quinta-feira, 25 de setembro de 2008

"60 ANOS DA DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS"

Brasil inclui direitos humanos em Metas do Milênio da ONU

Jamil Chade
da Agência Estado

A ONU tomou medidas para reduzir pobreza, fome e acesso à água em suas Metas do Milênio. Mas a questão de direitos humanos havia ficado de fora. Cuba e China rejeitaram a idéia de garantir o acesso aos países para analisar violações aos direitos humanos

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25/09/2008 01:45

Depois de dois anos de negociações, o Brasil conseguiu a aprovação na Organização das Nações Unidas (ONU) para a criação de compromissos com direitos humanos nas Metas do Milênio da entidade, as quais deverão ser cumpridas até 2015. Com a nova decisão, o Ministério das Relações Exteriores quer garantir que todos os tratados de direitos humanos sejam ratificados pelos governos e que os países se comprometam a adotar leis garantindo a promoção dos direitos humanos.

Na avaliação do Itamaraty, a ONU havia tomado uma série de medidas para reduzir pobreza, fome e acesso à água em suas Metas do Milênio. Mas a questão de direitos humanos ficou de fora. Pelo acordo, aprovado no Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, os países comprometem-se a estabelecer instituições de direitos humanos e a elaborar programas para a promoção dessas garantias.

Outro objetivo será o de eliminar discriminações e fortalecer a luta contra a fome e a pobreza. Oficialmente, as metas são voluntárias. Mas pode haver grande número de interessados. Cuba e China rejeitaram a idéia de garantir que todos os relatores da ONU tenham acesso aos países para analisar violações aos direitos humanos.

Já as nações ricas rejeitaram a tentativa de que fossem criadas metas também na área social, como o direito ao desenvolvimento. Na ONU, o Brasil tem sido criticado de forma dura por suas políticas de combate à violência, por práticas de tortura, assassinatos sumários e condições das prisões.

Para o diplomata brasileiro Alexandre Parola, a adoção dessas metas é algo urgente para a comunidade internacional. Em dezembro deste ano, a Declaração Universal dos Direitos Humanos completa 60 anos. O Brasil quer aproveitar a ocasião para também lançar as metas.

Leia mais sobre esse assunto

* 25/09/2008 01:45:25 - Ingrid Betancourt vai criar fundação

http://www.opovo.com.br/opovo/internacional/821908.html

"MICHEL FOUCAULT" e as ciências

"Eu sou pluralista...Quando se fala da psiquiatria, da medicina, da gramática, da biologia, da economia, de que se fala? Que são estas curiosas unidades que se acredita poder reconhecer ao primeiro olhar, mas em relação às quais ficaríamos bem embaraçados para definir os limites?... Unidades que se mantém obstinadamente depois de tantos erros, tantas novidades, tantas metamorfoses, que sofrem às vezes mutações tão radicais que se teria dificuldade em considerá-las como idênticas a elas mesmas..."

Michel Foucault

"BRUNO LATOUR",ANTROPOLOGIA SIMÉTRICA,AMAZÔNIA,AGROECOLOGIA E SALADAS DE FRUTAS

Resumos do II Congresso Brasileiro de Agroecologia
A OBRA DE BRUNO LATOUR: A MODERNIDADE E A MODERNIZAÇÃO NO
BRASIL E NA AMAZÔNIA
Camilo Torres Sánchez
1
0. INTRODUÇÃO
Neste artículo se apresenta a obra do antropólogo Bruno Latour, no que tem a ver com
a reflexão sobre o projeto moderno e a modernização do mundo, tomando como exemplo o
caso brasileiro e amazônico. Primeiro mostra-se a trajetória pessoal do antropólogo como
sujeito. Depois se discute a proposta de Latour sobre a modernização e sua influencia no
quotidiano dos objetos e sujeitos vivos. Se analisa também, a forma como a comunidade
acadêmica do Brasil tem incorporado as propostas de Bruno Latour na suas reflexões sobre
a modernidade cultural e a modernização técnica. Também se aprofunda na situação da
Amazônia, onde se propõe realizar o mapeamento da rede sociotêcnica da biodiversidade
regional, como meio de seguir as pegadas da modernização na região. Finalmente se mostra
como as teses de Bruno Latour podem ser utilizadas para estimular a Re-Constituição do
mundo da vida, através dos objetos e sujeitos da diversidade, como um caminho possível
para sair da crise atual da modernização
2
.
Palavras-chave: Bruno Latour, Modernidade, Modernização, Rede Sociotêcnica, Brasil,
Amazônia
1. O SUJEITO COMO OBJETO: BRUNO LATOUR COMO OBJETO DE INDAGAÇÃO
Bruno Latour nasceu em 1947 em Beaune na Borgonha francesa, no meio de uma
família de cultivadores de uvas. Recebeu treinamento na área de filosofia e antropologia.
Depois de fazer estudos de campo na África e Califórnia Latour se especializou na analise do
trabalho de cientistas e engenheiros. Além de trabalhos em filosofia, historia, sociologia e
antropologia da ciência, ele tem ajudado em muitos estudos em políticas da ciência e gestão
1
Doutorando em desenvolvimento agricultura e sociedade Universidade Federal Rural de Rio de Janeiro
CPDA/UFRRJ. camilotorres@superig.com.br.
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Esta contribuição foi desenvolvida com o apoio financeiro da CAPES e da FAPERJ.
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da pesquisa. Ele escreveu “... Laboratory Life the construction of scientific facts (Princeton
University Press), Science in Action, and The Pasteurization of France (both at Harvard
University Press)”, os dois primeiros livros já traduzidos ao português.
2. O QUE DIZ LATOUR SOBRE A MODERNIZAÇÃO DO MUNDO
O enfoque de Latour, para a análise da Modernidade e a Modernização baseado na
Sociologia das ciências e na Antropologia simétrica, é desenvolvido com a cautela própria
dos estudiosos experientes propondo problemas e discutindo possíveis soluções para uma
questão central do conflito entre Modernidade e Não Modernidade: Como falar
simetricamente de nós [Norte - Ocidente] como dos outros [Sul- Oriente], sem acreditar nem
na razão nem na crença, e respeitando ao mesmo tempo os fetiches e os fatos, que nos
constituem? Latour na sua obra afirma que, as rupturas que o processo da modernização
crio entre os mundos da vida humana e natural, e suas esferas foram produzidas para
“separar” e “manter” quotas de poder de grupos, e que estas esferas e suas praticas de
legitimação devem ser olhadas como praticas de manutenção do poder.
Ele afirma ainda que estas práticas de legitimação da modernização devem refletir-se
no trabalho de campo quotidiano. Por exemplo, a existência de alimentos dos Patrícios de
uma sociedade, e alimentos da massa da sociedade. Por exemplo a manga Tommy
importada do Nordeste e vendida nos supermercados, representa isso com relação à manga
Bacuri nativa e vendida nas ferias livres, no estuário amazônico. De esta prática de
legitimação fazem parte os “fatiches” que são misturas de fato e fetiche, de mundo não
humano e mundo humano. Um fato como a venda de uma fruta de manga num
supermercado esta fusionado com um fetiche, que é a marca de uma Cooperativa de
produtores colada à fruta, que pretende mostrar uma suposta qualidade de origem da fruta, o
que permite cobrar “um preço” maior pela fruta estampado num código de barras. Assim
aceitaremos o que Latour diz sobre que “não existe nenhuma realidade sem representação”
(p.346) reafirmando a necessidade de reunir os objetos e os sujeitos na descrição da
sociedade.
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3. A OBRA DE BRUNO LATOUR E A CRISE DA MODERNIZAÇÃO NO BRASIL
Como tem sido a recepção da obra de Bruno Latour no Brasil e na posgradução
brasileira? A abordagem de Latour serveu para adiantar reflexões de fundo sobre a
construção da objetividade nas ciências sociais (Cepeda, 2000), ou sobre o ensino e o fazer
da ciência (Vianna,1998). Em segundo termo suas teses tem sido utilizadas para procurar
melhora o relacionamento entre os profissionais da saúde e seus pacientes através do afeto,
as palavras e de um novo olhar sobre o corpo (Reis,2000) ou no atendimento a crianças e
mães nos hospitais públicos (Trojan,1998) e o processo de amamentação (Almeida, 1998);
também tem sido usado para justificar o uso de métodos alternativos à medicina alopatica,
como a musicoterápia (Oliveira,2001), Também as teses de Latour foram usadas na procura
de novos tratamentos para enfermidades da alta modernidade como a epidemia de SIDA nos
anos de 1982-1998 no Rio de Janeiro (Dos Santos,1999), e ainda foi usado na reflexão
antropológica, sobre a construção de uma página de internet tão importante, como a da
Previdência Social Brasileira (1996) As analises acima da obra de Latour tem trazido novas
perspectivas sobre a musealização da natureza ou a patrimonialização da natureza (Barcelos
Evres, 2000).
Bruno Latour adianta reflexões sobre a relação entre as esferas do Mundo e a ciência
básica e a sociedade post-industrial, em acordo com sua própria extração social e histórica
na França, um pais inserido por completo nos fluxos da Sociedade da Informação, onde o
registro da produção de verdade, justiça e autenticidade é realizado sistematicamente
fundamentando a sociedade nacional da qual ele faz parte. A comunidade acadêmica do
Brasil, dada sua situação híbrida e periférica incorpora a obra de Latour em reflexões mistas
que a ciência básica e aplicada faz sobre os problemas sociais mais graves; sendo estas
atividades as ciências médicas, a engenharia e o ensino. Estes desvios, ainda que
necessários, tem impedido atingir o âmago do que a proposta epistemica de Latour pode
trazer para a sociedade brasileira, que é sua reflexão pratica sobre a modernidade e a
modernização ocidental e os conflitos que ela causa nas áreas não modernas do mundo,
onde ainda existem vários tipos de verdade fundadora e de sociedade. Estas verdades
fundadoras trazem importantes questionamentos e problemas à expansão da modernidade
principalmente no eixo estratégico da relação entre a sociedade e a natureza.
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4. A CRISE DO PROCESSO DE MODERNIZAÇÃO NA AMAZONIA: A REDE
SOCIOTECNICA DA BIODIVERSIDADE
As teses de Latour podem contribuir a iluminar a crise do processo de modernização
na Amazônia com o uso da idéia da rede sociotecnica da biodiversidade. Latour (1994 p.7)
expõe uma crise derivada da crise geral do processo de modernização, onde as ciências da
sociedade e da natureza não conseguem isoladas uma da outra fazer sentido de
acontecimentos que ele nomeia como “híbridos”, onde se misturam caoticamente fatos de
conhecimento cientifico, ações sociais e interpretações culturais de um ou outro
acontecimento. “O mesmo artigo [jornalístico] mistura, assim reações químicas e reações
políticas”. O autor propõe um certo tipo de reflexão e interpretação nova que não diga
respeito à natureza ou ao conhecimento, às coisas-em-si, mas antes a seu envolvimento
com os coletivos e com os sujeitos, as coisas-para-se. Não se fala do pensamento
instrumental, mas sim da própria natureza da sociedade (LATOUR, 1994, p.9). Seria
necessário neste caso mapear a rede sociotecnica do uso das espécies além das tramas
tecidas pelas técnicas e as ciências naturais, por fora do puro pensamento instrumental
calculista tão criticado pelos cientistas humanos, e dentro da política e das procuras e
criações de significado que a sociedade desenvolve para fazer sentido de sua realidade.
Segundo o autor os críticos do mundo da vida desenvolveram três repertórios que
articulados numa “tripartição crítica” podem orientar as possíveis abordagens dos híbridos e
suas redes: a naturalização, a socialização e a desconstrução. A natureza dos fatos seria
estabelecida, as estratégias de poder previsíveis e não seriam apenas efeitos de sentido
projetando a pobre ilusão de uma natureza e de um locutor. (LATOUR, 1997), contribuindo
para a excisão entre mundo da vida humana e mundo da vida natural. Assim seguir a trama
destas redes da diversidade da vida humana e natural no estuário amazônico pode ajudar a
romper com a excisão que a tripartição crítica crio. Estas redes como o autor afirma são
expatriadas e devem voltar a rever sua nacionalidade e naturalidade. Estas redes ou tramas
sociotécnicas serviram para seguir as trajetórias das plantas, espécies, mercadorias e
produtos no mundo da vida natural e sua passagem para o mundo da vida humana onde
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estes sujeitos-objectos se relacionaram com as interdições e tabus que a onipotência das
idéias humana cria. Devendo se entender o que as leis, o poder, a moral e a comunicação
dizem sobre a diversidade do mundo da vida na Amazônia. As instituições criadas para
realizar este trabalho devem ser estudadas e os sujeitos que as ocupam indagados para
identificar estes conjuntos de praticas.
5. PARA ALEM DA MODERNIZAÇÃO: A RE-CONSTITUIÇÃO DO MUNDO DA VIDA
A este processo se lhe da o nome de Re-constituição da/na Modernidade na
Amazônia onde os políticos e cientistas serão indagados simetricamente. No caso das
constituições políticas do mundo da vida humana, a tarefa caberia aos juristas somente que
eles esqueceram de regular o poder cientifico e o poder dos híbridos que a tradução cria. No
caso da natureza ou do mundo da vida natural, a responsabilidade seria dos cientistas
somente que eles deixaram de regular o poder político e negaram a eficácia dos híbridos ao
mesmo tempo que os criavam e multiplicavam. Assim descreveremos os ramos do governo
do mundo moderno no estuário e suas trajetórias em especial o governo da natureza e das
ciências exatas que é aquele que esta mais ocultado na atualidade pelos processos de
purificação.Devem ser identificadas as “redes simbólicas de domesticidade” que como um
“campo humano” atinge a totalidade sem criar uma antinomia entre natureza e humanidade,
ate o ponto onde o campo humano não pode mais se comunicar com o domínio do natural
pela ausência de uma linguagem inter-referencial entre os agentes. Esta constituição
apresenta-se como representações cientificas e políticas onde “cabe a ciência a
representação dos não humanos, mas lhe é proibida qualquer possibilidade de apelo à
política; cabe a política a representação dos cidadãos, mas lhe é proibida qualquer relação
com os não-humanos produzidos e mobilizados pela ciência e pela tecnologia” (LATOUR,
1997, p.34).
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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_______________, Jamais Fomos Modernos: Ensaio de Antropologia Simétrica, Editora 34,
Rio de Janeiro, 1994 [1991].
________________; WOOLGAR STEVE, A vida de laboratório: a produção dos fatos
científicos, Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1997 [1979].
LATOUR, BRUNO (2001). A Esperança de Pandora: ensaios sobre a realidade dos estudos
científicos, Bauru, SP: EDUSC.
OLIVEIRA PINTO, MARLY CHAGAS. "Musicoterapia - Desafios da interdisciplinaridade
entre a Modernidade e a Contemporaneidade". 01/12/2001. 1v. 84p. Mestrado.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO - PSICOSSOCIOLOGIA DE COMUNID.E
ECOLOGIA SOCIAL.
CEPEDA, ALEJANDRO HUGO. A conexão racional: ruptura e associação na construção da
objetividade das ciências sociais.Niterói - RJ. 01/09/2000. 1v. 161p. Doutorado.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO - SOCIOLOGIA E ANTROPOLOGIA.
BARCELOS EVRES, ANA CRISTINA LÉO. A musealização da natureza: patrimônio e
memória na museologia. Rio de Janeiro - RJ. 01/03/2000. 1v. 140p. Mestrado.
UNIVERSIDADE DO RIO DE JANEIRO - MEMÓRIA SOCIAL E DOCUMENTO.
GONÇALVES DOS SANTOS, ANA LUIZA. Uma Construção dos Saberes sobre a Epidemia
de AIDS - Os Formulários de Notificação de Casos em Perspectiva (1982-98). Rio de Janeiro
- RJ. 01/07/1999. 1v. 104p. Mestrado. FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ - SAÚDE PÚBLICA.
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190
Rev. Bras. Agroecologia, v.2, n.1, fev. 2007
http://www6.ufrgs.br/seeragroecologia/ojs/include/getdoc.php?id=2053&article=474&mode=pdf.

"Kropotkin" e o anarco-comunismo,ou comunismo libertário (clique aqui)

Anarquismo comunista

Kropotkin foi um dos principais anarquistas da Rússia e um dos defensores do que ele mesmo chamava de "comunismo libertário".

A base de tal concepção encontra-se na idéia de que o critério para o consumo (tanto de bens quanto de serviços) dos indivíduos não seja o trabalho, mas a necessidade. Kropotkin advogava assim um sistema de distribuição livre da produção, conceito este que está ligado ao raciocínio de que não é possível medir a contribuição isolada de um indivíduo na produção social, e que, portanto, uma vez realizada, toda ela deva ser desfrutada socialmente.

Kropotkin vê, socialista que é, a coletivização dos meios de produção como o objetivo da transformação social, mas, diferentemente de alguns, infere que a este fenômeno seguiriam como consequência inevitável a distribuição livre e a extinção de qualquer sistema de salários.

Numa tal sociedade a produção seria orientada para o consumo e não para o lucro. E Kropotkin vai além em suas considerações sobre esta outra forma de sociabilidade ao vislumbrar uma ciência dedicada a descobrir meios para conciliar e satisfazer as necessidades de todos.

Ao problema que se levanta quando se pensa a distribuição livre, Kropotkin não vê aí uma abertura para a instauração de um governo revolucionário, pelo contrário, diz ser a cooperação voluntária o substituto tanto para a propriedade privada quanto para a desigualdade, categorias nas quais se fundamentam o Estado. Neste sentido, Kropotkin defende um sistema de administração pública fundada na idéia de comuna não apenas enquanto unidade administrativa mais próxima do povo e de suas preocupações imediatas, mas também enquanto associação voluntária que reúne os interesses sociais representados por grupos de indivíduos diretamente ligado a eles.

A união destas comunas produziria uma rede de cooperações que substituiria o Estado.

Por causa de seu título e sua proeminência como um anarquista no final do século XIX e começo do XX, ele foi conhecido por alguns como "o Príncipe Anarquista", título que refutou durante toda sua vida.

"MARGARETH RAGO" ,LUCE FABBRI E FOUCAULT



Foucault e as formigas

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Foucaultiana de carteirinha, Margareth Rago se surpreendeu com o quanto de comum existe entre o filósofo – que para ela “percebe as múltiplas prisões invisíveis e moleculares em que vivemos” – e a anarquista Luce Fabbri. O deslumbramento com a descoberta determinou inclusive a escolha das epígrafes do livro. A primeira é extraída de um texto da própria Luce: “Todos os nossos conceitos sobre o desenvolvimento da história se encontram em crise. A vida desliza por entre as malhas das construções teóricas, escapa às classificações e nega a cada passo as generalizações e as sínteses. Sentir esta multiplicidade significa sentir o valor que para a vida tem a liberdade (que torna possível a variedade infinita)”. Abaixo, fala Michel Foucault: “O que escapa à história é o instante, a fratura, o dilaceramento, a interrupção.”


Cheira a plágio? Ou pior, considerando que Luce Fabbri teve uma inserção na história humana bem mais modesta que a do pensador francês, teria sido ela quem “chupou” a idéia do outro? Logo de cara, o fator cronológico inocenta Luce: seu texto data de 1952 e o de Foucault, contido em de Dits et écrits, é de 1994. E é óbvio que Foucault não roubou nada da libertária italiana. “Eles nem se conheciam, Foucault não leu nada de Luce. Mas ambos leram Proudhon, Bakunin. É a crítica ao micropoder se impondo nas correntes mais avançadas de pensamento”, defende Margareth.
Naturalmente, a troca de experiências no plano teórico entre autora e biografada é muito valorizada no livro. Mas Margareth não despreza as intercorrências corriqueiras durante os cinco anos de convivência que, em muito, contribuíram para a captação das peculiaridades do “anarquismo de Luce”.

A escritora lembra um episódio, ocorrido durante uma das entrevistas, na casa da italiana: “Eu lhe expressava minha surpresa ao ver minha filha Marina, que eu supunha tão pequena ainda, tecer comentários a respeito de Charles Darwin e de sua teoria sobre a evolução das espécies e a luta pela sobrevivência dos mais fortes contra os mais fracos. Ela [Luce] ouviu-me atentamente e depois sugeriu-me apresentar-lhe Pietr Kropotkin [geógrafo e socialista libertário russo, condenado ao exílio logo que a revolução bolchevique manifestou seu lado autoritário] e seu livro A ajuda mútua, em que este polemiza com o autor positivista e o complementa, apontando para a impossibilidade de sobrevivência das espécies, animais e humana, sem a cooperação e a solidariedade. Em seguida, ela relata uma passagem do livro em que o geógrafo anarquista descreve a maneira pela qual as formigas formam uma bola para conseguirem atravessar um rio: enquanto as de fora morrem, protegem e salvam a vida das que estão dentro”.

São pequenas histórias como esta, temperando uma abordagem apaixonada mas criteriosa, que fazem de Entre a história e a liberdade: Luce Fabbri e o anarquismo contemporâneo uma obra vital para a compreensão de uma figura que, mais do que lutar pela causa libertária, transmutou a própria vida quase centenária em uma obra-prima de liberdade.

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A autora

Margareth Rago é historiadora, professora livre-docente do Departamento de História do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp e colaboradora do Grupo de Estudos Interdisciplinar em Sexualidade Humana (Geish), da Unicamp. Principais publicações: Do cabaré ao lar. A utopia da cidade disciplinar (Paz e Terra, 1985), Os prazeres da noite. Prostituição e códigos da sexualidade feminina em São Paulo (Paz e Terra, 1991), Anarquismo e feminismo no Brasil (Achiamé, 1999), Narrar o passado, repensar a história (com Renato Gimenes, Editora da Unicamp, 2000). Vários artigos sobre sexualidade e gênero, como Globalização e imaginário sexual (ou “Denise está chamando”), publicado na edição 159 do Jornal da Unicamp (março de 2001).

*"Entre a história e a liberdade:
Luce Fabbri e o anarquismo contemporâneo"
Margareth Rago, Editora Unesp, 376 páginas

A lição de ‘los perros’

Margareth Rago salienta um dos aspectos da personalidade de Luce Fabri que mais a impressionou: “Em tudo que ela pensava, pensava em como é possível a expe-riência da liberdade. Não é para menos que o livro traz ‘entre a história e a liberdade’ no título. Luce era anarquista não só na dimensão do social, mas também nas suas relações com o cotidiano”. E ilustra com um fato que presenciou na casa da velha combatente: “Eu a estava entrevistando quando os muitos cachorros que ela tinha irromperam sala adentro. Meu primeiro impulso foi sugerir que os espantasse da forma convencional, com umas boas vassouradas. Mas, reconduzindo os bichos só na base da conversa mansa, ela respondeu: ‘No, tendremos que ser libertários también com los perros’”.

Esse “anarquismo visceral” reforça, para a escritora, o quanto é frágil o argumento de que o anarquismo seria a “infância utópica do socialismo científico”. Ela ressalta: “À medida que o marxismo predominou como o grande pensamento crítico do século 20, a leitura que ele promoveu do anarquismo também predominou e casou com a leitura feita pelo liberalismo. Um taxa o anarquismo de ‘romântico’, o outro de ‘caótico’. É a eterna, histórica aliança da esquerda autoritária com o capitalismo. O marxismo se afirma como ‘científico’, mas não podemos perder de vista que ele está falando dele próprio e a gente acaba por comprar o seu discurso”.

Para a biógrafa de Luce, a falência dos estados operários burocratizados é um sinal para se revisar esse conceito. “O anarquismo nunca se colocou como ciência; a revolução depende muito mais do desejo das pessoas e um dos desejos principais é a liberdade”.

http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/jun2001/unihoje_ju163pag17.html

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Crie Futuros / Economia Criativa: Seminário Internacional e Interativo, São Paulo, SP













O Senac SP, em parceria com a Enthusiasmo Cultural, realiza uma atividade pioneira, dias 22 e 23 de setembro, com o objetivo de motivar, orientar escolhas, inspirar inovação e identificar oportunidades. Trata-se do seminário internacional e interativo Crie Futuros / Economia Criativa, uma atividade em que o público participa criando futuros desejáveis.

A iniciativa é parte de um processo criativo e colaborativo para geração de visões de futuro desejáveis, a partir das práticas da experiência de empreendedores e criadores cuja obra presente semeia o futuro. Os interessados já podem iniciar a participação no evento, enviando relatos sobre suas visões do futuro.

O time de palestrantes reúne George Yúdice, professor titular de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Miami e autor do livro A Conveniência da Cultura: Usos da cultura na era global; Francisco Simplicio, coordenador do Programa de Economia Criativa, Unidade de Cooperação Sul - Sul (SU-SSC), PNUD/ONU; Ronaldo Lemos, do Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito da FGV; Célio Turino, secretário de Programas e Projetos Culturais do MinC; Maria Arlete Gonçalves, diretora do Instituto Oi Futuro; dentre outros.

Programação

22/09, das 14 às 18h

Tema: Organização Comunitária
• Jordi Pardo, do Laboratório de Cultura, Barcelona Media, Espanha
• Ruy Cezar Silva, do Mercado Cultural e Via Magia

Tema: Redes e Tecnologia
• Sérgio Xavier, do SX Brasil, Instituto Intercidadania
• Anamaria Schindler – superintendente do Instituto Arapyau, Brasil

Tema: Redes e Inovacão
• Silvina Martinez, do Proyecto Create UNESCO, Argentina
• Fernando Rosseti, secretário geral do GIFE - Grupo de Institutos, Fundações e Empresas

22/09, das 18h30 às 22h

Tema: Criatividade nos Negócios
• Rodrigo Loures, presidente da Nutrimental e Federação das Indústria do Paraná
• Lala Deheinzelin, da Enthusiasmo Cultural

Tema: Negócios Criativos
• Graça Cabral, presidente do Instituto Nacional de Moda e Design
• Jaron Rowan, da YProductions, Espanha

23/09, das 14 às 18h

Tema: Criatividade Aplicada
• George Yúdice, coordenador Latin American Studies, University of Miami, EUA
• Wellington Nogueira, dos Doutores da Alegria

Tema: Desenvolvimento Local e Tecnologia
• Célio Turino, secretário de Programas e Projetos Culturais do MinC
• Angel Mestres, presidente da Transit Proyectes, Espanha

Tema: Música e Tecnologia
• Matias Loizaga, diretor do Portal Tublip, Argentina
• Ronaldo Lemos, do Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito da FGV

23/09, das 18h30 às 22h

Tema: Desenvolvimento Local e Tradição
• Niède Guidón, presidente da Fundação do Homem Americano, Parque Nacional da Serra da Capivara
• Renato Imbroisi, designer

Tema: Revitalização Urbana
• Hector de Benedictis, coordenador do Districto Cultural Rosário, Argentina
• Maria Arlete Gonçalves, diretora do Instituto Oi

CHACAL ENVIA!! EVENTO NO RIO,ESPAÇO CULTURAL SÉRGIO PORTO, DIA 25/09/08 às 20 horas (clique na imagem para vê-la ampliada)

sábado, 20 de setembro de 2008

EXPOSIÇÃO DE PEÇAS E ARTEFATOS ÉTNICOS NO IEB - USP

convite - exposição

Estão expostas no IEB-USP peças e artefatos étnicos, colhidos durante as pesquisas de Mário de Andrade pelo Brasil (incluindo as Licocós do Mário, famosas bonecas de cerâmica Karajá presenteadas de avó para neta conforme a tradição)

E mais: Portinari, Brecheret, Zina Aita, peças marajoara, aventais de Liber, estudos sobre a forma e o traço...

De segunda à sexta, das 9h às 18h
também aos sábados, das 10h às 16h
Entrada Franca

Instituto de
Estudos Brasileiros

av. Prof. Mello Morais
travessa 8 nº 140
Cidade Universitária
São Paulo SP

(11) 3091-2399
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TOLSTOI - SOBRE EDUCAÇÃO POPULAR

"As crianças, em todos os lugares do mundo, são obrigadas, pela força, a freqüentar a escola. Na verdade, os pais são obrigados a enviar seus filhos à escola, seja pela severidade da lei, seja porque se lhes prometem vantagens, seja por uma retórica que os ludibria. Fora da escola, as pessoas, em geral, em todos os lugares do mundo, aprendem e estudam por vontade e iniciativa própria e consideram a educação como algo bom. Como é que isso se dá? A necessidade da educação é sentida por todos os homens. As pessoas adoram aprender, amam a educação e a buscam, da mesma forma que amam e buscam o ar que respiram. O governo e a sociedade têm enorme desejo de educar o povo. E, todavia, a despeito do uso da força, da persistência do governo e da sociedade, e de todas tentativas de ludibriar o povo a aceitar a importância da escola, as pessoas do povo constantemente manifestam insatisfação com a educação que lhes é fornecida na escola e só se submetem a ela pela força, quando a escolarização é tornada obrigatória. É possível provar a justeza do método atual de escolaridade compulsória? É difícil descobrir se há métodos melhores, porque até aqui as escolas nunca foram realmente livres. É verdade que no nível mais alto do processo de escolarização – a universidade – se tenta implantar um regime mais livre. Será que, talvez, nos níveis inferiores a escolarização deva ser realmente obrigatória? Será que, talvez, a experiência um dia ainda nos vá provar que escolas de freqüência compulsória são boas? Vamos examinar essas escolas, não pela consulta às tabelas estatísticas que nos são fornecidas, mas tentando descobrir o que elas realmente são e fazem e qual o seu real impacto sobre as crianças do povo. Quando voltamos nosso olhar para as escolas de freqüência obrigatória, é isto que a realidade nos mostra: as escolas se apresentam às crianças como uma instituição destinada a torturá-las – uma instituição em que elas são privadas de seu principal prazer e necessidade: a movimentação livre; em que obediência e silêncio são exigidos como condição de permanência; em que elas precisam de autorização especial para ‘sair um minutinho’ da sala de aula; em que qualquer ação errada é de pronto punida. Quanto aos resultados da ação da escola sobre as crianças do povo, se atentarmos para a realidade e não para as tabelas estatísticas, somos forçados a concluir: nove décimos da população escolar retiram da escola apenas um conhecimento mecânico da leitura e da escrita; por outro lado, saem da escola com uma aversão tão grande para com os caminhos do conhecimento que foram obrigados a trilhar que nunca mais na vida botam as mãos em um livro. A escola não apenas consegue inculcar nos alunos a aversão para com a educação, ela também os induz a praticar a hipocrisia e a trapaça, em decorrência da posição não-natural em que os coloca. A educação deve ser apenas uma busca de resposta às questões que a vida nos coloca. Mas a escola não só não permite que os alunos ali levantem questões que lhes interessam como se nega a tentar ajudar os alunos a responder as questões que a vida fora da escola os força a confrontar. Ela fica eternamente respondendo às mesmas questões – mas essas são questões que não são levantadas pela mente das crianças. Basta olhar para uma mesma criança, de um lado, em casa e na rua, e, de outro lado, na escola. Em casa e na rua você observa uma criança vivaz, curiosa, com um sorriso nos lábios, explorando e tentando aprender tudo, da mesma forma que explora e busca prazeres, expressando seus pensamentos em suas próprias palavras, com clareza e, freqüentemente, com força e eloqüência. Na escola, você observa um ser como que aposentado da vida, cansado e com uma expressão de fatiga, tédio, enfado e por vezes terror, repetindo palavras estranhas em uma língua estranha – um ser cuja alma, como num caracol, se esconde dentro da própria casa. Basta comparar essas duas condições em que podemos observar a criança para constatar, sem sombre de dúvida, qual delas é mais vantajosa para o seu desenvolvimento. A natureza compulsória da freqüência à escola impede que a criança ali se eduque."

[Leon Tolstoi, "Sobre Educação Popular", em Artigos Pedagógicos, 1862, traduzido do Russo para o Inglês por Leo Wiener (Dana Estes & Co., Boston, 1904), passagens retiradas das pp. 7-18 (ênfases acrescentadas). Citado apud Daniel Greenberg, Announcing a New School: A Personal Account of the Beginnings of the Sudbury Valley School (The Sudbury Valley School Press, Framingham, MA, 1973, p. 175)]

http://escolalumiar.spaces.live.com/?_c11_BlogPart_BlogPart=blogview&_c=BlogPart&partqs=amonth%3D9%26ayear%3D2007

JACQUES LACAN E SEMIÓTICA PSICANALÍTICA (clique aqui)

terça-feira, 16 de setembro de 2008

MODOLINKAR: PINK FLOYD - " Another Brick in the Wall"(clique aqui)

FLÁVIO DE CARVALHO ,PERFORMÁTICO E SEU "TRAJE DE VERÃO" -1956
















(...)Em 1956, como conclusão da série de artigos "A moda e o novo Homem", Flávio faz o famoso lançamento de seu "traje de verão" - o New Look. A passeata pelas ruas da cidade de São Paulo reuniu a multidão heterogênea num mesmo olhar espantado. Flávio utilizou todos os veículos de comunicação da época, incluindo a iniciante televisão, e multiplicou a penetração de sua performance. Jamais um artista atrairia tanta atenção; mais uma vez ele conseguira manipular "a alma coletiva".(...)

http://onthee.blogspot.com/2008/01/flvio-de-carvalho-suntuoso-lbrico.html

CQC - "60 anos de MAM com expo de Marcel Duchamp"

MÁRCIA X - "lavou a alma com coca-cola"























Performance / instalação
Duração: 1h
Fotografia: Wilton Montenegro

Legenda
Márcia X. permanece durante uma hora deitada dentro de um tanque cheio de Coca-Cola. Na parede está fixado um neon vermelho com a frase “Lavou a Alma com Coca-Cola”. A camisola branca que a artista usa tem 4m de comprimento, inflando enquanto a Coca-Cola vai lentamente penetrando no tecido. O contraste das cores e o reflexo do espaço na superfície negra da Coca- Cola contribuem para criar uma imagem intrigante e um pouco assustadora. “Lavou a Alma com Coca-Cola” sobrepõe mitos culturais de ordens diversas, banhos espirituais, banhos de luz, banhos de beleza, Coca- Cola usada como o mais potente detergente, capaz de remover gordura e até dissolver carne.

Depois da performance, a Coca- Cola do tanque é engarrafada e permanece em exposição.
As fotos foram realizadas na exposição “Grande Orlândia – artistas abaixo da Linha Vermelha”, Rio de Janeiro, 2003.
http://marciax.uol.com.br/mxText.asp?sMenu=2&sObra=27&sText=19

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

sobre coisas domésticas

os discursos domésticos e domesticantes
nunca saíram de férias
a família burguesa transforma-se dia a dia
ninguém sabe muito bem porquê
os homens nunca abandonaram os bares
as mulheres ainda estão chovendo no molhado
os lares estão molhados
as famílias ensopadas de lama,lágrimas e sangue
ou seriam lágrimas de sangue!?
homens saem pra comprar cigarro na esquina e nunca mais voltam
mães,as mártires de ontem muitas vezes hoje,saem para o forró
mas os discursos domésticos,ditos ou não,continuam na espreita,
clandestinos,por debaixo dos panos,por debaixo dos galinheiros

Nadia Stabile - 15/09/08

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