia Montebello.


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FONTE: http://www.nu-sol.org/verve/verveview1.php?id=14

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Tese: MAURÍCIO TRAGTENBERG E A PEDAGOGIA LIBERTÁRIA - ANTONIO OZAÍ DA SILVA























Autor: Antonio Ozaí da Silva
Tese: MAURÍCIO TRAGTENBERG E A PEDAGOGIA LIBERTÁRIA
Orientador: Nelson Piletti
Instituição: Universidade de São Paulo (USP)
Ano: 2004

Resumo: Este trabalho analisa a contribuição de Maurício Tragtenberg, enquanto intelectual engajado, à Pedagogia Libertária. No capítulo primeiro apresentamos um esboço biográfico. No seguinte, analisamos o autodidatismo e a sua práxis no espaço da informalidade (entendido aqui como o espaço externo às instituições e ao ensino formal), em especial sua militância enquanto escritor envolvido com o mundo do trabalho e as lutas sociais. No terceiro capítulo, estudamos a sua obra intelectual, produzida e orientada para e no espaço formal da instituição acadêmica; os aspectos libertários e a sua contribuição enquanto produção intelectual vinculada ao movimento social. Não se teve a pretensão de fazer uma análise definitiva, mas apenas apreender em que medida sua obra se vincula ao projeto pedagógico libertário. No último capítulo, analisou-se o que ele escreveu sobre a universidade e a educação, sua crítica e proposta pedagógica e, também a sua práxis como docente e intelectual, partícipe do campo acadêmico. Examinou-se os seus escritos sobre educação, a sua prática como educador e os vínculos com a Pedagogia Libertária e a Pedagogia Crítica.



FONTE : http://mauricio-tragtenberg.blogspot.com/

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

IVAN ILLICH - "ANTES QUE O MUNDO OU A HUMANIDADE ACABE" CONHEÇA ILLICH (MULTIMANIFESTO)








janeiro 2003

A resistência

segundo Ivan Illich


O famoso teórico Ivan Illich acaba de falecer, aos 76 anos de idade, em Bremen, onde lecionava na universidade. Publicava regularmente e fazia conferências no mundo inteiro. Sua obra, ardente, não podia ser resumida a slogans espetaculares


Thierry Paquot
b ten
A obra de Illich é abundante, perturbadora, difícil de ser classificada, à imagem de seu auto, que raramente estava onde se esperava que estivesse

Na segunda-feira, 2 de dezembro, Ivan Illich esticou sua sesta a ponto de partir para a eternidade. Agora está morto. Escrevo “agora” porque, já há muitos anos, quando mencionava seu nome, invariavelmente meus interlocutores me perguntavam sobre a data de seu falecimento. Ele morreu e, proximamente, sua obra completa será reeditada1, permitindo que alguns a descubram e que outros a revisitem. Uma obra exigente, abundante, perturbadora, difícil de ser classificada, à imagem de seu autor que raramente está onde se espera que esteja.

Bastante alto, magro, com um olhar envolvente, um sorriso caloroso e um perfil fino, exceto do lado da protuberância impressionante que o desfigurava, Ivan Illich sabia deixar as pessoas à vontade. Depois, feitas as primeiras trocas de palavras sobre as coisas banais de cada dia, seu pensamento se acelerava, se engrenava com sua elocução e nos encantava com sua inteligência. Falava dos “humores” de um médico alemão do século XVIII, recuava até Aristóteles, fazia um desvio passando por Diderot e Lavoisier, evocava Claude Bernard, se detinha em Balint, voltava ao médico alemão e se perguntava, em voz alta, sobre o diagnóstico, a consulta, a espoliação de si por um outro - o médico -, a recusa da dor e descrevia, com precisão, a máquina hospitalar atual, atropelando de passagem algumas de suas próprias análises já antigas e que se encontram em Némèsis médicale.
Vice-reitor aos 30 anos
Ivan Illisch era dono de um incrível enciclopedismo, apoiado na grande facilidade em manejar muitas línguas (mais de dez!) e numa curiosidade sem fim

Num outro dia, a palavra errante tomava outro rumo, demonstrava que o silêncio pode ser uma arma de contestação como a não-violência, expunha a reflexão filosófica de Max Picard, comparando-a com a de Emmanuel Lévinas, aproveitava a oportunidade para contar uma discussão com Michel de Certeau sobre o “uso da palavra” e o silêncio, falava dos padres da Igreja e da vida eremita, lembrava vários happenings silenciosos de que participara, recolocava a palavra numa sociedade da escrita, depois na sociedade da imagem e se entusiasmava com o século XII, seu século predileto. Essas duas histórias, de que sou a modesta testemunha, estão bem de acordo com os relatos com que outros comensais - impacientes ou maravilhados - enriquecem a respeito desse incrível enciclopedismo que se apóia numa grande facilidade em manejar muitas línguas (mais de dez!) e, ao mesmo tempo, numa curiosidade sem fim.

Realmente, o jovem Ivan, nascido em Viena, filho de pai dálmata e católico e de mãe alemã e judia, não tem só uma língua materna e, sim, várias - o francês, o italiano e o alemão - antes de aprender, a partir dos oito anos, o serbo-croata, língua de seus avós. Na seqüência, estudaria grego e latim - o que lhe facilitaria a abordagem etimológica das palavras e dos conceitos -, o espanhol, o português, o hindi etc. Matriculou-se em Cristalografia em Florença, em Filosofia e Teologia em Roma, em História Medieval em Salzburgo, foi ordenado padre, partiu para Nova York em 1951, reivindicou uma paróquia porto-riquenha, tornou-se vice-reitor da Universidade Católica de Porto Rico em 1956 - aos trinta anos! -, contestou cada vez mais o sistema escolar e as posições reacionárias do clero, criou seminários paralelos e diversos grupos de trabalho.
As preocupações do Vaticano
Aos 30 anos, vice-reitor da Universidade Católica de Porto Rico, contestou cada vez mais o sistema escolar e as posições reacionárias do clero

Três anos mais tarde, atravessou de ônibus e a pé toda a América Latina, opôs-se à concepção norte-americana de desenvolvimento, instalou-se em Cuernavaca, no México, e abriu o Centro Internacional de Documentação Cultural (Cidoc). Freqüentado inicialmente por “voluntários” norte-americanos - do programa “Aliança para o Progresso”, lançado por Kennedy - que para lá se dirigiram para aprender o espanhol e a civilização do país para onde iriam, o Cidoc tornou-se conhecido principalmente pelo trabalho crítico sobre a sociedade capitalista que numerosos intelectuais, de todas as nacionalidades, ali iriam desenvolver sob a orientação de seu fundador.

O Centro funcionaria de 1966 a 1976 e, a partir de 1967, Ivan Illich rompeu com Roma, que o convocou devido a um relatório da CIA – mas que se preocupava, sobretudo, com a audiência de alguns textos publicados em Libérer l’avenir (ed. Seuil, 1971), como “Disparition de l’ecclésiastique” (1959). Ele mencionou pressões sobre o Cidoc e até violência física que teria sofrido, sem, contudo, insistir... A passagem por Cuernavaca tornou-se, para uma certa esquerda radical e terceiro-mundista, um desvio obrigatório. A seriedade dos estudos convivia de perto com encontros festivos - duas atividades marcadas pelo cristianismo. Além do mais, mesmo assumindo o estado leigo, Ivan Illich continuou convencido de que “a maioria das idéias-chave, que fazem do mundo contemporâneo esta realidade particular, é de origem cristã2”.
A libertação da singularidade individual
Atravessou de ônibus e a pé toda a América Latina, instalou-se em Cuernavaca, no México, e criou o Centro Internacional de Documentação Cultural (Cidoc)

É com Une société sans école e La convivialité que se firma a fama de Ivan Illich: ainda não havia chegado aos cinqüenta anos e suas idéias já eram discutidas no mundo inteiro3. Seus primeiros livros visam a demonstrar que os “instrumentos” (entenda-se: as “instituições” e as grandes “máquinas” sociais, como a Igreja, a Escola, o Hospital, os Transportes etc.), depois de um certo patamar, tornam-se contraproducentes - de uma “contraprodutividade paradoxal”, esclarece ele, porque não desejada por seus idealizadores. Quanto mais avança um sistema técnico, mais aumenta a parte de heteronomia do indivíduo médio e mais diminui sua parte de autonomia, deixando-o cada vez mais dependente daquilo que não pode dominar: a energia nuclear, a rodovia, a quimioterapia, as manipulações genéticas etc.

Por trás de constatações demasiado simplificadas pelos seus seguidores - como, por exemplo, a “escola desescoloriza”, o “hospital torna doente”, o “carro emperra o tráfego” - encontra-se uma crítica extraordinária do “progresso” e daquilo que o legitima: a satisfação das supostas “necessidades4”. Ivan Illich recusa o ponto de vista do ataque dos membros do Clube de Roma que, em 1972, convidaram os líderes políticos a deterem o crescimento para se postergar a escassez de matérias-primas e para se reduzir o desperdício das reservas energéticas. Ele não acreditava de modo algum numa medíocre “proteção da natureza” e denunciava o desenvolvimento inconseqüente das técnicas, bem como a economia política do desenvolvimento, que alguns autores como René Passet e Serge Latouche retomariam e aprofundariam. Esses livros devem ser lidos juntos, de tal modo pertencem ao mesmo projeto: a libertação total da singularidade de cada indivíduo - quaisquer que sejam sua cultura, sua renda, sua posição no sistema produtivo etc.
Irritando o “esquerdismo” e o feminismo
A partir de 1967, Illich rompeu com Roma, que o convocou devido a um relatório da CIA, mas, na verdade, se preocupava com a audiência de seus textos

Esta libertação do sujeito - palavras que não pertencem a seu vocabulário - baseia-se no domínio de seu próprio corpo e de suas próprias necessidades, independentemente das técnicas disponíveis. Ivan Illich conta a história de uma estudante a quem ele oferece um copo de sidra e que lhe responde: “Não, obrigada, minhas necessidades de açúcar já foram satisfeitas para o dia todo.” Suas necessidades foram confiscadas pelos calculadores de calorias e pelos normatizadores... Partilhar uma bebida durante uma reunião não cabe nesse tipo de medida, e se situa na esfera de um ritual que, justamente, faz com que uma necessidade seja sempre cultural e histórica. O estudo da invenção das necessidades padronizadas e válidas para todos ocuparia Ivan Illich durante vários anos, obrigando-o, durante a trajetória, a estabelecer outras genealogias, como a de “ser humano”, “vida”, “pessoa”, “gênero”, “saúde” 5 etc., donde uma retomada da história do Ocidente.

Em que momento, em que circunstâncias e para quê, por exemplo, o trabalho se torna o principal tempo da existência individual e coletiva? Le Travail fantôme e Le Genre vernaculaire completam os primeiros ensaios e os elucidam, insistindo na linguagem como principal enraizamento existencial de cada um, a sexualização da sociedade como discriminação entre os gêneros e a crença errônea no homo œconomicus como modelo de comportamento etc. Essas obras, lidas depressa demais, irritam os terceiro-mundistas, para os quais o “trabalho fantasma” não valoriza os “pobres” tributários do “setor informal”, e as feministas, que recusam a diferença de gêneros de Illich e militam por uma igualdade jurídica e econômica homem/mulher. Quanto a suas últimas pesquisas sobre o oral, o escrito e a imagem, elas passarão despercebidas.
Originalidade vs. perplexidade
Por trás de constatações “simplistas” encontra-se uma crítica extraordinária do “progresso” e do que o legitima: a satisfação das supostas “necessidades”

Bajulado pelos adeptos da “segunda esquerda” francesa ao longo da década de 70, Ivan Illich pareceu-lhes demasiado pessimista quando eles assumiram responsabilidades políticas com a eleição de François Mitterrand, em 1981. Os terceiro-mundistas procuravam reagir ao fim da guerra fria e à globalização das economias e das telecomunicações: não encontram mais em Illich motivos para reagir a seus questionamentos. Os ambientalistas não gostam de sua crítica ao princípio da responsabilidade, iniciado por Hans Jonas, e não aderem à sua crítica da técnica, inspirada por Jacques Ellul, Lewis Mumford e alguns outros.

Em resumo, havia uma interrupção no circuito entre um pensador de uma originalidade desconcertante e uma intelligentsia desnorteada. Fora da França, as redes implantadas por Illich seguiram divulgando suas pesquisas e se engajaram nos caminhos abertos por ele, e sua influência - difícil de ser apreendida - é certa, como demonstram a popularidade de seus conceitos e sua presença nas citações bibliográficas. De Vancouver (“Habitat I”, em 1976) ao Rio (“Cúpula da Terra”, 1992), dos comitês de bairros por um orçamento participativo às associações por uma alternativa à globalização neoliberal, as idéias de Ivan Illich não parecem esquecidas, ao contrário.

(Trad.: Iraci D. Poleti)

1 - Pela editora Fayard, em 2003.
2 - Cf. David Cayley, Entretiens avec Ivan Illich, tradução francesa, Bellarmin, Saint-Laurent, Québec, 1996, p. 146.
3 - Cf. Jean-Marie Domenach põe a revista Esprit, que ele dirige, a serviço do pensamento de Illich, publicando vários de seus artigos em 1970 e 1971 e dedicando-lhe dois números: “Illich en débat”, n°3, de março de 1972, e “Avancer avec Illich”, n°7-8, de julho-agosto de 1973. Nos fragmentos escolhidos de seu Journal 1944-1977 e Beaucoup de gueule et peu d’or, ed. Seuil, 2001, Domenach dedica-lhe apenas algumas linhas, p. 291, ao passo que, em nossas conversas, me confirmou a importância, para ele, de sua leitura de Illich (ler sua crônica em L’Express de 21 de setembro de 1990). Illich está no índice da revista Les Temps Modernes em 1969 e 1970, e Herbert Gintis redige uma “Critique de l’illichisme” no n° 314-315, setembro-outubro de 1972. Ler n° 109, de dezembro de 1972, da revista Les Cahiers Pédagogiques e o n° 62 da revista L’ARC, em 1975, ambos inteiramente dedicados a Illich. Em Le Nouvel Observateur, Michel Bosquet (pseudônimo de André Gorz) vulgariza, discute e populariza as teses de Illich, construindo sua obra original.
4 - Cf. “Needs”, de Ivan Illich, The Development Dictionary, publicado por Wolfgang Sachs, ed. Zed Books, Londres, 1992, p. 88 e s.
5 - Cf. “L’obsession de la pensée parfaite”, Le Monde Diplomatqiue, março de 1999, p. 28.

FONTE : http://diplo.uol.com.br/2003-01,a531.

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