sábado, 28 de fevereiro de 2009
O DISCURSO DA SUSTENTABILIDADE E SUAS IMPLICAÇÕES PARA A EDUCAÇÃO
CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES
As duas últimas décadas testemunharam a emergência do discurso da
sustentabilidade como a expressão dominante no debate que envolve as questões de
meio ambiente e de desenvolvimento social em sentido amplo. Em pouco tempo,
sustentabilidade tornou-se palavra mágica, pronunciada indistintamente por diferentes
sujeitos, nos mais diversos contextos sociais e assumindo múltiplos sentidos.
Sua expansão gradual tem influenciado diversos campos do saber e de
atividades diversas, entre os quais o campo da educação. Há pouco mais de uma
década, observa-se entre os organismos internacionais,as organizações não-governamentais
e nas políticas públicas dirigidas à educação, ambiente e desenvolvimento
de alguns países, uma tendência a substituir a concepção de educação ambiental, até
então dominante, por uma nova proposta de “educação para a sustentabilidade” ou
“para um futuro sustentável”.
Essa renovação discursiva no debate internacional pode ser observada
nas conferências e documentos da UNESCO, na Agenda 21 proposta na Rio-92, nas
políticas educacionais de diversos governos da União Européia e na produção acadêmica
internacional que serve de base a esta orientação. Gradualmente, e com intensidades
variadas, o novo discurso passou a penetrar também o debate em outros países centrais
e periféricos e nas demais esferas institucionais.
No Brasil, o discurso da educação para a sustentabilidade ainda é pouco
disseminado na literatura e nas práticas que relacionam educação e meio ambiente.
Entretanto, a crescente difusão do discurso da sustentabilidade no contexto de um
mundo globalizado – marcado por relações entre as esferas locais e globais e por relações de dependência política e cultural entre países do centro e da periferia do sistema
mundial– recomenda a análise de seus significados e a avaliação de suas contribuições
para o debate brasileiro.
Quais os significados e implicações desta articulação entre a educação e
a sustentabilidade? Qual a natureza e os objetivos desta renovação discursiva? Educar
para sustentar o quê? Qual a diversidade de leituras sobre este debate e quais os
principais argumentos a favor e contra a nova proposta? Que fundamentos, valores e
interesses estão envolvidos neste processo? Qual a história da construção do discurso
da sustentabilidade e de sua inserção na educação?
Essas são algumas das questões que norteiam a reflexão deste ensaio.
Problematizando-as, procuramos compreender as relações entre a sustentabilidade e a
educação, a diversidade de sentidos envolvidos nesta construção, o jogo de forças e
interesses que nela se destacam, assim como as principais ênfases e contradições que
marcam este campo discursivo.
Para realizar o trabalho, recuperamos, em primeiro lugar, um pouco da
história do surgimento do discurso da sustentabilidade. Em seguida, desenvolvemos
uma análise das principais críticas favoráveis e desfavoráveis a este discurso. Em um
terceiro momento, exploramos a diversidade de interpretações que constituem a
sustentabilidade como um campo discursivo para, finalmente, abordarmos os significados
e implicações da inserção do discurso da sustentabilidade no campo educacional.
Por compreendermos a sustentabilidade como uma proposta em torno da
qual gravitam múltiplas e diversas forças sociais, interesses e leituras que disputam
entre si o reconhecimento e a legitimação social como “a interpretação verdadeira”
sobre o tema, optamos por tratá-la como um discurso, no sentido empregado por Michel
Foucault no contexto da arqueologia e, sobretudo, da genealogia do saber-poder.
Segundo esse autor, toda sociedade controla e seleciona o que pode ser dito numa
certa época, quem pode dizer e em que circunstâncias, como meio de filtrar ou afastar
os perigos e possíveis subversões que daí possam advir (FOUCAULT, 2001).(...)
LEIA NA ÍNTEGRA EM: http://www.scielo.br/pdf/asoc/v6n2/a07v06n2.pdf
GUSTAVO DA COSTA LIMA*- Professor do Departamento de Sociologia da Universidade Federal da Paraíba-UFPB e Doutorando em Ciências
Sociais no IFCH/UNICAMP, e-mail: gust3lima@bol.com.br.
2003.
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
MICHEL FOUCAULT - A MULHER/OS RAPAZES,DA HISTÓRIA DA SEXUALIDADE - LIVRO

Foucault, Michel. A mulher / os rapazes: História da sexualidade (extraído da História da sexualidade v. 3); trad. de Maria Theresa da Costa Albuquerque. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997 - (coleção Leitura)
Foucault examina, nos dois textos extraídos do volume terceiro da sua obra "História da sexualidade", a formulação do saber sobre as relações de amor e de sexo, a compilação e a evolução do pensamento humanístico acerca dos relacionamentos heterossexuais e homossexuais, a partir da Grécia Antiga.
É de se observar que tais temas permaneceram encobertos durante a Idade Média e a Idade Moderna, pela força da moral cristã e de seus rígidos regramentos, e volta à tona com a dissipação dos valores da era pós-contemporânea, onde a família não se situa mais como forma de organização social imprescindível ao novo modelo econômico de produção.
No primeiro texto, Foucault investiga os benefícios e prejuízos do vínculo conjugal, à luz dos problemas relativos à virgindade, à simetria e reciprocidade de direitos e deveres entre marido e mulher, ao compromisso de solidariedade, ao monopólio do sexo e à forma pela qual os prazeres do casamento deveriam se desenvolver, dado que este era considerado necessário para o desenvolvimento do afeto, sendo, no entanto, repudiado seu excesso, assim como o adultério, reputado uma quebra do afeto e do comprometimento de vida una.
Tais elementos foram retirados de textos de Aristóteles, Platão, Plutarco, Sêneca e Musonius Rufo, sendo evidente que o filósofo se absteve de ingressar nos detalhes da relação conjugal tal como prescrita pela pastoral cristã, que recrudesce diversas das prescrições da moral greco-romana e se imiscui inclusive na forma como deve se desenrolar a relação sexual dentro do casamento.
No segundo texto, Foucault analisa a postura greco-romana sobre o amor homossexual a partir de diálogos filosóficos nos textos de Platão, Plutarco e Pseudo-Luciano. Partindo-se do questionamento acerca de qual amor seria o mais verdadeiro e casto, se o homossexual ou o heterossexual, chega-se à primeira conclusão que o amor seria uma manifestação única da caridade (charis) e, posteriormente, a par das críticas feitas pelos partidários do amor entre rapazes, Plutarco identifica imperfeições que transformariam o amor entre homens em uma classe menor de afeto.
Sobreleva, na discussão filosófica, a reflexão sobre o caráter impositivo da atração que um homem sente por uma mulher, dado que esta seria decorrente da premência da própria natureza, enquanto a afeição de um homem por outro seria um sentimento tardio, uma elevação das necessidades satisfeitas rumo a um plano elevado de curiosidade e saber, no exato momento em que os homens, após aprenderem tantas habilidades úteis, começam a não negligenciar mais nada em sua pesquisa.
Interessante notar como o tema é profundamente discutido desde a Antigüidade e, tendo se tornado tabu por diversos séculos, retorna à baila diante das novas configurações possíveis de arranjos de convivência, onde não há mais a exigência do modelo tradicional familiar ou, aliás, o modelo tradicional familiar é visto como empecilho à realização completa da felicidade do homem, esta pregada como finalidade última do ser humano pelas rígidas exigências do mercado de trabalho e da atual sociedade de consumo.
http://paulacajaty.com/index.php?option=com_content&task=view&id=208&Itemid=32
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
"MICHEL FOUCAULT" e as ciências
Michel Foucault
"MARGARETH RAGO" ,LUCE FABBRI E FOUCAULT
Foucault e as formigas
Assessoria de Imprensa
ramais: 87018 e 87865
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Foucaultiana de carteirinha, Margareth Rago se surpreendeu com o quanto de comum existe entre o filósofo – que para ela “percebe as múltiplas prisões invisíveis e moleculares em que vivemos” – e a anarquista Luce Fabbri. O deslumbramento com a descoberta determinou inclusive a escolha das epígrafes do livro. A primeira é extraída de um texto da própria Luce: “Todos os nossos conceitos sobre o desenvolvimento da história se encontram em crise. A vida desliza por entre as malhas das construções teóricas, escapa às classificações e nega a cada passo as generalizações e as sínteses. Sentir esta multiplicidade significa sentir o valor que para a vida tem a liberdade (que torna possível a variedade infinita)”. Abaixo, fala Michel Foucault: “O que escapa à história é o instante, a fratura, o dilaceramento, a interrupção.”
Cheira a plágio? Ou pior, considerando que Luce Fabbri teve uma inserção na história humana bem mais modesta que a do pensador francês, teria sido ela quem “chupou” a idéia do outro? Logo de cara, o fator cronológico inocenta Luce: seu texto data de 1952 e o de Foucault, contido em de Dits et écrits, é de 1994. E é óbvio que Foucault não roubou nada da libertária italiana. “Eles nem se conheciam, Foucault não leu nada de Luce. Mas ambos leram Proudhon, Bakunin. É a crítica ao micropoder se impondo nas correntes mais avançadas de pensamento”, defende Margareth.
Naturalmente, a troca de experiências no plano teórico entre autora e biografada é muito valorizada no livro. Mas Margareth não despreza as intercorrências corriqueiras durante os cinco anos de convivência que, em muito, contribuíram para a captação das peculiaridades do “anarquismo de Luce”.
A escritora lembra um episódio, ocorrido durante uma das entrevistas, na casa da italiana: “Eu lhe expressava minha surpresa ao ver minha filha Marina, que eu supunha tão pequena ainda, tecer comentários a respeito de Charles Darwin e de sua teoria sobre a evolução das espécies e a luta pela sobrevivência dos mais fortes contra os mais fracos. Ela [Luce] ouviu-me atentamente e depois sugeriu-me apresentar-lhe Pietr Kropotkin [geógrafo e socialista libertário russo, condenado ao exílio logo que a revolução bolchevique manifestou seu lado autoritário] e seu livro A ajuda mútua, em que este polemiza com o autor positivista e o complementa, apontando para a impossibilidade de sobrevivência das espécies, animais e humana, sem a cooperação e a solidariedade. Em seguida, ela relata uma passagem do livro em que o geógrafo anarquista descreve a maneira pela qual as formigas formam uma bola para conseguirem atravessar um rio: enquanto as de fora morrem, protegem e salvam a vida das que estão dentro”.
São pequenas histórias como esta, temperando uma abordagem apaixonada mas criteriosa, que fazem de Entre a história e a liberdade: Luce Fabbri e o anarquismo contemporâneo uma obra vital para a compreensão de uma figura que, mais do que lutar pela causa libertária, transmutou a própria vida quase centenária em uma obra-prima de liberdade.
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A autora
Margareth Rago é historiadora, professora livre-docente do Departamento de História do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp e colaboradora do Grupo de Estudos Interdisciplinar em Sexualidade Humana (Geish), da Unicamp. Principais publicações: Do cabaré ao lar. A utopia da cidade disciplinar (Paz e Terra, 1985), Os prazeres da noite. Prostituição e códigos da sexualidade feminina em São Paulo (Paz e Terra, 1991), Anarquismo e feminismo no Brasil (Achiamé, 1999), Narrar o passado, repensar a história (com Renato Gimenes, Editora da Unicamp, 2000). Vários artigos sobre sexualidade e gênero, como Globalização e imaginário sexual (ou “Denise está chamando”), publicado na edição 159 do Jornal da Unicamp (março de 2001).
*"Entre a história e a liberdade:
Luce Fabbri e o anarquismo contemporâneo"
Margareth Rago, Editora Unesp, 376 páginas
A lição de ‘los perros’
Margareth Rago salienta um dos aspectos da personalidade de Luce Fabri que mais a impressionou: “Em tudo que ela pensava, pensava em como é possível a expe-riência da liberdade. Não é para menos que o livro traz ‘entre a história e a liberdade’ no título. Luce era anarquista não só na dimensão do social, mas também nas suas relações com o cotidiano”. E ilustra com um fato que presenciou na casa da velha combatente: “Eu a estava entrevistando quando os muitos cachorros que ela tinha irromperam sala adentro. Meu primeiro impulso foi sugerir que os espantasse da forma convencional, com umas boas vassouradas. Mas, reconduzindo os bichos só na base da conversa mansa, ela respondeu: ‘No, tendremos que ser libertários también com los perros’”.
Esse “anarquismo visceral” reforça, para a escritora, o quanto é frágil o argumento de que o anarquismo seria a “infância utópica do socialismo científico”. Ela ressalta: “À medida que o marxismo predominou como o grande pensamento crítico do século 20, a leitura que ele promoveu do anarquismo também predominou e casou com a leitura feita pelo liberalismo. Um taxa o anarquismo de ‘romântico’, o outro de ‘caótico’. É a eterna, histórica aliança da esquerda autoritária com o capitalismo. O marxismo se afirma como ‘científico’, mas não podemos perder de vista que ele está falando dele próprio e a gente acaba por comprar o seu discurso”.
Para a biógrafa de Luce, a falência dos estados operários burocratizados é um sinal para se revisar esse conceito. “O anarquismo nunca se colocou como ciência; a revolução depende muito mais do desejo das pessoas e um dos desejos principais é a liberdade”.
http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/jun2001/unihoje_ju163pag17.htmlquarta-feira, 30 de julho de 2008
As crianças são temidas. Uma só palavra, um único gesto delas pode fazer desmoronar qualquer reino. Os adultos sabem muito bem disso e procuram calá-las, domesticar seus impulsos e aplicar sobre elas sua milenar cultura e educação por meio de ameaças e usos dos castigos, introjeção da crença em fantasmas, escolarizações e inibições de atitudes despojadas. Espera-se da criança que ela se transforme num bom cidadão, num bom trabalhador, numa boa pessoa, religiosa, filantrópica, tolerante, moderada. Espera-se que as crianças agora e no futuro colaborem para a conservação e aprimoramento de costumes. Todavia, são as crianças pobres que encarnam e escancaram o medo de crianças em nossa sociedade. Elas são vistas como potencialmente perigosas, antes de mais nada, porque são pobres, por não possuírem uma família estruturada como a burguesa, não freqüentarem regularmente escolas, não provarem para a sociedade que serão bons cidadãos e trabalhadores. Segundo o direito penal, por meio do Estatuto da Criança e do Adolescente, ela vive em situação de risco. Desde o Código de Menores de 1927 habita o vocabulário de juizes, promotores, advogados e pessoas preconceituosas como menor. É o outro, o estranho. É a criança perigosa que a sociedade não conseguiu calar e domesticar. Da mesma maneira, o conhecimento produzido pelas humanidades não consegue admirar a criança e suas surpreendentes atitudes. Prefere uniformizá-la e colabora para imobilizá-la por meio do conceito de infância, determinando quais são as condutas esperadas e adequadas, segundo uma classificação normalizadora. A criança é um perigo para a sociedade, uma leveza para a liberdade.
Verbete retirado do site Nu-Sol(a visão dos anarquistas sobre as crianças)
e a Ditadura da
Maioria
Getúlio Vargas — o déspota que se disse pai dos pobres, se transvestiu de democrata e se matou pretendendo ser herói —, permanece o principal fantasma a habitar a política brasileira. Mas com o fim da ditadura militar ele ganhou uma nova companhia, a do voto obrigatório.
De disfarce à tirania o voto obrigatório passou a ser sinônimo de garantias democráticas e por isso defendido pela maioria dos parlamentares. Mas o voto obrigatório é mais do que parte do ritual eleitoral. Ele é uma forma de aprisionar a liberdade do sujeito dirigido cada vez mais pelo espetáculo midiático que a televisão proporciona diariamente em nossas casas através de uma lei que obriga a transmissão de programas eleitorais. É outra medida obrigatória do nosso regime democrático em nome da educação política mas que funciona apenas para as TVs abertas poupando os assinantes de TV a cabo. Ela é destinada ao cidadão mediano, com escassos recursos materiais e prisioneiro preferencial das telerrealidades criadas diariamente para entretê-lo.
A democracia, não só no Brasil, transformou-se em ritual eleitoral eletrônico que funciona associando educação política a eleição. Quando muito instrui as pessoas a formarem grupos que aceitem a participação dentro do esquema das reivindicações seletivas organizadas pelos governos.
Hoje em dia elas são orientadas pelo princípio das sondagens eletrônicas que pretendem garantir a continuidade dos partidos ou das alianças políticas. As pessoas permanecem educadas para acreditar nos governos e a democracia se transformou num regime midiático, de respostas imediatas, que prioriza as pressões que possam ser transformadas em apoio político.
Com a midiatização da política, daqui para frente, seja com a continuidade do voto obrigatório ou com o regresso do voto facultativo, os governantes esperam irrisórias alterações significativas, mantendo sua eficiente educação que faz jovens e adultos acreditarem que votam livremente, mesmo quando coagidos.
Hoje em dia não se admite a sublevação contra a opinião pública. Isto seria considerado um crime!
Estamos no tempo da ditadura da opinião pública organizada pelas mídias. Um tempo em que os tiranos se apresentam como democratas juramentados como sempre em nome do povo, dos miseráveis, dos pobres, dos carentes, oprimidos ou excluídos. Não há mais o perigo da ditadura da opinião pública, da ditadura da maioria; hoje ela é governo. E você aí, por quê vai votar?
Núcleo de Sociabilidade Libertária - Nu-Sol
Texto extraido de http://www.nu-sol.org.
http://www.nu-sol.org/artigos/artigos.php?tipo=4#
domingo, 20 de julho de 2008
SEXO!!!SEXO!!!
REPRESSÃO SEXUAL!?
"Michel Foucault"
e "A História
da Sexualidade"
Por Lara Haje
A sociedade vive desde o século XVIII, com a ascensão da burguesia, uma fase de repressão sexual. Nessa fase, o sexo se reduz a sua função reprodutora e o casal procriador passa a ser o modelo. O que sobra vira anormal - é expulso, negado e reduzido ao silêncio. Mas a sociedade burguesa - hipócrita - vê-se forçada a algumas concessões. Ela restringe as sexualidades ilegítimas a lugares onde possam dar lucros, como nas casas de prostituição e hospitais psiquiátricos. A justificativa para isso seria que, em uma época em que a força de trabalho é muito explorada, as energias não podem ser dissipadas nos prazeres. Certo?
**Segundo Michel Foucault, filósofo francês, está quase tudo errado. A hipótese descrita acima é chamada por ele de hipótese repressiva e vem sendo aceita quase como uma verdade absoluta. Mas Foucault desconstrói esse pensamento e formula uma nova e desconcertante hipótese, mostrando a seus leitores que ainda que certas explicações funcionem, elas não podem ser encaradas como as únicas verdadeiras, pois, segundo ele, a verdade nada mais é do que uma mentira que não pode contestada em um determinado momento.
**De certa forma, a hipótese repressiva não pode ser contestada, já que serve bem à sociedade atual. Foucault afirma que, para nós, é gratificante formular em termos de repressão as relações de sexo e poder por uma série de motivos. Primeiramente, porque, se o sexo é reprimido, o simples fato de falar dele e de sua repressão ganham um ar de transgressão. Segundo, porque, aceitando-se a hipótese repressiva, pode-se vincular revolução e prazer, pode-se falar num período em que tudo vai ser bom: o da liberação sexual. Sexo, revelação da verdade, inversão da lei do mundo são, hoje, coisas ligadas entre si. Finalmente, insiste-se na hipótese repressiva porque aí tudo que se diz sobre o sexo ganha valor mercantil. Por exemplo, certas pessoas (psicólogos) são pagas para ouvirem falar da vida sexual dos outros.
**Esse enunciado da hipótese repressiva vem acompanhado de uma forma de pregação: a afirmação de uma sexualidade reprimida é acompanhada de um discurso destinado a dizer a verdade sobre o sexo. Foucault, no livro História da Sexualidade I, interroga o caso de uma sociedade que há mais de um século se "fustiga ruidosamente por sua hipocrisia, fala prolíxamente de seu próprio silêncio, obstina-se em detalhar o que não se diz e promete-se liberar das leis que a fazem funcionar". A questão básica não é "por que somos reprimidos, mas por que dizemos, com tanta paixão, com tanto rancor contra nosso passado mais próximo, contra nosso presente e contra nós mesmos que somos reprimidos?".
**A partir daí, o autor nos propõe uma série de questionamentos: a repressão sexual é mesmo uma evidência histórica, como tanto se afirma por aí? Serão os meios de que se utiliza o poder mesmo repressivos? Será que não se utilizam de formas mais ardilosas e discretas de poder? A crítica feita à repressão quer mesmo acabar com esta ou faz parte da mesma rede histórica que denuncia? Existe mesmo uma ruptura histórica entre Idade da repressão e a análise crítica da repressão? Não seria para incitar a falar sobre ele que o sexo é exibido como segredo que é indispensável desencavar?
**Não é que Foucault diga que o sexo não vem sendo reprimido; afirma, sim, que essa interdição não é o elemento fundamental e constituinte a partir do qual se pode escrever a história do sexo a partir da Idade Moderna. Ele coloca a hipótese repressiva numa economia geral dos discursos sobre sexo a partir do século XVII. Mostra que todos esses elementos negativos ligados ao sexo (proibição, repressão etc.) têm uma função local e tática numa colocação discursiva, numa técnica de poder, numa vontade de saber.
**A hipótese de Foucault é que há, a partir do século XVIII, uma proliferação de discursos sobre sexo. Diz ele que foi o próprio poder que incitou essa proliferação de discursos, através de instituições como a Igreja, a escola, a família, o consultório médico. Essas instituições não visavam proibir ou reduzir a prática sexual. Visavam, sim, o controle do indivíduo e da população.
**A explosão discursiva sobre sexo de que trata Foucault veio acompanhada de uma depuração do vocabulário sobre sexo autorizado, assim como de uma definição de onde e de quando podia se falar dele. Regiões de silêncio - ou, pelo menos, de discrição - foram estabelecidas entre pais e filhos, educadores e alunos, patrões e serviçais etc.
**A Igreja Católica, com a Contra-Reforma, deu início ao processo de incitação dos discursos sobre sexo ao estimular o aumento das confissões ao padre e também a si mesmo. As "insinuações da carne" têm de ser ditas em detalhes, incluindo os pensamentos sobre sexo. O bom cristão deve procurar fazer de todo o seu desejo um discurso. Ainda que tenha havido uma interdição de certas palavras, esta é apenas um dispositivo secundário em relação a essa grande sujeição, é apenas uma maneira de tornar o discurso sobre sexo moralmente aceitável e tecnicamente útil.
**Ainda no século XVIII e principalmente no século XIX, houve uma dispersão dos focos de discurso sobre o sexo, que antes eram restritos à Igreja. Houve uma explosão de discursos sobre sexo, que tomaram forma nas diversas disciplinas, além de se diversificarem na forma também. A medicina, a psiquiatria, a justiça penal, a demografia, a crítica política também passam a se preocupar com o sexo. Analisa-se, contabiliza-se, classifica-se, especifica-se a prática sexual, através de pesquisas quantitativas ou causais.
**Esses discurso são, realmente, moralistas, mas isso não é o essencial. O essencial é que eles revelam a necessidade reconhecida de superar esse moralismo. Supõe-se que se deve falar de sexo, mas não apenas como uma coisa que se deve simplesmente coordenar ou tolerar, mas gerir, inserir em sistemas de utilidade, regular para o bem de todos, fazer funcionar segundo um padrão ótimo. O sexo não se julga apenas, mas administra-se . Portanto, regula-se o sexo não pela proibição, mas por meio de discursos úteis e públicos, visando fortalecer e aumentar a potência do Estado (que não significa aqui estritamente República, mas também cada um dos membros que o compõe).
**Um dos exemplos práticos dos motivos para se regular o sexo foi o surgimento da população como problema econômico e político, sendo necessário analisar a taxa de natalidade, a idade do casamento, a precocidade e a frequência das relações sexuais, a maneira de torná-las fecundas ou estéreis e assim por diante. Pela primeira vez, a fortuna e o futuro da sociedade eram ligados à maneira como cada pessoa usava o seu sexo. O aumento dos discursos sobre sexo pode, então, ter visado produzir uma sexualidade economicamente útil.
**Da mesma forma em que o sexo passou a ser um problema para a demografia, também passou a despertar as atenções de pedagogos e psiquiatras. Na pedagogia, há a elaboração de um discurso acerca do sexo das crianças, enquanto, na psiquiatria, estabelece-se o conjunto das perversões sexuais. Ao se assinalar os perigos, despertam-se as atenções em torno do sexo. Irradiam-se discursos, intensificando a consciência de um perigo incessante - o que incita cada vez mais o falar sobre sexo.
**O exame médico, a investigação psiquiátrica, o relatório pedagógico, o controle familiar, que aparentemente visam apenas vigiar e reprimir essas sexualidades periféricas, funcionam, na verdade, como mecanismos de dupla incitação: prazer e poder. "Prazer em exercer um poder que questiona, fiscaliza, espreita, espia, investiga, apalpa, revela; prazer de escapar a esse poder.
Poder que se deixa invadir pelo prazer que persegue - poder que se afirma no prazer de mostrar-se, de escandalizar, de resistir." Prazer e poder se reforçam.
**Pode-se afirmar, então, que um novo prazer surgiu: o de contar e o de ouvir. É a obrigação da confissão, que se difundiu tão amplamente, que já está tão profundamente incorporada a nós, que não a percebemos mais como efeito de um poder que nos coage. A confissão se diversificou e tomou novas formas: interrogatórios, consultas, narrativas autobiográficas. O dever de dizer tudo e o poder de interrogar sobre tudo se justificam no princípio de que a conduta sexual é capaz de provocar as consequências mais variadas, ao longo de toda a existência. O sexo aparece como uma superfície de repercussão para outras doenças. Mas pressupõe-se que a verdade cura quando dita a tempo e quando dita a quem é devido.
**Michel Foucault constrói, portanto, uma nova hipótese acerca da sexualidade humana, segundo a qual esta não deve ser concebida como um dado da natureza que o poder tenta reprimir. Deve, sim, ser encarada como produto do encadeamento da estimulação dos corpos, da intensificação dos prazeres, da incitação ao discurso, da formação dos conhecimentos, do reforço dos controles e das resistências. As sexualidades são, assim, socialmente construídas. Assim como a hipótese repressiva, é uma explicação que funciona. Cada um que aceite a verdade que mais lhe convém. Ou invente novas verdades.http://www.abordo.com.br/sat/res01_lara.htm
sexta-feira, 11 de julho de 2008
e história"-livro
Margarethe Rago
http://www.sabotagem.cjb.net/
Coletivo SABOTAGEM
Freqüentemente, ouvimos os “foucaultianos” questionarem os possíveis vínculos existentes entre Foucault e o Anarquismo, afirmando que o filósofo jamais se disse anarquista, que recusava qualquer forma de identificação e que, ademais, nunca se afiliou aos grupos libertários contemporâneos.1 Vários autores anarquistas, por outro lado, enxergam um Foucault profundamente libertário e propõem pensar o pós-estruturalismo como “uma forma contemporânea de anarquismo”.2 Falando de sua experiência pessoal, Salvo Vaccaro afirma que o filósofo não só o aproximou do Anarquismo, impedindo-o de “se fossilizar no caminho traçado de Bakunin a Malatesta”, como ensinou “uma utilização anarquista do texto teórico, sem respeito pela autoridade do Nome.”3 Todd May, nos Estados Unidos, Salvo Vaccaro, na Itália, Edson Passetti, no Brasil e Christian Ferrer, na Argentina, entre outros, postulam uma continuidade entre as duas correntes de pensamento, entendendo que, na tradição histórica do Anarquismo, pode-se encontrar um contexto mais geral a partir do qual o pós-estruturalismo seria melhor avaliado. Enquanto um pensamento libertário, este opera de modo descentralizado, plural, antihierárquico e renovador, ao enfrentar as questões de nossa atualidade.4 Bem distante do Anarquismo, José Guilherme Merquior elenca, pelos menos, três momentos no pensamento foucaultiano, que lhe permitem qualificá-lo de “neo-anarquista”, ao lado dos ativistas de 68: sua preferência pelos movimentos revolucionários descentralizados; sua confiança maior nos movimentos específicos, conhecidos como “das minorias”, ao invés da luta de classes em sua definição clássica; finalmente, “e em harmonia ainda maior com a mais pura tradição anarquista, Foucault obstinava-se em suspeitar das instituições, por mais revolucionárias que pudessem ser.”5 Longe de querer enquadrar, ou classificar Foucault, trata-se, na minha insistência, de mostrar os vínculos estreitos existentes entre as suas problematizações e o pensamento libertário e de, ao apontar para a forte presença anarquista em sua forma de pensamento, Duas passagens do filósofo são logo evocadas: "Não, eu não me identifico com os anarquistas libertários, porque há uma certa filosofia libertária que acredita nas necessidades fundamentais do homem. Eu não as quero, me nego acima de tudo a ser identificado, ser localizado pelo poder.(...) leia mais em : http://www.scribd.com/doc/2230447/foucault-historia-anarquismo-margareth-rago
domingo, 6 de julho de 2008
sábado, 28 de junho de 2008

LIVRO:
"MICROFÍSICA DO PODER"
MICHEL FOUCAULT
O conceito de poder é central dentro da obra de Michel Foucault. Para o autor, o poder não é algo que se possa possuir. Portanto, não existe em nenhuma sociedade divisão entre os que têm e os que não têm poder. Pode-se dizer que poder se exerce ou se pratica. O poder, segundo Foucault, não existe. O que há são relações, práticas de poder.
O poder circula. Para Foucault, ao contrário das teses althusserianas - segundo as quais todo poder emana do Estado para os Aparelhos Ideológicos - há as chamadas micropráticas do poder. “De modo geral, penso que é preciso ver como as grandes estratégias de poder se incrustam, encontram suas condições de exercício em micro-relações de poder. Mas sempre há também movimentos de retorno, que fazem com que estratégias que coordenam as relações de poder produzam efeitos novos e avancem sobre domínios que, até o momento, não estavam concernidos.”(...) continua em: http://nocabide.wordpress.com/category/resumo/

LIVRO:"Vigiar e Punir:
História da
Violência nas
Prisões"
MICHEL FOUCAULT
É um estudo científico, documentado, sobre a evolução histórica da legislação penal e respectivos métodos coercitivos e punitivos, adotados pelo poder público na repressão da delinqüência. Métodos que vão desde a violência física até instituições correcionais.
terça-feira, 24 de junho de 2008
de: *Nadia Stabile*
No Brasil,muito mais importante do que eleições,deveria ser a existência de assembléias populares regulares,para que o povo decidisse sobre questões que tivessem urgência de serem decididas!!! por todos! votar um dia no ano e nos outros 364 dias não fazer nada,não nos faz "cidadãos"! (entre aspas,porque o conceito de cidadania é complexo e polêmico) Talvez melhor seria dizer que votar somente,não nos faz ser um POVO no sentido melhor desta palavrra!
Como dizia meu pai:"Povo não é um aglomerado de pessoas!" . Coloco a seguir um trecho de Foucault em "Microfísica do poder"
“De modo geral, penso que é preciso ver como as grandes estratégias de poder se incrustam, encontram suas condições de exercício em micro-relações de poder. Mas sempre há também movimentos de retorno, que fazem com que estratégias que coordenam as relações de poder produzam efeitos novos e avancem sobre domínios que, até o momento, não estavam concernidos.”
COMUNIDADE POLITEIA -
EDUCAÇÃO DEMOCRÁTICA :
http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=37391367
quinta-feira, 24 de abril de 2008

corpo, com o corpo. Foi no biológico,
antes de tudo, investiu a sociedade
realidade bio-política. A medicina é
"MICHEL FOUCAULT" - 1979:80
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
terça-feira, 11 de dezembro de 2007

ALMAS ENGAIOLADAS
o pássaro do cativeiro,fugiu,
ou foi libertado por você.
mas por causa do cativeiro,
seu "QI" ficou mirrado,
por causa do cativeiro,
transformou sua índole
de sobrevivência,
sua capacidade de resiliência,
por causa do cativeiro
vigiado noite e dia,
o pássaro já não sabia
mais ser ele ou nunca
descobriu o que era.
lá na esquina encontrou um louco,
que mostrou-lhe o que era ser.
mesmo com todos os olhares
ferozes e engaiolados a lhes perseguirem,
conseguiram compreender,
o louco e o pássaro se compreenderam.
juntos tentavam entender
outros pássaros e loucos desengaiolados.
liam livros,compreendiam
os artistas de rua,conversavam
com qualquer pessoa.
sentiam muita pena dos engaiolados
que não podiam compreender nem a si próprios.
porém,sabiam que existiam
"engaiolados" mais livres do
que a maioria,por habitarem
suas almas,como ninguém.
"ser ou não ser,eis a questão"!
compreender a si e aos outros,
eis a mesma questão!
somos quando compreendemos.
se você não compreende seu irmão,
ou qualquer outra pessoa,
é como se você assassinasse o cara
que divide a mesma
cela com você!
se você não lê,livros
ou a vida,você emburrece.
estar engaiolado,ser vigiado,
é um grande mal!
mas mal maior é quando
assimilamos a gaiola e
o vigiar em nossas almas.
Nadia Stabile - 11/12/07
*IMAGEM: sou eu aos 18 anos de idade.
sábado, 10 de novembro de 2007
da Educação
Democrática
para a América Latina
Helena Singer, 07/10/2007
Entre os dias 08 e 16 de setembro deste ano aconteceu em Mogi das Cruzes,a 100 quilômetros de São Paulo, no Brasil, a 15ª Conferência Internacional de Educação Democrática. Pela primeira vez na América Latina, o encontro foi organizado pelo instituto Politeia*[1] Educação Democrática, o Laboratório de Estudos e Pesquisas da Universidade de Campinas (LEPED-Unicamp), o Instituto Socioambiental (ISA) e a Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FE-USP), como evento paralelo ao Fórum Mundial de Educação do Alto Tietê (FME-AT). O Fórum Mundial de Educação surgiu em 2001, como um dos desdobramentos do Fórum Social Mundial, movimento internacional que busca articular iniciativas que propõem alternativas à hegemonia neoliberal. Realizar a IDEC em parceria com duas das melhores universidades do continente e também com o FME teve o duplo objetivo de, de um lado, questionar as reais possibilidades de a educação democrática formular políticas públicas e, de outro, torná-la objeto de debate acadêmico.
Em termos numéricos, a conferência pode ser descrita assim. Participaram do encontro cerca de 170 pessoas – estudantes, educadores, pesquisadores, pais – pertencentes a 65 organizações de 13 países, sendo eles: Brasil, Peru, México, Canadá, Estados Unidos, Portugal, Espanha, França, Itália, Alemanha, Ucrânia, Israel e Japão. Nas atividades abertas ao Fórum Mundial de Educação, o público chegou a 800 pessoas.
Os que vieram da América do Norte, Europa e Ásia participam da rede internacional de educação democrática. Para articular as organizações latino-americanas que poderiam ingressar nesta rede, seis meses antes da conferência, seus organizadores listaram as instituições de suas próprias redes e lhes enviaram um roteiro de perguntas a respeito das condutas e procedimentos gerais da instituição. Foi a partir das respostas a este questionário, que organizações de diversas regiões deste país de proporções continentais e dos países latino-americanos citados acima foram convidadas e efetivamente participaram da IDEC. A variedade em relação à natureza das organizações denota o caráter inovador do encontro em uma área na qual via de regra os eventos são segmentados ora para professores, ora para acadêmicos, quase nunca para estudantes. Dentre os participantes da IDEC 2007 que informaram a que tipo de organização pertencem, a maior parte atuava junto a organizações não governamentais (45%), seguidos dos que vieram ligados a escolas (33%), gestores públicos (7%) e pesquisadores universitários (5%). As escolas participantes eram municipais, estaduais, filantrópicas e privadas, de educação infantil, fundamental, ensino médio e educação de jovens e adultos. Dentre as ONG, havia instituições voltadas para a educação integral, para a mobilização social em áreas que se articulam com a educação democrática, como a sustentabilidade do planeta, a economia solidária, e a democratização das tecnologias de informação e comunicação.
Mas afinal o que é Educação Democrática?
Certas propostas educacionais pautadas pelos ideais de liberdade e gestão participativa receberam diferentes denominações da literatura ao longo dos últimos cento e cinqüenta anos: pedagogia centrada no estudante, escolas românticas, libertárias, livres, progressistas, alternativas, democráticas. Embora haja diferenças em relação aos vários países onde se encontram estas escolas, atualmente o movimento em torno do qual elas se articulam tem adotado a denominação de “educação democrática”. Deve-se ressaltar, contudo, que nem todas as escolas que participam do movimento se reconhecem desta forma e este foi inclusive temas debatidos na 15ª IDEC, durante a sessão “Auto-gestão, educação libertária e permanente”.No encontro de 2000, no Japão, definiu-se a rede como a conexão de escolas, organizações e indivíduos que praticam e promovem os seguintes ideais: respeito e confiança pelas crianças,liberdade de escolha e gestão democrática compartilhada entre crianças e adultos.
Quem esteve na 15ª IDEC
As organizações que participaram da 15ª IDEC pertencem a redes que articulam as escolas democráticas no mundo. Falar um pouco sobre cada uma das redes é também uma forma de contar a história do movimento.
Podemos começar por Janusz Korczak, que fundou e dirigiu um orfanato para crianças judias entre 1912 e 1942 na Polônia e escreveu vários livros, alguns de ficção para crianças, outros de aconselhamento para pais e relatos de suas experiências educacionais. A Associação Janusz Korczak (AJK) está presente em vinte e um países, promovendo cursos para educadores, exposições e traduções de livros deste médico-educador, tendo em alguns países se articulado com as escolas democráticas locais. Na IDEC do Brasil, a AJKB lançou seu mais recente boletim e participou da mesa sobre “O que se Quer da Educação”, logo no primeiro dia de debates. (...)
(CONTINUA) http://f1.grp.yahoofs.com/v1/AM2QR_fl8VKL6_hBuuQNScDn0JkJ_r03sfruG4fdntL35chW4Mv5dvSWYULqsFTfoT3hGzaMKQqnoGWofaSO7A/artigo%20IDEC.doc
http://br.groups.yahoo.com/group/edudemocratica-ead/
*[1] O nome Politeia foi escolhido logo depois da conferência. Durante a IDEC, este instituto foi divulgado como IDEB (Institute for Democratic Education in Brazil).
****PARTICIPE DO GRUPO DO YAHOO DE EDUCAÇÃO DEMOCRÁTICA E EaD
http://br.groups.yahoo.com/group/edudemocratica-ead/
quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Maurício Tragtenberg
e a Pedagogia Libertária*
Resumo:
Nosso objetivo é resgatar o pensamento político-pedagógico de Maurício Tragtenberg. De um lado, a crítica incisiva que desvenda o modelo pedagógico burocrático fundado na vigilância e na punição, na relação de dominação, no saber formal transformado em mercadoria de consumo, uma pedagogia que predomina na maioria das nossas escolas e universidades. De outro, o itinerário de uma alternativa pedagógica libertária, recuperada e sintetizada na práxis do educador contemporâneo. No final do percurso, a certeza da sua atualidade.
O modelo pedagógico-burocrático: vigiar e punir
A peculiaridade da pedagogia libertária se expressa pelo questionamento de toda e qualquer relação de poder estabelecida no processo educativo e das estruturas que proporcionam as condições para que estas relações se reproduzam no cotidiano das instituições escolares. É de conhecimento geral, a tese de que a interação entre os diversos personagens que atuam no espaço escolar reproduzem as relações sociais predominantes na sociedade.
Deste ponto de vista, Tragtenberg se coloca a seguinte questão: "conhecer como essas relações se processam e qual o pano de fundo de idéias e conceitos que permitem que elas se realizem de fato". Sua análise busca apreender como a escola atua enquanto "poder disciplinador" pois, conforme afirma o filósofo Michel Foucault, "a escola é o espaço onde o poder disciplinar produz saber". (TRAGTENBERG, 1985: 40)
Como surge esta situação? As origens desta instituição disciplinar remonta às necessidades de controle da força de trabalho e, simultaneamente, das exigências técnicas administrativas produzidas pelo avanço da revolução industrial. Não por acaso, os métodos de controle do operário assemelham-se àqueles utilizados no âmbito do espaço escolar: delimitação e enquadramento do tempo e da forma como este deve ser utilizado; e, domínio dos processos, gestos, atitudes e comportamentos. (estes métodos foram ainda mais intensificados com a adoção do taylorismo). A fusão de um saber, constantemente acumulado e renovado pela própria natureza da instituição escolar, com as técnicas disciplinadoras-burocráticas herdados dos presídios avultam os efeitos da concentração do poder de dominação e controle. A escola, através do saber, aperfeiçoa os meios de controle, podendo dar-se ao luxo de dispensar o recurso à força. A própria prática de ensino pedagógica-burocrática permite-o, na medida em que reduz o aluno ao papel de mero receptáculo de conhecimento, fixa uma hierarquia rígida e burocrática na qual o principal interessado encontra-se numa posição submissa e desenvolve meios para manter o aluno sob vigilância permanente (diário de classe, boletins individuais de avaliação, uso de uniformes modelos, disposição das carteiras na sala de aula, culto à obediência, à superioridade do professor etc.).
Nesta estrutura escolar, o poder de punir é legitimado e concebido como natural. Como salienta Tragtenberg: "Na escola, ser observado, olhado, contado detalhadamente passa a ser um meio de controle, de dominação, um método para documentar individualidades. A criação desse campo documentário permitiu a entrada do indivíduo no campo do saber e, logicamente, um novo tipo de poder emergiu sobre os corpos". (Idem)
A prática de ensino resume-se, então, à transmissão de um conhecimento 'superior' (no sentido de estar sob domínio professoral) e à adoção de técnicas de memorização de conteúdos. Um conhecimento, portanto, formal e selecionado à revelia dos diretamente interessados e passível de questionamento quanto à sua própria utilidade.
Tudo isto pode ser resumido em: vigiar e punir. De fato, esta prática de ensino objetiva, essencialmente, a produção de "corpos submissos, exercitados e dóceis". A estrutura escolar, em nome da transmissão do conhecimento, termina por domesticar o aluno, diferenciar os bons dos maus, salientar e reforçar a imagem negativa dos rebeldes, 'problemáticos', estigmatizando uns e outros, recompensando os primeiros, punindo os segundos com a repetência e/ou a exclusão. O ensino do conteúdo torna-se em si um meio para tal.
O sistema de exames é a pedra angular deste edifício. A avaliação do aluno reduz-se à aplicação da prova, tornando-se um fim em si mesma. O objetivo principal, a produção e transmissão do conhecimento, é secundarizado. Sem alternativas, o aluno submete-se ao exame, memoriza o conteúdo para tirar uma boa nota. Mas, o que prova a prova senão apenas o ridículo fato de que ao aluno sabe fazê-la? Por acaso, o exame dado nestas condições prova o saber do aluno? (...)
POR ANTONIO OZAÍ DA SILVA
Docente na Universidade Estadual de Maringá (UEM), autor de História das Tendências no Brasil (Origens, cisões e propostas), Proposta Editora, 1987; e, de Partido de massa e partido de quadros: a social-democracia e o PT, São Paulo, CPV, 1996; membro do NEILS
*** CONTINUE LENDO EM:
http://www.espacoacademico.com.br/032/32pc_tragtenberg.htm
* Publicado originalmente na Revista Lutas Sociais, 6, 2º semestre de 1999, pp. 07-20, do Núcleo de Estudos de Ideologia e Lutas Sociais (NEILS) e Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais da PUC/SP.
sexta-feira, 14 de setembro de 2007
...SÓ FALTOU PUXAR O
BANQUINHO DA FORCA!
ISTO NÃO É UM CADAFALSO!

quarta-feira, 15 de agosto de 2007
POR UM GRAFFITEIRO
"Quanto mais você consome, menos você vive"
"não penso, não existo, só assisto"
"a verdade não existe"
"quando se sabe de tudo é sinal que se esta mal informado"
"não confie em homens de terno "
"Venho por meio desta cobrar ao proprietário deste muro 500 reais relativos ao direito de uso de imagem desta pichação."
"SE MORAR É UM DIREITO,OCUPAR É UM DEVER! "
"só é vandalismo porque não é propaganda" ou
"se fosse propaganda não era vandalismo"
"A melhor coisa que deus poderia fazer para a humanidade seria deixar de existir"
"Em frente a uma igreja cristã: "JESUS CRISTO NÃO É SURDO!!!"
"Os Loucos e as crianças são os únicos que dizem a verdade.Os Loucos são aprisionados e as crianças educadas.***(ou melhor dizendo,adestradas)"
"Propaganda é a ARMA do negócio:Saia de sua mira!!! "
"Você trabalha em um emprego que odeia, para enfim comprar merdas que não precisa."
"pra que tanto orgulho na vida se o futuro é a morte"
*** (observação minha)
* Frases enviadas por um jovem amigo anarquista,que é dissidente de religião evangélica,hoje é graffiteiro e estuda Michel Foucault!!...







