quarta-feira, 23 de julho de 2008

Google anuncia

projeto de

colaboração

coletiva

inspirado

na Wikipedia

Por ComputerWorld/EUA
Publicada em 23 de julho de 2008 às 19h22

http://idgnow.uol.com.br/internet/2008/07/23/google-anuncia-projeto-de-colaboracao-coletiva-inspirado-na-wikipedia/

Framingham - Knol concentrará artigos editados por especialistas com experiência comprovada na área, com sugestões de mudanças dos leitores.

Sete meses após o Google anunciar planos de lançar seu próprio projeto colaborativo no estilo da Wikipedia, usuários foram convidados nesta quarta-feira (23/07) foram convidados a publicar conteúdo ao novo site, chamado Knol, que significa uma abreviação para "knowledge", conhecimento em inglês.

Ainda que o conceito seja muito similar ao da Wikipedia, o Google afirmou que não quer competir com o site já estabelecido. O buscador afirmou que se focaria em destacar o autor que enviar artigos à página.

Cada Knol terá um único autor ou grupo de autores cujos nomes aparecerão com suas contribuições, afirmou o Google em post no seu blog.

O Knol incluirá um novo conceito chamado de "colaboração moderada" pelo Google, onde qualquer leitor poderá fazer edições sugestionadas ao artigo, que o autor pode aceitar, rejeitar ou modificar para inclusão no site.

O Knol também inclui várias ferramentas de comunidades que permite que usuários enviem comentários, classifiquem ou escrevam reviews sobre o conteúdo do Knol. O buscador permitirá que autores integrem publicidade e levem toda a receita advinda do material.

Ainda que os conteúdos publicados no Knol sejam descritos como "artigos sobre tópicos específicos, escritos por pessoas que conhecem aqueles assuntos", um representante do Google afirmou que qualquer um pode escrever conteúdo no novo site.

"O Google não terá conhecimento avançado do conteúdo publicado e não faremos qualquer avaliação editorial do material publicado pelos autores", esclareceu em e-mail.

Além disto, o Google encorajará autores a usar seus nomes reais, sem, no entanto, exigir, afirmou. O buscador dará aos autores a habilidade de ter sua identidade por telefone ou processo de verificação de cartão de crédito. Artigos confirmados destes autores terão um selo "verificado".

Heather Havenstein, editora da Computerworld, de Framingham.



"MOVA E ECONOMIA

SOLIDÁRIA"


Mario Sergio Cortella


A solidariedade em imensas lições! É exatamente essa a sensação
que se tem ao percorrer o conteúdo vivo, presente nesta obra. Ela aponta,
de forma vigorosa, para a partilha das esperanças e convicções, a indicação
de práticas e concretudes, a expressão de recusas e indignações.
Tudo isso lembra algo que, sem dúvida, moveu autoras e autores e
foi dito por Paulo Freire no seu discurso de despedida do cargo de secretário
municipal de Educação de São Paulo (1991):
Meu gosto de ler e escrever se dirige a uma certa utopia que envolve uma
certa causa, um certo tipo de gente nossa. É um gosto que tem que ver
com a criação de uma sociedade menos perversa, menos discriminatória,
menos racista, menos machista que esta. Uma sociedade mais aberta, que
sirva aos interesses das sempre desprotegidas e minimizadas classes populares
e não apenas aos interesses dos ricos, dos afortunados, dos chamados
"bem-nascidos".
Insisto: são imensas lições de solidariedade e, como é preciso repetir
sempre, a palavra "solidariedade", ao contrário do que muitos pensam,
não vem de "solidão", mas, isso sim, de "solidez", ou seja, daquilo que nos
deixa íntegros, que impede o estilhaçamento da nossa humanidade
compartilhante.
Por isso, a intenção da utopia solidária irmanada com a educação é prioritariamente afastar
a solidão, isto é, o estado de abandono ou a vida isolada sem proteção. Ou, como talvez dissesse
Guimarães Rosa, impedir que exista grande sertão sem veredas, já que, lá quase pela metade da
narrativa, registrou: "Digo ao senhor: tudo é pacto. Todo caminho da gente é resvaloso. Mas, também,
cair não prejudica demais – a gente levanta, a gente sobe, a gente volta!"
A gente levanta, a gente sobe, a gente volta! Essas certezas nos vão sendo ensinadas por
também grandes mestres. Dois deles, ambos chamados Paulo (o Freire e o Singer), negavam ética e
politicamente a origem latina de seus nomes (pois paulu significa "pequeno") e ocupavam juntos,
em 1989, parte de um prédio na Avenida Paulista, em meio às imensas catedrais financeiras ali
imponentes. Um, Secretário Municipal de Educação, outro, Secretário Municipal de Planejamento;
ambos dedicavam-se à transformação de sonhos em realidades, de desejos em ações, de projetos
ideológicos em cidadania encarnada.
Naquele ano, os dois e suas equipes tiveram várias reuniões para verificar a legalidade, viabilidade
financeira e sustentabilidade orçamentária para a implantação de uma nova proposta para
a educação de jovens e adultos na cidade de São Paulo; deveria ser uma parceria efetiva entre os
movimentos sociais organizados e as instâncias do governo municipal, de modo a ser criada uma
dinâmica que ultrapassasse a idéia de campanha e se configurasse como um movimento, processo
vivo e participante. Desse esforço, somado ao de outras áreas de governo, surgiu, no final do
mesmo ano, o Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos (Mova) que, na conclusão do
mandato, em 1992, estava com mais de mil núcleos pelo município e, ainda, disseminou-se como
inspiração para o restante do País.
O mais interessante é que Paulo Freire decidira, desde o princípio, ser necessário fazermos
um congresso que tratasse do tema alfabetização logo no primeiro ano da sua gestão; chegara,
inclusive, a propor que acontecesse no início de dezembro, permitindo muitos meses de preparação.
Havia um porém, que não nos houvéramos dado conta desde que ele iniciara as reflexões
preparatórias conosco: sempre falava em Congresso de Alfabetizandos, quebrando o velho hábito
de tratar do tema sem levar presencialmente em conta o sujeito ou, no caso concreto do analfabetismo,
a vítima.
Teria de ser, bradava nosso mestre Freire, um Congresso de Alfabetizandos! Em vez de reunirmos
apenas especialistas em Educação para falarem para outros iguais, a tarefa era organizar o
encontro de cidadãos e cidadãs ainda não-alfabetizados para poderem falar "de" analfabetismo. Há
uma brutal diferença entre falar "de" e falar "sobre". Quem fala "de", fala de dentro de si para fora,
tendo-se como sujeito da experiência; quem fala "sobre", fala externamente, tomando a experiência
alheia como objeto. Alguns de nós, por falta de vivência real, ficamos impedidos de falar "da"
fome, ou "do" analfabetismo, ou "do" desemprego; A fala daqueles ou daquelas que podemos
somente falar "sobre" não deve, claro, ser desprezada; no entanto, não é a fala de um "especialista"
e, como tal, precisa ser relativizada quando as pessoas vitimadas não se pronunciaram a contento.
Em meados de 1989, era preciso elaborar um cartaz que divulgasse a futura realização do
Congresso de Alfabetizandos (que, quando aconteceu, reuniu mais de 1.500 pessoas de toda a
cidade para debaterem os seus problemas e para que nós, convidados como agentes do poder
público, entendêssemos o que era urgente fazer). Certa noite, visitando um incipiente núcleo de
alfabetização na periferia da Zona Leste paulistana, Paulo Freire entrou em uma sala na qual, aos
45 anos de idade, um alfabetizando escrevia na lousa a primeira sentença completa de sua vida e,
dessa frase, surgiu o cartaz.
A frase, de conteúdo inclemente e veracidade inquietante, ainda com deslizes de gramática
e sintaxe (releváveis no indivíduo escrevente e inaceitáveis na sociedade que o excluiu), gritava:
"Nós construímos esta cidade, e nela somos envergonhados!".
Vergonha, humilhação, desvalia, constrangimento. Afronta à dignidade. Expulsão de infindos
obreiros mesmo enquanto a obra coletiva vai sendo construída.
Dificuldade para manter a coluna ereta e a cabeça erguida! Aí está a chave ética que exige a
edificação do "desenvolvimento sustentável"; tem de ser uma economia que sustente as colunas
eretas e as cabeças erguidas, negando assim uma cidadania encabulada, desonrosa, indecorosa e
que, no limite, afronta com violência o horizonte da fraternidade.
Temos de, com humildade, aprender a erigir a cidade que não envergonha, a partir de uma
pedagogia emancipatória e libertadora. Por isso, como veio central de todos os capítulos deste
livro, urge revigorar o que escreveu Paul Singer nas conclusões do primeiro deles:
A Economia Solidária é um ato pedagógico em si mesmo, na medida em que propõe nova prática social e um entendimento novo desta prática. A única maneira de aprender a construir a Economia Solidária é praticando-a. Mas, seus valores fundamentais precedem sua prática.
No mais, voltando aos começos do Grande Sertão: Veredas: "passarinho que se debruça –
o vôo já está pronto"... (...)

PREFÁCIO DO LIVRO : "ECONOMIA SOLIDÁRIA E EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS"

http://www.publicacoes.inep.gov.br/arquivos/%7BD85647A6-2A37-4FD2-A4F6-20DD186E0A71%7D_econ_solidaria_educacao_JA.p
df
"A Economia Solidária

como ato pedagógico"


Paul Singer

A Economia Solidária

como antítese

do capitalismo



A Economia Solidária pode ser pensada como um modo de produção
ideado para superar o capitalismo. Sendo assim, para entender a lógica da
primeira é preciso examinar a do último. A pedra de toque do capitalismo é
a propriedade privada dos meios de produção, mas não de qualquer meio de
produção. Trata-se especificamente dos meios "sociais" de produção, ou
seja, dos que só podem ser operados coletivamente.
A propriedade privada de meios "individuais" de produção caracteriza
a pequena produção de mercadorias, não o capitalismo. Agricultores
familiares, garimpeiros, artesãos, catadores de lixo e tantos outros
trabalhadores, que possuem seus próprios meios de produção, não se
confundem com o capitalismo, antes, antepõem-se a ele e tendem a
integrar a Economia Solidária. É o que acontece quando se associam, de
forma igualitária, em geral para aproveitar as vantagens pecuniárias de
compras e vendas em comum, sem renunciar à autonomia de produtores
individuais ou familiares.
O capitalismo caracteriza-se pela concentração da propriedade dos
meios sociais de produção em poucas mãos. Essa concentração dá-se em
conseqüência da lógica dos mercados competitivos, pela qual os ganhadores
apoderam-se de parcelas crescentes do mercado e do capital total e
os perdedores são expulsos do mercado e privados do capital que detinham. Em última análise, a
livre competição leva a sua própria superação, ao ser substituída por modalidades monopólicas ou
oligopólicas de competição.
A concentração do capital tem como contrapartida a formação de uma classe cada vez mais
numerosa de 'perdedores', qual seja, de pessoas que não têm meios próprios de produção e que se
sustentam vendendo sua capacidade de trabalho aos capitalistas (ou ao Estado). Os capitalistas
dependem dos trabalhadores assalariados para que seus capitais produtivos sejam acionados e
assim valorizados, assim como os assalariados dependem dos capitalistas (e do Estado) para ser
empregados e poder ganhar o sustento próprio e de seus dependentes.
Na empresa capitalista, todos os esforços dos trabalhadores dirigem-se a um mesmo fim, o de
maximizar o lucro dos donos. Por isso, as relações de produção nesse tipo de empresa tendem a ser
autoritárias e antagônicas. Tanto capitalistas como trabalhadores sabem que o lucro é o que sobra da
receita de vendas depois de deduzidas as despesas, entre as quais avultam os salários. Quanto maiores
os salários, tanto menores os lucros e vice-versa. Esse antagonismo estrutural de interesses é o motor
da luta de classe, que marca o relacionamento entre empregados e empregadores.
A Economia Solidária foi concebida como um modo de produção que tornasse impossível a
divisão da sociedade em uma classe proprietária dominante e uma classe sem propriedade subalterna.
Sua pedra de toque é a propriedade coletiva dos meios sociais de produção (além da união
em associações ou cooperativas dos pequenos produtores). Na empresa solidária, todos que nela
trabalham são seus donos por igual, ou seja, têm os mesmos direitos de decisão sobre o seu destino.
E todos os que detêm a propriedade da empresa necessariamente trabalham nela.
Essa última condição nega a possibilidade de haver uma classe que viva apenas de rendimentos
de seu capital, sem tomar parte no trabalho. Daí deriva a norma de que a empresa solidária não
remunera o capital próprio dos sócios e que, quando trabalha com capital emprestado, paga a
menor taxa de juros do mercado. Isso significa que os ganhos dos trabalhadores têm prioridade
sobre o lucro, que na empresa solidária toma a forma de 'sobras'. Essas são distribuídas por decisão
dos sócios de distintas maneiras, mas nunca de acordo com a participação de cada um no capital da empresa.(...) CONTINUE A LER O PDF DO LIVRO EM:

LIVRO: "ECONOMIA SOLIDÁRIA E EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS"
http://www.publicacoes.inep.gov.br/arquivos/%7BD85647A6-2A37-4FD2-A4F6-20DD186E0A71%7D_econ_solidaria_educacao_JA.pdf

Incêndio Criminoso

destrói aldeia

indígena Guarani

na Praia de

Camboinhas

em Niterói



Numa atitude covarde, criminosos destruíram, no último dia 18, a aldeia Guarani instalada desde abril na praia de Camboinhas, endereço nobre na região oceânica de Niterói, na Grande Rio de Janeiro. O incêndio ocorreu no momento em que os homens do grupo participavam de uma reunião em outro ponto do bairro. Somente mulheres, crianças e um índio estavam na aldeia. O fogo deixou ferido o indígena Joaquim Karaí Benite, de 43 anos, que teve queimaduras de segundo grau nas costas e no braço esquerdo. De acordo com a Polícia Civil, o incêndio foi criminoso. Lídia Nunes, de 67 anos, espécie de líder do grupo, ouviu quando um homem gritou: "Olha os índios pegando fogo!". Segundo Lídia, ele correu em direção ao canal que divide as praias de Camboinhas e Itaipu. Quando o fogo começou, havia muitas crianças no local. As índias correram para tirar três bebês, um de 11 meses, um de 1 ano e outro de 1 ano e 3 meses de uma das ocas.

Em todo o Brasil, os indígenas se organizam para retomada de seus territórios tradicinais com base em seus direitos originários, no artigo 231 da constituição federal e na declaração dos diretos dos povos indígenas assinada pelas Nações Unidas em 2007. Segundo declaração de Márcio Meira, presidente da FUNAI, a população indígena tem crescido nos últimos anos, isso demonstra que as pessoas estão perdendo o medo de se declararem como indígenas e assumindo a sua origem ancestral. As elites brasileiras temem que o povo assuma sua origem indígena, e busquem conhecer mais sobre a espiritualidade e sobre as categorias da cosmovisão dos povos nativos, já que tais modos de ver e lidar com a realidade colocam a civilização do consumo e descarte em xeque.

Por isso, segue a guerra simbólica nos meios de comunicação de massa e demais aparelhos ideológicos do estado no intuito de conservar a visão romântica do "índio" no ideário da sociedade, reforçando estereótipos preconceituosos. A homogenização da identidade nacional é um recurso de dominação cultural usado pelas elites desde o tempo da Colônia e do Império, vide a menção aos indígenas na lei das Sesmarias e lei das terras de 1850. O incêndio da aldeia Guarani em Camobinhas, as declarações absurdas do Governador José Roberto Arruda em relação ao Santuário dos Pajes, o caso da demarcação da Raposa Serra do Sol, o caso da expulsão da Comunidade Guarani de Eldorado-RS da porta da FEPAGRO, e muitos outros casos recentes são exemplos de intolerância dos poderes institucionais e da elite brasileira. A restência que já completa mais de 500 anos segue!


http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2008/07/424928.shtml
"MAIS UMA PIZZA

PARA A LATA DE

LIXO DA HISTÓRIA"


A OPERAÇÃO

SANTIAGRAHA

PASSADA A LIMPO


Celso Lungaretti (*)

A Operação Santiagraha está seguindo fielmente o script dos escândalos anteriores: tudo se sabe, pouco se prova, ninguém recebe o castigo que fez por merecer e o desfecho acabará sendo uma pizza. O que houve foi uma operação revanchista de um setor da Polícia Federal que perdeu a luta interna pelo poder. A mão que mexia os cordéis era a do chefão anterior da PF, que hoje está na Abin e até colocou seus atuais subordinados para ajudarem, por baixo do pano. Aparentemente, foi também estimulada pelo Luiz Gushiken (cacique do PT igualmente em maré baixa) e por interesses contrariados com a venda da Brasil Telecom para a Oi -- suspeitíssima, por sinal. O delegado pau-mandado pisou feio na bola ao pedir a prisão de uma jornalista que apenas cumpriu seu dever de informar. Além disto, fez um relatório opinativo e amadoresco, comprou brigas que não poderia sustentar (contra a revista Veja e contra o Planalto, ao tentar prender o Luiz Eduardo Greenhalgh), enfim, comportou-se como rinoceronte em loja de cristais: espalhou cacos para todo lado. Servindo-se de um juiz destrambelhado que adora emitir mandados de prisão e brigar com a alçada superior, esse grupelho da PF ousou até tentar contornar um habeas-corpus do STF. O Gilmar Mendes brecou, duas vezes. Estará mancomunado com a corrupção? Pode ser. Mas, o certo é que contra ele só há insinuações e conjeturas, não provas. E, juridicamente, ele tinha o direito de agir como agiu. Extrapolou, entretanto, ao deitar falação contra o juizinho birrento. Deveria se manifestar apenas nos autos, como manda o figurino. O ministro da Justiça, também pisando na bola, defendeu práticas heteredoxas mas, quando o presidente da República ordenou a retirada, engoliu um sapo gigantesco, reconciliando-se publicamente com o presidente do STF. Lula, por sua vez, parece ter entrado em pânico quando as denúncias chegaram perto dele. Tentou abafar o caso de forma acintosa e grosseira, depois saiu batendo boca com um mero delegado. Foi pior a emenda do que o soneto. A edição "oficial" da fita da reunião em que Protógenes amarelou parecia aqueles retoques de fotos históricas da era stalinista, de triste memória. O delegado visivelmente cedeu às pressões e só recuperou um pouco a coragem depois da lambança do Lula, pedindo-lhe publicamente para reassumir o inquérito do qual o fizera removerem. Mas, entre a dignidade ultrajada e a carreira ameaçada, cuidou de salvar a segunda. O juiz insubordinado saiu de férias, que ninguém é de ferro. Enfim, foi um espetáculo dos mais constrangedores: disputa de poder, negociata em curso, autoritarismo redivivo, comportamentos covardes e mesquinhos, manipulação, o diabo. A última coisa que alguém realmente queria era colocar na cadeia alguns dos gângsteres de um sistema QUE É, ESSENCIALMENTE, CRIMINOSO. Enquanto o cidadão comum ignorar que Dantas, Pitta e Nahas não são a exceção, mas sim a regra, nesse pantanal em que se mesclam a economia e a política brasileiras, nada mudará. O que sobrou da prisão do Maluf? O que sobrará da prisão dessas três últimas prisões? E da próxima prisão/show? Espetáculos de execração pública só servem para fornecer catarse ao povo sofrido e deixar tudo como está. Temos visto um atrás do outro e nada realmente muda. É aquela velha história do boi de piranha: os poderosos permitem que alguns deles sofram desconfortos temporários, em nome da preservação dos seus interesses maiores. Ao invés desses ridículos mafuás, o que queremos é um Brasil no qual inexista espaço na esfera do poder para os criminosos de colarinho branco delinquirem à vontade. PALAVRA FINAL - Recebi as críticas mais delirantes de pessoas ditas de esquerda e tive até de sair de um grupo de discussão em que o debate civilizado cedeu lugar às calúnias e ofensas, apenas por ter afirmado, desde o início, que a preservação do instituto do habeas corpus era muito mais importante do que esse episódio patético e todos os seus protagonistas. No entanto, o desenrolar dos acontecimentos acabou me dando razão. Quem defende princípios, ao invés de interesses e conveniências, quase sempre ri por último. Eu busco soluções reais. Quando quiser me consolar com teatro, irei ao próprio teatro. Os atores são melhores. Sou sobrevivente da luta contra o regime militar e aprendi uma lição: não existe ditadura boa. Então, cada vez que um governo brasileiro adotar práticas autoritárias, terá em mim um adversário convicto. Estado policial, nunca mais! Defendo, irrestritamente, os direitos humanos, sejam dos pobres da periferia, sejam dos Dantas e Pittas. Na Itália se conseguiu colocar toda essa gente na cadeia sem infringirem-se as normas civilizadas. Por que não aqui? Também não se trata de reverência ante o STF, mas de preservar-se a autoridade do Poder Judiciário. Se uma liminar do STF tiver menos peso do que a vontade de Polícia Federal, haverá uma invasão das atribuições da Justiça pelo Poder Executivo. Precedente perigosíssimo num país que passou 36 anos do século passado sob regimes de força. É importantíssimo restabelecermos a aliança que houve durante a resistência à última ditadura, entre a esquerda e os defensores dos direitos humanos. Naquele momento, sim, a esquerda tinha uma agenda positiva, personificando a esperança em dias melhores. Agora defende algemas aqui e sequestradores seriais alhures. Esforço-me para que surja no Brasil uma esquerda ética e humanista, em substituição àquela que se desvirtuou e enlameou. Daí minhas restrições às posturas tacanhas desses novos jacobinos que não têm a mais remota noção de quais eram as promessas originais do marxismo.

* Celso Lungaretti, 57 anos, é jornalista e escritor.

Mais artigos em http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/

segunda-feira, 21 de julho de 2008

"Pierre Bourdieu

e a violência

simbólica"

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Conceito elaborado pelo sociólogo Pierre Bourdieu. Forma invisível de coação que se apóia, muitas vezes, em crenças e preconceitos coletivos. A violência simbólica se funda na fabricação contínua de crenças no processo de socialização, que induzem o indivíduo a se enxergar e a avaliar o mundo seguindo critérios e padrões do discurso dominante.

Uma crítica a esse conceito parte do pensamento do filósofo alemão Jürgen Habermas e diz respeito à violência equivaler sempre a agressão física, portanto exterior ao simbólico. Contudo, essa crítica, além de restringir a violência apenas a dimensão física, ignora a possibilidade de as crenças dominantes imporem valores, hábitos e comportamentos sem recorrer necessariamente à agressão física, criando situações onde o indivíduo que sofre a violência simbólica sinta-se inferiorizado como acontece, por exemplo, nas questões de bullying (humilhação constante), raça e gênero.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Viol%C3%AAncia_simb%C3%B3lica

IDEC 2008

Inscrições abertas para a Conferência de 2008, de 11 a 18 de agosto em Vancouver, Canada.

Bem-vindo à IDEC 2008
por David Gagnon

A Conferência Internacional de Educação Democrática será realizada pela primeira vez no Canadá desde sua primeira edição, há 16 anos.
(tradução: Marina Dalcorso Fodra - marinafodra@gmail.com)

A IDEC 2008 será de 11 a 18 de agosto de 2008 em Vancouver, na Universidade de British Columbia. As IDECs anteriores foram sediadas no Japão, na Inglaterra, em Israel, na Índia, na Alemanha e na Austrália, com até 500 delegados de 25 países. Os participantes da IDEC 2008 são professores, alunos, administradores e pais de alunos de escolas democráticas de todo o mundo, assim como acadêmicos da área de educação e entidades governamentais do Canadá. Aguardamos sua participação online, e esperamos encontrar você na bela Vancouver em agosto próximo.


Saiba mais sobre a IDEC 2008, ou clique aqui para saber mais sobre a IDEC em geral.

Para atualizações a respeito de Inscrições, Cronograma, Palestrantes ou outras informações, coloque seu e-mail na lista de informações à direita (IDEC 2008 announcements).

A IDEC 2008 está sendo sediada pela Associação para o Avanço da Educação Não-Coerciva (SANE, da sigla em inglês para Society for the Advancement of Non-coercive Education). Saiba mais sobre a SANE visitando o site SANE.at.org.
http://www.politeia.org.br/tiki-index.php?page=IDEC+2008

http://idec2008.org/bem-vindo-a-idec-2008/view?set_language=pt

domingo, 20 de julho de 2008

Repressão Sexual

e Trabalho em

"Eros e Civilização"

de Herbert Marcuse

Marilena Chauí (filósofa e professora da USP)

Livro - "Repressão sexual: essa nossa (des)conhecida", 1984, Marilena Chauí, Ed. Brasiliense

Numa obra intitulada "Eros e Civilização", o filósofo Marcuse aplicou conceitos da psicanálise na compreensão da repressão sexual obtida através da racionalização exercida sobre o trabalho e sobre toda a nossa vida pela sociedade contemporânea, que ele chama de sociedade unidimensional (isto é, uma sociedade sem dimensões e diferenciações, onde tudo eqüivale a tudo, se troca por tudo, tudo sendo mercadoria e objeto de consumo) e também de sociedade administrada (isto é, onde todas as nossas atividades, idéias, todos os nossos desejos e pensamentos estão sob controle de instâncias exteriores a nós e que desconhecemos.)

Marcuse fala em super-repressão e em princípio de rendimento.

A super-repressão não é apenas a repressão no sentido do recalque (1) ... Nem no sentido freudiano de contenção do princípio do prazer por exigências do princípio de realidade. A super-repressão é um conjunto de restrições e de imposições que têm como finalidade obter e conservar a dominação. É um fenômeno sócio-político.

Na teoria freudiana, a contenção do princípio do prazer pelo de realidade tinha um pressuposto: os seres humanos vivem em estado de penúria e precisam trabalhar para sobreviver. É preciso, portanto, que a libido não só seja reprimida para que energias se dirijam ao trabalho, mas também que o prazer aprenda a protelar-se e, em certos casos, a suportar frustrações definitivas. O trabalho podia, simultaneamente, tomar o lugar da libido para fins sociais úteis e podia também ser uma sublimação da libido, um meio para satisfazê-la indireta ou simbolicamente.

Ora, diz Marcuse, Freud não levou em conta um aspecto essencial da questão: a desigualdade. Isto é, que há indivíduos, grupos ou classes sociais cuja penúria é resolvida graças à condenação permanente de outros indivíduos, grupos ou classes sociais à penúria e ao trabalho forçado. A vitória do princípio de realidade sobre o do prazer foi obtida pela dominação de uma parte da sociedade sobre outra. É isto a super-repressão.

Assim como a super-repressão produz a fragmentação do processo de trabalho para que o trabalhador se transforme num incompetente e não tenha o menor controle sobre o que faz, nenhum poder de decisão e de transformação; assim como ela produz a fragmentação da produção e do consumo sob o controle da gerência científica e dos especialistas em merchandising; assim como fragmenta o lazer e os conhecimentos em mil pequenas especialidades, também fragmenta a sexualidade.(...) Continue a ler em:

http://www.cefetsp.br/edu/eso/filosofia/marcuseeroschaui.html

DERRIDA E A DESCONSTRUÇÃO(clique na imagem para vê-la ampliada)

O "apagão na educação"

e presidente Lula


sanciona novo piso

salarial para

professores
"


"TV Câmara debate evasão de professores"
Os desafios do magistério são o tema do programa Participação Popular que a TV Câmara exibe dia 16/07/08, às 21h30. O debate analisa a ameaça de o Brasil sofrer um apagão na educação por falta de novos mestres. Estudo do Conselho Nacional de Educação revela que salário, ambiente de trabalho e outros fatores podem estar afastando os jovens da profissão.(...)

Fica estabelecido com a sanção do presidente Lula o novo Piso Salarial Profissional Nacional (PSPN). A cerimônia de sanção ocorreu dia 16/07/08, no salão Oeste do Planalto, em Brasília. O novo Piso de R$950,00
deve ser implantado em todo o país até 2010(...)

SEXO!!!SEXO!!!

SEXO!!!SEXO!!!

REPRESSÃO SEXUAL!?

"Michel
Foucault"

e
"A História

da Sexualidade"


Por Lara Haje



A sociedade vive desde o século XVIII, com a ascensão da burguesia, uma fase de repressão sexual. Nessa fase, o sexo se reduz a sua função reprodutora e o casal procriador passa a ser o modelo. O que sobra vira anormal - é expulso, negado e reduzido ao silêncio. Mas a sociedade burguesa - hipócrita - vê-se forçada a algumas concessões. Ela restringe as sexualidades ilegítimas a lugares onde possam dar lucros, como nas casas de prostituição e hospitais psiquiátricos. A justificativa para isso seria que, em uma época em que a força de trabalho é muito explorada, as energias não podem ser dissipadas nos prazeres. Certo?
**Segundo Michel Foucault, filósofo francês, está quase tudo errado. A hipótese descrita acima é chamada por ele de hipótese repressiva e vem sendo aceita quase como uma verdade absoluta. Mas Foucault desconstrói esse pensamento e formula uma nova e desconcertante hipótese, mostrando a seus leitores que ainda que certas explicações funcionem, elas não podem ser encaradas como as únicas verdadeiras, pois, segundo ele, a verdade nada mais é do que uma mentira que não pode contestada em um determinado momento.
**
De certa forma, a hipótese repressiva não pode ser contestada, já que serve bem à sociedade atual. Foucault afirma que, para nós, é gratificante formular em termos de repressão as relações de sexo e poder por uma série de motivos. Primeiramente, porque, se o sexo é reprimido, o simples fato de falar dele e de sua repressão ganham um ar de transgressão. Segundo, porque, aceitando-se a hipótese repressiva, pode-se vincular revolução e prazer, pode-se falar num período em que tudo vai ser bom: o da liberação sexual. Sexo, revelação da verdade, inversão da lei do mundo são, hoje, coisas ligadas entre si. Finalmente, insiste-se na hipótese repressiva porque aí tudo que se diz sobre o sexo ganha valor mercantil. Por exemplo, certas pessoas (psicólogos) são pagas para ouvirem falar da vida sexual dos outros.
**
Esse enunciado da hipótese repressiva vem acompanhado de uma forma de pregação: a afirmação de uma sexualidade reprimida é acompanhada de um discurso destinado a dizer a verdade sobre o sexo. Foucault, no livro História da Sexualidade I, interroga o caso de uma sociedade que há mais de um século se "fustiga ruidosamente por sua hipocrisia, fala prolíxamente de seu próprio silêncio, obstina-se em detalhar o que não se diz e promete-se liberar das leis que a fazem funcionar". A questão básica não é "por que somos reprimidos, mas por que dizemos, com tanta paixão, com tanto rancor contra nosso passado mais próximo, contra nosso presente e contra nós mesmos que somos reprimidos?".
**A partir daí, o autor nos propõe uma série de questionamentos:
a repressão sexual é mesmo uma evidência histórica, como tanto se afirma por aí? Serão os meios de que se utiliza o poder mesmo repressivos? Será que não se utilizam de formas mais ardilosas e discretas de poder? A crítica feita à repressão quer mesmo acabar com esta ou faz parte da mesma rede histórica que denuncia? Existe mesmo uma ruptura histórica entre Idade da repressão e a análise crítica da repressão? Não seria para incitar a falar sobre ele que o sexo é exibido como segredo que é indispensável desencavar?
**
Não é que Foucault diga que o sexo não vem sendo reprimido; afirma, sim, que essa interdição não é o elemento fundamental e constituinte a partir do qual se pode escrever a história do sexo a partir da Idade Moderna. Ele coloca a hipótese repressiva numa economia geral dos discursos sobre sexo a partir do século XVII. Mostra que todos esses elementos negativos ligados ao sexo (proibição, repressão etc.) têm uma função local e tática numa colocação discursiva, numa técnica de poder, numa vontade de saber.
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A hipótese de Foucault é que há, a partir do século XVIII, uma proliferação de discursos sobre sexo. Diz ele que foi o próprio poder que incitou essa proliferação de discursos, através de instituições como a Igreja, a escola, a família, o consultório médico. Essas instituições não visavam proibir ou reduzir a prática sexual. Visavam, sim, o controle do indivíduo e da população.
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A explosão discursiva sobre sexo de que trata Foucault veio acompanhada de uma depuração do vocabulário sobre sexo autorizado, assim como de uma definição de onde e de quando podia se falar dele. Regiões de silêncio - ou, pelo menos, de discrição - foram estabelecidas entre pais e filhos, educadores e alunos, patrões e serviçais etc.
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A Igreja Católica, com a Contra-Reforma, deu início ao processo de incitação dos discursos sobre sexo ao estimular o aumento das confissões ao padre e também a si mesmo. As "insinuações da carne" têm de ser ditas em detalhes, incluindo os pensamentos sobre sexo. O bom cristão deve procurar fazer de todo o seu desejo um discurso. Ainda que tenha havido uma interdição de certas palavras, esta é apenas um dispositivo secundário em relação a essa grande sujeição, é apenas uma maneira de tornar o discurso sobre sexo moralmente aceitável e tecnicamente útil.
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Ainda no século XVIII e principalmente no século XIX, houve uma dispersão dos focos de discurso sobre o sexo, que antes eram restritos à Igreja. Houve uma explosão de discursos sobre sexo, que tomaram forma nas diversas disciplinas, além de se diversificarem na forma também. A medicina, a psiquiatria, a justiça penal, a demografia, a crítica política também passam a se preocupar com o sexo. Analisa-se, contabiliza-se, classifica-se, especifica-se a prática sexual, através de pesquisas quantitativas ou causais.
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Esses discurso são, realmente, moralistas, mas isso não é o essencial. O essencial é que eles revelam a necessidade reconhecida de superar esse moralismo. Supõe-se que se deve falar de sexo, mas não apenas como uma coisa que se deve simplesmente coordenar ou tolerar, mas gerir, inserir em sistemas de utilidade, regular para o bem de todos, fazer funcionar segundo um padrão ótimo. O sexo não se julga apenas, mas administra-se . Portanto, regula-se o sexo não pela proibição, mas por meio de discursos úteis e públicos, visando fortalecer e aumentar a potência do Estado (que não significa aqui estritamente República, mas também cada um dos membros que o compõe).
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Um dos exemplos práticos dos motivos para se regular o sexo foi o surgimento da população como problema econômico e político, sendo necessário analisar a taxa de natalidade, a idade do casamento, a precocidade e a frequência das relações sexuais, a maneira de torná-las fecundas ou estéreis e assim por diante. Pela primeira vez, a fortuna e o futuro da sociedade eram ligados à maneira como cada pessoa usava o seu sexo. O aumento dos discursos sobre sexo pode, então, ter visado produzir uma sexualidade economicamente útil.
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Da mesma forma em que o sexo passou a ser um problema para a demografia, também passou a despertar as atenções de pedagogos e psiquiatras. Na pedagogia, há a elaboração de um discurso acerca do sexo das crianças, enquanto, na psiquiatria, estabelece-se o conjunto das perversões sexuais. Ao se assinalar os perigos, despertam-se as atenções em torno do sexo. Irradiam-se discursos, intensificando a consciência de um perigo incessante - o que incita cada vez mais o falar sobre sexo.
**O exame médico, a investigação psiquiátrica
, o relatório pedagógico, o controle familiar, que aparentemente visam apenas vigiar e reprimir essas sexualidades periféricas, funcionam, na verdade, como mecanismos de dupla incitação: prazer e poder. "Prazer em exercer um poder que questiona, fiscaliza, espreita, espia, investiga, apalpa, revela; prazer de escapar a esse poder.
Poder que se deixa invadir pelo prazer que persegue - poder que se afirma no prazer de mostrar-se, de escandalizar, de resistir." Prazer e poder se reforçam.

**Pode-se afirmar, então, que um novo prazer surgiu:
o de contar e o de ouvir. É a obrigação da confissão, que se difundiu tão amplamente, que já está tão profundamente incorporada a nós, que não a percebemos mais como efeito de um poder que nos coage. A confissão se diversificou e tomou novas formas: interrogatórios, consultas, narrativas autobiográficas. O dever de dizer tudo e o poder de interrogar sobre tudo se justificam no princípio de que a conduta sexual é capaz de provocar as consequências mais variadas, ao longo de toda a existência. O sexo aparece como uma superfície de repercussão para outras doenças. Mas pressupõe-se que a verdade cura quando dita a tempo e quando dita a quem é devido.
**Michel Foucault constrói, portanto,
uma nova hipótese acerca da sexualidade humana, segundo a qual esta não deve ser concebida como um dado da natureza que o poder tenta reprimir. Deve, sim, ser encarada como produto do encadeamento da estimulação dos corpos, da intensificação dos prazeres, da incitação ao discurso, da formação dos conhecimentos, do reforço dos controles e das resistências. As sexualidades são, assim, socialmente construídas. Assim como a hipótese repressiva, é uma explicação que funciona. Cada um que aceite a verdade que mais lhe convém. Ou invente novas verdades.http://www.abordo.com.br/sat/res01_lara.htm

"LÍNGUA" - CAETANO E ELZA SOARES NO CHACRINHA (clique aqui)

"BASE DE GUANTÁNAMO"-CAETANO VELOSO

Caetano comenta a música "Base de Guantánamo"

"HAITI" - CAETANO VELOSO E GILBERTO GIL(clique aqui)

"COISA ASSASSINA" - MAUTNER E VELOSO (clique aqui)

"ALAGADOS" - PARALAMAS DO SUCESSO (clique aqui)

"BRASIL" - CAZUZA (clique aqui)

"A polarização

costuma ser um

dos traços

distintivos


do mundo

intelectual francês"


O Brasil tem grande influência da cultura francesa,desde o Brasil Colônia,até a fundação da FFLCH da USP,quando muitos intelectuais franceses vieram para cá para colaborar com esta empreitada...e ainda hoje Caetano Veloso, com sua forma de expressar idéias...bom,suas idéias contraditórias,que são alvo de humoristas e etc,revelam a grande influência que teve dos intelectuais franceses. Nadia Stabile - 20/07/08

Abaixo coloco matérias do site :
http://www.homme-moderne.org/societe/socio/bourdieu/mort/jdb25012.html

Sobre o falecimento de Pierre Bourdieu,em 2002.

"O sociólogo

militante"


Jornal do Brasil, Rio, 25/JAN/2002.

Morre o francês Pierre Bourdieu, renovador das ciências sociais e guru da luta antiglobalização.

Considerado o maior nome da Sociologia na França, responsável por uma renovação das Ciências Sociais que alcançou universidades de todo o mundo, Pierre Bourdieu morreu de câncer, aos 71 anos, na noite de quarta-feira no Hospital de Saint-Antoine, em Paris. Titular desde 1982 da cadeira de Sociologia do Collège de France, Bourdieu seguiu, a partir dos anos 90, uma tradição da vida cultural francesa - que vai de Émile Zola a Jean-Paul Sartre - ao projetar-se cada vez mais como um intelectual público, protagonista de polêmicas na imprensa e engajado em causas políticas. ''Não há democracia efetiva sem um verdadeiro contra-poder crítico. O intelectual é um deles - e de primeira grandeza'', disse certa vez. Apesar das críticas ferinas de Bourdieu à classe política, o primeiro-ministro da França Lionel Jospin, numa mensagem de condolências, afirmou que o país perdeu ''uma grande figura de sua vida intelectual''. [Photo] Embora tenha firmado sua reputação nos meios acadêmicos entre os anos 60 e 80, foi só na última década que Bourdieu tornou-se conhecido de um público mais amplo, ao assumir o papel de ideólogo do movimento antiglobalização. A imagem do militante acabou se fundindo ou se sobrepondo à figura do professor e pesquisador. Ao comentar essa dicotomia - para ele falsa -, Bourdieu escreveu num de seus últimos livros, Contra-fogos 2 (Editora Jorge Zahar): ''Pela lógica do meu trabalho, fui levado a ultrapassar os limites em que me tinha fixado em nome de uma idéia de objetividade, que passei a ver como uma forma de censura.'' [Photo] A guinada de Bourdieu, marcada pelo lançamento em 1993 do livro A miséria do mundo (Editora Vozes), aproximou o intelectual dos movimentos sociais e lhe trouxe a amizade de personagens como José Bové, o agricultor francês que ficou famoso ao depredar uma loja de McDonalds em seu país. ''Para ele, a própria vida já representava um engajamento'', disse Bové, diante da notícia da morte do amigo. [Photo] Crítica - Para alguns colegas do mundo universitário, no entanto, a militância de Bourdieu teria roubado parte do rigor acadêmico de sua obra. Ao comentar a morte do sociólogo para o jornal Le Monde, Luc Boltanski, diretor da École des Hautes Études en Sciences Sociales, preferiu distinguir entre ''uma obra importante e discutível, no bom sentido do termo, e a propaganda dos últimos anos, promovida por um grupo de seguidores dogmáticos''. Segundo Boltanski, ''como ocorreu com o lacanismo, ele tinha à sua volta, uma espécie de pequeno grupo de seguidores autoproclamados. A parte de sua obra que considero mais interessante é a que se refere à Antropologia. O mais discutível é o endurecimento do seu sistema a partir da metade dos anos 70, com uma forte tendência positivista.'' [Photo] O francês Louis Pinto, discípulo de Bourdieu que publicou há dois anos um livro sobre o sociólogo, Pierre Bourdieu e a teoria do mundo social

"Um intelectual para

um outro mundo

possível"


EMIR SADER
Jornal do Brasil
,
Rio, 25/JAN/2002.


Enquanto Sartre vivia, as pesquisas sobre o principal intelectual francês o tinham como
hors concours, de tal forma sua obra e seu estilo de intervenção intelectual davam a pauta do tipo de atuação que um pensador engajado com o seu tempo deveria ter. Assim que ele morreu, a primeira escolha recaiu sobre Lévi-Strauss, uma espécie de anti-Sartre, nem tanto por haverem polemizado entre si, mas pelo estilo de trabalho acadêmico de Lévi-Strauss, que dizia ter assinado um único manifesto - ''de apoio à luta das nações indígenas brasileiras'' -, ainda assim porque diretamente relacionado a seu objeto de estudo e pelo vínculo estreito que ele havia estabelecido com o Brasil. [Photo] Iniciava-se assim um longo período regressivo, de predominância do conservadorismo na vida intelectual francesa. Do ''assalto ao céu'' das barricadas de 68, apoiadas por Sartre, passou-se ao minimalismo político de Foucault, expressão de posição defensiva, cética, ancorada numa visão pessimista do mundo, que renunciava aos grandes projetos históricos, com a desconfiança de que estes desembocariam fatalmente no totalitarismo. Passou-se de uma certa hegemonia do pensamento marxista ''com sua dicotomia capitalismo/socialismo'' à hegemonia liberal, com a centralidade da polarização democracia/totalitarismo, em que o capitalismo se apagava em favor da democracia liberal e o socialismo era condenado pela ''ditadura do proletariado'' teoricamente e pela natureza do regime soviético, em termos concretos. [Photo] Solidariedade - Esse clima se manteve na França até os anos 90, quando o pensamento crítico voltou a ocupar um lugar de destaque. A obra de Pierre Bourdieu tinha conseguido um acúmulo de capacidade analítica e crítica desde seus escritos ainda dos anos 60, com Jean-Claude Passeron, que deram partida para as suas grandes teorias da noção de ''campo'' e seus desdobramentos. Porém, o lugar político dessas elaborações era ínfimo, até que as brechas da hegemonia do ''pensamento único'' começaram a aparecer mais abertamente. Para isso Bourdieu teve um papel essencial, que é preciso reconhecer com todo destaque, mais além do poder analítico de suas obras teóricas. [Photo] Na greve do serviço público francês de 1995/1996, que derrubou o governo de direita e possibilitou o retorno dos socialistas, com Leonel Jospin, Bourdieu esteve à cabeça dos movimentos de solidariedade com o setor público e com espírito público, contra aqueles que, ''como Alain Touraine, por exemplo'', representavam o espírito de privatização do Estado, identificando a social-democracia com o neoliberalismo. [Photo] Aquela divisão marcou a intelectualidade francesa e representou um novo ponto de partida para o engajamento político de parte da sua intelectualidade, vinculada a novos movimentos políticos. Contemporâneos são o editorial do Le Monde Diplomatique, de Ignace Ramonet, uma convocação para romper com o ''pensamento único'', assim como a fundação de Attac e a própria coleção de livros de bolso dirigida por Bourdieu, que alimentou os novos movimentos. [Photo] Visões americanas - Bourdieu passou a ocupar o lugar de intelectual comprometido com a denúncia do farisaísmo teórico do neoliberalismo, com todas as suas variantes, inclusive a ''terceira via'', e com o apoio aos novos movimentos que questionam a globalização liberal em nome de um outro mundo possível. Na sua mais recente entrevista, Bourdieu se identifica plenamente com os movimentos que explodiram à superfície em Seattle e que desembocam no Fórum Social Mundial de Porto Alegre. Sua obra, restrita até aqui ao mundo acadêmico, tem sido recentemente divulgada de forma mais ampla, a partir do prestígio conquistado por Bourdieu nos combates ideológicos franceses, de que ele foi o protagonista mais importante. Um de seus textos mais recentes denuncia o que ele chama de ''argúcias da razão imperialista'', para designar as modalidades diretas e dissimuladas de hegemonia americana no pensamento acadêmico e até mesmo jornalístico ocidental. Também o Brasil é objeto de sua preocupação, ao constatar como as visões estritamente americanas sobre os temas raciais tendem a ser induzidas por uma parte do pensamento universitário brasileiro, em detrimento das análises concretas, do seu caráter necessariamente histórico. [Photo] ''O que pensar, efetivamente, desses pesquisadores americanos que vão ao Brasil para incentivar os líderes do Movimento Negro a adotar as táticas do movimento afro-americano de defesa dos direitos civis e a denunciar a categoria de pardo (termo intermediário entre branco e preto, que designa as pessoas de aparência física mista), com o objetivo de mobilizar todos os brasileiros de ascendência africana em base a uma oposição dicotômica entre afro-brasileiros e brancos, no exato momento em que, nos Estados Unidos, os indivíduos de origem mista se mobilizam para obter do Estado americano (começando pelo Setor do Censo) o reconhecimento oficial dos americanos mestiços e deixe de classificá-los forçosamente sob a etiqueta única de negro?'' Esse é o estilo agudo e polêmico de Bourdieu, que, como nenhum outro intelectual francês contemporâneo, soube associar teoria e política, reflexão conceitual e intervenção concreta, crítica e ação. Sua obra e seu estilo, retomando aquele deixado por Sartre - tardiamente reconhecido, com justiça, como ''o intelectual do século'' -, apontam para os novos movimentos políticos e para uma nova geração do pensamento crítico também entre nós. (Editora FGV), explica que a originalidade de sua obra trouxe ''uma nova maneira de ver o mundo social'' pela qual ganham maior relevância ''as estruturas simbólicas''. Mas, se numa primeira fase Bourdieu priorizava, entre estas estruturas, a educação, a cultura, a literatura e a arte, nos últimos anos procurou dissecar a mídia, a política e a economia. [Photo] Para o filósofo francês Jacques Derrida, o mundo perdeu ''uma grande e original figura'', cuja maior contribuição foi ter tentado criar ''uma sociologia da Sociologia''.

CIBER PICHO

ciber picho os muros das almas
e as almas dos muros
ciber picho o individualismo
que divide nosso país
ciber picho quem não enxerga os vários "BRASIS"
quem nivela tudo pelo meio
ciber picho os muros que cairam
e que ainda existem
ciber picho os que não conseguem pichar
ciber picho os que continuam dando murros em ponta de faca
que assistem novelas e torcem pros "Ronaldinhos"
e que deixam-se aprisionar pelo quarto poder
ciber picho um povo sonâmbulo
um povo que se rende a mediocridade rotineira
da mídia televisiva
ciber picho os anestesiados pelo consumo
ciber picho porque correr da polícia desnorteada
nunca seria minha praça
ciber picho os que nunca ciber picharam
ciber picho pra unir o útil ao agradável
pra unir o que nunca foi unido
pra navegar ao invés de viver
ciber picho porque sou doida
ciber picho porque não tenho medo do ridículo
este ridículo é menos ridículo do que ser cego
ciber picho senão morreria
ciber picho porque sei que há muito o que descobrir
ciber picho pra recuperar o tempo perdido
o tempo em que assistia novelas
o tempo em que não percebia quais eram as repressões
e porque eu era oprimida
ciber picho pra não vomitar
e pra vomitar fósseis
fósseis emparedados,
fósseis cochichados
fósseis proibidos que por um tempo me enterraram viva
ciber picho pra acordar os mortos
ciber picho pra denunciar os mortos sem sepultura
ciber picho pra continuar viva
ciber picho pra aprender a navegar


ciber picho os muros das almas
e as almas dos muros

nadia stabile
20/07/08

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