quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Declaração dos participantes da I Pedalada Pelada de São Paulo - A I Pedalada Pelada de São Paulo, ou World Naked Bike Ride (WNBR)14/06/08

(...)**Celebração da nudez não sexualizada e não comercializada.
Liberdade de expressão e manifestação.

Iniciada a pedalada na Avenida Paulista, à medida que os ciclistas se distanciavam da praça foram tomando coragem de expor mais seus corpos. Seguindo o lema naturista, puderam celebrar sua nudez não sexualizada e não comercializada, muito diferente da exposição sexual dos corpos padronizados tão comum nas emissoras de TV e revistas.

Centenas de pessoas puderam expor por alguns instantes seus corpos “imperfeitos”, gorduras a mais ou a menos, celulites e estrias livres da ditadura estética vigente que causa distúrbios alimentares, complexos e depressões.

A alegria desse momento foi tão contagiante que provocou aplausos da “platéia”. Pessoas que caminhavam pelas ruas, passavam dentro de ônibus ou automóveis, riam, assobiavam, apontavam a massa de pelados que pedalava. Câmeras e mais câmeras de celulares foram apontadas para a avenida.

E a prova máxima de civilidade foi dada pelos próprios ciclistas nus (ou seminus), que abriram mão de assédios e piadas de mau gosto para compartilhar respeitosamente um momento de pura liberdade de expressão e manifestação.

**Criminalização da nudez, neutralização da massa e violência policial

Infelizmente, aprendemos com nossa ação que a nudez que se manifesta livremente a favor da vida é criminalizada, enquanto a nudez explorada, sexualizada e comercializada nos carnavais, novelas e revistas é permitida.

Durante o trajeto, um comandante da polícia militar deixou claro a quem ele pensou ser o organizador da ação, que o nu frontal não seria tolerado, somente corpos pintados como no carnaval. Apesar das dezenas de ciclistas completamente nus, André Pasqualini acabou sendo escolhido como o “bode expiatório” e foi levado nu para a delegacia, como forma de neutralizar nossa ação.

Alguns ciclistas tentaram se manifestar contra a prisão e foram agredidos com pontapés e gás de pimenta, como mostra diversas fotos e vídeos publicados pela grande mídia (matéria no Estadão) e pela mídia independente. Como sempre é feito em manifestações ciclo ativistas, os ciclistas ergueram suas bicicletas no ar. Foram absurdamente acusados de usá-las como arma.

O comandante da operação declarou diante das câmeras que fez o que estava planejado, prendeu o “líder” da ação para acabar com a manifestação. A lógica estava errada, já que não existem líderes ou organizadores da Pedalada dos Pelados, mas a tática deu certo, porque seja lá quem tivesse sido detido, nós não deixaríamos de apoiá-lo.

Com a prisão de um dos seus participantes, a massa perdeu um pouco em alegria e parte dela seguiu escoltada pela CET rumo ao 78º DP na Rua Estados Unidos. A festa continuou ali, aos gritos de “Ô seu delegado, libera o pelado!”.(...)

LEIA MAIS EM : http://apocalipsemotorizado.net/2008/06/19/eram-muitos-os-pelados/


WNBR Brasil - São Paulo -Aventuras com Renata Falzoni Parte 2

NATURISMO




































































Quando se fala em nudismo ou locais nudistas vem de imediato à ideia "praias nudistas" o certo é que o nudismo não deve estar confinado somente às praias mas também a outros locais naturais como florestas (pinhais, matas, lagos, rios, ribeiros...). Alem de ser uma variante é também uma alternativa à praia (areal, sol...) E existem locais agradáveis(matas, pinhais) onde pode ser praticada a nudez. Isto no que se refere ao espaço físico.

Porque no espaço temporal sucede também a limitação de que o nudismo é só no Verão. É verdade que é durante esta estação que a nudez é mais propícia mas também há dias e momentos de Inverno que são bastante razoáveis para a prática da nudez. Passa também pela maneira como se encara o usufruto/utilização no aspecto lúdico do local, isto é se a pessoa utiliza o espaço para descansar(deitar-se/sentar-se) ou se utiliza o espaço de maneira lúdica com jogos e alguma actividade física.

FONTE : http://br.geocities.com/vista_bela/pag5.html

Fotos perfomáticas de nudez ingênua captada pelo fotógrafo americano Spencer Tunick, em Caracas Venezuela

A NUDEZ PARA AS ETNIAS INDÍGENAS -BRASIL

A LINGUAGEM DO CORPO

O corpo é um dos meios que definem a nossa individualidade social e étnica. Por isso, o corpo através de vestimentas, adornos, tatuagens, comunicam mensagens, falam.

Os índios encontrados pelos portugueses à luz do descobrimento estavam nus. Este nativo brasileiro, no seu estado de pureza, desconhecia o pudor, tomada esta palavra na pura acepção adotada pelo homem branco.

Precisando viver identificado com a selva, sente que o estado de nudez o tornava mais saudável, evidentemente mais forte, apto para subsistir e vencer os obstáculos naturais. A ausência de vestes, emprestava ao indígena a grande fortaleza física que o acompanhava sempre. O corpo nu, recebe melhor a ação dos raios solares e deles absorvem elementos que se considera essenciais a vida.

Vivendo sempre nus, os índios brasileiros, quando acontecia de usarem tangas, coberturas, seja entre a região do peito ou do joelhos, seja da cintura as coxas ou ainda, no espaço pubiano, o que se verificava, particularmente, entre as mulheres, o faziam por imitação direta ou das tribos que já se vestiam por terem convivido com o branco. Mas, não era o pudor instintivo que os obrigava e vestirem-se.

Algumas tribos cujas mulheres adquiriram o hábito de vestir-se, parcialmente ou por inteiro, o faziam por pura vaidade, como as índias "caudieu", da tribo "guaicurú-caudieu", que se habituaram a enrolar parte do corpo com faixas de algodão, comprimindo os seios como se vestissem uma túnica.

Dos tupiniquins, os primeiros índios avistados pelas naus de Cabral, ficou a descrição de Caminha:" A feição deles é serem pardos, um tanto avermelhados, de bom rosto e bons narizes, bem feitos. Andavam nus, sem cobertura alguma. Nem faziam caso de encobrir suas vergonhas do que mostrar a cara". Jean de Lery, pouco depois, escreveria sobre os tupinambás e goitacás:"Tanto os homens como as mulheres se apresentavam nus como quando saíram do ventre materno".

O homem e a mulher indígena, viviam nus na sã exibição da forma em que foram moldados, sem que o estado de nudez provocassem neles sentimentos impuros. A força de atração que a índia exercia sobre o índio, naquela época, não dependia da quantidade de panos que lhe podiam ocultar o corpo.

Embora andassem nus, os índios pintavam seus corpos, que funcionavam como um verdadeiro código social, pois cada uma delas indicava uma situação ou estado de espírito: guerra, nascimento de filhos, luto, ritos etc. Para todo aquele que conhecia tais códigos, eles diziam mais do que qualquer outra vestimenta. Igualmente, facilitava a comunicação entre tribos que não falavam a mesma língua.

Em alguns costumes indígenas, os cintos, colares, penas, tangas e outros acessórios que o índio usava, agiam como elemento de sedução, de atração, nada a ver com pudor, propriamente dito, qualquer que seja a região anatômica sobre que esses enfeites repousem. Quando o índio encobria a glande ou todo o órgão de reprodução, ele estava se enfeitando para melhor despertar o curiosidade, o desejo da companheira. A mulher, igualmente, desde que não obedeça a imposições rituais, cobre-se para se fazer desejada. No âmbito da sedução e do domínio do corpo, este nexo social também era evidente nas pinturas usadas pelos jovens indígenas em seus bailes noturnos de caráter orgiástico e lúdico.

Em relação as práticas bélicas o corpo apontava diversos objetivos. Assim, os guerreiros escarificavam o peito, os braços e as pernas para transmitir atributos de animais cujos os ossos eram usados como escarificadores. Entre estes se preferia a de avestruz, por sua força e velocidade. A escarificação, portanto, implicava na apropriação das características dos animais, potencializando a capacidade bélica. O corpo se constitui deste modo, um veículo de transformação de poderes e for'ças naturais em humanas.

A guerra envolvia também a prática do "scalp" (corte do couro cabeludo) e a apropriação de crânios. Os couros cabeludos eram guardados como troféus pelo guerreiro, que demonstravam seu valor e habilidade. Da cabeça só se conservava a calota, que era usada para beber em cerimônias religiosos. Estas ações permitiam que o guerreiro incorporasse o poder do oponente, neutralizando a possibilidade de vingança do morto.

Do exposto se deduz, que o corpo pode ser, mesmo nu, radicalmente transformado e conecta o indivíduo não só com outros humanos, mas também com seres míticos, convertendo-se em receptáculo de poder.

Na nudez o índio exprimia a castidade sem malícia, da qual se afastaria, gradualmente, na convivência com o homem branco. Pois, sabe-se que o pudor não é instinto, vem de fora para dentro e, é coisa adquirida, ensinada, aprendida. Já dizia um velho sábio, que nascemos puros e originais, mas morremos cópias do meio-ambiente e de nosso aprendizado. O nu será sempre moral e nós é o que desvirtuamos emprestando sentimentos impuros à obra da natureza. Em nossa civilização seria um absurdo combater o uso de roupas, até porque seria um atentado ao pudor, punido criminalmente, mas para os índios daquela época era um erro forçá-los a adotá-la. A crônica e relato de etnólogos contam episódios de índios e índias que, afastados da aldeia e seduzidos pela vida da cidade, nela cresceram e educaram-se, adotando o uso de vestes, até que a saudade ou o destino os devolvia novamente, no limiar da selva. Neste dia, em que a sedução e a voz da Grande Mãe Terra se fazia ouvir mais forte, abandonavam os atrativos da civilização. Então, arrancavam toda a indumentária representativa do pudor, dela se despedindo sem saudades, pois para retornar ao seio da natureza, o índio deveria se apresentar no esplendor da nudez que nela viveu. Antes de possuí-la novamente, o índio faz o ato de renúncia e regressa à amplidão da selva nu como dela partiu.

Hoje os índios usam roupas, possuem carros, portam celulares e falam fluentemente português. Perfeitamente adaptados a vida urbana são universitários, professores, jogadores de futebol entre tantas outras profissões. Mas o que é mais importante: continuam sendo índios, não perderam sua individualidade. Mesmo utilizando toda a tecnologia moderna e não vivendo mais em selvas, não deixaram de ser o que verdadeiramente são: bravos guerreiros índios, que buscam o resgate de sua própria identidade. Ao restante da sociedade, cabe o discernimento de reconhecer nos povos indígenas atuais, não como remanescentes de um valoroso passado, mas sim como um povo merecedor de nossa admiração e respeito.

A sua luta, é nossa luta, somos todos filhos da mesma terra, portanto, empunhamos a mesma bandeira, assim como nossos corações-irmãos pulsam uníssonos.

Texto pesquisado e desenvolvido por

Rosane Volpatto

FONTE : http://www.rosanevolpatto.trd.br/lendalinguagemdocorpo.html

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

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▼ 2009 (205)
▼ Janeiro (205)
FONTE: http://sarauxyz.blogspot.com

COMBATE AO ANALFABETISMO EM CUBA E VENEZUELA - POR EMIR SADER


29/12/2008

Cuba, Revolução, 50

De repente chegaram fotos de uns barbudos, posando como time de futebol, que tinham derrubado uma ditadura na América Central (sic – naquela época ainda não existia para nós o Caribe. Era uma região de “repúblicas bananeiras”, como depreciativamente nos referíamos a uma área de ditaduras – Somoza, Trujillo, Batista – como se fosse um fenômeno exótico na América Latina).

Aquela ilha tropical começava a surpreender-nos, a falar de revolução em um continente em que essa palavra era reservada para um fenômeno longínquo – a revolução mexicana – e de que desconhecíamos a revolução boliviana de 1952. Revolução, na verdade, para nós, eram a soviética e a chinesa. De repente, começa a se esboçar uma no nosso próprio continente, no nosso tempo político de vida.

Primeiro, a revolução nos chegava como luta contra o analfabetismo – que passou a representar um elemento essencial da luta emancipatória, a que a Venezuela e a Bolivia viriam a se somar recentemente, como se fossem carimbos de que se trata de processos revolucionários. Depois, as reformas urbana e agrária, as nacionalizações de empresas estrangeiras, mas sobretudo o discurso antimperialista.

Diante das reações da maior potência imperial da historia da humanidade, Cuba passou logo a identificar-se para nós com revolução – nascia a expressão Revolução Cubana, que nos acompanha a 50 anos. Tudo começado em um primeiro de janeiro, o que passou a dar a essa data uma conotação nova – de tempos novos, de que a pomba no ombro do Fidel quando discursava, era um prenuncio seguro.

Desde então, revolução, emancipação, dignidade, justiça, exemplo, solidariedade, internacionalismo – e tantas outras palavras, gestos, comportamentos, passaram a se incorporar a nosso mundo, a servir de norte, de referência e a identificar-se com Cuba. Nada foi igual desde que Cuba passou a expressar diante de nós a todos esses valores. Já não podíamos dizer que não eram possíveis, remetê-los para a utopia, como se não fosse possível a um pais ser pobre e ainda assim justo, ainda assim solidário, ainda assim internacionalista.

Cuba nos trouxe a revolução e o socialismo. O fato de que uma sociedade possa viver não em função do lucro, da ganância, do valor de troca, do mercado, mas das necessidades das pessoas, possa colocar em primeiro lugar a educação, a saúde, a habitação, a cultura – nos aponta o que contrapõe o socialismo ao capitalismo.

50 anos em que Cuba enfrentou as mais difíceis condições – do bloqueio dos EUA às duas tentativas de invasão do país por parte do governo estadunidense, pelo fim do campo socialista, pelas agressões reiteradas do imperialismo, pelo bloqueio e pelas mentiras – do que diz e do que cala – da imprensa monopolista mundial, pelo período especial e pelas catástrofes naturais. Cuba chega a seus 50 anos de Revolução desmentindo os que diziam que não sobreviveria sem o apoio da URSS, aos que se deslocaram para a Ilha para cobrir a suposta queda do regime cubano depois do fim dos regimes do leste europeu, aos que creiam que o país seria afetado pelas maiores convulsões se Fidel deixasse de estar à cabeça do governo.

Cuba chega aos 50 anos soberana, decidindo seu futuro a partir de suas próprias experiências, sem nunca ter deixado de ser solidária e internacionalista, nem nos seus momentos de maiores dificuldades. Ao contrário, a Escola Latinoamericana de Medicina expande a quantidade de alunos que formam as primeiras gerações de médicos pobres da América Latina. Mantêm e reforça a Operação Milagre, que já devolveu a visão a mais de um milhão de pessoas. Estende seu trabalho CE combate ao analfabetismo, que possibilitou que a Venezuela e a Bolívia fossem o segundo e o terceiro territórios livres de analfabetismo, como apoio direto e sistemático de Cuba.

São 50 anos de luta, de dignidade, de busca incessante da construção de uma sociedade justa, de apoio aos que precisam de apoio, de solidariedade com todos os povos do mundo. São 50 anos em que Cuba aponta o caminho da sociedade desmercantilizada, humanista, internacionalista – da sociedade socialista, de José Martí, de Fidel e do Che.

Postado por Emir Sader às 04:59


FONTE: http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=251

REVISTA VERVE - Edson Passetti, Acácio Augusto e etc...

Guilherme Corrêa, Edson Passetti, Acácio Augusto, Alexandre Berkman, Judith Malina, Julian Beck, Rogério Nascimento, João da Mata, José Maria Carvalho Ferreira, Saul Newman, Rolf S. de Folter, Edson Lopes, Emma Goldman, Roberto Freire, Antonio Martinez, Jaime Cubero, Eliane Knorr, Gustavo Ramus, Natalia Montebello.

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v e r v e 14

Verve 14, traz a segunda parte do dossiê 68 com palavras-falas do nu-sol para inesperado jogo de amarelinha. um jovem artista, aloisio licht, revira vestígios disciplinares com a delicadeza do traço compondo uma figuração mordaz. uma jovem anarquista, américa scarfó, conversa com um experimentado anarquista sobre o amor livre. verve amplia suas proximidades com o teatro publicando a aula-teatro 3 do nu-sol, FOUCAULT (assim mesmo em maiúsculas: o que somos e não somos), uma brevíssima peça de alexandre berkman e trechos do muito comentado, e pouco conhecido, paradise now de the living theatre, também de sessenta e oito. indisciplina, prazer e rebeldia rondam e transpõem as misérias do esporte. uma discussão pertinente sobre anarquismo e ressentimento situa a relevância das reviravoltas anarquistas contemporâneas e mete uma rasteira em nietzsche. o abolicionismo penal presente em um texto referência, nas escarificações de políticas de segurança e com uma anarquista no tribunal: diante da prisão é preciso ser tupinambá. uma antropofagia anarquista deglute a presença de três anarquista ausentes (jaime cubero, antonio martinez e roberto freire) e os muitos anônimos guerreiros. dos livros lidos comentamos mulheres, religião, 68, teatro livre... verve 14

SUMÁRIO

Dossiê 68
Nu-Sol

A etologia das disfunções, de Aloisio Licht
Guilherme Corrêa

América Scarfó, Uma experiência

FOUCAULT
Edson Passetti e Acácio Augusto

O grande jogo
Alexander Berkman

Paradise Now
Judith Malina e Julian Beck

Escolas de indisciplina: notas sobre sociabilidades
anarquistas no Brasil em inícios do século XX
Rogério Nascimento

Prazer e rebeldia
João da Mata

O esporte como miséria e espetáculo na era da globalização
José Maria Carvalho Ferreira

Anarquismo e a política do ressentimento
Saul Newman

Sobre a fundamentação metodológica do enfoque
abolicionista do sistema de justiça penal -
uma comparação das idéias de Hulsman, Mathiesen e Foucault
Rolf S. de Folter

Política, segurança e criminalização de deslocados
Edson Lopes

Emma Goldman diante do tribunal
Emma Goldman

Antropofagia anarquista:
Roberto Freire, Antonio Martinez, Jaime Cubero

resenhas

Convulsões espanholas: invenções na Revolução
Eliane Knorr

Mergulho e liberdades
Natalia Montebello

Sobre o uso político da religião
Gustavo Ramus

Teatro, anarquia e um alerta aos pluralistas
Edson Passetti



Guilherme Corrêa, Edson Passetti, Acácio Augusto, Alexandre Berkman, Judith Malina, Julian Beck, Rogério Nascimento, João da Mata, José Maria Carvalho Ferreira, Saul Newman, Rolf S. de Folter, Edson Lopes, Emma Goldman, Roberto Freire, Antonio Martinez, Jaime Cubero, Eliane Knorr, Gustavo Ramus, Natalia Montebello.


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Núcleo de Sociabilidade Libertária - Nu-Sol
Contate-nos em nu-sol@nu-sol.org

FONTE: http://www.nu-sol.org/verve/verveview1.php?id=14

QUILOMBOLAS VENCEM RIXA COM AGÊNCIA ESPACIAL BRASILEIRA - POR MAURÍCIO WALDMAN

Maurício Waldman
21 de janeiro de 2009 13:53

Uma disputa entre tradição secular e alta tecnologia terminou com vitória da primeira. As comunidades tradicionais quilombolas do município de Alcântara, Maranhão, venceram uma querela judicial por terras travada com a AEB - Agência Espacial Brasileira.

Alcântara, MA - A AEB havia instalado, em 1983, uma base de lançamento de foguetes na área. Os povos descendentes de quilombolas foram formados por escravos fugidos na época da escravidão e, de acordo com os moradores do local, instalados na região há mais de três séculos.

O Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) publicou, em 4 de novembro de 2008, um documento que reconhece as comunidades e determina que 78,1 mil hectares da região pertencem aos descendentes de quilombolas por direito. Pela decisão, o Centro de Lançamento de Alcântara da AEB fica com 9,3 mil hectares, dos 14 mil pretendidos pela agência. A resolução tem um prazo de 90 dias, a partir da data de publicação, para ser contestada.

Na década de 1980, cerca de 300 famílias descendentes de quilombolas foram retiradas do local onde viviam e instaladas em agrovilas próximas dali, para que o centro de lançamento pudesse ser instalado em 1983. Em 1991, a área destinada à base de lançamento chegou a ser de 62 mil hectares. Os 9 mil hectares que agora a AEB tem direito correspondem a um espaço já utilizado pela base de lançamento.

Hoje, vivem na região cerca de 15 mil descendentes de quilombolas em 106 comunidades, o que significa mais de 70% da população total de Alcântara. Já os 78 mil hectares demarcados correspondem a 52% do território da cidade, que é de 148.300 hectares, apenas 4 mil hectares menor do que o município de São Paulo. As principais atividades das comunidades são a agricultura familiar — principalmente o cultivo de feijão, mandioca e milho —, a pesca e o artesanato.

O presidente da AEB, Carlos Ganem, questiona a decisão do Incra, afirmando que a área pretendida é apenas 5 mil hectares a mais que o determinado e que, em razão dessa diferença, talvez seja preciso instalar bases de lançamento em outros locais do país. “É o melhor lugar do planeta para lançar foguetes. Pela posição estratégica, exige menos combustível, e é próximo ao mar, evitando acidentes. Não utilizar isso é desprezar a oportunidade que temos em mãos. Um programa espacial é um programa de inclusão econômica e ambiental. É importante para a observação, a coleta de dados, a meteorologia, a prevenção de catástrofes como a de Santa Catarina , o controle do tráfego aéreo e a navegação”, defende Ganem.

Para o Incra, a decisão garante que a agência não ampliará a área ocupada pelo centro de lançamento. “A vitória é que eles (a AEB) tinham um projeto bem maior do que isso, que causaria a necessidade de deslocamento de famílias. Com essa decisão, essa possibilidade não existe mais”, afirma a coordenadora geral de registro de territórios quilombolas do instituto, Givânia Maria da Silva.

Além da garantia do território, o subsecretário de políticas para comunidades tradicionais da SEPPIR (Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial), Alexandro Reis, acrescenta que a demarcação “trará maior dignidade às comunidades e direito a crédito no sistema público ou privado”. “Eles não viverão mais sob a ameaça de que aquelas terras em viram seus filhos nascerem, nas quais viveram seus pais, nas quais eles plantaram, não são suas, vamos saldar uma dívida histórica do país com estas comunidades.”

As comunidades, segundo Reis, já têm acesso a serviços do governo nas áreas de educação (para reforma e construção de escolas), saúde (direcionados ao acesso a saneamento e água, além de atendimento médico básico) e desenvolvimento econômico. “Agora, a previsão é de instalar um centro de referência quilombola, que funcionaria como um polo que articula as políticas públicas dos quilombolas, junto com inclusão digital”, afirma.

Nachriten Zeitung/Central de Notícias Deutsche Welle - A Voz da Alemanha, BrasilAlemanha/Neues (21-02-2009).



Prof. Dr. Mauricio Waldman

E-mail contact: mw@mw.pro.br

Site Pessoal - Official Website (PB): www.mw.pro.br

About me (BrE): http://en.wikipedia.org/wiki/Mauricio_Waldman

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

"MULTIMANIFESTO: ANTES QUE O MUNDO ACABE!"

ANTES QUE O MUNDO ACABE!!!
SAIA DA FRENTE DA TELA DE TV!
VÁ ATÉ A ESQUINA E VEJA!!!
VEJA QUE HOJE FAVELADOS DA ZONA LESTE
DE SÃO PAULO PERDERAM SEUS TETOS NUM INCÊNDIO!
VEJA QUE CRIANÇAS ESTÃO MORRENDO EM GAZA!!
PARE DE ASSISTIR NOVELAS DA REDE GLOBO OU DE OUTRA REDE!
TELESPECTADORES ESTÃO ENREDADOS NAS FALSAS TEIAS DAS REDES TELEVISIVAS!
QUE FALSEIAM TUDO, OMITEM FATOS VITAIS!!

PARE DE DESPERDIÇAR ÁGUA!
PARE DE ENGANAR-SE!
PARE DE IMITAR OS ABUTRES!
PARE DE CONSUMIR TANTO!
O CONSUMISMO ESTÁ CONSUMINDO O PLANETA!
PARE DE DAR OUVIDOS A MEXERICOS SOBRE ARTISTAS!
TENTE COMPREENDER SUA CIDADE!!
TENTE AMAR TODAS AS CRIANÇAS COMO SE FOSSEM SEUS FILHOS!
E VEJA!! CRIANÇAS ESTÃO MORRENDO NESTA GUERRA INÚTIL!
ANTES QUE O MUNDO ACABE EXPERIMENTE SER SER HUMANO!!

NADIA STABILE - 12/01/09

"E SE..." - DE RICARDO SANT'ANNA REIS - POESIA SOBRE A GUERRA NO ORIENTE MÉDIO - EDIÇÃO DO VÍDEO DE NADIA STABILE - MÚSICA DE BUDDHA BAR

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▼ 2009 (113)
▼ Janeiro (113)
INCÊNDIO NA FAVELA DE VILA PRUDENTE, ZONA LESTE DA...
EDIÇÃO EXTRA- BRASILEIROS FAZEM MANIFESTAÇÃO DIANT...
जनते é prá ब्रिल्हर,nãओ प्र मोर्रेर दे fome
"PABLO NERUDA" - SE (AMIGA ANICE ENVIA)
ATO EM SOLIDARIEDADE AO POVO PALESTINO - FOI HOJE ...
"Elizabeth Barrett Browning"- O Quanto Te Amo (AMI...
"RITA APOENA" - TRECHO (AMIGA CAMPESINA ENVIA)
"RICARDO SANT'ANNA REIS" - BELLE DE JOUR
"JOSÉ MAGNO" - DO AMOR - VII
"RICARDO SANT'ANNA REIS" - E SE...
"MÁRIO QUINTANA" - DEFICIENTE(PRIMA ROSANA ENVIA)
Israel: o cisma da alma - por Maurício Tragtenberg...
FAROESTE NO GUETO DE GAZA E BUMERANGUE - POR CELS...
Uma oração judaica para as crianças de Gaza
Andalucia com Palestina - A MANIFESTAÇÃO FOI HOJE...
नाडा दे ग्रांड नो मोंदो ऐ फेइतो सेम paixão
Emily Dickinson
"SE INDA CHORA O CORAÇÃO"- RICARDO SANT'ANNA REIS ...
"CATULO DA PAIXÃO CEARENSE" - ATÉ AS FLORES MENTEM...
"CATULO DA PAIXÃO CEARENSE" - RASGA O CORAÇÃO
Waking Life - O Homem Auto-Destrutivo (legendado)
A BATALHA DE GAZA - POR ALBERTO DINES
Guerra da opinião
"SPINOZA" A GUERRA E A PAZ
MERCEDES SOSA NÃO CANTA POR CANTAR...E ESTE BLOG.....
Mercedes Sosa - Solo le Pido a Dios (baseado em id...
"A GUERRA" - "A POLÍTICA É UMA EXTENSÃO DA GUERRA"...
"Spinoza e Nietzsche" - sobre paixões e poder...
"BARUCH SPINOZA" FRASE SOBRE GUERRA
"LEON TOLSTÓI"- GUERRA E PAZ (LIVRO)
"THOMAS HOBBES" FRASE....o medo
"THOMAS HOBBES" - O MEDO E O HOMEM É O LOBO DO HOM...
"Clara Nunes" - Canto das Três Raças (ACHADO NO PE...
मोर्रे, न बोलीविया छे गुएवारा,एम् 1967
guerras são estúpidas
Trecho - Livro - vagabundos Iluminados - Jack Kero...

sábado, 10 de janeiro de 2009

NTC - PUC/SP - Educa São Paulo - por João Ramalho

NTC - PUC/SP - Tribo Guarani - por João Ramalho

SÉRIE PENSADORES : MAX WEBER (PUC - MINAS)

Associação Cidade Escola Aprendiz - NA CIDADE DE SÃO PAULO

Antônio Nóbrega - Chegança (NOMES DE TRIBOS INDÍGENAS DO BRASIL)

REPÚDIO À CAMPANHA GENOCIDA DE ISRAEL - POR CELSO LUNGARETTI

Terça-feira, Janeiro 06, 2009

Não me considerando autoridade em assuntos do Oriente Médio, mas compartilhando a indignação que a atual campanha genocida de Israel provoca nos cidadãos decentes do mundo inteiro, faço minha as palavras do ex-secretário de Estado de Direitos Humanos do governo brasileiro, Paulo Sérgio Pinheiro, em seu brilhante artigo de hoje na Folha de S. Paulo ("Guerra total: massacre de civis", http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0601200908.htm ). Eis os trechos principais:

"Gaza tem a mais alta densidade demográfica do mundo: mais de 4.000 pessoas por km2. Cerca de 1,5 milhão de pessoas numa área de 360 km2, imprensadas entre o mar e as fronteiras com Israel e Egito.

"Puro engodo bombardeios aéreos israelenses com 'precisão cirúrgica'. Impossível evitar vítimas civis como 'dano colateral'. Não há para onde escapar.

"Em pouco mais de uma semana, 512 palestinos foram mortos. Um quarto das vitimas, segundo a ONU, é de civis, mulheres e crianças. Os feridos já são mais de 2.000 - e os hospitais não dão conta das amputações.

"Trinta e um soldados israelenses foram feridos nos ataques por terra e quatro civis israelenses foram mortos por foguetes de grupos do Hamas.

"A desproporcionalidade entre a guerra total de Israel e os ataques de foguetes do Hamas ou a resistência à ocupação israelense - dos dois lados crimes de guerra sendo cometidos contra civis - fica patente, apesar do bloqueio à entrada de qualquer jornalista ocidental: o ocupante não quer testemunhas do massacre.

"Israel, ao fechar os acessos da fronteira de Gaza há meses, descumpre suas obrigações como potência ocupante e pune coletivamente a população civil. O sistema de água e esgoto beira o colapso, pois os bombardeios destruíram as linhas de eletricidade e há meses não há combustível para gerar energia. Em flagrante descumprimento das convenções de Genebra e seus dois protocolos, estão sendo sistematicamente arrasados hospitais, ambulatórios e escolas, e mulheres e crianças são aterrorizadas.

"...(a) política desastrada de isolamento do Hamas transformou Gaza num enclave condenado a condições de vida a cada dia mais semelhantes aos bantustões do regime do apartheid sul-africano.

"O que se pode esperar nos próximos dias? Nada ou muito pouco, a não ser a intensificação da dança diplomática de visitas a Jerusalém e a Ramallah... Como pano de fundo, bombardeios, o avanço da invasão por terra (e mar), a reocupação, massacre de civis, mais foguetes do Hamas, a caçada letal aos líderes do Hamas (e o trucidamento de suas mulheres e crianças) e mudança de regime em Gaza dissimulada. Tudo deverá continuar até 20/1, quando tomará posse o presidente Obama, do qual se poderia esperar ao menos uma lamentação pelas perdas civis. Trágico começo de ano."

Celso Lungaretti

FONTE : http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/2009/01/repdio-campanha-genocida-de-israel.html

A TRAGÉDIA DO ORIENTE MÉDIO - POR CELSO LUNGARETTI


Os folhetins, o cinema e a TV nos acostumaram a observar os complexos dramas das pessoas, povos e nações a partir de uma ótica simplista: heróis-vilãos-vítimas.

Ou, simplificando mais ainda, a acreditarmos que quem causa sofrimento às vítimas são os bandidos e quem as defende, os mocinhos.

No fundo, trata-se do velho e obtuso maniqueísmo, a que os pensadores marxistas contrapuseram a dialética: Bem e Mal não existem como instâncias metafísicas que, desde os píncaros do paraíso celestial ou das profundezas do inferno, teleguiam a práxis humana, mas sim como resultado das decisões e ações adotadas pelos homens em cada situação.

No primeiro caso, alguns encarnam o Bem absoluto e o Mal absoluto, sem nuances: os mocinhos são sempre mocinhos e os bandidos, eternamente bandidos.

Na análise marxista, os papéis vão sendo assumidos a cada instante, de forma que o mocinho de ontem poderá ser o bandido de hoje, e vice-versa.

Infelizmente, a esquerda mundial até hoje não se recuperou do pesadelo stalinista, que, como Isaac Deutscher bem assinalou, foi um amálgama do pensamento sofisticado dos revolucionários europeus com a religiosidade primitiva da Santa Mãe Rússia.

E a História, infelizmente, favoreceu essa perda de densidade crítica por parte da esquerda. O nazifascismo parecia mesmo encarnar o Mal absoluto, colocando os que o combatiam na condição de cruzados do Bem absoluto.

Veio a guerra fria e a estreiteza de visão se consolidou definitivamente, de ambos os lados. A política mundial se tornou um mero western daqueles tempos em que os mocinhos se vestiam sempre de branco e os bandidos só usavam trajes negros.

Então, desde que os EUA se colocaram como protetores de Israel e os soviéticos se compuseram com o líder egípcio Gamal Abdel Nasser, na década de 1950, ficou estabelecido que a única forma progressista de encararmos os conflitos do Oriente Médio é beatificando os árabes e satanizando os judeus.

A questão no Oriente Médio é muito mais complexa.

Em primeiro lugar, temos um povo (o judeu) milenarmente perseguido, não só devido à maldade intrínseca dos poderosos de todos os tempos, mas também a uma certa vocação para o martírio: nunca quis misturar-se aos outros povos e conviver harmoniosamente com eles, fazendo, pelo contrário, questão de preservar sua identidade cultural/religiosa e de ostentá-la aos olhos de todos.

Então, mais do que a outros povos, fazia-lhe imensa falta um território próprio. Constituindo uma colônia minoritária em outros países e segregando-se rigidamente dos naturais desses países, neles despertava previsível hostilidade.

Ademais, os judeus eram invejados pelos gênios da cultura e da ciência que produziam (Marx, Freud, Einstein e tantos outros) e por seu êxito nas finanças, além de despertarem a hostilidade dos governos pela participação marcante que tinham em movimentos libertários/revolucionários.

É sintomático, aliás, que a esquerda hoje esqueça ou omita a importantíssima contribuição do Bund (União Judaica Trabalhista da Lituânia, Polônia e Rússia) para a gestação do movimento revolucionário russo, no início do século passado.

HOLOCAUSTO – Ao buscar um inimigo comum contra o qual unir a nação alemã, Hitler não precisou pensar muito: os judeus eram a opção óbvia.

Finda a II Guerra Mundial, a indignação que o Holocausto provocou na consciência civilizada fez com que a idéia do lar judaico passasse a ser vista com simpatia generalizada.

Foi quando os judeus cometeram seu maior erro de todos os tempos: aceitando a liderança espúria de fundamentalistas religiosos/terroristas sanguinários, implantaram seu estado nacional numa região em que se chocariam necessariamente com outros fundamentalistas religiosos/terroristas sanguinários.

A Inglaterra, império decadente, bem que tentou impedir, em vão. E as pombas desnorteadas, judeus imbuídos dos melhores ideais, acabaram aderindo em massa ao projeto sinistro dos falcões.

Então, uma das experiências socialistas mais avançadas que a humanidade conheceu, a dos kibutzim (comunidades coletivas voluntárias israelenses), acabou sendo tentada num país que logo viraria bunker – e, melancolicamente, foi definhando, até quase nada diferir hoje das cooperativas dos países capitalistas.

As nações árabes só não exterminaram até agora o estado judeu porque jamais o enfrentaram juntas e disciplinadas, sob um verdadeiro comando militar. Mesmo quando vários exércitos combateram Israel, atuaram praticamente como unidades independentes, em função das querelas e disputas de poder entre os reis, sheiks, sultões, califas, emires, etc., de países cuja organização política e social ainda é feudal.

Os israelenses, por enquanto, têm compensado sua inferioridade numérica com a superioridade de seus quadros e equipamentos militares, bem como com a repulsiva prática de promover massacres intimidatórios, reagindo de forma desproporcional e freqüentemente genocida aos ataques que sofre.

Os movimentos fundamentalistas/terroristas árabes agem como provocadores: sabem que jamais conseguirão enfrentar de igual para igual Israel, mas atraem retaliações contra seus povos, na esperança de que isto acabe trazendo as nações para o campo de batalha. Querem ser o estopim de uma guerra santa e não hesitam em sacrificar os seus em nome dos desígnios de Alá.

Os governantes feudais árabes, entretanto, têm mais medo de serem desalojados dos seus tronos do que ódio por Israel. Sabem que o despertar das massas contra o inimigo nacional pode derivar para levantes revolucionários em seus países. Preferem preservar o status quo, ao preço de fecharem os olhos a atrocidades como as que estão sendo cometidas contra os palestinos em Gaza.

Não se trata de nenhum filme de mocinho-e-bandido, pois só há vilãos entre os atores políticos; ninguém que mereça nossa simpatia e apoio.

Quanto às vítimas, estas sim são indiscutíveis: os civis que, nas últimas seis décadas, têm sido abatidos como moscas, devido à cegueira e (sejamos francos) imoralidade monstruosa desses atores políticos.

No fundo, a solução sensata seria o estabelecimento dos judeus noutro território qualquer – quantos países paupérrimos não lhes cederiam terras e autonomia administrativa, em troca de recursos e cooperação para seu desenvolvimento?

Mas não é a sensatez que rege o mundo e sim, como Edgar Allan Poe destacou, o horror e a fatalidade.

Então, os Hamas da vida continuarão ensejando carnificinas e os israelenses seguirão massacrando os vizinhos, trucidando seus velhos, mulheres e crianças, até que surja um novo Lawrence da Arábia e consiga levar à vitória a guerra santa sonhada pelos fundamentalistas/terroristas árabes.

O que temos no Oriente Médio é uma tragédia: os acontecimentos marcham insensivelmente para o pior desfecho e nada podemos fazer, exceto atenuar, tanto quanto possível, os banhos de sangue.

Celso Lungaretti

FONTE : http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/2009/01/tragdia-do-oriente-mdio.html

WOODSTOCK/40 ANOS: ÉRAMOS CRIANÇAS, BRINCANDO NO PARAÍSO - POR CELSO LUNGARETTI

Faz muito tempo que um ano não começa de forma tão deprimente.

De um lado, a certeza de que 2009 transcorrerá sob recessão e a dúvida sobre se a atual crise cíclica capitalista evoluirá para uma depressão tão terrível como a da década de 1930.

Do outro, a nova demonstração bestial de força de Israel, que reage de forma exageradíssima às agressões sofridas, para transmitir aos inimigos o recado de que massacrará impiedosamente quem se-lhe opuser (mesmo tornando-se genocida aos olhos do mundo e igualando-se aos seus carrascos de outrora, os nazistas).

O baixo astral é tamanho que a imprensa brasileira está esquecendo de registrar que, em 2009, serão comemorados os 40 anos de um dos acontecimentos mais alentadores do século passado: o Festival de Música e Artes de Woodstock.

Foi uma moeda que caiu de pé: os deuses de todos os povos e de todos os tempos parecem ter-se mobilizado para que tudo desse certo durante três dias mágicos, maravilhosos, que seriam para sempre lembrados como uma amostra da perfeição possível neste sofrido planeta.

Sem favor nenhum, posso afirmar que Woodstock foi o evento musical que mais influenciou as artes e os costumes na história da humanidade. E a conjunção de fatores que o transformou em marco e lenda dificilmente se repetirá. Sorry, moçada de hoje, mas o Gilberto Gil é que estava certo: "quem não dormiu no sleeping bag/ nem sequer sonhou".

Para começar, o Festival de Woodstock foi o ponto de chegada e a culminância de vários fenômenos e acontecimentos marcantes.

A escalada norte-americana no Vietnã, ao longo da década de 60, engendrara um movimento pacifista de crescente influência entre os jovens dos EUA, com direito a manifestações de protesto, queimas de cartas de recrutamento, choques com a polícia e a uma manifestação-monstro de cerco ao Pentágono.

Em 1965, um estudante de química chamado Owsley Stanley aprendeu como fabricar ácido lisérgico no porão de sua casa e logo inundou San Francisco com o LSD, impulsionando o surgimento da geração das flores, imortalizada pela bela canção de Scott McKenzie: “Se você vier para San Francisco,/ não se esqueça de colocar/ algumas flores no seu cabelo...”

Foi aí que o movimento hippie nasceu, aglutinando jovens que recusavam o american way of life e caíam na estrada, em busca de aventuras e novas experiências.

Em termos mais profundos, pode-se lembrar que era a fase em que a crescente mecanização da indústria mais e mais dispensava o uso da força física, demolindo algumas vigas-mestras da sociedade norte-americana, toda ela construída em cima do ascetismo puritano (a negação do prazer a fim de poupar energias para o trabalho). Na década de 60, o prazer reconquistava suas prerrogativas.

Grandes festivais de rock já haviam ocorrido em Monterey (1967) e na Ilha de Wight. Este último vinha se realizando desde 1968, embora o mais marcante e lembrado seja o de 1970, quando se deu uma das últimas apresentações de Jimi Hendrix.

Quanto a públicos expressivos, também não eram novidade: o festival inglês já reunira 250 mil pessoas.

Mas, foi no de Woodstock que a indústria cultural investiu pesado, pela primeira vez. É que, com algum atraso, os mercadores das artes se deram conta de que tinham um diamante bruto ao alcance das mãos. Prepararam-se, então, para explorar em grande estilo o evento seguinte.

Por último, vale notar que ainda se vivia a época dos compactos, em que eram singles e não elepês que corriam o mundo, com a repercussão dependendo, principalmente, da divulgação nas rádios.

Pouco se conhecia da segunda onda do rock (a primeira, nos anos 50, fora a dos pioneiros Elvis Presley, Chuck Berry, Little Richard, Bill Haley, etc.).

Muitos garotos, como eu, amavam os Beatles e os Rolling Stones. De resto, haviam escutado. “The House of Rising Sun” (Animals), “Sunny” (Johnny Rivers), “A Wither Shade of Pale” (Procol Harum) e quase nada mais.

Existia uma produção musical de grande qualidade represada, não atingindo circuitos mais amplos. Seria a irrupção dessa nova geração de importantes artistas ainda relativamente desconhecidos que asseguraria a surpresa e o enorme impacto causados pelo filme Woodstock e pelo álbum triplo com registros desse evento.

BRINCANDO NA CHUVA – Foram três dias de “paz, música e amor”, de 15 a 17 de agosto de 1969, levando 450 mil jovens até a fazenda do leiteiro Max Yasgur, a 80 quilômetros de Woodstock, estado de Nova York.

Logo no primeiro dia o festival foi declarado livre: quem não tinha comprado antecipadamente o ingresso, não precisou mais fazê-lo. Com isto, os promotores tiveram US$ 100 mil de prejuízo inicial, mas acabaram saindo no lucro: o filme lhes proporcionaria um retorno imediato de US$ 17 milhões.

O torrencial aguaceiro do segundo dia foi tirado de letra pela moçada, que aproveitou para relembrar a infância, chapinhando na lama. De início se tentou afastar a chuva com a força do pensamento positivo, todo mundo gritando “No rain! No rain!”. Depois, o jeito foi se amoldar a ela, brincando de tobogã e cantando. No álbum Woodstock há dois registros disto: no disco I, o improvisado “canto da chuva”; e no II, a multidão entoando em coro o refrão “deixa o sol brilhar!”, da peça Hair.

As boas vibrações não impediram a ocorrência de três mortes: uma overdose, um atropelamento por trator e um ataque de apendicite. O guitarrista e líder do The Who, Peter Townshend, não se limitou, como de hábito, a destruir o instrumento de trabalho no final apocalíptico de sua performance; levou a fúria para os bastidores, quebrando o pau com o líder hippie Abbie Hoffman.

O evento foi processado para o cinema por Michael Wadleigh, que fez uma magnífica edição de imagens e introduziu uma novidade: a bi ou tripartição da tela, oferecendo ao espectador tomadas simultâneas do mesmo grupo, de artistas isoladamente, do público, etc.

Há, além disto, nítido empenho em situar o evento sociologicamente, ao contrário do documentário sobre o Festival de Monterey, que se ateve quase exclusivamente à música. Daí a merecida reputação de Woodstock como o filme que inovou a arte de registrar espetáculos musicais.

NEM TUDO FOI MOSTRADO – Muitos artistas deixaram de ter um número exibido no filme e no álbum triplo. Ficaram de fora Melanie, Mountain e Butterfield Blues Band, com o consolo de aparecerem no segundo álbum Woodstock, duplo, que foi lançado algum tempo depois. O Jefferson Airplane não está no filme, mas sua “Volunteers” consta do álbum triplo e teve mais canções aproveitadas no álbum duplo.

A relação dos que lá estiveram mas ficaram de fora tanto do filme quanto dos álbuns é extensa: Janis Joplin, Grateful Dead, The Band, Blood Sweat & Tears, Creedence Clearwater Revival, Incredible String Band, Johnny Winter e Ravi Shankar. Motivo: problemas contratuais.

[Agora, na onda do MP-3, tudo isso foi finalmente disponibilizado para os saudosistas dos velhos e bons tempos, bem como para os jovens que querem saber saber como era o som que os pais, tios e avós curtiram...]

Os cachês mais altos foram os de Jimi Hendrix (US$ 18 mil), Blood Sweat & Tears (US$ 15 mil), Joan Baez e Creedence Clearwater Revival (US$ 10 mil cada). Santana exibiu sua empolgante fusão de rock e sonoridades latinas, “Soul Sacrifice”, pela bagatela de 750 dólares.

O trovador John Sebastian tirou a sorte grande: não foi convidado, mas apareceu para dar uma olhada e acabou subindo ao palco quando a chuva recém-finda impedia a apresentação de bandas eletrificadas. Ganhou direito a constar do filme e do disco, além de receber mil dólares.

O Crosby, Stills, Nash & Young, que acabava de ser constituído, cativou a platéia com seu folk-rock contestador e obteve êxito instantâneo, lançando as bases da longa carreira de seus integrantes (pouco tempo como quarteto e muito mais como artistas-solo).

No extremo oposto, o Ten Years After foi a principal vítima da síndrome de Woodstock: nunca igualou os 11 esfuziantes minutos de “Goin’ Home”, que valeram para Alvin Lee a reputação de grande guitarrista.

Outra curiosidade: foi marcante a aparição de Arlo Guthrie (“Comin’ Into Los Angeles”), cuja trajetória acabaria sendo eclipsada pela de Bob Dylan. Os estilos vocais e temáticos eram semelhantes, tendo Dylan sido mais eficiente em afirmar-se como herdeiro da arte e da lenda de Woody Guthrie, o precursor dos mochileiros. Correndo na mesma faixa, ele sobrepujou o próprio filho de Woody.

A vertente negra do rock se destacou em duas performances memoráveis. Richie Havens, um talento que depois definharia, arrepiou a platéia com seu camisolão africano e a interpretação fulgurante de “Freedom”. E Jimi Hendrix, no auge de sua genialidade, puniu simbolicamente os militaristas com a implosão do hino nacional norte-americano.

Isto para não falar do herdeiro branco e britânico de Ray Charles, o chapadíssimo Joe Cocker, com sua voz poderosa e postura bizarra, sacudindo o corpo para a frente e para trás como um boneco de mola enquanto as mãos dedilhavam sem parar uma guitarra inexistente.

O rock erudito, que marcaria toda uma época, também se fez presente em Woodstock: o The Who interpretou uma compilação de faixas da ópera-rock Tommy, projetando mundialmente essa sua (para a época) extravagância: um álbum-duplo que, faixa a faixa, vai contando a história de um menino que flagra o adultério da mãe e o assassinato do pai, recebendo então a ordem de apagar aquele episódio da mente e nunca relatá-lo a ninguém. O trauma o torna cego, surdo e mudo, mas ele acaba se libertando e atingindo a iluminação.

SÍNTESE DA CONTRACULTURA – Com Woodstock ganhou repercussão ampla o movimento de paz e amor que fermentava na boêmia San Francisco desde meados daquela década, como um desdobramento lisérgico e roqueiro do antigo movimento beatnik.

Suas características externas são ressaltadas no filme:
* o amor livre e a desinibição corporal, com o nudismo sendo amplamente praticado, de forma inocente e até singela;
* a convivência harmoniosa, sem nenhum resquício de preconceito, entre indivíduos de todas as raças, credos e orientações sexuais;
* o consumo explícito e justificado (por alguns entrevistados, como Jerry Garcia) das drogas que, no entender daquela geração, abriam as “portas da percepção”;
* o visual premeditadamente desarrumado do pessoal, com suas roupas coloridas, ponchos e cabeleiras imponentes;
* a substituição dos laços familiares por uma comunidade grupal (ou, como se dizia então, tribal);
* a volta à natureza e a redescoberta do lúdico (em vários momentos, vêem-se marmanjos entregues a brincadeiras pueris, sem nenhum constrangimento);
* a profusão de crianças, pois os hippies mandavam às favas o planejamento familiar, os anticoncepcionais e os abortos, assumindo plenamente o amor e suas conseqüências;
* o solene desprezo pelas regras e valores dominantes na sociedade, que se evidencia até nas falas dos organizadores do festival, não ligando a mínima para os prejuízos que estavam ameaçados de sofrer.

De certa forma, este comportamento era inspirado por teóricos como Reich, Marcuse e Norman O. Brown, que vincularam o autoritarismo político à repressão instintiva, alegando que a liberdade era cerceada não só pelos mecanismos sociais que mantinham a estrutura de classes (visão da esquerda convencional), como também pelos condicionamentos que embotavam a imaginação e inibiam o desfrute pleno da sexualidade.

Essas teses inspiraram uma nova voga anarquista, que pregava o combate ao stablishment também no íntimo de cada pessoa. As drogas serviriam para o resgate de faculdades esquecidas devido ao desuso; e a liberalidade sexual, incluindo as práticas antes estigmatizadas como perversões (homossexualismo, sodomia, sexo oral, masturbação), seria a premissa de uma visão erótica do mundo, em substituição ao princípio da realidade freudiano.

BRASIL: COMUNIDADES E BICHOS-GRILOS – A influência de Woodstock em nosso país pode ser detectada na música (Raul Seixas, Made in Brazil, a última fase dos Mutantes), no teatro (Oficina, Tuca), na cinematografia (o chamado cinema marginal) e, sobretudo, nos costumes, com os bichos-grilos que percorriam as estradas como caronas, indo e vindo à meca de Arembepe (BA), além de criarem comunidades urbanas e rurais onde exercitavam um estilo alternativo de vida.

Essas tentativas, entretanto, esbarraram no ambiente repressivo dos anos de chumbo, o que levou, p. ex., a ser expulso do Brasil o elenco do Living Theatre de Julian Back, que supôs encontrar aqui seu paraíso tropical; e, em termos mais amplos, na própria impossibilidade de contingentes mais amplos, num país pobre como o nosso, garantirem indefinidamente seu sustento com artesanato, aulas de ioga e que tais.

A grande vitória da Geração Woodstock foi ter conseguido arrancar os Estados Unidos do Vietnã. E seu exemplo repercute até hoje no ativismo em defesa do meio ambiente e a favor de algumas causas justas.

Além disto, ela entronizou a imagem do jovem como centro do universo do consumo, em substituição ao modelo rígido do pai de família, daí derivando a descontração no vestir, no falar e no comportamento.

E ainda lançou alguns modismos que hoje estão em menor evidência, como o ioga, a macrobiótica, o ocultismo e a agricultura natural (sem defensivos e fertilizantes).

Não perduraria, entretanto, aquela militância política idealista e generosa: as gerações seguintes se desinteressaram de mudar o mundo, voltando a priorizar a ascensão profissional e social. O rock, depois de uma fase intensamente criativa e experimental, voltou aos caminhos seguros do marketing.

As drogas, ao invés de abrirem as portas da percepção, se tornaram instrumentos para a fuga à realidade e a ilusão de onipotência, cada vez mais pesadas, até que se chegou ao pesadelo do crack. E o amor livre degenerou em sexo casual, promiscuidade e AIDS.

O sonho acabou? Talvez. Mas, quem o partilhou só lamenta que haja durado tão pouco e tenha sido substituído por uma realidade tão insossa.

Eu prefiro mesmo é a postura do inesquecível Raulzito: ele nunca deixou de acreditar que a roda da fortuna giraria de novo, trazendo de volta, desta vez para ficar, o "paraíso-agora" que iluminou nossas vidas por um fugaz instante... e, mesmo assim, marcou-nos para sempre.

Oh, baby, a gente ainda nem começou!

Celso Lungaretti


FONTE: http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/2009/01/woodstock40-anos-ramos-crianas.html

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